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domingo, 21 de maio de 2017

Lenda do Alcaide do Castelo de Faria


Diz a lenda que D. Fernando quebrou o compromisso de casamento com a filha do rei de Castela quando se apaixonou por Leonor Teles. A recusa fez com que o rei castelhano desencadeasse uma guerra contra Portugal.

O Minho foi invadido pelo adiantado da Galiza, D. Pedro Rodriguez Sarmento, que se bateu com D. Henrique Manuel, tio do rei português, nos arredores de Barcelos. Os portugueses foram derrotados e entre os reféns ficou D. Nuno Gonçalves, alcaide-mor do Castelo de Faria. D. Nuno receava que o seu filho entregasse o Castelo de Faria por o saber refém dos castelhanos e resolveu engendrar um estratagema: pediu ao galego D. Pedro que o levasse até aos muros do castelo para convencer o filho a entregar a fortaleza sem resistência. Chegados ao castelo, D. Nuno pediu para falar com o seu filho, D. Gonçalo, e convenceu-o a defender-se a custo da própria vida.

Os castelhanos, vendo-se traídos, mataram logo ali o velho alcaide e atacaram o castelo. D. Gonçalo, lembrando-se das palavras do pai, resistiu heroicamente aos ataques e levou os inimigos a desistirem da luta. Apesar de premiado pela sua coragem, D. Gonçalo pediu ao rei D. Fernando autorização para abandonar o cargo de alcaide e tornou-se sacerdote.


sábado, 20 de maio de 2017

A lenda do “Castanheiro do Ouro”


Não longe da cidade de Tarouca que hoje é capital desse território de que o escritor bíblico falaria como se nele corresse leite e mel e ao qual, em jeito de Terra da Promissão deram o título de Vale Encantado, há uma povoação de alegre casario marginando a estrada que recebeu o nome curioso de Castanheiro do Ouro.

Ninguém sabe a razão daquele nome, nem sequer a gente mais velha do lugar, nem o texto de um qualquer cronista faz dele menção em pergaminho.

Corre o nome de geração em geração e é fácil imaginar que vem do tempo da Mourama que foi por ali senhora dos lugares, basta a gente lembrar-se, ali ao lado, de Ardínia.

Diz a lenda, as lendas são sempre textos dourados pelo tempo, que os cristãos se tornaram um dia dominadores destes lugares e que os mouros retiraram à pressa para Sul levando consigo as riquezas de que eram possessores. Mas houve um, cujo nome não sabemos, era mercador e não pôde carregar todo o ouro e pedraria que juntou. E aconteceu que, antes de fugir, escondeu na toca aberta de um velho castanheiro, talvez onde o pica-pau fizera ninho, uma grande bola de ouro. Talvez um dia pudesse ali voltar para a levar. Assim terá pensado o mouro.

O mouro desterrado para o Sul nunca mais pôde voltar àquele lugar.

O castanheiro, esse cresceu. Tinha já mil anos e dava ainda rasas de castanhas.

E foi quando um pastor se aproveitou do tronco esburacado para nele descansar numa tarde de calor, que lá achou a bola de ouro deixada há muito tempo pelo mouro.

Não sabia aquele pastor que a bola de ouro tinha encanto como os brincos e as pulseiras das mourinhas que ficaram encantadas nos outeiros. Nenhuma voz se ouviu para o avisar. E quando o pastor tomou a bola de ouro em suas mãos logo ela em fumo se tornou.

Nunca mais foi o mesmo aquele pastor. Vezes sem conta o pastor contava aquela história e, para fazer crer sua verdade, apontava a mancha negra no tronco esburacado do velho castanheiro. E tanta vez contou o pastor a sua história que o povo do lugar acreditou e deu por nome à sua terra, o nome que para sempre lhe ficou e é ainda, Castanheiro do Ouro.


A lenda das Amendoeiras


Noutros tempos, a nossa província do Algarve esteve na posse dos Mouros.

Ora aconteceu que ali havia um rei a quem os seus vassalos tinham por costume levar escravas de várias regiões.

Um dia, levaram-lhe uma linda rapariga do Norte da Europa a quem deram o nome de Gilda.

O rei casou com ela, tornando-a, assim, rainha.

Gilda andava sempre triste. Nem o casamento, nem as festas, nem os mais ricos presentes do marido a faziam sorrir.

Um dia, Gilda confessou que a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve.

Então, o rei lembrou-se de mandar fazer grandes plantações de amendoeiras em todo o Algarve. E, quando as amendoeiras floriram, levou a rainha à torre mais alta do castelo. Chegada ali, e vendo as terras cobertas de um manto branco, Gilda pensou que era neve, e a sua tristeza desapareceu.

As amendoeiras começam a florir em pleno Inverno e conservam a flor, normalmente, até fins de Fevereiro.