terça-feira, 14 de abril de 2015

Sarah. A história rocambolesca da filha secreta de Diana


Tablóide norte-americano "Globe" insiste que este é o maior escândalo real de sempre e o Palácio de Buckingham não comenta. O i conta-lhe tudo o que se sabe

Seria tudo menos um conto de fadas – pelo menos para a família real britânica –, e promete continuar a dar que falar pelo menos até que alguém lhe meta um ponto final. O tablóide norte-americano “Globe” insiste que Diana deixou uma filha que pode também ser descendente de Carlos. Nesse caso, o lugar de William na sucessão ao trono poderá estar em causa, o que leva a publicação a falar da história real mais chocante de sempre. Sarah, o nome da alegada filha, terá nascido em Outubro de 1981, sendo oito meses mais velha do que William. E desde 2011 que o trono britânico cabe ao primogénito absoluto, ou seja, se Sarah for mesmo a filha mais velha do casal, o lugar de rainha poderá um dia ser seu.

A questão por agora ainda é se “Sarah” existe. Se está a pensar numa convencional história de filhos bastardos na realeza, desengane-se. Esta é, segundo tem relatado o “Globe” – o único órgão de comunicação que publica informações novas sobre o assunto – uma novela muito mais moderna. Por algum motivo, a última capa que o tablóide lhe dedicou este mês está a fazer correr mais tinta que as anteriores, mas para perceber o enredo é preciso recuar a 2012. Aí começam as suspeitas e também as dúvidas.

A 20 de Janeiro de 2012 a ideia de que Diana teve uma filha secreta (até para a própria, que a ser verdade nunca terá sabido disso) surge pela primeira vez na capa do tablóide. Parece esquisito, mas já explicamos. O “Globe” dá conta da publicação de um livro que conta tudo sobre uma filha de Diana de que sempre se especulou nos bastidores da realeza britânica, atribuindo todas essas especulações a fontes não identificadas.

Este jornal não disponibiliza as suas peças online mas segundo um artigo publicado na altura pelo site “Examiner”, são muitas as dúvidas suscitadas na primeira publicação, entre as quais o facto de apresentarem uma “fotomontagem” de como seria a alegada filha para ilustrar as revelações. Ora esta fotografia voltou a surgir nas duas capas do “Globe” sobre o assunto, em Dezembro de 2014 e a última na semana passada, sem nunca se referir tratar-se de uma montagem. E é a fotografia alegadamente manipulada que tem sido usada pelos diferentes meios de comunicação para partilhar a história do “Globe”, o que enviesa um pouco a leitura desprevenida de que a história só pode ser verdade porque Sarah é mesmo a cara da mãe.

Se este problema com a história parece grande o suficiente, está longe de ser o único. O livro que na altura o “Globe” considerou ser revelador de toda a verdade sobre a filha de Diana chama-se “The Disappearance of Olivia” e foi a primeira obra da novelista Nancy E. Ryan. Poucos dias depois da primeira publicação do “Globe”, em Janeiro de 2012, a autora faz um comentário na sua conta do Twitter que indicia que o tablóide, famoso pelas suas informações exclusivas, dera mais uma vez um passo maior do que a perna. “O livro apresenta um cenário plausível. O ‘Globe’ apresenta-o como verdadeiro. É ficção”, diz Ryan.

No livro, a filha desconhecida de Diana chama-se Olivia e é também filha de Carlos. É fruto de um bizarro escrutínio da família real para garantir que o casamento badalado do herdeiro da coroa com uma plebeia pelo menos poderia deixar descendência saudável.

Nesta trama, que a autora garante ser ficção, Diana “de 19 anos e virgem” teria sido obrigada a ceder óvulos para uma fertilização in vitro para que se verificasse se embriões resultantes do seu material genético e de Carlos eram viáveis. Na altura a técnica dava os primeiros passos, já que o primeiro bebé proveta nasceu em 1978 e estaríamos em 1980. Após a confirmação, os médicos da coroa teriam mandado destruir os embriões para que Diana e Carlos procriassem normalmente após casarem. No livro, o vilão é o médico responsável pela fertilização, que à revelia de todos terá guardado um embrião e feito o implante na mulher, que sem saber gerara Olivia, a filha que Diana sempre desejara.

Mentira ainda pode ser verdade Se podia bastar a garantia de Nancy de que a história é inventada para destruir a tese do “Globe”, as coisas complicam-se. Em Dezembro do ano passado, William e Kate fizeram a primeira visita oficial a Nova Iorque. Segundo o “Globe”, é aqui que a história da filha secreta de Diana ganha novos contornos, ao ser o verdadeiro motivo pelo qual a duquesa fez a viagem, já grávida do segundo filho.

Segundo o tablóide, o livro de Ryan motivou uma investigação que levou a família real a descobrir que, de facto, existe mesmo uma terceira descendente de Diana, a tal Sarah (que aparece ilustrada com a fotografia de quando não se sabia que era ela...). Segundo, mais uma vez, fontes não identificadas, a história apurada pelos detectives reais é parecida com a descrita no livro de Ryan e Kate terá ficado perplexa quando viu as parecenças entre a mulher de 33 anos e Diana. Fica contudo por esclarecer se, na história real, o pai é Carlos ou os óvulos de Diana foram fertilizados por outro.

Segundo o “Globe”, Sarah e Kate terão estado 44 minutos juntas numa suite do hotel Hotel Carlyle. Sarah terá sido disfarçada de criada para não lançar suspeitas e terá contado à duquesa que só percebeu que não era filha dos seus pais depois de estes morrerem num acidente quando tinha 20 anos. Descobriu um diário em que se referia ter nascido através de fertilização in vitro, e como sempre lhe disseram ser parecida com Diana ficou intrigada. Há dois anos, quando procurava informação, terá recebido uma mensagem que a aconselhou a deixar-se de pesquisas se “dava valor à sua vida.” Após a ameaça, mudou-se do Reino Unido para New England, nos EUA.

Segundo a mais recente edição do “Globe”, o caso não só é sério como estará a incomodar cada vez mais Buckingham. Desta feita, o jornal publica uma imagem do que diz ter sido um encontro de Sarah com Carlos a 20 de Março. A mulher por assumir terá ganhado coragem para regressar ao Reino Unido e confrontar a alegada família. Segundo a mesma edição, Carlos ter-se á recusado a fazer um teste de ADN e acredita que estão a ser alvo de um golpe. E é neste ponto que estamos. A história parece pouco verosímil, mas nem a insistência leva a família real britânica a pronunciar-se. Contactado ontem pelo i, o Palácio de Buckingham recusou fazer qualquer comentário.

fonte: i online