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domingo, 8 de novembro de 2020

Tubarão de duas cabeças e dois corações encontrado no Brasil

 

Animal não só possui duas cabeças, mas também apresenta dois corações e duas colunas vertebrais independentes, além de outros órgãos internos duplos.

Cientistas brasileiros descobriram o primeiro tubarão de duas cabeças alguma vez visto. O animal foi encontrado por pescadores junto ao litoral de São Paulo, entre Itanhaém e Peruíbe, avança a Globo.

De acordo com especialistas, a causa da anomalia pode estar ligada, entre outros fatores, à poluição dos oceanos.

De acordo com o professor e biólogo Ederis Queiroz, do Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente (Ibimm) de Peruíbe, este é "o primeiro caso do mundo, registado e documentado na literatura, de um tubarão galhudo gémeo siamês encontrado na natureza".

O biólogo marinho explica que o animal foi doado para estudo. A partir das análises, os investigadores descobriram que o tubarão não só possui duas cabeças, mas que também apresenta dois corações e duas colunas vertebrais independentes, além de outros órgãos internos duplos.

O cientista diz que não é possível determinar a causa da anomalia, mas que a poluição dos oceanos é uma das causas possíveis. "Os tubarões acumulam metais pesados na sua alimentação, e isso pode gerar o que chamamos de uma mutação, uma anomalia", explicou.

O fenómeno, segundo Edris, também pode estar ligado a alterações genéticas e problemas no útero da mãe: "A compressão do útero pode fazer um ovo fundir-se com outro. Não temos como ter a certeza pois são fenómenos raríssimos. Não sabemos se a raridade acontece porque simplesmente não encontramos este tipo de tubarões ou se são fenómenos realmente diferenciados".

"Com estas novidades, talvez seja possível chamar atenção para os problemas sérios que têm ocorrido nos ambientes marinhos. Este estudo vai ajudar a procurarmos medidas que ajudem na preservação e conservação das espécies", rematou.


domingo, 8 de março de 2020

Primeira espécie descoberta já com plástico no organismo

Eurythenes plasticus

Foi encontrada uma nova espécie de anfípode a 6,9 quilómetros de profundidade. Esta é a primeira espécie a conter plástico no seu corpo no momento em que foi descoberta.

Esta nova espécie, descoberta na Fossa das Marianas, foi batizada como Eurythenes plasticus, para salientar o facto de ter plástico no corpo, apesar de habitar nas profundezas do mar.

Alguns dos espécimes analisados pelos investigadores da Universidade de Newcastle, que publicaram os resultados na revista Zootaxa, tinham no seu organismo tereftalato de polietileno, que entra na composição dos sacos de plástico que usamos em casa, das garrafas de água e de algumas roupas de ginásio.


domingo, 23 de fevereiro de 2020

Pássaro com 46 mil anos foi encontrado congelado na Sibéria

Pássaro com 46 mil anos foi encontrado congelado na Sibéria

De acordo com a CNN, o pássaro com 46 mil anos encontrado na Sibéria em extraordinário estado de conservação foi identificado pelos cientistas como uma cotovia com chifres.

Foi encontrado, numa vila do nordeste da Sibéria, por locais que procuravam fósseis de marfim, enterrado no pergelissolo, que é um tipo de solo permanentemente congelado que se encontra nas regiões do ártico. Os arqueólogos amadores terão percebido que se tratava de um espécime com milhares de anos, uma vez que o entregaram para ser analisado por especialistas.

A datação por radiocarbono, realizada no Museu Sueco de História Natural, determinou que o pássaro viveu há 46 mil anos e testes genéticos identificaram-no como uma cotovia com chifres (Eremophila alpestris), noticia a CNN, que entrevistou os dois especialistas responsáveis pela investigação, Nicolas Dussex e Love Dalén.

Dálen disse à estação de televisão que o pássaro pode ser antepassado de duas subespécies atuais de cotovia - uma no norte da Rússia e a outra na estepe mongol - e que a descoberta indicava que as mudanças climáticas que ocorreram no final da última Era Glaciar levaram à formação de novas subespécies.

A ave, encontrada no nordeste da Sibéria, estava em excelentes condições de preservação, provavelmente num estado muito semelhante ao da altura da sua morte. O frio e a estabilidade do solo explicam este fenómeno, de acordo com Love Dálen que disse à CNN que a próxima etapa da investigação seria dedicada à sequenciação do genoma do pássaro milenar, para perceber a relação com as subespécies atuais e a evolução daquela espécie.

A possibilidade de estudar o genoma de espécies tão antigas é extraordionária, segundo Nicolas Sussex, "porque permite perceber a evolução da fauna da era glaciar e como responderam às mudanças climáticas nos últimos 50 a 10 mil".


sábado, 27 de julho de 2019

Nova teoria da conspiração afirma que calor afeta vida do monstro do lago Ness

Resultado de imagem para Monstro do lago Ness volta a aparecer em imagem de sonar

Os teóricos da conspiração afirmam que o monstro do lago Ness teria se aproximado em meio à onda de calor, apontando como provas as "duas formas estranhas" filmadas em vídeo.

O clima extremamente quente que está fazendo sofrer as pessoas em toda a Europa, da Itália à Holanda e ao Reino Unido, acabou tendo alguns benefícios para os entusiastas que se esforçam para provar que o lendário monstro do lago Ness existe. Os entusiastas sugerem que a mudança climática também pode ter afetado a misteriosa criatura.

As duas figuras desfocadas, que se movem pela baía de Urquhart em um dos lagos mais famosos da Terra, o lago Ness, foram capturadas em imagens granuladas por uma webcam de campo, colocada pelo entusiasta da pesquisa Mikko Takala.

Seu colega, o "caçador de monstros" da Irlanda Eoin O’Faodhagain, viu o que pode ser não um, mas dois monstros do lago Ness, quando ele assistiu à transmissão em 10 de julho, relata a edição The Sun. De acordo com ele, ambos tinham cerca de 6 metros de comprimento e assomaram da água.

"Eu nunca tinha visto dois objetos tão próximos um do outro na webcam antes e eu tenho observado por anos. A sua forma na água é muito estranha. O que são eles, isso não sei. Podem ser duas Nessies", indicou o observador do lago Ness, que afirma ter visto a lendária criatura quatro vezes, incluindo três só este ano.

Duas formas estranhas

Ele insiste que "as duas formas estranhas eram idênticas uma à outra" e estavam indo na mesma direção, levando-o a concluir que eram dois objetos separados. A mídia, no entanto, aponta que, além das duas formas de aparência estranha, outro objeto maior que se assemelha a um barco pode ser visto na filmagem. Isto colocou em dúvida a versão de que poderiam ser duas Nessies.

Takala, cuja câmera captou a alegada aparência de Nessie, sugeriu que a onda de calor que agora está queimando a Europa, poderia ser o que teria forçado as criaturas misteriosas a se aproximarem dos humanos.

"Houve um ligeiro aumento da temperatura da superfície no lago Ness devido à mudança climática. É possível que uma criatura de sangue frio como Nessie possa ser encorajada a voltar e/ou ficar mais tempo nas águas aquecidas do lago Ness", concluiu o homem, que tem observado o lago por mais de 20 anos.

O número de formas capturadas no vídeo também não o surpreendeu, pois ele "sempre acreditou que tem que haver uma família de criaturas desconhecidas no lago, embora seja pequena". Porque, afirmou o observador, é "muito difícil acreditar que uma única criatura pode viver centenas, se não milhares de anos, ou mais".

fonte: Sputnik News

terça-feira, 11 de junho de 2019

Sardenha vive a pior invasão de gafanhotos dos últimos 60 anos


Os gafanhotos chegam todos os anos aquela ilha italiana durante os meses de Verão, mas nunca como está a acontecer este ano

Ilha italiana invadida por gafanhotos. Já há plantações atingidas e casas também. De acordo com a comunicação social local, esta é a pior praga os últimos 60 anos.

Enxames de gafanhotos estão a invadir a Sardenha e já atingiram a província central de Nuoro, destruindo plantações e atacando casas em Ottana e Orani.

De acordo com as autoridades locais, mais de 2000 hectares de terras agrícolas já foram destruídos por verdadeiros "cobertores" de insetos.

Esta invasão tem sido associada a um aumento recente das temperaturas após meses de muito frio na ilha. "Há milhões no campo", garante a Associação de Produtores italianos Coldiretti, em comunicado divulgado esta segunda-feira.

"Os gafanhotos emergem em terras não cultivadas, mas depois vão para terras cultivadas para comer", refere a associação, acrescentando haver já pouco a fazer para remediar a situação.

O jornal nacional La Stampa dá conta de que já foram afetadas 12 herdades, com pastagens de animais e "pouca coisa para a colheita".

Os gafanhotos aparecem geralmente nesta ilha mediterrânea nos meses de verão, entre junho e agosto, mas não como este ano.

Mas a Itália está a lutar também ao norte do continente contra uma praga de percevejos, que estão a destruir árvores de frutos, informou a Associação de Produtores Coldiretti.


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Os polvos estão a ficar cegos por causa das alterações climáticas


Níveis baixos de oxigénio nos oceanos do mundo podem fazer com que alguns invertebrados marinhos, incluindo caranguejos e polvos, percam a visão – pelo menos temporariamente.

Sabemos há algum tempo que os animais terrestres são afetados pelos níveis de oxigénio. Por exemplo, os humanos podem perder a função visual em ambientes de baixo oxigénio. Por exemplo, se os pilotos de caças a jato não receberem oxigénio suplementar em altitudes elevadas, terão problemas de visão, pressão alta e derrames.

Agora, investigadores do Scripps Institute of Oceanography demonstraram que os animais marinhos também são altamente sensíveis à quantidade de oxigénio disponível na água. “Com todo o conhecimento sobre o oxigénio afetar a visão em animais terrestres, fiquei a pensar se animais marinhos reagiriam de maneira semelhante”, disse a principal autora, Lillian McCormick, um comunicado.

De acordo com o artigo publicado a 13 de maio na revista Journal of Experimental Biology, McCormick descobriu que quatro invertebrados marinhos da Califórnia – lula myopsid, polvo-da-Califórnia, caranguejo de atum e brachyuran – tiveram uma redução de visão entre 60 e 100% sob condições de baixo oxigénio.

“Fiquei surpreendida ao ver que, mesmo após alguns minutos de exposição ao oxigénio baixo, algumas destas espécies tornaram-se praticamente cegas“, disse McCormick.

Para testar as respostas desses animais ao oxigénio reduzido a curto prazo, McCormick colocou amostras de larvas num microscópio com água do mar a qual foi gradualmente reduzida nos níveis de oxigénio. A investigadora expôs os animais às condições de luz e registou as suas respostas visuais usando uma “máquina de eletrocardiograma para o olho” na qual os elétrodos estavam conectados às suas retinas.

Em todos os casos, McCormick observou respostas imediatas quando a disponibilidade de oxigénio diminuía. O caranguejo e a lula perderam quase toda a sua visão quando o nível de oxigénio diminuiu para apenas 20% dos níveis da superfície. Os polvos foram mais capazes de tolerar a falta de oxigénio e os caranguejos foram os mais resilientes(embora ainda afetados).

Lilly McCormick


Larva de polvo da espécie Octopus bimaculoides, o polvo-da-Califórnia

Quando o oxigénio foi restaurado, a maioria dos espécimes recuperou pelo menos parte da função visual. Isto terá a ver com um conceito chamado fototransdução, um sistema visual altamente complexo que traduz a energia da luz em sinais neurais que dão aos animais a sua visão.

É um dos processos mais “energeticamente caros” e, sem isso, muitas espécies podem enfrentar condições de risco de vida. Por exemplo, muitas espécies de larvas migram verticalmente dependendo da hora do dia, indo para as profundidades durante as horas mais leves e subindo para a superfície à noite. Sem visão, podem perder-se, confundir-se e romper os ciclos naturais.

Os níveis de oxigénio nos oceanos do mundo mudam devido a processos naturais, mas estes estão a ser acelerados por mudanças climáticas e poluição influenciadas pelo homem. O aquecimento atmosférico causado pelas emissões de gases de efeito estufa diminui um processo chamado de ressurgência, em que a água superficial bem oxigenada é misturada com água pobre em nutrientes das profundezas.

Além disso, a poluição tem sido associada à eutrofização em ambientes próximos à costa que fazem com que espécies de plâncton floresçam e esgotem os níveis de oxigénio.


fonte: ZAP

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Há um peixe que se adapta a níveis letais de poluição da água


O killifish do Golfo (Fundulus grandis) estava condenado à extinção devido à poluição causada pela atividade humana, mas foi capaz de desenvolver a capacidade de permanecer nas águas contaminadas.

Os níveis letais de poluição do seu território colocaram a sobrevivência do killifish do Golfo (Fundulus grandis) sob ameaça. Mas há alguns males que vêm por bem: a população de peixes evoluiu de forma a conseguir permanecer nas águas sujas do Houston Ship Channel, no Texas, graças aos genes que adquiriu do seu parente, o killifish do Atlântico. Uma história feliz de adaptação e hibridação.

O killifish do Golfo mede apenas 18 centímetros, mas é um dos maiores peixes da sua espécie. Este peixe pode ser encontrado em estuários costeiros ao longo do norte do Golfo do México e da costa do Atlântico, onde serve de refeição favorita a trutas ou linguados.

Podemos também encontrá-lo no Houston Ship Channel, nas águas que permanecem altamente poluídas há mais de seis décadas, devido à atividade industrial da região. Neste habitat, o killifish do Golfo serve como uma espécie de intermediário, uma vez que fornece a rota para a poluição entrar na cadeia alimentar humana.

Uma equipa de cientistas da Baylor University, no Texas, quis descobrir como é que esta espécie se adapta à mudança ambiental rápida e extrema que se tem verificado ao longo do tempo.

Para isso, os cientistas examinaram o killifish do Golfo de 12 locais diferentes do Houston Ship Channel e de Galveston Bay (outro estuário também localizado no Texas), e cultivaram a mesma espécie nas instalações de aquicultura da universidade para testarem a sua resistência e tolerância à poluição.

Para isso, explica o IFL Science, os embriões de cada população foram expostos a poluentes-modelo que imitam os produtos químicos encontrados no Houston Ship Channel.

A equipa descobriu que os espécimes recolhidos dos estuários apresentavam os níveis mais altos de resistência à poluição e, ao sequenciar os genomas, descobriram que aqueles que melhor se adaptavam a este ambiente poluído apresentavam uma grande quantidade de variedade genética.

Elias Oziolor, um dos autores do estudo, esclareceu em comunicado que os “imensos tamanhos populacionais de killifish do Golfo permitem que esta espécie retenha a grande quantidade de variação genética. Mas “sob a pressão radical da poluição, a solução final não foi a sua própria variação genética, mas a variação que tiveram a sorte de capturar das suas espécies irmãs, o killifish do Atlântico, através da hibridação.”

Contudo, apesar de ser animador ver que a adaptação a ambientes em mudança ocorre a uma velocidade tão rápida, os cientistas alertam para o facto de esta não ser uma solução que resolve o imenso problema da degradação ambiental causada pelo Homem. O artigo científico foi recentemente publicado na Science.

fonte: ZAP

domingo, 31 de março de 2019

O Alasca está com 21 graus. É recorde mas ainda pode subir


Está mais quente junto ao Ártico do que nas planícies dos Estados Unidos da América e os especialistas do clima alertam que ainda podem subir.

É considerado um valor recorde. O estado norte-americano do Alasca está com temperaturas altas, com valores inéditos a serem registados, enquanto no resto do território dos Estados Unidos da América verifica-se, neste fim de semana, uma queda nas temperaturas.

Partes do estado do Alasca, o mais setentrional dos EUA, situado no extremo norte ao lado do Canadá, registaram as primeiras leituras de 21,1º Celsius. Klawock, uma cidade no sudeste do Alasca, registou esta temperatura máxima em 19 de março, e foi o primeiro lugar no estado a atingir essa temperatura.

Espera-se que mais recordes sejam batidos neste fim de semana, com as temperaturas a subir 10º C acima do normal. Enquanto isso, cidades como Boston ainda esperam por um dia em que a temperatura supere os 21º C, mais de uma semana após o início oficial da Primavera.

Desde o início do mês, o Alasca viu 55 temperaturas máximas diárias igualadas ou superadas até 23 de março, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. Neste sábado, Anchorage espera um máximo de 7,8º C, que será mais quente do que em muitos lugares nas planícies, o que se estende mesmo até ao sul de Oklahoma. Anchorage alcançou 8,8º C na segunda-feira, o que é valor elevado, com o recorde anterior a remontar a 1970. A cidade mais populosa do Alaska não teve neve mensurável em março pela segunda vez na história.

Fairbanks é semelhante. Até esta semana, a cidade nunca teve dias consecutivos como este em março, quando as temperaturas ficaram acima de zero. Na segunda e terça-feira de manhã, as temperaturas não caíram abaixo de 1,1° C.

De acordo com o especialista em clima Brian Brettschneider, baseado no Alasca, "a data mais próxima para baixas temperaturas de congelação acima de zero foi de 15 de abril a 16 de abril de 1978".

Kotzebue, ao norte do Círculo Polar Ártico, estabeleceu ou empatou o recorde diário todos os dias desta semana, começando na quinta-feira, com temperaturas logo acima do ponto de congelamento. A cidade também estabeleceu uma temperatura mínima recorde nove vezes este mês.

Estas temperaturas confortáveis num início da primavera podem parecer uma coisa boa para os habitantes do Alasca, mas estão longe de o ser. Os efeitos da alteração climática estão a afetar o Alasca mais rapidamente do que a maioria dos lugares, e muitos climatologistas consideram o território o ponto zero no mundo que sofre com o aquecimento global.


sexta-feira, 1 de março de 2019

Cientistas conseguiram transformar CO2 em carvão


Investigadores criaram uma técnica para converter o principal gás com efeito de estufa em carvão. Se se provar viável, pode ser uma ajuda no combate às alterações climáticas

Não podemos viajar literalmente para o passado, mas transformar o dióxido de carbono (CO2) novamente em carvão e voltar a enterrá-lo é um pouco como fazer retroceder o relógio das emissões." A metáfora de Torben Daeneke, um dos investigadores da equipa internacional (Austrália, EUA, Alemanha e China) é adequada - uma espécie de "do pó viemos e ao pó voltaremos" do dióxido de carbono, emissões em grande parte provocadas pela queima de combustíveis fósseis, como o carvão.

O cientista da universidade australiana RMIT (Royal Melbourne Institute of Technology) acredita que a técnica que ele e os seus colegas criaram pode revolucionar a forma como se encara o problema do aquecimento global. "Até hoje, o CO2 só tinha sido convertido em sólido a temperaturas extremamente altas, o que tornava o processo inviável do ponto de vista industrial. Ao usar metais líquidos como catalisadores, demonstrámos que é possível transformar o gás mais uma vez em carbono à temperatura ambiente, num processo eficiente e adaptável a grande escala. É um primeiro passo crucial para o armazenamento sólido de carbono", disse o investigador ao site da universidade.

O método utiliza um catalisador de metal líquido (cério) que, ao ser eletrificado, converte continuamente o gás em flocos de carvão. Apesar do entusiasmo, Daeneke alerta que são necessárias mais pesquisas antes de aplicar a técnica no mundo real.

Não é a primeira vez que se consegue transformar CO2 em pedaços sólidos de carvão, mas eram tentativas muito pouco eficientes, que só funcionavam a temperaturas altíssimas, tornando o procedimento impraticável fora das condições laboratoriais. Atualmente já existe sequestro de carbono, através da conversão do estado gasoso para o líquido, mas são técnicas com uma aplicação limitada (habitualmente, em grandes centrais de produção de energia com combustíveis fósseis) e levanta questões sérias de segurança: uma vez que é CO2 líquido, uma fuga pode ser catastrófica.

LUÍS RIBEIRO
Jornalista


China estuda viabilidade de uma central de energia solar no Espaço


O objetivo é reduzir a escassez de energia e as emissões de gases estufa na Terra.

A China está a estudar a viabilidade da criação de uma central de energia solar no espaço, com o objetivo de reduzir as emissões de gases estufa na Terra e reduzir a escassez de energia, noticiou esta quarta-feira o jornal China Daily.

De acordo com a publicação, investigadores da Universidade de Chongqing, da Universidade Xidian e da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial estão a pensar construir um protótipo para a transmissão de ondas de energia solar.

Xie Gengxin, um dos investigadores, citado pelo jornal, disse que o protótipo da central será localizado em Chongqing e que o principal foco da investigação vai incidir na distância da entrega da energia.

"Planeamos lançar quatro a seis balões [agarrados ao protótipo] a uma altitude de mil metros", disse o investigador.

Se estes primeiros testes forem bem-sucedidos, o próximo passo, de acordo com Xie, será enviar balões para a estratosfera para prosseguir com a investigação a uma distância maior.

No início do ano a China tornou-se no primeiro país a pousar uma sonda no lado mais afastado da Lua.

O objetivo é testar o crescimento de plantas e captar sinais de radiofrequência, normalmente bloqueados pela atmosfera terrestre.

A missão ilustra ainda a crescente ambição de Pequim no espaço, símbolo do progresso do país.

Este ano, Pequim planeia ainda iniciar a construção de uma estação espacial com presença permanente de tripulantes e, no próximo ano, enviar um veículo de exploração a Marte.

fonte: TSF

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Afinal, os misteriosos “círculos de fada” da Namíbia podem não ter sido criados por térmitas


Visto de cima, o deserto da Namíbia parece estar “doente”, repleto de padrões circulares cuja origem tem sido debatida por vários investigadores. 

A ciência praticamente encerrou o livro sobre estes misteriosos “círculos de fadas”, colocando a culpa diretamente no solo. Para remover todas as dúvidas, os investigadores voltaram-se para os céus em busca de mais evidências, mas descobriram que a história, afinal, pode não ser tão clara.

Stephan Getzin, ecologista da Universidade de Göttingen, na Alemanha, no centro do debate sobre o círculo de fadas por anos, depois de tê-los encontrado pela primeira vez na Namíbia como universitário.

O seu estudo mais recente pode ser o último prego no caixão das sugestões de que as térmitas são as culpadas pelos estranhos anéis. Mas também está a adicionar novos detalhes a teorias que descrevem como estes estranhos espaços na vegetação realmente se formam.

O vasto leque de “círculos de fadas” da Namíbia já era um fenómeno perplexo para os ecologistas há décadas. Getzin foi alertado para a existência de uma extensão semelhante de vegetação na região árida de Pilbara, na Austrália Ocidental, em 2014, fornecendo-lhe as evidências de que precisava para a sua própria hipótese.

Em 2017, recebemos uma resposta: os “círculos de fada” na Namíbia e em Pilbara são causados por plantas que competem por água em redor de pedaços de solo que canalizam a água num ritmo mais rápido.

A ciência raramente é assim tão simples, recorda o Science Alert. Ainda restam dúvidas sobre as térmitas encontradas nas proximidades destas manchas vazias são apenas turistas ou minúsculos lenhadores.

Getzin e os colegas de Israel e da Austrália investigaram sistematicamente dezenas de “círculos de fadas” perto da cidade de Newman, na Austrália Ocidental, escavando 154 buracos em 12 quilómetros de extensão. Os resultados foram publicados na revista científica Ecosphere.

Não só descobriram que o solo estava empacotado com os mesmos níveis de argila dentro dos círculos, como também não conseguiram encontrar térmitas que sugerissem que a sua atividade tinha um papel muito importante no desenvolvimento dos círculos.

Para ter certeza absoluta, mapearam grandes pedaços de paisagem recorrendo a drones, marcando as zonas onde a vegetação era claramente derrubada por térmitas. “As lacunas de vegetação causadas por térmitas são apenas cerca de metade do tamanho dos “círculos de fada” e muito menos ordenada”, referiu Getzin.

“No geral, o estudo mostra que as construções de térmitas podem ocorrer na área dos círculos de fada, mas a correlação local parcial entre térmitas e círculos de fada não tem relação causal”, explicou o ecologista.

Até recentemente, a maioria dos estudos concentrava-se em círculos de fadas de tamanho e distribuição relativamente consistentes. Getzin estava curioso para saber que condições ambientais descreviam o limiar da sua formação. Usando imagens do Google Earth, Getzin identificou uma variedade de estruturas que não eram do tamanho e da forma do círculo de fadas, mas que indicavam uma formação semelhante.

Alguns tinham mais de 20 metros de diâmetro, superando o diâmetro máximo de aproximadamente 12 metros. Outros eram esticados em linhas de drenagem ou formados em áreas incomuns, como pistas de carros.

“Aqui os nossos estudos de humidade do solo mostraram que sob condições tão variadas os círculos de fada funcionam menos como reservatórios de água do que sob condições homogéneas típicas, onde são extremamente bem ordenados”, refere Getzin.

Ainda há muito para estudar sobre estes círculos, mas, para já, pode dizer-se que são muito menos misteriosos.

fonte: ZAP

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Descoberta feita no fundo de um lago pode mudar a história dos vikings

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A terra dos vikings poderá não ter sido tão fria como se pensava, o que vai obrigar a mudar algumas das representações deste povo. Tudo graças às informações recolhidas em sedimentos retirados do fundo de um lago.

Lamas depositadas no fundo de um lago perto de Narsaq, uma pequena cidade da Gronelândia com 1500 habitantes, e os restos de mosquitos que ali ficaram presos, estão a ajudar os cientistas a mudar a imagem que temos dos vikings. De acordo com a investigação publicada esta semana na revista Geology a, ilha da Gronelândia tinha temperaturas quentes e praticamente nunca estava coberta por neve e gelo, o que acaba por justificar o facto de Eric, o Vermelho (norueguês que tornou a Gronelândia o país dos navegadores nórdicos por volta do ano 986) chamar a esta zona a "Terra Verde".

A confirmarem-se os dados deste trabalho a imagem deste povo vestindo peles e capacetes de ferro e vivendo em regiões com temperaturas baixas pode ter de ser alterada, pois a reconstrução de quase três mil anos de história climática do sul do país mostra que era uma zona onde as temperaturas rondavam os dez graus.

"Havia quem especulasse que os nórdicos colonizaram a Gronelândia durante um período quente, mas não existia nenhuma indicação sobre a temperatura local [no século X] que confirmasse isso. Agora, algumas pesquisas sugerem que era verdade", afirmou Yarrow Axford, investigador da Universidade de Northwestern (EUA) e o principal autor do estudo, que acrescentou ser este um "mistério climático".

A presença dos vikings (expressão usada como referência aos exploradores, guerreiros e comerciantes nórdicos que invadiram e colonizaram grandes áreas da Europa e das ilhas do Atlântico Norte entre o final do século VIII e o século X) na Gronelândia não levanta dúvidas aos investigadores graças às descobertas arqueológicas e à datação por radiocarbono. Mas, sempre existiram duas dúvidas: qual a razão para Eric, o Vermelho ter chamado a esta ilha "Terra Verde" e por que colonizaram a região e depois a abandonaram.


Uma parte dos sedimentos retirados do fundo do lago Narsaq © G. Everett Lasher/Northwestern University

Ao longo dos anos muitos historiadores justificavam este movimento com o facto de que entre os séculos X e XIII (conhecido como o Período Quente Medieval) as temperaturas terem sido supostamente tão altas como hoje em dia. Depois, no século XIV, começou a Pequena Idade do Gelo, que provocou uma período de crises que ficou conhecido como a "Grande Fome" (entre 1315 e 1317 chuvas intensas e consecutivas na Europa impediram as culturas de se desenvolver) e terá, segundo os defensores da tese, contribuído para o fim da civilização viking na Gronelândia e América do Norte.

Axford provou esta teoria estudando os sedimentos formados no fundo do lago situado em Narsaq, situado numa região que terá feito parte da "Terra Verde" durante pelo menos três mil anos. No lago foram-se acumulando pólen, insetos mortos, fragmentos de vegetação e outros restos orgânicos, que agora ajudam a compreender como era o clima e a ecologia do Ártico num passado distante.

Por exemplo, a proporção de isótopo de oxigénio, nitrogénio e carbono encontrado nos restos de animais e plantas depende diretamente do clima da época em que viviam. Em particular, quanto maior é a proporção de oxigénio "pesado" mais elevada era a temperatura. Recorrendo a esta ideia a equipa de Yarrow Axford analisou a composição isotópica dos mosquitos fossilizados extraídos das camadas de lama, formada entre 900 e 1400 anos D.C. no fundo do lago.

Essas medições mostraram que a proporção de oxigénio-18 era significativamente maior do que nos restos orgânicos mais antigos preservados nas camadas inferiores. Em média, naquela época, as temperaturas eram um grau e meio mais altas do que no início da Idade Média, e semelhantes às temperaturas da Gronelândia atualmente. A era quente terminou no fim do século XIV, quando o clima se tornou instável e a ilha começou a ser coberta por gelo.

fonte: Diário de Noticias

“Deserto submarino” no Pacífico pode provocar desastre ambiental


Uma equipa de cientistas acredita que o desaparecimento progressivo da estrela-do-mar-girassol, cuja causa é ainda desconhecida, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos, pode vir a causar um desastre ambiental no Pacífico. 

Os cientistas alertam para este “deserto submarino” através de uma novo artigo científico publicado na quarta-feira passada na revista especializada Science Advances.

“Nunca vi um declínio desta magnitude numa espécie tão importante”, disse o autor principal do estudo, Drew Harvell, em declarações ao The Washington Post.

A pesquisa dá conta que a doença que afeta a estrela do mar, que prejudicou significativamente a estrela-do-mar-girassol (Pycnopodia helianthoides), pode estar por detrás de surtos de doenças infecciosas que desde 2013 colocam em risco várias espécies de animais, incluindo rãs, corais e até morcegos.

Os investigadores frisam ainda que esta espécie marinha está à beira da extinção, pedindo, por isso, às autoridades que tomem medidas, tentando salvar a espécie através de um programa de reprodução com estrelas-do-mar-girassol em Washington, Canadá e Alasca. Por outro lado, escreveram, o declínio desta espécie coincidiu com o período que aquecimento global que ocorreu no Pacífico entre 2013 e 2015.

A equipa monitorizou o progressivo desaparecimento da estrela-do-mar-de-girassol através de incursões em águas rasas na área entre 2006 e 2014, nas quais foram contabilizadas entre “duas a 100 estrelas” dessa espécie, sendo depois registado uma queda significativa no número de espécies a partir desse momento.

Por último, os cientistas afirmam ainda que o maior inimigo das estrelas-do-mar-de-girassol – os ouriços-do-mar-roxos (Strongylocentrotus purpuratus) – estão a multiplicar-se no fundo do mar, tornando a sobrevivência destas estrelas-do-mar ainda mais complicada, uma vez que se alimentam da vegetação, que é também um elemento-chave para o ecossistema da área em causa do Pacífico.

De acordo com o Oceanário, a estrela-do-mar-girassol é uma das maiores estrelas-do-mar, sendo a mais rápida de todas as espécies já conhecidas. A espécie é capaz de se deslocar 50 centímetros por minuto. Nos Estados Unidos, é também conhecida como sea pigs (porcos do mar), nome devido à sua voracidade.


fonte: ZAP

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Doença e morte: chegada de europeus à América até fez mudar o clima


Uma representação da chegada de Colombo à América que está no Museu do Prado, em Madrid © Por Dióscoro Teófilo de la Puebla Tolín - Colección, Museo del Prado

Quando os europeus chegaram ao continente americano, causaram tanta morte e doenças que mudaram o clima global, garante um estudo divulgado pela estação de televisão norte-americana CNN.

Mais de 56 milhões de naturais do continente americano foram mortos durante cerca de 100 anos por colonos europeus, uma ação que fez com que grandes áreas agrícolas fossem abandonadas e reflorestadas o que teve implicações no clima, garantem investigadores da University College London


De acordo com este documento os níveis de carbono mudaram o suficiente para arrefecer a Terra em 1610, cerca de 200 anos depois de Colombo ter chegado à América (1492). "O CO2 e o clima estavam relativamente estáveis ​​até esse momento", salientou o professor de geografia da UCL, Mark Maslin, um dos coautores da investigação. "Esta é a primeira grande mudança que vemos nos gases do efeito estufa da Terra", acrescentou.

Antes deste estudo, alguns cientistas argumentavam que a mudança de temperatura detetada nos anos 1600, conhecida como Pequena Era do Gelo, foi provocada apenas por forças naturais. Mas combinando provas arqueológicas que foram sendo encontradas, dados históricos e análises de carbono encontradas no gelo da Antártida, os investigadores da UCL pretendem mostrar como o reflorestamento - diretamente provocado pela chegada dos europeus - foi um componente chave do frio global. "Pela primeira vez, conseguimos equilibrar todas as caixas e perceber que a única maneira de a Pequena Idade do Gelo ter sido tão intensa foi por causa do genocídio de milhões de pessoas", disse Maslin à CNN.

Para esta investigação foi analisado o gelo antártico, que retém o gás atmosférico e pode revelar quanto dióxido de carbono estava na atmosfera há séculos. "Os núcleos de gelo mostraram que houve uma queda maior de CO2 (do que o normal) em 1610, provocada pela terra e não pelos oceanos", frisou Alexander Koch, principal autor do estudo. Uma pequena mudança de temperatura - cerca de um décimo do grau no século 17 - levou a invernos mais frios, verões gelados e colheitas fracassadas, sublinhou.

As implicações do estudo vão além da ciência do clima e também contribuem para investigação nas áreas da geografia e história, recordou Maslin, dizendo que as mortes dos índios americanos contribuíram diretamente para o sucesso da economia europeia. Recursos naturais e alimentos enviados do Novo Mundo ajudaram a população da Europa a expandir-se. "O mais estranho é que o despovoamento das Américas pode ter inadvertidamente permitido que os europeus dominassem o mundo", disse Maslin, frisando: "Também permitiu a Revolução Industrial."

fonte: Diário de Noticias

Paisagem invisível durante 40.000 anos “ressuscita” no Ártico


Uma paisagem ártica do Canadá, coberta por gelo durante mais de 40 mil anos, ressurgiu recentemente depois de passar vários milénios invisível. Segundo uma nova investigação da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, a região pode estar a enfrentar o século mais quente em 115 mil anos.

Para a investigação, a equipa recorreu à técnica de datação por radio-carbono de forma a determinar as idades das plantas recolhidas nas bordas de 30 capas de gelo [calotas] na Ilha de Baffin, a oeste da Gronelândia. A ilha sentiu um aumento significativo da temperatura nas nas últimas décadas, levando ao derretimento de gelo e trazendo à vista esta paisagem “escondida”.

“O Ártico está a aquecer-se duas a três vezes mais rápido do que o resto do globo, então, naturalmente, glaciares e calotas de gelo vão reagir mais rápido”, disse Simon Pendleton, principal autor do estudo, citado em comunicado.

Baffin é a quinta maior ilha do mundo, dominada por fiordes profundos separados por planaltos de alta elevação e baixo relevo. As finas camadas de gelo atuam como uma espécie de câmara frigorífica natural, preservando musgos e líquenes antigos na sua posição original de crescimento durante milénios.

“Viajamos até às margens de gelo em derretimento, recolhemos amostras de plantas recém-expostas e preservadas nessas paisagens antigas e procedemos então à datação por radio-carbono para ter uma noção de quando foi a última vez que o gelo avançou pela última vez neste local”, explicou na mesma nota.

“Como as plantas mortas são eficientemente removidas da paisagem, a idade das plantas enraizadas define a última vez em que os verões foram tão quentes, em média, quanto os do século passado”, esclareceu Pendleton.

Resultados

Em agosto, os investigadores recolheram 48 amostras de plantas e analisaram também o quartzo de cada local, de forma a melhor estabelecer a idade e a história da cobertura de gelo que cobria, até então, a paisagem.

Depois de as amostras terem sido processadas nos laboratórios da Universidade do Colorado e da Universidade da Califórnia em Irvine, também nos EUA, os cientistas descobriram que as plantas antigas recolhidas de todas as 30 calotas de gelo estiveram continuamente cobertas por gelo durante os últimos 40.000 anos, pelo menos.

Quando comparados com dados de temperatura reconstruidos a partir dos núcleos de gelo de Baffin e da Groenlândia, as descobertas sugerem que as temperaturas modernas representam o século mais quente da região em 115.000 anos. Pior: a ilha de Baffin pode ficar completamente sem gelo nos próximos séculos.

“Ao contrário da Biologia, que passou os últimos três mil milhões de anos a desenvolver esquemas para evitar ser afetada pela mudança climática, os glaciares não têm estratégia de sobrevivência”, explicou Gifford Miller, outro autor da pesquisa.

“Os glaciares respondem diretamente à temperatura de verão. Se os verões aquecem, os glaciares retrocedem imediatamente; se os verões arrefecem, os glaciares avançam – o faz deles um dos mais confiáveis indicadores para mudanças na temperatura do verão”, acrescentou ainda.

“Nunca vimos nada tão evidenciado como esta descoberta até então”, rematou Pendleton.

fonte: ZAP

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Temperatura dos oceanos aumenta mais do que se pensava


2018 terá sido o ano mais quente nos oceanos, depois das subidas já registadas nos dois anos anteriores

Os resultados da análise, que publicada na sexta-feira na revista científica Science, fornecem novas indicações de que são infundadas anteriores conclusões sobre uma desaceleração ou "hiato" no aquecimento global nos últimos 15 anos. Desde 1991 que a temperatura dos oceanos tem subido de forma acentuada. Entre 1991 e 2010 a temperatura aumentou, em média, cinco vezes mais depressa do que no período de 1971 a 1990.

"Se se quiser saber onde está a acontecer o aquecimento global há que olhar para os oceanos", disse Zeke Hausfather, da Universidade da Califórnia, coautor da análise. Segundo o investigador, o aquecimento dos oceanos é "um indicador importante das alterações climáticas" e há "fortes indícios de que está a acontecer mais rapidamente" do que se supunha.

O aquecimento dos oceanos é um marcador crítico das alterações climáticas porque se estima que 93% do excesso de energia solar retida pelos gases com efeito de estufa se acumula nos oceanos. Os investigadores notam que, ao contrário das temperaturas da superfície terrestre, as temperaturas oceânicas profundas não são afetadas pelas variações anuais causadas por eventos climáticos ou por erupções vulcânicas.

A nova análise mostra que as tendências de aquecimento dos mares correspondem às previstas nos principais modelos de alterações climáticas, e que o aquecimento global dos oceanos está a acelerar.

Os modelos indicam que as temperaturas nos primeiros 2 mil metros de profundidade vão subir 0,78 graus celsius até ao fim do século, o que, por efeito da expansão térmica, levará a um aumento do nível das águas do mar de 30 centímetros, que se juntam à subida de nível provocada pelo derretimento de glaciares e campos de gelo. Oceanos mais quentes também contribuem para maiores tempestades e eventos de precipitação extrema.

"Enquanto 2018 será o quarto ano mais quente registado à superfície, deverá ser também o mais quente já registado nos oceanos, como foram 2017 e 2016", disse Hausfather.

Além da análise de estudos anteriores, a análise tem em conta os dados do programa Argo, uma frota de quase 4 mil robots flutuantes que vagueia nos oceanos e que ciclicamente vai mergulhando a dois mil metros e mede as temperaturas, o ph, ou a salinidade, transmitindo depois esses dados para estações em terra. O Argo fornece dados desde a década passada.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A China e a Rússia modificaram (de propósito) a atmosfera da Terra


A China e a Rússia conduziram uma série de experiências para modificar a atmosfera da Terra com ondas de rádio de alta frequência.

De uma instalação russa chamada Sura Ionospheric Heating Facility, perto da cidade de Vasilsursk, a leste de Moscovo, cientistas emitiram ondas de rádio de alta frequência para manipular a ionosfera, enquanto o satélite China Seismo-Eletromagnético mediu os efeitos de distúrbios do plasma na órbita.

Não é a primeira vez que uma experiência deste género foi conduzida, mas notícias sobre os desenvolvimentos dos dois países – transmitidas através de um artigo publicado a 10 de dezembro na revista Earth and Planery Physics – despertaram preocupações sobre as possíveis aplicações militares deste tipo de ciência.

Isto porque a ionosfera e o gás ionizado – plasma – que a habitam são cruciais para a comunicação por rádio. Por perturbar seletivamente as partículas carregadas que compõem esta parte da atmosfera superior, os cientistas, ou mesmo os governos poderiam, teoricamente, aumentar ou bloquear os sinais de rádio de longo alcance.

Estas experiências preliminares – conduzidas em junho e ostensivamente projetados como um caso de teste para futuros estudos relacionadas com a ionosfera – tiveram efeitos extremos. Numa das experiências, a área afetada da perturbação da ionosfera cobriu 126 mil quilómetros quadrados. Noutro teste, a temperatura do gás ionizado na atmosfera aumentou em 100ºC.

Os cientistas envolvidos nas experiências afirmaram ao jornal The South China Morning Post que a investigação era puramente científica e inofensiva para a atmosfera. “Não somos o único país que se uniu aos russos. Outros países já fizeram coisas semelhantes”.

De facto, a base Sura foi estabelecida pela União Soviética no início dos anos 80, mas dizem ter sido a inspiração para uma instalação de aquecimento atmosférico ainda maior nos EUA chamada HAARP – High Frequency Active Auroral Research Program – , que foi construída no Alasca uma década depois.

O HAARP – que é uma instalação de bombas ionosféricas consideravelmente mais poderosa do que a Sura – foi inicialmente parcialmente financiada pelos militares dos EUA, mas agora é administrado pela Universidade do Alasca Fairbanks.

A Força Aérea dos EUA não desistiu da manipulação atmosférica e, entre outros projetos, investigou recentemente o lançamento de bombas de plasma de partículas carregadas na atmosfera superior para ver que efeitos teria na ionosfera.

Para não ficar de fora, a China também está a construir um aquecedor ionosférico avançado na cidade de Sanya, na província de Hainan, que poderia manipular a ionosfera sobre todo o Mar do Sul da China.

Não há provas de que algo prejudicial esteja a acontecer, embora a Rússia tenha sido acusada várias partes de bloquear sinais de GPS – e as experiências de manipulação da ionosfera poderiam hipoteticamente estar envolvidas nisto.

fonte: ZAP

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

El Niño: fenómeno devastador previsto para 2019 deixa o mundo em alerta


Segundo os analistas da Bloomberg, o fenómeno climático conhecido como El Niño trará inundações e incêndios florestais, assim como a expansão de conflitos internacionais e o aumento de refugiados.

Previsões meteorológicas apontam que o El niño se manifestará novamente até ao final de 2019, afetando o clima de todo o planeta: fortes chuvas e inundações na América do Sul, secas prolongadas na África, Ásia Oriental e Central, Austrália, Indonésia e Filipinas.

As anomalias climáticas intensificam os confrontos políticos e aumentam o risco de guerras civis. Além disso, o fenómeno El Niño também potencializa epidemias de doenças transmitidas por mosquitos, especialmente em países próximos à linha do Equador.

De acordo com o cenário projetado pela Bloomberg, o El Niño, combinado com o efeito do aquecimento global, fará com que o ano de 2019 seja o mais quente de todo o histórico de observações: o calor destruirá as plantações de grão na Austrália e a seca nas regiões agrícolas do Brasil destruirá a maior parte das safras de soja e milho.

Inversamente, a chuva será abundante no Leste da Ásia e comprometerá parte das plantações de arroz ao longo de toda a costa do Pacífico, do Japão à Índia. Como resultado, as reservas de alimentos diminuirão acentuadamente em todo o mundo e muitos países enfrentarão a perspetiva da fome.

Apenas quatro países vão escapar das consequências do El Niño: Rússia, Ucrânia, EUA e Canadá. Consequentemente, os preços mundiais do trigo vão aumentar para níveis recorde, fazendo com que os países pobres não consigam comprar alimentos aos novos preços. Desta forma, estima-se que uma grande catástrofe humanitária possa ocorrer no Leste e no Norte da África.

A Bloomberg enfatiza, no entanto, que todos os desastres climáticos associados ao El Niño e descritos nos cenários dos analistas já aconteceram em diferentes anos.

Em 1977 e 2011, por exemplo, o Egito passou por um período crítico de escassez de grãos. Por sua vez, as chuvas torrenciais que caíram no Japão, em 1993, devastaram quase toda a safra de arroz e, pela primeira vez na história, o país teve que importar a sua principal fonte de alimentação.

Em 2006, devido à seca provocada pelo El Niño, os preços dos alimentos aumentaram drasticamente, afetando dezenas de países.

Com base na previsão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, as Honduras, Colômbia, Venezuela, Congo, Afeganistão e regiões norte do Paquistãosão os países que terão dificuldades no abastecimento alimentar em 2019. A Austrália e o Brasil e outros grandes produtores de alimentos não entram nesta lista.

fonte: ZAP

Benzeno e clorofórmio? Há uma planta que filtra o ar e um dia vai poder usá-la em casa


Uma planta das família da aráceas, um pouco de engenharia genética, e já está. Investigadores da Universidade de Washington criaram uma planta que consegue filtrar moléculas poluentes do ar e usá-las no seu próprio crescimento

A planta chama-se Photos ivy, pertence à família das aráceas, tal como os vulgares jarros que muita gente tem nas suas casas, e foi a escolhida para a experiência.

Com a intervenção dos cientistas, que consistiu numa alteração genética, a planta passou a conseguir filtrar do ar duas moléculas poluentes, o clorofórmio e o benzeno - este um componente da gasolina -, que transformam e usam depois em seu próprio proveito.

A equipa de Stuart Strand, professor e investigador no departamento de engenharia do ambiente da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, inspirou-se num processo que ocorre naturalmente no fígado quando bebemos álcool, e durante o qual uma proteína chamada 2E1, que todos os mamíferos têm, é ativada para fazer aquele processamento.

Na prática, os investigadores introduziram no genoma da planta um gene que expressa a proteína 2E1 e que transforma as moléculas do clorofórmio e do benzeno noutras, como o dióxido de carbono e o fenol, que a planta consegue depois utilizar para a sua própria nutrição e crescimento.

"Pensámos que era importante reproduzir este processo numa planta, fora do organismo de um mamífero, enquanto modelo de um "fígado verde", até porque o processo acaba por também ser benéfico para a própria planta", explica o coordenador do estudo, Stuart Strand, num comunicado da sua universidade.

Todo o processo de investigação e desenvolvimento da planta demorou dois anos, durante os quais os investigadores produziram uma versão sintética do gene que comanda a expressão da proteína 2E1 e que, em seguida, introduziram no genoma da planta, de forma que cada uma das suas células pudesse expressá-lo.

A equipa testou depois as suas plantas modificadas, comparando a sua performance com as plantas Photos Ivy sem a alteração genética, e verificou que nos habitats artificiais criados para fazer esses testes, as concentrações de clorofórmio e de benzeno que ali haviam sido introduzidas para a experiência tinham diminuído consideravelmente.

No caso do clorofórmio, as moléculas no ar ficaram reduzidas a 82% ao fim de três dias, e eram quase indetetáveis após seis dias nos habitáculos das plantas modificadas. Quanto ao benzeno, diminuiu para 75% ao oitavo dia nesses mesmos recipientes.

Os cientistas acreditam que estas plantas modificadas podem ter um papel ambiental importante em casas cuja atmosfera possa ter excesso de concentração daqueles dois componentes, por estarem, por exemplo, contíguas a garagens.

"Uma planta destas numa sala acabaria por tem um efeito visível", explica o coordenador do estudo, que foi publicado na revista Environmental Science & Techology.


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Afinal, os tornados não se formam como os meteorologistas pensavam


Se imaginarmos um tornado a formar-se, pensamos numa nuvem em forma de funil a descer dos céus como se fosse um dedo malicioso a tocar na Terra. No entanto, este modelo “de cima para baixo” da génese dos tornados pode, afinal, estar errado.

Esqueça os tornados que, na sua cabeça, se formam nas nuvens e descem até à Terra. Segundo uma pesquisa recente, os tornados formam-se a partir do zero.

Segundo os cientistas, este fenómeno pode formar-se muito rapidamente, em alguns minutos. É por este motivo que capturar o nascimento de um tornado não é tarefa fácil, especialmente perto do solo, onde as árvores e as casas podem atrapalhar. Ainda assim, a meteorologista Jana Houser, da Universidade de Ohio, vem perseguindo-os há anos.

Através de um radar Doppler móvel, a especialista conseguiu obter dados abrangentes sobre quatro tornados nascidos de tempestades de supercélulas raras, surpreendentes e também perigosas.

Na sua investigação, a meteorologista chegou à conclusão que nenhum dos tornados começou no céu. No caso do tornado El reno, de 2013, a equipa de Houser obteve um “conjunto de dados sem precedentes” durante a génese do tornado, que permitiu à equipa concluir que o fenómeno começou a 10 metros acima do solo – e muito longe do céu.

Para ajudar na investigação, a equipa teve acesso a centenas de fotografias do fenómeno meteorológico, captadas por “caçadores de tempestades” que estavam presentes em massa. Durante a análise, a equipa comparou as fotografias com os dados das medições de radar da velocidade do vento.

E foi aí que surgiu a maior surpresa: as fotografias mostravam um claro tornado no chãoantes de os dados mostrarem qualquer rotação em altitudes mais altas. Assim, a equipa voltou a analisar os dados do radar e encontrou a rotação no solo antes de, efetivamente, se materializar nas nuvens.

O conjunto de dados referentes a outros três tornados analisados mostraram padrões semelhantes, apesar de o tornado El Reno de 2011 ter mostrado rotações em múltiplas elevações diferentes em simultâneo. Isto significa que pode haver diferentes modos de tornadogénese, mas, ainda assim, os cientistas concluíram que os tornados não começaram no céu.

A equipa realça que quatro tornados é um tamanho de amostra muito pequeno, tendo em conta a média de mais de mil tornados registada nos Estados Unidos todos os anos.

Ainda assim, entender como se formam os tornados pode ajudar a proteger as pessoasque são, todos os anos, feridas e mortas por essas tempestades, adianta o Science Alert.

Atualmente, a deteção dos tornados é baseada na velocidade do vento nas nuvens. Se a formação começar perto do solo – e se puder ser detetada – isso pode adicionar preciosos segundos aos primeiros avisos de tornados.

A equipa apresentou a sua investigação no dia 14 de dezembro na reunião anual da American Geophysical Union. Admitem a necessidade de mais análises, mas mantêm este avanço debaixo de olho. “Com base neste modelo, podemos estar mais confiantes na hora de emitir um aviso de um tornado”, concluiu Houser.


fonte: ZAP