segunda-feira, 9 de março de 2015

Ilha de Santa Maria vai ter Casa dos Fósseis dentro de dez meses


Na Pedra-que-pica, encontram-se sobretudo fósseis de bivalves, gastrópodes, carapaças de ouriços-de-areia e pequenos invertebrados, como briozoários DR


Fóssil de gastrópode marinho (Conus sp.), encontrado na jazida Mio-Pliocénica da Ponta do Cedro (costa leste da ilha de Santa Maria) DR

O Governo Regional dos Açores anunciou nesta segunda-feira que adjudicou a construção da Casa dos Fósseis, na ilha de Santa Maria, por 335 mil euros à empresa Marques S.A.. A obra deverá estar pronta dentro de dez meses.

A empreitada prevê a construção de um edifício no centro histórico de Vila do Porto, junto ao Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo, no qual ficará exposto o espólio geológico e paleontológico da ilha, onde existem cerca de 20 jazidas fósseis.

O preço base da obra era de 285 mil euros mas a adjudicação foi feita por 335 mil euros. No total, o investimento previsto na Casa dos Fósseis deverá rondar os 600 mil euros.

Esta empreitada vai decorrer em simultâneo com o processo de classificação de Santa Maria como o primeiro paleoparque de ilha do mundo, que está a ser desenvolvido pelo Governo dos Açores em colaboração com a Universidade dos Açores, a IPA – Associação Internacional de Paleontologia e o Geoparque Açores (que é também único a nível mundial, por englobar um arquipélago).

“Pretende-se com esta classificação criar um produto diferenciado e que funcione como um importante complemento à oferta turística já existente em Santa Maria, aumentando a sua competitividade no contexto regional”, lê-se numa nota da Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente.

Das nove ilhas do arquipélago, Santa Maria é a mais antiga, com sete a oito milhões de anos, e a que está há mais tempo – mais de dois milhões de anos – sem actividade vulcânica. Por isso, é a única com fósseis marinhos. Em toda a ilha estão identificadas cerca de 20 jazidas com algas calcárias, moluscos, crustáceos, ouriços-do-mar, corais e cetáceos, fossilizados há milhares de anos.

Para permitir a visitação deste património paleontológico foi criada a Rota dos Fósseis, que inclui quatro trilhos pedestres e um marítimo – o único deste género homologado nos Açores, segundo o investigador Sérgio Ávila, da Universidade dos Açores. Este biólogo e paleontólogo coordena uma equipa que se tem dedicado a estudar a ilha e a produzir conteúdos científicos que estarão expostos na Casa dos Fósseis.

O projecto Rota dos Fósseis visa complementar a oferta da ilha em termos de turismo de natureza. Santa Maria é muito procurada por mergulhadores, interessados em ver jamantas e outras espécies pelágicas. “As empresas ainda não estão a aproveitar o facto de, no dia anterior à viagem de avião, os turistas não poderem mergulhar. O trilho marítimo pode ser feito nesse dia”, exemplificava Sérgio Ávila, em declarações ao PÚBLICO em Junho passado.

fonte: Público