domingo, 30 de março de 2014

“As experiências de quase-morte precisam de ser estudadas com seriedade”


A investigadora belga Vanessa Charland-Verville ADRIANO MIRANDA

Vanessa Charland-Verville é neuropsicóloga no grupo de Ciência do Coma e no Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Liège, na Bélgica. Neste momento, estuda o que se passa no cérebro das pessoas que vivem experiências de quase-morte.

Em 2010, a vida de Rom Houben entrou nas notícias. Este belga foi diagnosticado com síndrome do encarceramento. Isto é, apesar de paralisado, o doente esteve sempre consciente e começou aí um processo de recuperação que lhe permitiu voltar a comunicar com médicos e família. Esteve num hospital durante 23 anos, depois de um acidente que o tinha colocado no que se supunha ser um estado vegetativo. A partir daí, começou um processo de recuperação que lhe permitiu voltar a comunicar com médicos e família.

Vanessa Charland-Verville esteve no Porto, no âmbito do 10.º Simpósio da Fundação Bial Aquém e Além do Cérebro, que termina este sábado, na Casa do Médico, falando sobre casos de lesões cerebrais como este. Ao PÚBLICO conta também a sua experiência numa nova área de estudo na sua universidade, as experiências de quase-morte.

Fez parte da equipa que estudou a recuperação de Rom Houben, que esteve em estado de coma durante 23 anos.

Ele não esteve em coma. Os media têm-no dito assim, mas, por definição, não se pode estar em coma por mais de algumas semanas. Rom Houben foi mal diagnosticado, como outros doentes que vimos em Liège. Quando um doente não mostra movimentos, mesmo que esteja consciente, às vezes pode concluir-se erradamente que não está consciente e, infelizmente, isto acontece demasiadas vezes. São os casos de locked-in syndrome [síndrome do encarceramento]. Rom Houben estava completamente paralisado desde que tinha tido um acidente e, portanto, não podia dizer aos médicos que estava consciente.

Qual foi o processo que fez com que os médicos se apercebessem de que ele não estava num estado vegetativo?

Uma TAC feita pelo professor Steven Laureys [chefe da equipa de que faz parte Vanessa Charland-Verville] mostrou que o cérebro estava normal. Foi uma grande surpresa, mas o cérebro estava a comportar-se como um cérebro normal e consciente. É muito importante ter estas técnicas ao nosso dispor, mas infelizmente nem todos os locais têm acesso à ressonância magnética ou à TAC e fazem erros de diagnóstico com frequência. Com estes doentes, temos de estar certos acerca do diagnóstico. Depois fazemos exames comportamentais e temos as técnicas de neuro-imagem.

Como está Rom Houben neste momento?

Não nos encontramos regularmente, mas a família está a tentar trabalhar num dispositivo de comunicação em que ele escreve alguma coisa num teclado especial e comunica através de um computador. Está a fazer reabilitação física, mas o objectivo principal é tentar comunicar com a família.

Ele tenta comunicar com a família de uma forma diferente daquela com que comunicou com os médicos?

Depois de tantos anos sem poder falar ou mexer-se, a prioridade é ter um dispositivo que ajude a falar para tornar esse processo mais fácil.

Este tipo de descobertas coloca dilemas éticos. Estando na Bélgica, um país onde a questão da eutanásia é muito discutida, têm sido chamados para este debate?

Somos confrontados com estas questões algumas vezes. Depois de algum tempo em estado vegetativo, o cérebro começa a degenerar-se. Vemos alguns doentes em Liège para fazer um diagnóstico e depois falamos com as famílias, explicando isto e dizendo como está o cérebro da pessoa em causa. Depois de muitos anos inconsciente, o cérebro morre.

Mas já intervieram em algum processo que terminou com eutanásia?

É parte do nosso trabalho fazer estas questões e lidar com este tema. Mas, nos três anos que levo em Liège, nunca fomos confrontados com nenhum caso em que o doente tenha acabado por morrer por decisão da família.

Tem estado também a trabalhar em experiências de quase-morte. Como neuropsicóloga, qual é o seu papel no estudo destes casos?

Procuramos sempre a correlação entre a lesão cerebral e o comportamento. Faço duas coisas: tenho um trabalho clínico, onde trabalho com doentes com perturbações na consciência, que estão em coma ou num estado vegetativo. Mas também faço investigação. Faço uma avaliação neuropsicológica das funções cognitivas depois de uma paragem cardíaca. Sabemos que o tempo em que o cérebro não recebe oxigénio pode causar problemas de memória. Acedemos às funções cognitivas, mas também pergunto aos doentes se têm algumas memórias do período em coma ou do tempo em que estiveram no hospital. Entre 10 e 20% dos doentes reportam este tipo de memórias.

As memórias que os doentes contam são sempre similares?

Quando têm experiências de quase-morte, isso torna-se claro porque contam uma história que é bastante similar. São sempre questões similares: sentimentos de paz, sair do próprio corpo, estar num lugar onde nunca estiveram, ver uma luz brilhante.

Podemos comparar este tipo de memórias com outras percepções, como sonhos ou alucinações?

No ano passado, publicámos um artigo onde demonstrámos a diferença entre as experiências de quase-morte e as memórias imaginadas, como os sonhos. As memórias imaginadas são sempre intenções que não foram cumpridas e, quando as comparamos com memórias de eventos reais, vemos que as experiências de quase-morte são mais intensas em termos de percepções e conteúdo emocional. Os doentes dizem que é mais real do que o que é real. Baseando-nos nesse estudo, podemos dizer que estas experiências não são como as memórias imaginadas, porque o conteúdo é realmente muito mais intenso.

Também testam os doentes com tecnologia hospitalar?

É impossível aceder a experiências de quase-morte em tempo real. Podemos apenas avaliar a função cerebral ou as memórias depois do evento. O que estamos a tentar fazer agora é induzir experiências de quase-morte através de hipnose e recriar a experiência para ver o que o cérebro nos pode dizer sobre este fenómeno.

Este assunto está presente na cultura popular, fora da comunidade científica...

Há outras audiências interessadas no assunto. Mas acho que as experiências de quase-morte precisam de ser agora estudadas minuciosamente e com seriedade. Há pessoas que têm escrito livros dizendo o que lhes apetece sobre isto e agora temos de saber mais acerca das características das experiências de quase-morte e por que há pessoas que contam as mesmas coisas e o que está a acontecer no cérebro nesse momento. Temos que ser rigorosos acerca desse fenómeno.

fonte: Público

Descoberto planeta-anão para lá dos confins conhecidos do sistema solar



Diagrama do sistema solar, com o Sol, as órbitas dos planetas gigantes e a cintura de Kuiper no centro e as órbitas de Sedna (a laranja) e de 2012 VP113 (a vermelho) SCOTT SHEPPARD/INSTITUIÇÃO CARNEGIE PARA A CIÊNCIA

O resultado, que deverá obrigar a redefinir a visão actual do nosso cantinho do cosmos, também sugere, especulam os autores, a presença de um planeta muito maior que a Terra, ainda por detectar.

O sistema solar passa a ter oficialmente, a partir desta quarta-feira, um novo elemento: um pequeno planeta, designado 2012 VP113, que é o objecto mais distante do Sol jamais encontrado. O resultado foi revelado na revista Nature.

Este planeta-anão, cujos descobridores estimam ter 450 quilómetros de diâmetro (cerca de um sétimo do diâmetro da Lua), não é o primeiro a ser encontrado para lá dos confins conhecidos do sistema solar – nem sequer o maior. Mas a sua descoberta é “extraordinária”, nas palavras de Linda Elkins-Tanton, da Instituição Carnegie (EUA), porque “nos obriga a redefinir a nossa compreensão do sistema solar”, diz esta cientista em comunicado daquela instituição norte-americana.

O sistema solar tal como o conhecemos hoje pode ser dividido em três partes, a contar do Sol: os planetas rochosos (como a Terra); os gigantes gasosos (como Júpiter); e a cintura de Kuiper, um conjunto de objectos gelados, que inclui Plutão, situado além de Neptuno. Para lá desse aparente limite, só se conhecia até hoje um outro objecto do mesmo tipo em órbita solar: Sedna, planeta-anão descoberto em 2003 por uma equipa da qual também fazia parte Chadwick Trujillo, do Observatório Gemini (EUA e Chile) e um dos co-autores da presente descoberta. Com mil quilómetros de diâmetro, Sedna é mais pequeno do que Plutão.

Desde então, pensava-se que Sedna era único, explica o mesmo comunicado. Mas com a descoberta de 2012 VP113, fica agora claro que isso não é verdade e que ambos estes corpos – e provavelmente outros tantos milhares como eles ou ainda maiores – fazem parte de uma estrutura ainda hipotética do sistema solar: a nuvem de Oort interior, que se pensa ser um dos pontos de origem dos cometas.

Este é, de facto, o primeiro sinal de que essa região do sistema solar existe mesmo nos seus confins. “Sedna e 2012 VP113 poderão ser a ponta do icebergue de uma população de objectos distantes da nuvem de Oort interior”, escreve Megan Schwamb, especialista da Academia Chinesa de Taiwan, num comentário que acompanha a publicação dos resultados.

O planeta-anão 2012 VP113 é de facto o objecto mais distante jamais avistado no sistema solar: a título de comparação, a cintura de Kuiper acaba a uma distância do Sol equivalente a 50 vezes a distância daTerra ao Sol (ou melhor, a 50 unidades astronómicas ou UA) e a órbita de Sedna passa a 76 UA do Sol. Todavia, ambos estes objectos super-longínquos têm órbitas que os levam até a centenas de unidades astronómicas de distância do centro do sistema solar.

Mesmo durante a fracção da sua órbita em que mais se aproxima do Sol, 2012 VP113 permanece muito longe da nossa estrela, a umas 80 UA. E foi numa das suas passagens a essa distância que Trujillo e Scott Sheppard, da Instituição Carnegie (EUA), o conseguiram “capturar”. Para isso, utilizaram a Câmara de Energia Escura do NOAO, telescópio de quatro metros de abertura situado no Chile – um dispositivo capaz de varrer vastas regiões do céu à procura de objectos muito ténues.

Com base nos seus cálculos, os autores estimam que, dentro da nuvem de Oort interior, poderão existir cerca de 900 objectos com órbitas como a de Sedna e de 2012 VP113 – e com diâmetros superiores a mil quilómetros. “Alguns desses objectos poderão rivalizar em tamanho com Marte ou mesmo com a Terra”, diz Sheppard, citado pelo mesmo comunicado.

“A procura de objectos distantes da nuvem de Oort interior, situados para além de Sedna e de 2012 VP113, deve continuar, porque poderiam revelar-nos muitas coisas sobre a formação e a evolução do nosso sistema solar”, acrescenta Sheppard. Isto porque existem actualmente três explicações concorrentes da formação da nuvem de Oort interior. Num desses cenários, um planeta poderá ter sido expulso da região dos planetas gigantes, atirando objectos da cintura de Kuiper para mais longe; noutro, o sistema solar terá “capturado” um planeta extra-solar; noutro ainda, terá havido transferência de matéria aquando de um encontro do nosso sistema solar com outro. E quanto maior o número de objectos que forem sendo encontrados, mais fácil será determinar qual dessas hipóteses é a mais certeira.

Seja como for, a descoberta de 2012 VP113 revela algo que qualquer teoria da formação da nuvem de Oort interior terá de ser capaz de explicar: que as órbitas de Sedna e de 2012 VP113 têm características muito semelhantes.

Segundo os autores, isso sugere a existência de um objecto maciço, que ainda não foi possível ver, mas que está a arrastar estes corpos, perturbando as suas órbitas da mesma maneira. Sheppard e Trujillo especulam que uma "super-Terra" – ou um planeta ainda maior –, situado a centenas de unidades astronómicas do Sol, poderia ser responsável por esse efeito. Será que os planetas do sistema solar têm um grande “irmão” desconhecido?

fonte: Público

Chariklo, o primeiro asteróide com anéis


Ilustração científica do asteróide Chariklo e os seus anéis ESO/L. CALÇADA/M. KORNMESSER/NICK RISINGER

Até agora, conheciam-se apenas anéis à volta de planetas.

O corpo rochoso Chariklo está enfeitado por anéis, que o tornam o primeiro asteróide a apresentar estas características, até agora só identificadas nos planetas Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno.

Trata-se de dois anéis, densos e estreitos, cuja origem poderá estar numa colisão que criou um disco de detritos, segundo um comunicado de imprensa do Observatório Europeu do Sul (ESO), organização intergovernamental europeia de astronomia.

Descobertos a partir de observações em vários locais da América do Sul, incluindo o Observatório de La Silla do ESO, no Chile, os dois anéis estão “bastante confinados”, com três e sete quilómetros de largura, separados entre si “por um espaço vazio de nove quilómetros”.

O Chariklo tem 250 quilómetros de diâmetro e a sua órbita é entre Saturno e Úrano. É o maior membro de uma classe de objectos celestes conhecidos por Centauros, situados naquela região do sistema solar.

Até agora, é o corpo celeste mais pequeno do sistema solar a apresentar anéis em seu redor e o quinto com esta característica, depois dos planetas Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. É provável que o asteróide tenha também, pelo menos, “um pequeno satélite à espera de ser descoberto”, refere o físico Felipe Braga-Ribas, do Observatório Nacional, tutelado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, e que é o principal autor do artigo científico que descreve estes resultados esta quinta-feira na revista Nature.

“Não estávamos à procura de anéis nem pensávamos que pequenos corpos como o Chariklo os poderiam ter, por isso esta descoberta – e a quantidade extraordinária de detalhe deste sistema – foi para nós uma grande surpresa”, assinalou Felipe Braga-Ribas, que liderou a equipa.

Aos anéis de Chariklo, os cientistas os nomes informais de Oiapoque e Chuí, dois rios nos extremos Norte e Sul do Brasil.

fonte: Público

sábado, 29 de março de 2014

Estrelinha de Santa Maria ameaçada de extinção


A ave mais pequena da Europa, a estrelinha de Santa Maria, nos Açores, corre o risco de extinção devido à degradação do seu habitat, encontrando-se na lista dos 13 vertebrados mais ameaçados do país.

"É o próprio Instituto Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade que plasma a estrelinha de Santa Maria [ou estrelinha de poupa] com o estatuto de perigo de extinção", referiu à agência Lusa o coordenador do Clube de Amigos Defensores do Património de Santa Maria, José Andrade Melo.

A estrelinha de Santa Maria, que se alimenta de insetos, vermes e aranhas, possui apenas oito a nove centímetros de comprimento e 12 a 14 de envergadura, é considerada importante no controlo biológico de algumas espécies e muito procurada no âmbito da atividade de 'birdwatching' (observação de aves).

José Andrade Melo explicou que a estrelinha de Santa Maria sofreu uma "regressão significativa" do seu efetivo nas duas últimas décadas, à semelhança do que aconteceu com o priolo, devido à perturbação do seu habitat natural e consequente redução dos alimentos.

A estrelinha de Santa Maria, que possui o nome científico de 'regulus regulus sanctae-mariae', vive em zonas dispersas na ilha, concentrando-se na zona do Pico Alto e no Barreiro da Faneca. Prefere os espaços com arbustos que contenham espécies da laurissilva (floresta húmida subtropical apenas existente na Macaronésia) para pernoitar e nidificar.

"O facto de a ave estar confinada a um espaço tão diminuto em termos territoriais, como é a ilha de Santa Maria, por si só já é merecedora do estatuto especial de conservação e da obrigação política e científica de criação de um plano de salvaguarda", defendeu José Andrade Melo.

Há dois anos, o Clube de Amigos Defensores do Património de Santa Maria e a representação local da associação ecologista Amigos dos Açores, com o apoio de várias entidades, propuseram ao Governo Regional que a estrelinha de Santa Maria fosse designada "a ave de 2012", visando alertar para a sua existência e perigo de extinção.

A proposta foi feita ao então secretário regional do Ambiente, a quem sublinharam a necessidade de realizar um plano de salvaguarda da estrelinha, através de uma equipa multidisciplinar.

Segundo José Andrade Melo, "houve aceitação" da proposta de conservação da espécie, mas "até hoje, para além da promessa, o que houve foi um pequeno estudo de inventariação do seu habitat preferencial".

"Em termos de quantitativo do efetivo populacional, nada existe feito, de uma forma muito clara, tendo-se plantado, entretanto, uma pequena mancha de árvores preferenciais da estrelinha, na zona do Pico Alto, com vegetação endémica, o que é manifestamente insuficiente", considerou.

José Andrade Melo defendeu, para além de um estudo que quantifique o efetivo populacional da ave e de uma elencagem das suas reais ameaças, um plano de ação, à semelhança do que foi desenvolvido para o priolo, ave endémica da ilha de São Miguel.


Vídeo com raio-X mostra como mosca bate as asas

Vídeo com raio-X mostra como mosca bate as asas


Um grupo da Universidade de Oxford usou raio-X produzidos por um acelerador de partículas do Instituto Paul Scherrer, na Suíça, para perceber como uma mosca bate a suas asas. O resultado final é descrito pela New Scientist como "surreal".

Segundo esta publicação científica, o vídeo está centrado no tórax da mosca e mostra os músculos que a fazem voar.

Os músculos maiores aparecem em vermelho, laranja e amarelo fornecem a energia que mantém a mosca no ar. Já os mais pequenos - a verde, azul e ciano - são usados para a direção.


Construído primeiro cromossoma artificial da levedura


Biologia sintética deu novo salto com a produção em laboratório de cromossoma alterado que funciona no organismo

Letra a letra, e aminoácido a aminoácido, num laborioso trabalho de formiguinha de laboratório que durou sete anos: um grupo de investigadores conseguiu pela primeira vez construir um cromossoma artificial de um organismo complexo, neste caso a levedura, que depois se integrou com sucesso, e a funcionar " naturalmente", nas células desse organismo.

O feito, que foi ontem publicado on line pela revista Science, é considerado um novo passo de gigante no trabalho científico em biologia sintética e vida artificial, áreas que contêm a promessa de novas gerações de medicamentos, de produtos alimentares ricos e até de biocarburantes revolucionários.


terça-feira, 25 de março de 2014

Há 1800 anos um soldado romano escreveu sete vezes à família, a última carta chegou até nós


O papiro foi descoberto no Egipto, na cidade onde vivia a família do soldado romano que o escreveu CORTESIA DA BIBLIOTECA DE BANCROFT/UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA

O papiro de um soldado romano enviado à família foi encontrado no final do século XIX, ficou por decifrar durante mais de 100 anos por estar em mau estado. Aurelius Polion tinha saudades de casa e estava à espera de receber notícias dos familiares.

A frase faz parte de uma mensagem com 18 séculos: “Rezo noite e dia para que estejam de boa saúde e presto obediência contínua aos deuses em vosso nome.” Aurelius Polion, cidadão romano, legionário, escreveu estas palavras para a sua família por volta do ano 214 depois de Cristo (d.C.). O papiro foi encontrado no final do século XIX, mas por estar tão degradado só recentemente é que foi decifrado do grego antigo e traduzido para inglês. Através do seu estudo, publicado no Bulletin of the American Society of Papyrologists, ficamos a conhecer as saudades de um filho e de um irmão, que pede notícias de casa.

Cerca de 4000 quilómetros separam a Panónia Inferior, a província romana onde Aurelius Polion estava colocado (hoje na região de Budapeste, na Hungria), e a cidade de Tebtunis, a 130 quilómetros a sudoeste do Cairo, no Egipto, onde a família do legionário vivia. Foi nos vestígios desta cidade egípcia, dominada por Roma, que os egiptólogos britânicos Bernard Grenfell e Arthur Hunt encontraram, no final do século XIX, este e outros papiros.

“Não sei quantas cartas de soldados romanos sobreviveram ao todo”, diz ao PÚBLICO Grant Adamson, que em 2011 participou no programa de Verão da Sociedade Americana de Papirologistas, onde decifrou este papiro, guardado na Biblioteca de Bancroft, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. Segundo o investigador, que é da Universidade de Rice, em Houston, Texas, terá havido muitas cartas, mas poucas terão sobrevivido. Esta carta só sobreviveu porque no Egipto “o clima é apropriado para a sua preservação”.

A carta dirige-se ao irmão, à irmã e à mãe. “Não paro de vos escrever, mas vocês não se lembram de mim. Mas eu faço a minha parte de vos escrever e não paro de vos ter presentes (na minha mente) e de vos trazer no coração. Mas vocês nunca me responderam, falando da vossa saúde, de como estão. Estou preocupado convosco, porque, apesar de receberem frequentemente cartas minhas, nunca respondem, para que saiba de vocês.”

E continua a exigir notícias da família: “Enviei-vos seis cartas. No momento em que vocês (?) me tiverem na mente, deverei obter uma licença do (comando) consular, e irei ter convosco para que saibam que sou vosso irmão. Porque não exijo (?) nada de vocês para o exército, mas culpo-vos porque, apesar de vos escrever, nenhum de vocês (?) … tem consideração. Vejam, o vosso (?) vizinho … Sou o vosso irmão.”

Grant Adamson defende que o legionário terá nascido como egípcio, mas que, entretanto, adquiriu cidadania romana. A idade do documento foi inferida pelo estilo da escrita, pelo facto de o soldado ser romano – em 212 d.C. foi dada cidadania romana a muita gente – e pela referência ao “comando consular”, já que a região da Panónia Inferior só passou a ter governo consular depois de 214 d.C.

Aurelius Polion terá sido, assim, voluntário do exército romano, pertenceu à Legio II Adiutrix, ou segunda legião auxiliar, numa altura em que o serviço militar era de 20 anos, mas num tempo calmo, sem guerras. “É precisamente por as coisas estarem pacíficas que ele tem tempo para escrever todas estas cartas”, diz Grant Adamson. “Uma das coisas que não esperava encontrar foi a referência à obtenção da licença militar – que implica um soldado ter de fazer um pedido [de licença], que depois seria dada ou negada pelo comandante.”

O soldado falaria egípcio e grego com a família – Tebtunis esteve sob ocupação grega antes de passar a pertencer a Roma – e latim na legião. A carta, no entanto, foi escrita em grego. “O egípcio era falado, mas não era escrito pela maioria dos egípcios, e a sua família quase de certeza que não saberia muito latim”, explica o investigador, acrescentando que na altura a literacia da população era muito fraca.

Aurelius Polion terá pertencido a uma família de classe baixa com alguns privilégios, mas não escreveria bem: “Ele até escrevia algumas letras do alfabeto latino em vez do grego e usava alguma pontuação latina.”

O documento terá viajado de mão em mão até chegar a Tebtunis. Lido hoje, é fácil sentir empatia pelos sentimentos que transparecem. “Reflecte as emoções de um soldado no mundo antigo”, diz April DeConick, orientadora do trabalho de Grant Adamson, citada num comunicado da Universidade de Rice. “As suas emoções não são diferentes das dos soldados de hoje, que querem voltar para casa.”

fonte: Público

Moas: estas aves estavam bem de saúde e depois chegámos nós


Ilustração recente de Euryapteryx curtus com o pescoço numa posição mais natural
MICHAEL B. H.


Ilustração antiga da espécie Megalapteryx didinus, com o pescoço representado como se pensava na época. MEGALAPTERYX DIDINUS


O investigador Morten Allentoft fura um osso de moa para extrair ADN DR


Richard Owen, biólogo inglês que identificou os moas, ao lado de um esqueleto de um Dinornis
JOHN VAN VOORST

Uma análise genética de ossos de quatro espécies de moas confirma que estas aves não estavam em declínio antes de o homem colonizar a Nova Zelândia, como já se pensou. A última extinção da megafauna dos últimos cem mil anos foi tudo obra nossa.

Quando os europeus chegaram à Nova Zelândia, no século XVII, encontraram vários animais, como a ave kiwi, que tornam aquelas ilhas um local ímpar da biodiversidade da Terra. Mas as nove espécies de moas, que em tempos tinham reinado ali, já tinham desaparecido. Estas aves eram uns gigantes num mundo sem mamíferos terrestres. Sem asas, com dois metros de altura, 250 quilos, e o pescoço e a cabeça tombados para a frente, a fêmea do  Dinornis robustus, o maior dos moas (é um substantivo masculino) e uma das maiores aves que já caminharam pela Terra, teria sido impressionante. A espécie foi observada pela última vez pelo povo maori, que se instalou na Nova Zelândia no século XIII. Em menos de 200 anos, os maori caçaram os moas e alteraram os ecossistemas, levando as nove espécies e outras aves à extinção.

Análises genéticas dos ossos destas aves levaram a pensar que os moas já estavam em declínio antes de a Nova Zelândia ter sido colonizada. Agora, um estudo que analisou marcadores genéticos de 281 indivíduos de quatro espécies diferentes de moas prova que, nos últimos milénios antes da chegada do homem, a diversidade genética destas quatro espécies não estava em declínio.

“As pessoas têm muitas vezes dificuldade em aceitar que os povos ‘primitivos’, com uma tecnologia limitada, podem causar a extinção de grandes animais”, diz ao PÚBLICO Morten Allentoft, um dos autores do artigo publicado na última edição da revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences. “Por isso, as pessoas procuraram outras causas como as alterações climáticas. Algumas análises genéticas feitas inicialmente, com base em pouca informação, sugeriam que os moas já estavam em declínio antes de os humanos chegarem à Nova Zelândia”, acrescenta o investigador da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

“As nossas análises mostram que os moas tinham populações estáveis durante os 5000 anos antes da chegada dos humanos. Não há indicações de um declínio pré-humano da população. De facto, parece que as populações estavam a aumentar de tamanho”, explica Morten Allentoft.

Os moas fazem parte do mesmo grupo de aves dos kiwis, das avestruzes ou das emas. Mas, juntamente com os kiwis, separaram-se há mais tempo daquela linhagem. As avestruzes e as emas ainda conservam as asas, ao contrário dos moas. Esta divisão tornou-se possível depois de as duas ilhas principais que formam hoje a Nova Zelândia se terem separado da Austrália e da Antárctida há mais de 75 milhões de anos, quando os dinossauros ainda dominavam a Terra.

Agora, a equipa analisou fósseis de moas provenientes de cinco locais no Norte da província de Canterbury, que fica no Leste da Ilha Sul da Nova Zelândia. A maioria destes fósseis já pertenciam a colecções de museus do país, mas alguns foram escavados e tirados de um pântano.

Além do Dinornis robustus, os ossos estudados pertenciam a animais das espécies Euryapteryx curtus, Emeus crassus ePachyornis elephantopus. O fóssil mais velho tem 13.000 anos e o mais novo tem apenas 650 anos, já depois da presença dos maori.

A equipa conseguiu obter amostras de ADN de animais distribuídos ao longo de milénios. Isso permitiu avaliar a diversidade genética daquelas populações durante aquele tempo para responder se, de facto, os moas estavam em declínio antes do aparecimento dos maori na Nova Zelândia.

“Há uma correlação entre o tamanho da população e a diversidade genética. As pequenas populações têm pouca diversidade genética. Como analisámos os moas ao longo do tempo, pudemos medir a diversidade genética ao longo desse tempo”, explica Morten Allentoft.

Como estas aves desapareceram há relativamente pouco tempo e há uma abundância dos seus vestígios (desde ossos, tecidos até fezes secas, os coprólitos), tem havido nas últimas décadas uma aposta forte na análise genética, que já contribuiu para se conhecer a própria paleogeografia da Nova Zelândia. Assim, a equipa utilizou ADN das mitocôndrias – as chamadas “baterias das células” –, e seis marcadores do ADN do núcleo, especialmente desenvolvidos para os moas.

fonte: Público

quinta-feira, 20 de março de 2014

"Galinha do Inferno" viveu há 66 milhões de anos


Fotografia © Reuters

Uma equipa de cientistas dos EUA descobriu uma nova espécie de dinossauro que foi batizada de "Galinha do Inferno". Os seus fósseis revelam uma criatura meio ave, meio lagarto, que teria bico e uma longa cauda.

Os ossos do "Anzu wyliei" encontrados são provenientes de três indivíduos e foram encontrados nos estados do Dakota do Sul e Dakota do Norte. O estudo foi publicado na PLOS ONE.

"Tínhamos indícios indiretos de que havia uma criatura assim, mas agora, com esses ossos, temos 80% de um esqueleto completo e podemos estudar com maior detalhe a estrutura deste dinossauro e perceber melhor a sua biologia", adiantou à BBC Hans Sues, curador do Departamento de Paleontologia e Paleobiologia de Vertebrados do Museu Smithsonan de História Natural, em Washington DC.

Os fósseis foram encontrados numa formação geológica norte-americana conhecida como Hell Creek, o que acabou por dar o apelido de Inferno ao esqueleto do animal que se assemelha a uma galinha.


terça-feira, 18 de março de 2014

Esqueleto de homem que tinha cancro há 3200 anos encontrado no Sudão


O sítio arqueológico de Amara Oeste MUSEU BRITÂNICO


Esqueleto de homem com cancro MUSEU BRITÂNICO


Pormenor da escavação 
MUSEU BRITÂNICO

Ossos têm sinais de metástases por todo o corpo.

O esqueleto de um homem que sofria de cancro há mais de 3200 anos foi descoberto no Sudão, revela um estudo publicado esta segunda-feira na revista PLOS ONE.

Os restos mortais deste homem, com uma idade entre os 25 e os 35 anos, foram encontrados no ano passado numa sepultura perto do rio Nilo, por uma estudante da Universidade de Durham, em Inglaterra. O esqueleto foi descoberto a 750 quilómetros a sul de Cartum, a capital do Sudão, no local arqueológico de Amara Oeste. A região era, na altura, dominada pelos egípcios.

O exame aos ossos revela que o homem, oriundo de um meio abastado, tinha um cancro já com metástases, mas não foi possível determinar se o cancro foi a causa da morte. Este é o esqueleto mais antigo e mais completo que alguma vez foi descoberto de um humano com metástases.

Apesar de o cancro ser uma das principais causas de morte contemporâneas, é raro encontrarem-se vestígios de cancro em esqueletos humanos descobertos em locais arqueológicos. Isto leva a que esta doença esteja “principalmente associada ao modo de vida contemporâneo e ao aumento da esperança média de vida”, explicam os investigadores.

A análise do esqueleto mostra “que a forma das pequenas lesões nos ossos só pode ter sido criada por um cancro nos tecidos moles, apesar de a origem exacta ser impossível de determinar a partir [da informação] dos ossos”, explicou Michaela Binder, a arqueóloga que fez a descoberta.

Este esqueleto “poderá ajudar-nos a compreender a história até agora desconhecida do cancro. Temos muito poucos exemplos anteriores ao primeiro milénio antes de Cristo”, explica a investigadora, acrescentando que “é necessário compreender a história desta doença para compreender melhor a sua evolução”. 

Os exames radiológicos feitos neste estudo permitiram observar lesões nos ossos. O homem apresentava metástases nas clavículas, omoplatas, vértebras, braços, fémures e na bacia.

A origem do cancro é desconhecida, poderá ter sido provocado pela inalação de fumo de madeira queimada, que tem compostos cancerígenos, factores genéticos ou uma doença infecciosa causada por parasitas, especulam os cientistas.

fonte: Público

segunda-feira, 17 de março de 2014

Robô de lego bate recorde do cubo Rubik



Demorou pouco mais de 3 segundos

O robô, associado a um Samsung Galaxy S4, resolveu o cubo de Rubik em 3,253 segundos, batendo assim um novo recorde. 

Os braços do robô movimentam o cubo e compete ao Galaxy, através da câmara, ver como estão as peças.

O melhor tempo conseguido por um humano é de 5,55 segundos.

fonte: i online

'Robôs stripper' dançam no varão


Robôs até dançam no varão e adequam-se ao perfil do comprador

Para lá de muitas novidades a duas e três dimensões na feira de tecnologia de Hannover, na Alemanha, que terminou na sexta-feira, a grande atração foram dois robôs que fazem striptease. 

Os objetos, que custam 35 mil euros cada, até dançam no varão e recentemente ganharam mais formas.



As mais loucas teorias para o desaparecimento do avião da Malaysia Airlines

As mais loucas teorias para o desaparecimento do avião da Malaysia Airlines

Avião está desaparecido há nove dias

Nove dias após o desaparecimento do avião da Malaysia Airlines, com 239 pessoas a bordo, desconhecem-se, ainda, os motivos que levaram ao sumiço do aparelho. Suicídio de um dos pilotos, terrorismo, sequestro são hipóteses que ainda não descartadas pela investigação, mas há outras tantas teorias da conspiração que o mistério e as redes sociais ajudam a condensar. De ovnis ao envolvimento de Edward Snowden, tudo é aventado na internet.

À parte as certezas a que os investigadores foram chegando, nos últimos nove dias, pouco se sabe do que se passou a bordo do voo 370 da Malaysian Airlines.

Na versão oficial, ganha terreno a hipótese de se tratar do resultado de um plano de sabotagem ou de pirataria meticulosamente preparado. Suspeitas que ganharam novo fôlego com a hipótese de que a última comunicação do cockpit, feita pelo co-piloto -, um informal "tudo bem, boa noite" -, tenha sido feita depois de desligado um dos sistemas de comunicação do aparelho.

Sabe-se também que o Boeing desceu a cinco mil pés de altitude (cerca de 1500 metros) de forma a evitar os radares civis,que terá voado até mais sete horas, depois de ter desaparecido dos radares, e que mudou deliberadamente de rota. "A pessoa no comando do avião tem um sólido conhecimento de navegação e radares", disse fonte da investigação, citada pelo jornal malaio "New Straits Times".

A polícia e os investigadores da equipa internacional talvez nunca venham a confirmar qualquer destes dados, a menos que encontrem o aparelho. Existem, atualmente, duas zonas de investigação sobre a rota seguida pelo avião: uma franja que vai do norte da Tailândia até ao Cazaquistão e Turquemenistão; outra que parte da Indonésia e entra pelo oceano Índico a oeste da Austrália.

Teorias da conspiração

O envolvimento de extraterrestres no desaparecimento do avião é defendido por Alexandra Bruce, no site Forbidden Knowledge TV, no qual são publicados os sinais capturados na altura do desaparecimento e que, afirma a autora, só poderiam ser emitidos por um OVNI.

Como fonte é usado um vídeo partilhado no YouTube e que mostra o registo do tráfego aéreo no local e na altura do desaparecimento do aparelho.

No site, o alegado OVNI é identificado como Airlines Flight 672, num vídeo retirado do flightradar24. A velocidade supersónica do aparelho está provavelmente relacionada com uma falha no sistema e não com uma intervenção alienígena.

Uma outra teoria garante que os 239 passageiros que seguiam a bordo do Boeing estão vivos. A convicção fundamenta-se no facto de os telemóveis dos passageiros continuarem a chamar.

Nem todos os telemóveis que são desligados encaminham diretamente a chamada para o atendedor de chamadas. Localização, tipo de rede e a proximidade a uma antena de telemóvel podem fazer com que continue a existir um sinal de chamada.

Uma mensagem no Reddit levanta a suspeita de ligação a Edward Snowen. Segundo o que foi escrito na rede social, a bordo do voo 370 seguiam 20 especialistas da Freescale Semiconductor, do Texas, EUA, entre os quais um alto quadro, em chips e agregação de dados, que tinham como missão vigiar a China. Segundo esta teoria, o avião da Malaysian Airlines terá explodido, na sequência de um ataque dos serviços secretos chineses.

Os funcionários da Freescale Semiconductor estão no centro de uma outra teoria, que aponta para o envolvimento do Irão e dos dois passageiros iranianos que seguiam a bordo com passaportes falsos. O objetivo do departamento de segurança nacional iraniano seria apropriar-se do conhecimento dos engenheiros da empresa norte-americana.

Na internet, há também quem defenda que o avião foi desviado para Pyongyang, já que a capital da Coreia do Norte fica a igual distância de Kuala Lumpur. Em 1969, o regime comunista de Pyongyang desviou um avião da vizinha Coreia do Sul.

O envolvimento dos Illuminati, um género de um triângulo das Bermudas no Golfo da Tailândia ou o desvio do avião para o Vietname para posterior utilização como míssil são algumas das outras teorias que tentam explicar o que, para já, ainda não tem resposta da investigação oficial.


Investigação pioneira desenvolvida em Coimbra


Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a desenvolver um estudo pioneiro sobre os mecanismos da demência frontotemporal - "a segunda mais comum das demências" - , anunciou hoje aquela instituição.

"Pela primeira vez, em Portugal", uma equipa de 14 investigadores da UC, através do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Medicina, está a "estudar os mecanismos envolvidos" na demência frontotemporal, afirma a universidade, numa nota hoje distribuída.

A degenerescência lobar frontotemporal, também conhecida por demência frontotemporal, é uma "patologia com grandes implicações no comportamento" - que "afeta sobretudo o 'centro de decisão' do cérebro (os lobos frontotemporal)" - e, apesar de ser a segunda demência mais comum, a seguir à doença de Alzheimer, "é ainda praticamente desconhecida".

Os primeiros resultados do estudo, que envolve 70 doentes seguidos na consulta de demências, coordenada pela neurologista Isabel Santana, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, revelaram "profundas alterações ao nível do complexo 1 da cadeia respiratória mitocondrial", em comparação com "um grupo controlo constituído por voluntários saudáveis".

Em 69 dos 70 doentes acompanhados foram verificadas "deficiências genéticas e bioenergéticas", enquanto em 40 doentes foi observada uma "diminuição nos níveis de ATP circulantes", que se "correlaciona com o decréscimo da atividade do complexo 1" da cadeia respiratória, refere Manuela Grazina, coordenadora do estudo e responsável pelo Laboratório de Bioquímica Genética da UC.

De forma simples, pode dizer-se que os investigadores "identificaram a 'falha de energia' que pode ajudar a esclarecer os mecanismos envolvidos na doença, ou seja, permite perceber onde é que o código está errado para, a partir daí, desenvolver formas de compensar ou reparar esse erro".

A investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), pretende "ajudar no desenvolvimento de escalas neuropsicológicas de diagnóstico e análise de biomarcadores bigenómicos e bioquímicos, que permitam a deteção precoce da doença, e contribuir para novas abordagens terapêuticas que previnam e/ou travem a progressão" da demência frontotemporal, uma doença complexa e sobre a qual se desconhecem "os mecanismos exatos subjacentes à sua etiologia", sublinha a investigadora.

Apesar de não haver estudos sobre a incidência da patologia em Portugal, estima-se que a demência frontotemporal representa 7% do conjunto das demências degenerativas na população com idades compreendidas entre os 45 anos e os 64 anos.

Este primeiro grande estudo de avaliação da interação bigenómica (genomas mitocondrial e nuclear) na demência frontotemporal conta com a colaboração do Baylor College of Medicine (EUA) e do Institute of Ageing and Health (Inglaterra).


Mercúrio encolheu sete km em 4000 milhões de anos


Fotografia © NASA

O planeta Mercúrio encolheu cerca de sete quilómetros nos últimos 4.000 milhões de anos, cerca do triplo do que estimavam até agora os cientistas, segundo uma investigação hoje publicada na revista Nature Geoscience.

O estudo, dirigido pelo astrofísico do Instituto Carnegie de Washington Paul Byrne, sugere que as estruturas geológicas que se observam na crosta de Mercúrio são resultado de uma pronunciada contração devida ao arrefecimento do planeta.

A equipa de Byrne analisou as cordilheiras e as falhas na superfície do planeta mais próximo do Sol através das imagens captadas pela sonda Messenger, em órbita à volta de Mercúrio desde 2011.

Os dados que a sonda da NASA forneceu nos últimos anos são os primeiros que chegam da área de Mercúrio desde as que foram enviadas pela Mariner 10, entre 1974 e 1975.

A partir da informação da Messenger, os investigadores recalcularam as deslocações que sofreu a crosta de Mercúrio, um planeta que gira tão lentamente sobre si mesmo que os seus dias solares têm a duração de metade de um ano terrestre.

É, além disso, um planeta extremamente denso, com um grande núcleo de ferro de 2.020 quilómetros de raio, enquanto o manto e a crosta têm apenas 420 quilómetros de espessura.

Segundo os cientistas, as estruturas geológicas que se veem na superfície são fraturas e deformações na litosfera, a capa rígida de solo que cobre os planetas rochosos.

Os novos cálculos sobre a contração de Mercúrio situam a diminuição do seu raio nos últimos 4.000 milhões de anos em cerca de sete quilómetros, enquanto até agora se pensava que essa diminuição tinha sido de entre 0,8 e três quilómetros.

Os resultados a que chegou a equipa de Byrne vão ao encontro de teorias científicas datadas do século XIX que sustentavam que o tamanho da Terra diminuiu no passado.

Essas teorias estão hoje obsoletas, mas podem estar de acordo com a situação observada em Mercúrio, cuja superfície é formada por apenas uma placa tectónica, ao contrário da Terra, onde a crosta superficial está dividida em diversas placas que deixam escapar o calor através das suas intersecções.

"Mercúrio permite-nos ver o que acontece realmente quando um planeta encolhe", afirma o astrofísico William McKinnon, um dos autores do artigo, na revista Nature Geoscience.


Detetados os primeiros ecos do "Big Bang"


O telescópio do polo sul

Físicos norte-americanos anunciaram hoje a deteção direta de ondas gravitacionais primordiais, os primeiros ecos do "Big Bang", que marcou o nascimento do Universo, há cerca de 14 mil milhões de anos.

A "primeira evidência direta da inflação cósmica" foi captada pelo telescópio BICEP2, no Polo Sul, e anunciada por peritos do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, que analisaram as imagens durante três anos.

A existência das ondas do espaço-tempo - previstas, mas não testadas, na teoria da relatividade de Albert Einstein (1879-1955) - testemunham a expansão extremamente rápida do Universo na primeira fração de segundo da sua existência, uma fase chamada de inflação cósmica.

"A deteção deste sinal é hoje um dos objetivos mais importantes em cosmologia e resulta de um enorme trabalho conduzido por um grande número de investigadores", assinalou John Kovac, professor de astronomia e física no Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian e responsável pela equipa de investigação BICEP2, que fez a descoberta.

Segundo um outro investigador, o físico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, o feito "traz uma nova luz a certas questões, as mais fundamentais", como a de que forma começou o Universo.

"Não só estes resultados são a prova irrefutável da inflação cósmica, mas também nos indicam o momento da expansão rápida do Universo e do poder deste fenómeno", sustentou, citado pela agência AFP.

A deteção direta de ondas gravitacionais primordiais resultou de observações do fundo difuso cosmológico, uma radiação fraca deixada pelo "Big Bang".

De acordo com os cientistas, as minúsculas flutuações fornecem sinais do Universo na sua primeira infância. Pequenas diferenças de temperatura através do céu revelam onde o Cosmos era mais denso e onde se formaram as galáxias.


domingo, 16 de março de 2014

Erupção solar violenta preocupa especialistas


Fotografia © NASA

Uma das erupções solares mais intensas do ano aconteceu na quarta-feira e os especialistas da NASA estudam agora a possibilidade do fluxo de partículas solares emitido pela erupção cruzar-se com a atmosfera da Terra.

Estas erupções solares, especialmente quando são mais violentas - como foi o caso-, podem ter efeitos negativos nos satélites, afetando, por exemplo, as comunicações ou as redes de energia do planeta. No entanto, também têm um lado potencialmente espectacular, ou seja, auroras boreais, especialmente no Pólo Norte e Pólo Sul.

Nos últimos meses têm verificado-se várias erupções solares, que têm captado a atenção dos cientistas, ainda mais quando o Sol está num dos pontos mais altos do seu ciclo, que dura 11 anos.


Morreu o "homem com testículos de 60 quilos"

Morreu o "homem com testículos de 60 quilos"

Wesley Warren Jr., que foi protagonista de um reality show sobre o seu dia a dia, morreu na sexta-feira na sequência de vários problemas de saúde não relacionados com a condição clínica que o tornou famoso.

"The Man with the 10-stone Testicles" era o título do programa do canal britânico Channel 4 que mostrou as dificuldades do dia a dia de um homem com uns testículos que pesavam 60 quilos. A história do norte-americano Wesley Warren foi dada a conhecer na televisão: com apenas 49 anos, sofria de linfedema escrotal, condição clínica que o impedia de levar uma vida normal tal era o tamanho e peso dos seus testículos.

Na sexta-feira, Wesley Warren morreu na University Medical Center de Las Vegas, onde estava internado há mais de cinco semanas. A causa da morte não estará diretamente relacionada com o linfedema escrotal mas sim com a diabetes. Wesley terá sofrido uma série de infeções e dois ataques cardíacos durante a hospitalização.

Em junho do ano passado, Wesley Warren foi submetido a uma cirurgia de 13 horas destinada a remover a massa de 60 quilos provocada pelo linfedema. A operação, feita gratuitamente, foi, aliás, filmada pelo Channel 4.

Wesley tinha esperança de ter uma vida normal.

Veja a reportagem do Las Vegas Review Journal sobre o problema clínico de Wesley:



sábado, 15 de março de 2014

Humor


Veja um vulcão em erupção filmado por um drone






Imagens impressionantes captadas por aparelho.

É uma das vistas aéreas mais impresionantes de uma erupção vulcânica. Um drone filmou e revelou a força de lava vulcânica a ser cuspida numa ilha do Havai.

Os donos do drone conseguiram fazer com que o pequeno aparelho aéreo escapasse ileso pelo meio da lava do vulcão. 


O que sabemos e não sabemos do voo desaparecido


Veja tudo o que está em causa no desaparecimento do voo 370 da Malaysia Airlines.

Na madrugada de sábado, um avião de passageiros com 239 pessoas a bordo desapareceu no sudoeste asiático. Os investigadores não têm ainda explicação de como é possível um avião de tão grande porte desaparecer sem deixar rasto.

Continuam as buscas no mar, que envolvem barcos e aviões de muitos países. Os familiares dos passageiros e tripulação continuam angustiados, à espera de novidades. As autoridades avisaram-nos para se prepararem para o pior.

Existem muitas teorias sobre o que terá acontecido. Até serem divulgadas mais informações sobre este misterioso desaparecimento, aqui fica um sumário do que se sabe e não se sabe sobre o voo 370 da Malaysian Airlines.

A ROTA DO VOO

o que se sabe: O Boeing 777-200 descolou de Kuala Lumpur, capital da Malásia, às 00h41 de sábado (16h41 de sexta-feira, em Portugal). Estava previsto aterrar em Pequim, na China, às 06h30 do mesmo dia (22h30 de sexta-feira, no fuso horário português), depois de 3700 quilómetros de viagem. No entanto, cerca das 01h30 de sábado (17h30 de sexta-feira em Portugal), os controladores aéreos malaios de Subang, próximo de Kuala Lumpur, perderam o contato com o avião que sobrevoava o mar entre a Malásia e o Vietnam. 

o que não se sabe: O que aconteceu a seguir. Os pilotos não indicaram a existência de qualquer problema para a torre de controlo, nem emitiram qualquer sinal de socorro. Militares malaios explicam através dos dados de radar que, antes de desaparecer, o avião alterou a sua rota, retornando a Kuala Lumpur. Mas os pilotos não avisaram o controlo aéreo desta mudança de rota. Neste momento não se sabe porque o avião deu meia volta.

OS PASSAGEIROS

o que se sabe: Estavam 239 pessoas a bordo. 227 passageiros e 12 tripulantes. Cinco dos passageiros tinham menos de 5 anos de idade. A bordo havia pintores de renome, escritores e trabalhadores de uma empresa americana de semicondutores. Segundo a companhia aérea estavam a bordo passageiros de mais de 12 nacionalidades, das regiões da Ásia, do Pacífico, da Europa e da América do Norte. A China/Taiwan (154) e a Malásia (38) eram as nacionalidades mais representadas a bordo. Cinco passageiros não chegaram a descolar de Kuala Lumpur. Segundo as autoridades, as suas bagagens foram tiradas do avião antes da descolagem. 

o que não se sabe: A identidade real de alguns dos passageiros. Duas pessoas que estavam a bordo do avião, supostamente com nacionalidade italiana e austríaca, tinham passaportes roubados. As autoridades estão a estudar a possibilidade de outros passageiros do avião estarem a viajar com passaportes falsos ou roubados. 

MISTÉRIO DOS PASSAPORTES

o que se sabe: Os bilhetes dos dois passageiros com passaportes roubados foram comprados na quinta-feira na Tailândia, segundo mostram os registos da companhia aérea. A Polícia afirma que um homem misterioso de origem iraniana, conhecido apenas como Ali, comprou os bilhetes dos passageiros que usaram os passaportes roubados no avião desaparecido da Malaysian Airlines. Os dois bilhetes eram apenas de ida, tinham escala em Pequim, em Amesterdão (Holanda), e destino final em Copenhaga (Dinamarca) e Frankfurt (Alemanha). Os donos dos passaportes roubados não embarcaram no avião - os dois passaportes foram roubados na Tailândia (o Austríaco foi roubado em 2013 e o Italiano em 2012). 

o que não se sabe: Quem são as pessoas que estavam a usar os falsos passaportes e se elas têm alguma relação com o desaparecimento do avião. O responsável pela aviação civil da Malásia, Azharuddin Abdul Rahman, disse na segunda-feira, que as imagens das câmaras de segurança do aeroporto mostram que os homens que viajavam com passaportes falsos "não têm aparência de asiáticos". Mas as autoridades não avançaram mais detalhes sobre a investigação feita às identidades dos dois homens. Os passaportes levantaram a possibilidade do desaparecimento ter origens criminosas. Apesar de não se conhecerem até ao momento ligações terroristas, existe a possibilidade de sequestro do Boeing 777. Outra explicação possível para os passaportes roubados é a tentativa de emigrantes ilegais entrarem na Europa, como já aconteceu noutras tentativas. E o sudeste asiático é conhecido pelo seu mercado em expansão de passaportes roubados. 

O CONTROLO DE SEGURANÇA 

o que se sabe: A INTERPOL diz que os passaportes registados como roubados na sua base de dados. Mas não foram feitas quaisquer controlos a estes passaportes desde o seu roubo até ao embarque no avião desaparecido. O secretário-geral da INTERPOL, Ronald K. Noble, disse que "causa grande preocupação" o facto de passageiros com passaportes listados como roubados pela agência terem conseguido embarcar num voo internacional. 

o que não se sabe: Se os passaportes foram usados em voos anteriores. Como não foram feitos quaisquer controlos nos passaportes roubados, a INTERPOL "não consegue determinar em quantas ocasiões forma estes passaportes usados para embarcar em aviões ou atravessar fronteiras." As autoridades malaias estão a investigar as falhas nos procedimentos de segurança que permitiram a estes dois passageiros embarcar no voo. No entanto, as autoridades deste país insistem que o avião saiu de Kuala Lumpur cumprindo todos os standards internacionais.

A TRIPULAÇÃO

o que se sabe: Todos os membros da tripulação a bordo do voo 370 eram naturais da Malásia. O piloto do avião desaparecido é o comandante Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, com 18365 horas de voo. Trabalha na Malaysian Airlines desde 1981. O copiloto , Fariq Ab Hamid tem 2763 horas de voo. Hamid, de 27 anos, começou a trabalhar na companhia em 2007. Estava habituado a voar com outro avião a jato e estava em período de transição para o Boeing 7877-2000, depois de ter completado o seu treino em simulador de voo. 

o que não se sabe: O que aconteceu no cockpit por volta da hora que o avião perdeu o contato com os controladores aéreos. O avião de passageiros estava em altitude cruzeiro, a parte do voo que é considerada a mais segura, quando desapareceu. As condições meteorológicas não eram adversas. Os peritos em aviação dizem que é particularmente intrigante os pilotos não reportarem qualquer tipo de problema antes de o avião perder o contato com os controladores. 

AS BUSCAS

o que se sabe: Estão envolvidos nas buscas, numa grande área do Mar do Sul da China perto da zona em que o avião desapareceu, 34 aviões, 40 barcos e equipas de salvamento de 10 países. Os detritos que foram encontrados na área das buscas até ao momento não estão relacionados com o desaparecimento deste avião. "Nada do que encontrámos até ao momento parecem ser destroços do avião", disse na segunda-feira Rahman, do departamento malásio de aviação civil. Também se determinou que o óleo encontrado na zona não é do avião, pertence a navios de carga. 

o que não se sabe: Se as buscas estão concentradas na zona certa. As autoridades começaram as buscas numa área perto do golfo da Tailândia, local da última posição conhecida do avião. No entanto, os esforços de busca foram expandidos a oeste - para o outro lado da península da Malásia - e a norte - para o mar de Anddaman, parte do Oceano Índico. Quanto mais tempo passa, mais as correntes oceânicas poderão intervir, complicando as buscas.

AS CAUSAS

o que se sabe: Francamente, não se sabe nada. "Um avião destes desaparecer assim...do nosso ponto de vista, estamos igualmente intrigados", disse Rahman esta segunda-feira. Até porque o avião em questão, um Boeing 777-200, tem um excelente registo de segurança no passado. 

o que não se sabe: até que as buscas sejam capazes de encontrar o avião e os seus registos de voz e dados, vai ser extremamente difícil perceber o que aconteceu. Peter Bergen, analista de segurança da CNN, diz que a extensão das possíveis razões para o desaparecimento podem ser divididas em três categorias: falha mecânica, ações dos pilotos ou terrorismo. Mas até haver mais dados disponíveis sobre este desaparecimento, tudo o que temos são teorias. 

OS ANTECEDENTES

o que se sabe: É raro um avião comercial de grande porte desaparecer a meio do voo. Mas não é inaudito. Em junho de 2009 o voo 447 da Air France, que se deslocava do Rio de Janeiro para Paris, ficou sem comunicações a meio do Atlântico. O Airbus A330, outro avião com tecnologia de ponta, desapareceu com 228 pessoas a bordo. Só ao fim de quatro ações de busca ao longo de dois anos é que foi possível localizar os destroços principais do avião e a maior parte dos corpos numa cadeia montanhosa no fundo do Oceano Atlântico. Demorou ainda mais tempo para se poder estabelecer as causas do acidente. 

o que não se sabe: Se o destino do voo desaparecido da Malaysia Airlines é de alguma forma similar ao do voo da Air France. Os investigadores atribuíram a causa do acidente do voo 447, a uma série de erros dos pilotos e a falhas em reagirem corretamente a problemas técnicos no avião. Se não existirem sobreviventes do avião malaio, este será o pior acidente aéreo desde 12 de novembro de 2001, quando o voo 587 da American Airlines se despenhou perto de Nova Iorque, matando todas as 260 pessoas a bordo e mais cinco que estavam em terra.


As cinco teorias mais loucas sobre o avião da Malásia


Desde extraterrestres aos Illuminati, muitas hipóteses estão a ser avançadas

O desaparecimento trágico e misterioso do voo MH370 está a intrigar o mundo. Perante a falta de explicações para o desaparecimento do avião, emergem as mais variadas teorias sobre o assunto. Cada uma menos plausível que a outra. A revista «Time» reuniu as cinco mais incríveis.

Telefones ainda chamam: podem estar a ser usados por fantasmas 

Familiares e amigos de alguns dos passageiros garantem ter tentado ligar para os telemóveis dos seus entes queridos e obtêm sinal de chamada. A própria companhia aérea terá tentado contactar a tripulação por telemóvel e obteve sinal de chamada, que se desliga sem ninguém atender. Muitos dos passageiros terão sido vistos online numa rede social chinesa chamada QQ. Mais de 100 familiares e passageiros desaparecidos assinaram uma petição a pedir ao Governo malaio que investigue essa situação com toda a brevidade. 

Enquanto isso não acontece, começam as teorias sobre o assunto: há quem adiante que o avião pode ter sido sequestrado e ainda estão todos vivos em algum lugar, mas há também quem adiante uma explicação do outro mundo e considere que os telemóveis podem muito bem estar a ser usados por fantasmas. 

Avião «sugado» por portal que conduz a outra dimensão

O facto de não haver sinal dos destroços de o avião faz muitos internautas adiantarem a hipótese da intervenção de extraterrestres, que podem ter sequestrado o avião. «Se não encontramos os destroços do avião, significa que alguma força totalmente nova, misteriosa e poderosa está a trabalhar no nosso planeta, que é capaz de arrancar aviões do céu sem deixar qualquer fragmento de evidência», adiantou um blogger.

Estava escrito no destino... e nos números

Os mais fatalistas acreditam no destino e adiantam que o desaparecimento do avião estava escrito no próprio tecido do Universo. A Reddit, uma rede social muito semelhante ao Twitter, está repleto de teorias baseadas em coincidências fatalistas e também numéricas. 

«O voo 370 desaparece no mês 3 e no dia 7, enquanto supostamente viajava a 3700 km/h. Na última vez que foi detetado pelos radares, viajava a uma altitude de 37 mil pés. Luigi Maraldi, uma das pessoas a quem roubaram um dos passaportes supostamente usados no voo, tem 37 anos. A Malaysia Airlines é uma das maiores companhias aéreas da Ásia e transporta 37 mil passageiros por dia. Estamos a começar o 37º mês após a tragédia de Fukushima, que fica localizado no grau 37 e fez, inicialmente, 37 feridos», notou um utilizador da Reddit, citado pela «Time».

Uma mãozinha de Kim Jong-un

Também na Reddit, há quem considere que o avião foi sequestrado pela Coreia do Norte e levado para Pyongyang. O avião teria combustível suficiente para viajar para a Coreia do Norte, onde permaneceria ao alcance das antenas de telemóveis. 

Não seria aliás novidade, já que, a 15 de abril de 1969, a ditadura norte-coreana mandou abater um avião espião norte-americano, que sobrevoava o Mar do Japão. Todos os 31 norte-americanos que estavam a bordo morreram. 

Nixon estava à frente dos destinos dos Estados Unidos na altura. Escolheu não retaliar Pyongyang, mas mostrou que não se deixou intimidar e procedeu a uma demonstração de força com exercícios navais de monta no Mar do Japão.

Um trabalhinho dos Illuminati

Há ainda quem aponte o dedo aos Illuminati, capazes de controlar a rede de energia dos vórtices à superfície da Terra, que podem «sugar» o avião. 

Apesar de todas estas teorias e, apesar de não ter havido qualquer pedido de socorro, não é também descartada a possibilidade de o avião ter explodido no ar e se tenha desintegrado ainda a uma grande altitude. Isso pode significar que os destroços do avião se tenham espalhado de tal forma, que dificilmente serão encontrados.

fonte: TVI

Descoberto mineral que confirma haver muita água no interior da Terra


O diamante descoberto no Brasil, que tem aprisionado no interior o mineral ringwoodite RICHARD SIEMENS/UNIVERSIDADE DE ALBERTA

O mineral ringwoodite já tinha sido encontrado em meteoritos, mas nunca com origem na Terra. Formado no interior do manto do nosso planeta, contém uma percentagem elevada de água.


Em Viagem ao Centro da Terra, o escritor francês Júlio Verne transporta o leitor para um mundo com dinossauros, homens primitivos, luz e um oceano. Na realidade, nunca ninguém viajou até ao interior do planeta. Mas um diamante encontrado no Brasil fez a viagem inversa e contém um mineral até agora só detectado em meteoritos.

A equipa de investigadores que estudou este mineral, chamado ringwoodite, encontrou água na sua composição. A novidade, anunciada esta quinta-feira num artigo na revista Nature, é que este mineral permite inferir a existência de um reservatório de água no manto terrestre equivalente à água de todos os oceanos da Terra, mas não na forma como Júlio Verne imaginou.

“Nos últimos 25 anos, as pessoas têm especulado sobre qual será a quantidade de água que está presa na Terra, a grande profundidade”, diz Graham Pearson, um dos autores do artigo, da Universidade de Alberta, no Canadá, num podcastda Nature. O mineral ringwoodite entrava nesta discussão.

Este silicato só tinha sido descoberto naturalmente nos meteoritos, cujo nome foi dado em homenagem ao geólogo australiano Ted Ringwood. Contudo, experiências feitas para o produzir artificialmente indicavam que seriam necessárias altas pressões e altas temperaturas para se formar. No nosso planeta, essas condições existem no manto — a camada da Terra que fica abaixo da crosta e vai quase até aos 3000 quilómetros de profundidade.

Havia ainda indicações de uma zona de transição a meio do manto entre os 410 e os 660 quilómetros. Os cientistas tinham identificado uma alteração na velocidade das ondas sísmicas nesta região, que mostrava uma mudança na composição dos silicatos. Quando se descobriu a ringwoodite nos meteoritos, pôs-se a hipótese de que este mineral poderia também estar naquela região.

As experiências mostraram igualmente que a estrutura mineralógica da ringwoodite tem capacidade de incorporar água. A olivina, o silicato que se forma no manto superior, tem uma unidade básica formada por um átomo de sílica, ligado a quatro núcleos de oxigénio. Esta unidade principal parece uma espécie de losango e repete-se constantemente com átomos de magnésio entre cada losango. Com mais pressão e mais temperatura, em vez de olivina, forma-se a ringwoodite, cuja estrutura permite encaixar água. “A ringwoodite pode ter parte da sílica substituída por grupos hidroxilo [água]”, explica ao PÚBLICO Fernando Barriga, professor e geólogo da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

A beleza dos diamantes

Desta forma, a região de transição, que se pensa ser constituída em 60% de ringwoodite, seria rica em água incorporada nestes minerais. Mas isto eram suposições teóricas. Até que a equipa de Graham Pearson encontrou aquele mineral incrustado no interior de um pequeno diamante de três milímetros e 0,09 gramas, proveniente de depósitos de rios, em Juína, no estado de Mato Grosso, no Brasil.

“A beleza dos diamantes é serem uma cápsula única que nos transporta para a região profunda da Terra”, diz Graham Pearson. Os diamantes, feitos de carbono, formam-se no manto a grandes profundidades, sob grande pressão e podem englobar outros minerais já formados. Se forem transportados para a crosta por rochas magmáticas, que se movimentam rapidamente (em termos geológicos), podem chegar à superfície da Terra com outros minerais lá dentro.

A equipa usou técnicas de espectrometria para analisar a composição dos minerais incrustados e descobriu que estava na presença de ringwoodite. Além disso, conseguiu perceber que, pelo menos, 1,5% do peso deste mineral, com 40 micrómetros de diâmetro máximo, era água sob a forma de grupos hidroxilo.

“Se a amostra for representativa de toda a parte inferior da zona de transição do manto, onde a ringwoodite é estável, isto traduz-se [num total de água] equivalente à massa de todos os oceanos da Terra”, diz Hans Keppler, da Universidade de Bayreuth, Alemanha, num comentário para a Nature. “De alguma forma, é como ter um oceano no interior da Terra, como o que foi visualizado por Júlio Verne, não na forma de água líquida, mas como grupos hidroxilo dentro de um mineral fora do comum.”

Para Fernando Barriga, esta experiência mostra como é difícil estudar o interior do nosso planeta. “As provas do interior da Terra vão ser sempre muito reduzidas”, diz o geólogo, acrescentando que é preciso ter “um grande número de diamantes” para encontrar mais ringwoodite.

Como é que a partir de uma só amostra pode então especular sobre a existência de tanta água nesta zona do manto? “Partimos do princípio de que aquilo que encontramos tem algum tipo de representatividade do que se passa no interior da Terra”, responde o investigador português.

O próximo passo? “Procurar provas de água noutros diamantes com inclusões para estabelecer quão comum é a sua assinatura”, diz Graham Pearson.

fonte: Público

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