domingo, 23 de abril de 2017

A ilha que há num homem

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Há mais de trinta anos que Fernando Alves é o único habitante da ilha Barreta, uma das cinco que existem na ria Formosa, no Algarve. 

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Para os locais, a Barreta é conhecida como Deserta. Nela vive apenas um indivíduo: Fernando Alves, 68 anos, pescador, salvador de náufragos, vigilante de aves e, segundo o próprio, observador de ovnis. Instalou-se definitivamente na ilha em 1984, há 32 anos.

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O reino de Fernando Alves reduz-se a três casinhas de madeira. Uma serve de abrigo – é simultaneamente quarto, sala e cozinha. Outra serve de casa de banho. A terceira casota funciona como espaço de arrumação para os materiais de pesca.

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No meio da casa, Fernando Alves instalou um periscópio, para observar sem ser observado. «Já me deu muito jeito em dias de tempestade, para encontrar barcos que se desamarram e são arrastados para o sapal», conta. Já salvou mais de cem barcos do naufrágio e 11 pessoas de se afogarem.

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De dois em dois dias, o homem lança-se ao mar num bote. Vai atrás do peixe e marisco fresco – que vende à doca de Faro e ao único restaurante da ilha, o Estaminé – e dos pescadores que lançam o isco aos jaquinzinhos e peixe miúdo - a quem lança ameaças.

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Apaixonado por pássaros, Fernando Alves garante apoio científico aos biólogos e investigadores que estudam a fauna da região. Diz que um dos seus maiores tesouros é um guia de identificação de aves. Farta-se de ver arvelas brancas e amarelas, cotovias, pintassilgos, melros e gaivotas.

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No verão, são frequentes os convívios à mesa, entre amigos. As visitas encarregam-se das bebidas. Já o almoço é por conta de Alves. São famosas as suas caldeiradas.

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Além dos dotes de cozinheiro, Fernando Alves é engenhocas. Cria ferramentas, funde ferro em barris de cerveja e cria moldes para todo o tipo de necessidades – em casa tem uma máquina que ele próprio inventou para arrefecer o leite.

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Fernando Alves gosta de ler sobre fenómenos extraterrestes e garante que já viu ovnis a sobrevoar a ilha. «São duas luzes muito focadas que se vão juntando e largam um foco vermelho. Depois desaparecem a grande velocidade, muito mais rápido do que um avião ou um satélite.»

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A ligação ao mundo faz-se por um telefone satélite que Fernando Alves instalou na cozinha. Todos os dias recebe telefonemas - ou da capitania, ou do Parque Natural da Ria Formosa, ou da mulher. «Antes, ela ficava aqui comigo, mas depois teve complicações cardíacas e decidiu que era melhor ficar por terra», diz. Os dois veem-se todas as sextas-feiras.

Fernando Alves, 68 anos, vive há três décadas na Barreta. É o único habitante da ilha algarvia. Pescador, vigilante de aves, salvador de náufragos e, segundo o próprio, observador de ovnis. Nas dunas da ria Formosa, instalou um reino só para si. Mas, afinal, o que leva um homem a isolar-se no deserto?

O eremita não é bem um eremita. No verão não lhe faltam visitas, amigos com quem organiza almoçaradas, ele pesca os robalos e os outros trazem bebidas. Costumam aparecer biólogos, pescadores, faroleiros, o capitão do porto e um médico de Faro – coisa que lhe dá bastante jeito, porque assim não precisa de ir tantas vezes à cidade. Mas isso é nas tardes estivais. As noites são suas, das estrelas e de um cão chamado Bolinhas. Os invernos também são seus, semanas atrás de semanas de isolamento. Quando se cansou da confusão e do trânsito, Fernando Alves mudou-se para o deserto. E isso, bem vistas as coisas, aconteceu há trinta anos.

Mestre Alves tem 68, mas um sorriso adolescente. É o único habitante da ilha da Barreta, uma das cinco que existem na ria Formosa, no Algarve. Os locais chamam-lhe Deserta. Naquele território de sete quilómetros de comprimento por seiscentos metros de largura existe um restaurante que só serve almoços, um porto onde desembarcam alguns turistas nos dias quentes e as três casinhas de madeira que ele tornou no seu castelo. Uma serve de sala de arrumos para os materiais de pesca, outra é casa de banho. No meio, um habitáculo que é simultaneamente quarto, sala e cozinha. «É o pavilhão multiusos.» Cá fora, uma mesa larga, onde recebe visitantes e articula engenhos. Sim, que mestre Alves é inventor.

No meio da casa instalou um periscópio, para observar sem ser observado. «Arranjei uns tubos de plástico e uns espelhos e fiz isto. Já me deu muito jeito em dias de tempestade, para encontrar barcos que se desamarram e são arrastados para o sapal.» A ligação ao mundo faz-se por um telefone satélite que instalou junto ao frigorífico. Todos os dias toca. Ou é a capitania a perguntar-lhe o estado da barra, ou os biólogos do Parque Natural a perguntarem que aves tem observado, ou a mulher a dizer-lhe que tem saudades.

Se não fosse aquele telefone, aliás, Mestre Alves já teria morrido. Na noite do Ano Novo de 2008 levantou-se uma ventania tal na barra que uma placa de vidro soltou-se da casa e atingiu-lhe a cabeça. «Desmaiei. A sacana tinha-me cortado uma artéria e furado a pele até ao crânio. Quando acordei estava banhado em sangue mas tive o discernimento de ligar para a proteção civil.» Com um dedo tentou estancar a ferida que jorrava. Uma lancha rápida partiu em seu socorro, mas disso quase não se lembra. «Só sei que levei 17 pontos. E que estou cá para contar a história. Tive sorte.»

De dois em dois dias, o homem pega num bote de sete metros chamado Rufião e faz-se ao mar. Metade do tempo para apanhar robalos, metade para vigiar pescadores. Aos primeiros leva-os para uma poça junto à ilha para que se mantenham vivos durante uns dias, e às sextas-feiras vai vendê-los à doca de Faro. Aos segundos vocifera ameaças se os apanha a pescar polvos pequenos, chicharros miúdos ou jaquinzinhos. «Ameaço-os com a Guarda Costeira e eles põem-se ao fresco. Pois então, se dermos cabo do peixe pequeno a que é que vamos lançar isco para o ano?»

Mestre Alves é um ambientalista convicto. Ainda há dias viu um cardume de sardinhas ficar preso num regato na maré baixa e revolveu atirar-se para o charco com uma pá – para abrir um carreiro e deixar os peixes saírem. Há meia dúzia de anos, um grupo de biólogos ligou-lhe a queixar-se do desaparecimento de uma espécie de gaivotas e, nos dias seguintes, ele localizou quinhentos ninhos nas dunas. «Como não me podia aproximar muito para os bichos não rejeitarem os ovos, espetava uma cana no chão com um pedaço de tecido e depois os investigadores podiam ir aos sítios certos.

As suas manhãs começam de binóculo na mão e depois passa para um monóculo de longo alcance. É apaixonado por pássaros e um dos seus tesouros é um guia de identificação de aves. Como abriu um poço para sacar água potável para o seu palácio, resolveu também construir um bebedouro para os seus amigos voadores. «Papa-figos, melros e gaivotas vêm muitos, são o pão nosso de cada dia. Mas também me farto de ver arvelas brancas e amarelas, cotovias e pintassilgos, há uma toutinegra que costuma tomar o pequeno-almoço comigo, vem para a mesa e alimenta-se das minhas migalhas.


E há quatro meses veio aqui parar um grifo, esse é que nunca tinha visto.» O animal estava estoirado de cansaço, nem levantava voo para fugir do homem. Então o eremita chamou os biólogos do Parque Natural da Ria Formosa e eles levaram-no para o Centro de Recuperação de Aves. «Depois ligaram-me a convidar-me para assistir à libertação do Alves. Tinham-no batizado com o meu nome.»

A sua casa não é só residência, também serve de apoio aos investigadores que vêm estudar a preciosa avifauna da região. «Já fiz apoio logístico às universidades de Faro, Coimbra e Paris. Alguns pernoitam aqui comigo, ou montam tendas ali fora.» Se andam em trabalho de campo, ele ocupa-se de alimentar aquela gente toda. «Pego no barco, vou ao mar e trago o jantar.» As suas caldeiradas são famosas, e o seu olho para encontrar peixe fresco é conhecido. No verão de 2004, Roman Abramovich – o magnata russo dono do Chelsea – estacionou o iate no pontão e apareceu-lhe à porta de casa para comprar quatro douradas. Agora, vende uma boa parte do que apanha ao restaurante da ilha, o Estaminé.

Às sextas, quando vai à lota descarregar o pescado, aproveita para fazer compras e visitar a mulher. «Faço uma lista com o que quero e vou direito às prateleiras para comprar o essencial. Se começo a ver o que está exposto, é certo que vou acabar por comprar coisas que não me fazem falta nenhuma.» Os abastecimentos são normalmente batatas, pimentos, fruta, pão, queijo e café. O resto recolhe à água salgada. «Antes, a minha mulher ficava aqui comigo, mas depois teve complicações cardíacas e decidiu que era melhor ficar por terra.» Passa as tardes com ela, mas antes do sol cair embarca invariavelmente rumo à ilha. «Os carros fazem-me muita confusão. E aquele stress todo. Aqui é que eu estou bem.»

Mestre Alves instalou-se definitivamente na Deserta em 1984, há precisamente 32 anos. Já tinha uma barraquinha para guardar o material de pesca, mas três vezes foi ela assaltada até decidir mudar-se de vez para o barraco. «Nessa altura, por ordem do Parque Natural, mandaram abaixo 47 casas ilegais que aqui havia. A minha ficou porque precisava dela para trabalho.» Os anos foram passando e, no final dos anos 1990, pensou que ia ficar sem abrigo. «Foi o próprio capitão do Porto de Faro e o Parque Natural a explicarem à Câmara que eu devia ficar porque garantia apoio científico e observação marítima. E agora, pronto, sou a única pessoa autorizada a viver aqui.»

Do terraço onde instalou uma grande mesa, Alves consegue ver a barra de entrada no Atlântico. Ali, onde as águas do mar encontram as da ria, perderam a vida muitos homens. «Já salvei mais de cem embarcações. Algumas fui lá buscá-las com o meu barco, outras porque chamei as autoridades pelo telefone satélite.» Afogamentos impediu 11, de marujos em luta com a ondulação em dias que os botes viraram. «Numa outra vida fui nadador-salvador, sabe? Foi assim que conheci a minha mulher.»

Nasceu em Vila do Bispo mas mudou-se em pequeno para Faro. Trabalhou numa espingardaria, foi batedor de perdizes em reservas de caça, mas o que queria era ir para o mar. «A minha mãe espantava-se com o meu fascínio pela pesca, porque não havia ninguém na família a lançar rede.» Era apelo de sangue. Na praia da Salema punha-se a ajudar os homens no arrasto e calava os ralhos maternos com a cesta de pescado que trazia para casa. «Em 1968, formei-me nadador-salvador e fui para Albufeira. Um dia salvei uma rapariga que estava em apuros e trouxe-a para terra. Uma amiga dela disse que eu era um herói. Convidei-a para sair. Um ano depois, estávamos casados.»

Pôs-se a trabalhar numa fábrica de plástico e com o que poupava comprou o Rufião. Filhos não tem, mas ele e a mulher gostavam os dois de atravessar a ria ao cair da tarde, apanhar marisco e peixe para somar trocos à pobreza. Adquirir uma casota na Barreta era a coisa mais natural do mundo. «Ao início, vínhamos aos fins de semana e nas férias. Um dia despedi-me e fiquei de vez. Fartei-me de patrões, de estar sempre a correr, de conversas de chacha. Aqui, olha, o meu patrão é o vento. E a ondulação.»

Além dos dotes de cozinheiro, Mestre Alves é engenhocas. Cria ferramentas para os cientistas e para os pescadores, funde ferro em barris de cerveja, cria moldes para todo o tipo de necessidades. Em casa tem uma máquina que ele próprio inventou para arrefecer o leite. Na rua, tem uma picadora para os legumes feita com peças de ferro-velho. Agora anda a adaptar uma aparelhagem antiga para que ela seja capaz de ler pens em USB – e é ele que faz todas as ligações elétricas. «Às vezes, vêm cá os filhos dos meus amigos e pedem-me para pôr a música deles. Eu só tenho rádio, mas agora vou resolver esse problema.»


A água vem do poço. A eletricidade funciona graças a três geradores e painéis solares – e Alves até tem uma antena parabólica para receber televisão. «Não preciso de mais nada.» Nem da mulher? «Vejo-a todas as semanas. E até é melhor assim, porque andamos sempre com saudades e nunca ficamos cansados um do outro.»

A principal leitura que o homem consome são livros sobre fenómenos extraterrestres. «Já vi vários ovnis aqui na ilha», declara. Segundo os seus estudos, há três tipos de seres a visitarem a Terra: «Os que nos odeiam, os que nos protegem e os que têm curiosidade de nos conhecer. São esses que às vezes levam humanos para as naves. É para fazerem experiências científicas.» Ele nunca foi raptado, mas diz que todos os anos, na Lua nova de agosto, andam ali uns aparelhos aéreos a sobrevoar a Deserta. «São duas luzes muito focadas que se vão juntando e largam um foco vermelho. Já as vi eu e já as viram alguns pescadores da ria. Depois desaparecem a grande velocidade, muito mais rápido do que um avião ou um satélite.

Mestre Alves é o guardião da ilha, mas diz que ela não lhe pertence. «Se formos ver bem as coisas, eu é que lhe pertenço.» A vida que aquelas dunas lhe deram é a mais feliz que poderia ter tido. Sabe que o seu corpo não pode ser enterrado na ilha, mas já escreveu em testamento o seu último desejo. «Quero que plantem, ao pé da minha casa, cinco letras muito grandes, feitas de narcisos. » Um A, um L, um V, um E é um S. Alves. «Quero que cada uma tenha quatro metros de comprido, para até um avião conseguir vê-las. E não precisam de se preocupar com o gasto das sementes. Já as tenho aqui guardadas numa caixa, são das boas, chegam e sobram para cumprir este pedido. Quando estiver lá em cima no céu, quero olhar cá para baixo e saber que ilha é a minha.»


Portugal do além


Histórias do outro mundo e de outros tempos.

A alma penada de uma costureira de Torres Novas cuja máquina se fez ouvir por todo o país, a dupla portuense que apaixonou o Congresso Espiritualista de Paris e a moda das mesas girantes que originou polémicas acintosas nos jornais da época são alguns dos insólitos episódios narrados por Joaquim Fernandes no segundo volume da História Prodigiosa de Portugal.

Depois dos Mitos & Maravilhas dos séculos XII a XVIII chega agora a vez das Magias & Mistérios dos séculos XIX e XX, ambos editados pela Verso da História. «São os quatro M que compõem a História do Inconsciente Coletivo Português. É a história na sua profundidade máxima porque tem que ver com as nossas crenças, as superstições básicas que nos movem», diz Joaquim Fernandes, professor universitário e cofundador do Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência da Universidade Fernando Pessoa. As principais fontes foram os jornais da época que então conheciam um dos seus mais vibrantes períodos. Os fenómenos mágicos e misteriosos foram um rastilho fácil para explosivas querelas epistolares repletas de sarcasmo e ironia. O Jornal de Notícias e O Século, jornais populares e regeneradores, amplificavam e destacavam os eventos inexplicáveis. Já A Província e O Primeiro de Janeiro, marcadamente progressistas e positivistas, asseguravam o primado da ciência. Por fim, A Palavra e A Nação, da Igreja Católica, repudiavam tudo o que afrontasse os seus dogmas. Um fenómeno em concreto colocaria todos em confronto.

«Quando chegam a Portugal, em 1853, as mesas girantes animam sobretudo os estratos burgueses e aristocráticos», conta Joaquim Fernandes. O divertimento, como era então encarado, consistia em reunir várias pessoas com as mãos no tampo de uma mesa de pé-de-galo à espera que esta se mexesse. «Alguns dos nossos mais ilustres homens da ciência como José Vicente Barbosa du Bocage ou Latino Coelho vão debruçar-se sobre o tema e tentar encontrar uma explicação para os fenómenos anunciados.»
A loucura das mesas chega a tal ponto que algumas sessões das Cortes Gerais ficam quase vazias. É que Francisco Margiochi, Par do Reino e secretário das Cortes, promovia jogos de mesas girantes no seu gabinete e era lá que todos queriam estar. «Naquela fase, as mesas eram um entretenimento puro, como jogar às cartas. Ia-se para clubes e cafés, como o Martinho da Arcada ou o Marrarre, jogar às mesas girantes.»

Porém, nas décadas finais do século XIX, após a Codificação Espírita de Alan Kardec, as mesas adquirem a fama de «promover o contacto com o outro lado. Todos querem comunicar com os espíritos de entes vérsia sobre a legitimidade ou o ridículo desta prática e uma reação violentíssima da Igreja e da imprensa mais positivista», com acusações de «envenenamento do povo» pela «seita de Kardec» e por «especuladores espiritistas» que se aproveitam de «cabeças desnorteadas».


A dupla portuense que encantou Paris

Mesmo com a forte oposição católica, os assuntos espíritas apaixonavam Portugal. Exemplo disso são os muitos relatos do I Congresso Espírita e Espiritualista, em Paris, que, em setembro de 1900, juntou 80 mil espíritas e estudiosos e onde brilharam o advogado Sousa Couto e a médium Marinha Correia.
O jurista portuense relatou como a medium, natural da Foz do Douro, «dava autógrafos completos e seguros de pessoas falecidas como o rei D. Luís, Castilho, Mouzinho da Silveira, etc.». E também «obtivera comunicações em línguas que esta senhora desconhece por completo, como é o árabe».

Mas, mais impressionante ainda, ela disporia do dom da «visão à distância», conseguindo «percorrer sucessivamente os planetas Júpiter, Saturno, Marte e Úrano, descrevendo-os com dados superiores aos recursos dos seus conhecimentos». A dupla fez tanto sucesso que, findo o congresso, permaneceu em França, concedendo sessões privadas a altas personalidades, dando autógrafos de Vítor Hugo e Napoleão e desencadeando «luminosas fosforescências vistas por todos», relatava, à época, o JN. Estes feitos foram logo contestados pelos jornais positivistas e católicos. O cronista Rigoletto, da Voz Pública, reagia sarcasticamente ao deslumbramento: «O facto de ter uma visão planetária coloca essa predestinada dama à altura do mais aperfeiçoado instrumento ótico. Com efeito, se ela possui esse inesperado dote, fechem-se desde já todos os observatórios do país e fique S.ª Ex.ª encarregada de fazer em sua casa todos os boletins.»

O livro cita vários deliciosos excertos de artigos e crónicas, estocadas na forma escrita, que, num duelo a três, ficariam para a história. Joaquim Fernandes considera mesmo que, «sob o olhar crítico de Sampaio Bruno, o triângulo impresso Jornal de Notícias – A Província – A Voz Pública, testemunhou desta sorte, na «bela época» nortenha, um vasto e precioso cadinho de puras crenças, emoções à flor da pele e positivismo cego. Um retrato ao vivo, flagrante e inesperado, de um Porto burguês, febrilmente apostado em ligar-se ao «outro mundo».

A costureira viral

Graças ao poder massificador da imprensa periódica, que relatava sem pudores os «fenómenos inexplicáveis», o fascínio pelo oculto espalhou-se por todo o país. O enigma da costureira – para o autor «o mais intrigante caso de histeria auditiva de massas sucedido em Portugal» – seria o melhor exemplo dessa brutal disseminação.

O caso surge pela primeira vez a 1 de Setembro de 1920 n’ O Século, que relata «o misterioso fenómeno que há uns tempos se faz notar nesta povoação [Meia Via, Torres Novas], o qual e segundo os espíritos mais supersticiosos é atribuído a uma alma penada de uma costureira que, em vida e quando de uma doença que a ia vitimando, prometera uma máquina de costura à Virgem Mãe de Deus caso a salvasse da enfermidade, promessa que não cumpriu e que agora expia andando de casa em casa, de terra em terra». Por isso, ouvir-se-ia «um ruído semelhante ao de uma máquina de costura», não só «em casa de gente religiosa ou supersticiosa mas também na de ateus e materialistas irredutíveis». O jornal garantia que já teria havido réplicas no Entroncamento, Golegã, Riachos, Chamusca, etc. Mas a costureira não iria ficar só pelo distrito de Santarém.

A 14 de setembro, o JN titulava: «Um fenómeno sensacional. O caso da costureira de Torres Novas sucede igualmente no Quartel do Carmo do Porto. Trata-se de um facto misterioso que ninguém sabe explicar com exatidão.» Seis dias depois, O Século voltava à carga noticiando anteriores aparições na capital: «Deste mundo ou do outro? A costureira em Lisboa. Manifestou-se há três meses em casa de um comerciante da Rua do Carmo.» A disseminação ganha contornos imparáveis. «Hoje, chamar-lhe-íamos viral», diz Joaquim Fernandes. Aos diários chegam testemunhos de audições da máquina da costureira do Minho ao Algarve. Na imprensa avançam-se explicações para o insólito ruído, que vão das teses psíquicas às alterações digestivas. O caso conhece o seu expoente máximo a 27 de setembro quando milhares se juntam em torno do marco postal da Ilha dos Galegos, em Lisboa, onde, alegava O Século, a máquina da costureira deveria soar às 13.00. Porém, nada se escutou. Na edição seguinte, o jornal confessava que tudo não tinha passado de uma «blague jornalística» para mostrar «até que ponto pode ser levado o poder da sugestão». Todavia e mesmo após a revelação do embuste, a lenda da costureira persistiu até hoje na memória de inúmeras localidades de norte a sul do país.

Um dos aspetos mais interessantes do livro é a revelação do modo como a comunidade científica se interessou e estudou estas Magias & Mistérios. Por exemplo, a primeira abordagem nacional ao Magnetismo Animal – o atual Hipnotismo Clínico – ocorre na Universidade de Coimbra. A prática vai entusiasmar os lentes e mais ainda os estudantes que «diligentemente vão tentar hipnotizar as prostitutas da cidade para que estas lhes relatem os pormenores mais escabrosos das suas atividades», conta Joaquim Fernandes.

Também relativamente ao espiritismo, em 1900, houve «uma tentativa muito séria de, através de processos físicos, confirmar se estávamos ou não na presença de uma efetiva transposição do plano do astral para o plano terminacional», diz o professor. Porém, esses estudos foram sendo abandonados e, com a instauração do Estado Novo e consequente perseguição, os fenómenos e cultos espíritas quase desapareceram das ruas e da memória, apenas permanecendo em lendas e no fundo dos arquivos dos jornais.

Aceitar tudo, mas não acreditar em nada

Joaquim Fernandes queixa-se de que «do ponto de vista da historiografia, tem havido muito pouco trabalho sobre estas áreas mais profundas da história». Por isso defende que «estas temáticas devem ser tomadas a sério e devem ser tratadas dentro das paredes da Academia». Pela sua parte, o professor faz o que pode, por exemplo, com a sua tese de Doutoramento em História das Ciências: O Imaginário Extraterrestre na Cultura Portuguesa – do fim da Modernidade até meados do século XIX. Esta foi a primeira abordagem académica sobre a temática em toda a Europa e foi publicada em 2014, com o título Moradas Celestes, na Âncora Editora.

Entre os seus trabalhos destacam-se ainda três livros, em colaboração com a colega docente Fina D’Armada, sobre as aparições de Fátima. Neles, os autores levantam a hipótese de que, em 1917, os três pastorinhos, na realidade, não avistaram Nossa Senhora, mas sim uma entidade extraterrestre, um ovni (objeto voador não identificado). Porém, a Igreja Católica e, depois o Estado Novo, apropriar-se-iam e reinterpretariam as aparições para a sua própria promoção.

Brevemente, Joaquim Fernandes irá publicar um terceiro volume sobre a História do Inconsciente Coletivo Português. Chamar-se-á Portugal Misterioso e abordará mais aspetos mitológicos, inclusive desde a pré-história. «É importante manter vivo este espírito crítico e uma abordagem académica porque, sendo postas do lado da barreira não académica, estas coisas correm sempre o risco de serem alteradas, manipuladas, transformadas em pequenas religiões, em pequenas seitas, e distorcidas até em termos do aproveitamento comercial», justifica Joaquim Fernandes.

Daí também a importância do Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência da Universidade Fernando Pessoa, que dirige. «Cabe lá tudo o que seja o desconhecido ou o menos conhecido, mas sempre numa perspetiva de crítica distanciada. Não assumimos nada por adquirido. Até porque temos a consciência de que num conjunto lato de questões ainda estamos na fase da pré-história do conhecimento, e assim continuaremos. A nossa ideia é: aceitamos tudo mas não cremos em nada.»


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DP de 15 de Julho de 1979

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O Globo, 07 de Abril de 1959

Vulto de "mulher de branco" assombra sala de teatro onde atriz morreu de ataque cardíaco






É impossível não ficar assustado com essa história. Uma aparição de branco foi detectada por caçadores de fantasmas em um teatro antigo que segundo as lendas no Estado americano do Maine, é assombrado pelo espírito de uma atriz que morreu no local.

A atriz é Eva Grey, que morreu nos bastidores do Teatro Biddeford City, em 1904. Desde então, as histórias se propagaram...

No início de janeiro, uma trupe de caçadores de fantasmas amadores foi em busca dos tais fantasmas.

O pior é que eles acharam algo sinistro...

As imagens capturadas por eles mostram uma figura de branco perambulando pelas dependências do teatro.

Veja bem essa figura de branco que aparece em todas as fotos. Segundo os caçadores, ela é Eva.

Segundo relatos, Eva morreu aos 33 anos após apresentar a mesma peça quatro vezes seguidas durante um Dia das Bruxas movimentado, com pessoas exigentes no público. A história fica ainda mais sinistra ao saber que a filha dela, de 3 anos, estava na plateia.

A peça era o sucesso absoluto "Goodbye Little Girl, Goodbye", bem famosa na época.

Segundo o grupo de caçadores, liderado por Caroline Mezoian, 51 anos, essa é a primeira vez que o grupo captura um visível fantasma de corpo inteiro.

Caroline Mezoian é uma das investigadoras do grupo EVP Paranormal of Maine, que se dedica a buscar evidências de criaturas paranormais. Mezoian filmou o fantasma usando uma câmera com infravermelho. 

"Eu não acreditei no começo", diz ela. "Mas quando você olha para essas imagens como você pode admitir que não tem nada?"

Caroline disse que quase caiu da cadeira ao ver as imagens. "Os cépticos vão pensar o que quiserem, mas essa é a prova mais convincente que temos", diz.

fonte: R7

Tumba medieval secreta em Londres revela o túmulo de cinco arcebispos “perdidos”




Durante trabalhos de renovação no antigo local de uma igreja medieval em Londres, na Inglaterra, operários descobriram a entrada para uma cripta escondida. Dentro, jaziam 30 caixões de chumbo, incluindo os restos de cinco antigos Arcebispos da Cantuária. Essa é uma descoberta arqueológica completamente inesperada, mostrando que mesmo os locais históricos mais famosos de Londres ainda têm segredos a contar.

A descoberta foi feita no Garden Museum do Palácio de Lambeth, antigo lar da Igreja de St. Mary-at-Lambeth. Essa igreja medieval foi construída no século XI e por anos esteve localizada ao lado da residência do Arcebispo da Cantuária (bispo sênior e principal líder da Igreja da Inglaterra e chefe simbólico da Igreja Anglicana). Ao longo dos séculos, muitos arcebispos pregaram na igreja, e, como essa última descoberta arqueológica revela, muitos deles também escolheram ser enterrados lá.

A histórica igreja, transformada em museu na década de 1960, está atualmente passando por uma extensa renovação de 18 meses de duração. Dadas a história do prédio e sua proximidade com o rio Tâmisa, os funcionários não tinham razão alguma para acreditar que houvesse algo embaixo da estrutura. Presumia-se que os níveis inferiores haviam sido preenchidos com poeira, como precaução contra enchentes.

Como parte da renovação, os trabalhadores tiveram que carregar lajes grandes e pesadas para expor o chão abaixo. Essas pedras, algumas pesando até 1,49 tonelada, foram deitadas em 1851. A remoção de uma dessas pedras revelou uma entrada escondida para um espaço desconhecido diretamente abaixo. 

Os trabalhadores apressadamente acoplaram uma lanterna e uma câmera a um bastão e colocaram-no dentro do vão. Para sua enorme surpresa, a filmagem mostrou uma tumba secreta com diversos caixões posicionados uns sobre os outros. Incrivelmente, um desses caixões tinha uma coroa de ouro sobre si — um mitre, significando os restos enterrados de um arcebispo.

Vários caixões tinham placas de identificação sobre eles, incluindo cinco que mantinham os restos de antigos Arcebispos da Cantuária. Vale destacar Richard Bancroft, Arcebispo da Cantuária de 1604 a 1610. Ele presidiu o comitê que escreveu a Bíblia do Rei Jaime, considerada a mais nobre e “majestosa” tradução inglesa da Bíblia. A cripta também contém os restos de John Moore, arcebispo de 1783 a 1805 (e sua esposa Catherine Moore), Frederick Cornwallis (no cargo entre 1768 e 1783), Matthew Hutton (1757-1758) e Thomas Tenison (1695-1715).

Os 30 caixões de chumbo não foram mexidos, então talvez nunca descobriremos a identidade das dúzias de pessoas que permanecem sem identificação. Ainda assim, a descoberta de cinco arcebispos “perdidos” — incluindo a pessoa que comissionou a Bíblia do Rei Jaime — em um local tão celebrado e bem estudado é marcante; descobrir uma tumba secreta não é algo que acontece todos os dias.

Os construtores fizeram um painel de vidro no chão acima da cripta para que visitantes possam dar uma conferida. O Garden Museum deve reabrir em maio.

fonte: Gizmodo

Estudante de arqueologia descobre vilarejo de 14 mil anos em ilha no Canadá








Uma estudante de antropologia descobriu algo que pode mudar tudo o que acreditamos saber sobre as primeiras pessoas que chegaram na América do Norte.

Alisha Gauvreau e seu time estavam escavando na ilha de Triquet, localizada a cerca de 480 quilómetros da cidade de Victoria, na província canadense da Columbia Britânica, quando encontraram evidências de uma antiga vila, enterrada a 2,4 metros da superfície. 

O mais interessante é que de acordo com a datação por carbono, que determina a idade de certos artefactos arqueológicos, o pequeno vilarejo teria pelo menos 14 mil anos, sendo então mais velho do que a Roma antiga e três vezes mais antigo que as pirâmides do Egito!

E pensar que até agora achávamos que os primeiros habitantes teriam atravessado uma ponte terrestre entre a Sibéria e o Alasca, como explica a famosa Smithsonian Magazine, ou até que teriam chegado de barco a costa americana. Na verdade, as duas respostas eram bem aceitas pela comunidade científica até agora.

Mas voltando a descoberta de Gauvreau, ela contou em entrevista ao CTVNews que ficou assustada ao verificar a idade de lanças e anzóis encontrados no local. “Pensei: isso é realmente antigo!”, afirmou a jovem. Ainda segundo a estudante, seu “achado” confirma antigas histórias transmitidas por anciãos da nação Heiltsuk, que dizem que os antepassados da tribo sobreviveram à Idade do Gelo “vivendo em uma faixa de terra costeira que não congelou”.

Pensar que histórias como essas sobreviveram por tanto tempo e que só agora são apoiadas por uma evidência arqueológica é realmente surpreendente, declarou um membro da nação Heiltsuk entrevistado pela reportagem.

Os estudos de Gauvreau e sua equipe foram apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Arqueologia na semana passada. Os pesquisadores afirmam que irão continuar as escavações em Triquet e em outras ilhas da região em buscas de mais sinais de civilizações antigas.

fonte: Yahoo!

Fotógrafa flagra suposto OVNI no Centro de Curitiba e intriga internautas


Um Objeto Voador Não Identificado foi flagrado por uma fotógrafa na tarde de terça-feira (18) no Centro de Curitiba. O vídeo intrigou internautas e em apenas um dia já foi visto por mais de 10 mil pessoas. O flagrante aconteceu na Rua Carlos de Carvalho.

"Vi o negócio e filmei, não tava rápido. Acelerou depois", disse Caroline Hecke, que fez a imagem que intriga muitas pessoas. "Não sei se era o caso, mas acreditar que não estamos sozinhos, isso eu acredito", comentou a fotógrafa.

O vídeo dura aproximadamente sete segundos, até que o objeto sai do foco da câmera.


fonte: Massa News

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