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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Nanopartículas de ouro são a esperança dos novos medicamentos contra o cancro


(dr) UNIGE - Linfócitos B (azul e verde) e nanopartículas de ouro (vermelho)

As nanopartículas de ouro podem ser pequenas o suficiente para atravessar a barreira hematoencefálica, o que permite que os fármacos antitumorais sejam entregues diretamente às células cancerígenas.

A tecnologia está a revolucionar muitas tecnologias e setores industriais, nomeadamente a medicina. No entanto, especialmente nesta área, é preciso ter e conta a segurança e o efeito que estas tecnologias têm sobre o sistema imunológico humano.

Ao testar uma variedade de nanopartículas de ouro, cientistas da Universidade de Genebra (UNIGE), em colaboração com o Centro Nacional de Competência em Pesquisa “Bio-inspired Materials” e Swansea University Medical School, no Reino Unido forneceram a primeira evidência do impacto das nanopartículas sobre os linfócitos B – as células imunitárias responsáveis pela produção de anticorpos.

Os investigadores esperam que o uso nanopartículas de ouro melhore a eficácia dos produtos farmacêuticos, limitando os possíveis efeitos secundários. Os resultados, publicados recentemente na ACS Nano, levarão ao desenvolvimento de novas terapias, especialmente no campo da oncologia.

Os linfócitos B são uma parte crucial do sistema imunológico e, portanto, um alvo interessante para o desenvolvimento de vacinas preventivas e terapêuticas. No entanto, para atingir o seu objetivo, as vacinas devem atingir rapidamente os linfócitos B sem serem destruídos, o que torna o uso de nanopartículas particularmente interessante.

Na prática, as nanopartículas podem formar um veículo de proteção para vacinas, ao administrá-las onde podem ser mais eficazes, sem afetar outras células. Este objetivo também permite o uso de uma dose menor de imunoestimulantes, mantendo uma resposta imulonológica eficaz.

Sempre que as nanopartículas são inofensivas para todas as células do sistema imunológico, aumentam a eficácia e reduzem os efeitos colaterais, explica Carole Bourquin, co-autora do artigo científico, citada pelo Tech Explorist.

Em relação ao ouro, os cientistas dizem que é “um excelente candidato” para a nanomedicina, devido às suas propriedades físico-químicas particulares. Bem tolerado pelo corpo e facilmente maleável, este metal tem, por exemplo, a peculiaridade de absorver luz e depois libertar calor, uma propriedade que pode ser explorada em oncologia.

“As nanopartículas de ouro podem ser usadas para tratar tumores. Quando expostas a uma fonte de luz, elas libertam calor e destroem as células cancerígenas próximas. Além disso, podemos anexar um medicamento à superfície das nanopartículas para ser libertado num local específico”, adiantou a cientista.

Sandra Hocevar, outra autora do estudo, referiu que, para testar a segurança e a melhor fórmula para uso médico destas nanopartículas de ouro, os cientistas criaram esferas dourados, com e sem revestimento de polímero, assim como hastes de ouro para explorar os efeitos do revestimento e da forma. Depois, expuseram linfócitos B humanos às partículas durante 24 horas, de modo a analisar a ativação da resposta imune.

Seguindo os marcadores de ativação expressos na superfície das células B, os cientistas foram capazes de determinar até que ponto as nanopartículas ativaram ou inibiram a resposta imune. Embora nenhuma das nanopartículas testadas tenha demonstrado efeitos adversos, a sua influência na resposta imune diferiu dependendo de sua forma e da presença de um revestimento.

As partículas esféricas não revestidas são facilmente adicionadas e, portanto, não são adequadas para uso biomédico. Por outro lado, as esferas de ouro revestidas com um polímero protetor são estáveis e não afetam a função dos linfócitos B. “Podemos facilmente colocar a vacina ou a medicação que será administrada aos linfócitos B nesta camada”, diz Bourquin.

As nanopartículas de ouro desenvolvidas pela equipa poderiam possibilitar a administração direta de fármacos aos linfócitos B para reduzir a dose necessária e possíveis efeitos colaterais. Atualmente, já estão em curso estudos em pacientes para o tratamento de tumores cerebrais.

fonte: ZAP

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Novo laser ataca e mata células cancerígenas da corrente sanguínea em tempo real


Uma equipa de cientistas da Universidade de Arkansas testou com sucesso um laser que encontra e mata células cancerígenas – tudo do lado de fora da pele.

A ideia é matar as células cancerígenas antes que sejam capazes de metastatizar ou disseminar através do corpo – a principal causa de mortes relacionadas com o cancro. O cancro espalha-se quando as células dos tumores primários se rompem e viajam através da corrente sanguínea e do sistema linfático, instalando-se em novas áreas do corpo e formando tumores secundários.

Ao apontar um laser nas células tumorais, acabam por absorver muito mais energia de calor do que as células normais. O calor faz com que se expandam e colapsem.

O processo é completamente não-invasivo. “Esta tecnologia tem o potencial de inibir significativamente a progressão da metástase”, disse Vladimir Zharov, autor do artigo publicado na Science Translational Medicine, ao IEEE Spectrum.

“O uso de lasers revolucionou o diagnóstico e o tratamento de doenças. No entanto, o grande tamanho dos lasers impediu o seu uso em muitas aplicações médicas no nível celular”, disse Zharo em comunicado em 2017.

Zharov e a sua equipa testaram o seu sistema em pessoas com melanoma ou cancro de pele. Mesmo com o laser em modo de diagnóstico de baixa energia, conseguiram eliminar um número significativo de células em seis pacientes. De acordo com a Futurism, os resultados são promissores. “Num paciente, destruímos 96% das células tumorais“, disse Zharov. E o laser ainda não estava no máximo da sua energia.

Não é a primeira vez que um dispositivo deste género é apresentado, mas Zharov afirma que é o primeiro a ser demonstrado em humanos. Dezenas de dispositivos tentaram algo semelhante, incluindo um dispositivo usado no pulso, montado por investigadores da Universidade de Michigan.

Mas o novo dispositivo tem outra grande vantagem: consegue monitorizar um litro de sangue numa hora – muito mais rápido do que os dispositivos concorrentes.

fonte: ZAP

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Uma nova “vacina” ensina o corpo a destruir tumores


Investigadores inventaram um novo tipo de imunoterapia contra o cancro, que consiste em injetar tumores com uma série de estimulantes.

A terapia experimental atrai a atenção do sistema imunológico do corpo, para que possa vir e destruir as massas cancerígenas.

A nova abordagem radical já se mostrou promissora em pacientes com uma forma avançada de linfoma não-Hodgkin que resiste aos tratamentos convencionais, e está atualmente sendo testada em uma variedade de “cancros teimosos”.

O resultado pode ser descrito como transformar os tumores em “fábricas de vacinas contra o cancro”, porque atrair as células imunes do corpo para o local do cancro é um método conhecido como vacinação in situ.

Investigadores do Mount Sinai, em Nova York, desenvolveram a técnica de imunização.No papel, o uso de glóbulos brancos para assassinar tecidos nocivos, como o cancro, faz todo o sentido. Na prática, conseguir que uma célula T reconheça o cancro não é simples.

Por um lado, os tumores usam um conjunto engenhoso de disfarces chamados bloqueios de pontos de verificação. Estas são assinaturas na membrana da célula que diz ao sistema imunológico que é apenas uma célula velha regular.

A imunoterapia bloqueadora inibe as assinaturas para permitir que as células T façam o seu trabalho. Mas, novamente, nem todos os cancros facilitam isso. Um tipo incurável de câncer no sangue como o linfoma não-Hodgkin é um exemplo. Segundo a maioria dos relatos, deve ser um ótimo candidato para a terapia com células T. Infelizmente, as células T têm dificuldade em reconhecer esse cancro específico no sangue.

Os investigadores, cujo estudo foi publicado na revista Nature Medicine, analisaram como as células imunológicas podem ser preparadas para reconhecer o linfoma facilmente no laboratório, enquanto exigem um processo mais envolvido, conhecido como apresentação cruzada dentro do corpo.

A diferença sugeria que as células T precisavam apenas de uma mão amiga. A apresentação cruzada requer de uma célula dendrítica para apresentar marcadores celulares específicos para células T tóxicas. Por sorte, pode ser convocado com os tipos certos de estimulantes.

Um estimulante é necessário para chamar as células dendríticas ao tumor. Um segundo estimulante coloca as células em ação, encorajando-as a apresentar sinais químicos chamados antígenos na sua superfície.

A terapia foi colocada em teste num ensaio clínico composto por 11 pacientes em estágios avançados do linfome, onde induziu respostas anti-tumorais de células T e graus variados de remissão longe do local de vacinação. Esta não é só uma boa notícia para os pacientes com linfoma, porque o sucesso deve, em teoria, ser aplicável a outros tipos de cancro.

“A abordagem da vacina in situ tem amplas implicações para vários tipos de cancro”, referiu Joshua Brody, diretor do Programa de Imunoterapia do Linfoma no Mount Sinai.”Esse método também pode aumentar o sucesso de outras imunoterapias”.

Ratos tornaram-se responsivos à terapia de bloqueio quando tomaram a vacina, embora essa parte ainda deva ser testada em seres humanos. De fato, a combinação duplicou a remissão do cancro em ratos de 40% para cerca de 80%.

Este potencial de combinação está a ser avaliado clinicamente em pacientes com cancro de linfoma, mama e cabeça e pescoço. Enquanto isso, testes que envolvem a vacina por conta própria estão a ser conduzidos em indivíduos com cancro de fígado e ovário.

fonte: ZAP

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Universidade de Coimbra cria acelerador de partículas para diagnosticar cancro


O acelerador de partículas, pioneiro a nível mundial, permite um diagnóstico preciso e fiável dos cancros da próstata e do pâncreas, e coloca a universidade "na vanguarda" do conhecimento, segundo o reitor, João Gabriel Silva

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), unidade da Universidade de Coimbra (UC), desenvolveu, em parceria com a multinacional belga IBA, um acelerador de partículas (ciclotrão), que vai otimizar a produção do isótopo Gálio-68, fundamental para o diagnóstico de cancro da próstata e do cancro do pâncreas, e até aqui de difícil acesso.

De acordo com a universidade, o ciclotrão, que implica um investimento de dois milhões de euros, deverá chegar a Coimbra em março.

A tecnologia para a produção deste isótopo e transformação em radiofármaco foi completamente desenvolvida pelo ICNAS e a criação de ciclotrões que permitem extrair o Gálio-68 de forma otimizada, mais pura e mais eficiente, foi feita em colaboração com um dos maiores fabricantes de ciclotrões a nível mundial, a IBA, explicou à Lusa o coordenador do projeto, Francisco Alves, do instituto da UC.

A produção do radifármaco pela IBA (utilizando a tecnologia patenteada pelo ICNAS) para todo o mundo avançará após a sua validação na UC.

Este acelerador de partículas tem a especificidade de funcionar 'a duas energias'. Se, anteriormente, o ciclotrão funcionava apenas com a extração do feixe a 18 milhões de elétron-volts (MeV), este novo acelerador permite a extração também a 13MeV, o que otimiza a produção do Gálio-68, explicou Francisco Alves.

Apesar dos seus cerca de dois metros de altura e largura, o acelerador pesa perto de 17 toneladas, e, lá dentro, faz-se aquilo a que o investigador do ICNAS denomina de "alquimia do século XXI".

Transforma água em Flúor-18 (o isótopo mais utilizado para diagnóstico de cancro) e, agora, vai passar a transformar uma solução onde está dissolvido zinco (um elemento estável e presente na natureza) em Gálio-68, um elemento radioativo.

Este elemento radioativo poderá mudar por completo o acesso ao diagnóstico a partir de radiofármacos para tumores neuroendócrinos (pâncreas) e da próstata, salienta o coordenador do projeto.

"Não são tumores normalmente detetados no exame clássico e que estão a ter uma importância crescente. Os neuroendócrinos são muito agressivos e muito mortais, e a sua deteção precoce é muito importante", vincou.

Tornar o diagnóstico acessível

Até ao momento, o processo para utilizar Gálio-68 para esses exames de diagnóstico era muito dispendioso,obrigando a comprar um gerador deste isótopo - que custa cerca de 70 mil euros -, que pode demorar ano e meio a chegar, e que depois apenas dura seis meses, com capacidade para produzir duas a três doses diárias.

"Estamos a tornar o gálio muito mais acessível, o exame fica a um custo mais baixo" e produz as doses de acordo com as necessidades do sistema de saúde, vincou.

O diretor do ICNAS, Antero Abrunhosa, salienta que a "escassez do Gálio é um problema global", apontando até para o caso de uma carta da Associação Americana de Medicina Nuclear para a agência norte-americana FDA (semelhante à Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde - Infarmed) que, em 2018, alertou para a falta desse isótopo e referiu que a solução poderia estar na Europa, a partir da tecnologia desenvolvida em Coimbra.

A tecnologia já está patenteada na Europa, com o processo em curso noutros países, incluindo os Estados Unidos, Segundo Antero Abrunhosa, a tecnologia já está patenteada na Europa e está com o processo em curso noutros países, incluindo os Estados Unidos, segundo Antero Abrunhosa.

"Liderança mundial"

Em Portugal, esperam dentro de semanas ter a permissão do Infarmed para produzir e distribuir o Gálio-68 a partir do ciclotrão, cujos exames com este isótopo, neste momento, atingem uma lista de espera que pode chegar aos três meses.

Para além da melhoria no diagnóstico do cancro, este isótopo permite ainda "avaliar qual o grau de evolução da doença, verificar qual a melhor terapêutica ou se a terapêutica que está a ser seguida é eficaz ou não", referiu o diretor do ICNAS.

Para o reitor, João Gabriel Silva, o desenvolvimento deste ciclotrão - com tecnologia da Universidade de Coimbra patenteada - e aquilo que poderá significar para os avanços no diagnóstico do cancro, mostra que a instituição está "na fronteira mundial do conhecimento desta área".

"Felizmente, temos recursos e não íamos perder aquilo que tanto nos custou, que foi a liderança mundial. Estou convencido de que o retorno económico vai pagar o investimento feito", nomeadamente na maior captação de financiamento externo para investigação, vincou.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

“Teremos a primeira cura para o cancro em 1 ano” garantem cientistas


Uma equipa de cientistas afirma que um novo tratamento que está atualmente em desenvolvimento não terá os mesmos efeitos secundários associados à quimioterapia.

Os cientistas garantem que encontraram finalmente a primeira cura completa para o cancro.

Uma pequena equipa de cientistas israelitas afirma que a terapia revolucionária estará disponível dentro de apenas um ano.

“Acreditamos que seremos capazes de oferecer dentro do espaço de um ano uma cura completa para o cancro”, disse Dan Aridor, do laboratório farmacêutico Accelerated Evolution Biotechnologies Ltd.

“Esta cura será eficaz logo a partir do primeiro dia, durará algumas semanas e não apresentará nenhum ou apenas efeitos secundários mínimos para o doente a um preço muito mais baixo, comparativamente a outras terapias existentes atualmente no mercado”.

“A nossa solução é tanto genérica como pessoal”.

Ainda assim, o periódico científico PLOS onde a pesquisa foi publicada salienta que apesar da possibilidade da droga estar ativa em apenas um ano, que há a probabilidade dos pacientes terem que aguardar cerca de uma década para receberem o novo tratamento – até que seja clinicamente provado que é realmente seguro e eficaz.

Drogas atuais são quase inúteis perante a ‘inteligência’ dos tumores

O novo tratamento foi denominado de Mu Ta To (‘multi-target toxin’ ou ‘toxinas com múltiplos-alvos’), divulga o jornal The Jerusalem Post, e funciona como um antibiótico para o cancro, garante o laboratório farmacêutico.

Até ao momento a maioria das drogas para tratar tumores atacam um alvo específico ou a célula cancerígena, explicou Morad.

Esses fármacos falham porque esse alvo sofre mutações – dividindo-se e propagando-se de modo a evitar ser aniquilado.

Como tal, a droga original que atacou um determinado alvo torna-se eventualmente inútil e perde a sua funcionalidade.

Ataque em três frentes

Todavia, Morad garante que o Mu Ta To “não será afetado por essas mutações” - já que a terapia ataca três alvos de uma só vez.

Acrescentando: “Nem um tumor consegue modificar três recetores de uma vez só”.

Mais ainda, segundo os investigadores o Mu Ta To consegue discernir entre células saudáveis e cancerígenas – não deixando os pacientes debilitados, assim como acontece após tratamentos como a quimioterapia.

Mas… ainda é necessário realizar ensaios clínicos em seres humanos

Até ao momento, as conclusões dos cientistas basearam-se apenas em experiências realizadas em ratos.

O próximo passo será provar que o tratamento funciona em seres humanos a sofrer de cancro – num laboratório.

Se a droga se provar eficaz, os cientistas terão de seguida que submeter o fármaco a uma fase I, II e III em ensaios clínicos de modo a garantir a sua total segurança e eficácia.

A associação britânica dedicada à investigação de tumores Cancer Research UK's afirmou no seu website: "Não há um período de tempo concreto para testar uma droga e para que esta seja ou não aprovada”.

“Poderá levar entre 10 a 15 anos ou mais a completar todas as três fases dos ensaios clínicos necessários até ser decretada uma licença”.

Fatores que incluem a variante de cancro – existem 200 na totalidade – o tipo de tratamento e duração do mesmo podem afetar quanto tempo as drogas demoram a chegar à fase que antecede o licenciamento.

fonte: MSN Listyle

Tumores queimados com microondas em experiência inédita e de sucesso em doentes "sem esperança"


Os pacientes britânicos, com cancro do pulmão, foram os primeiros a submetidos ao tratamento que queima os tumores sem deixar cicatrizes

Carlito Macabagdal, 76 anos, foi um dos primeiros doentes com cancro do pulmão a ser submetido à nova técnica. Em 2016, o londrino teve um terço do seu pulmão direito extraído, mas, dois anos depois, foram encontrados novos tumores no outro pulmão. 

Com diabetes, tensão alta e artrite reumatóide a complicar o progonóstico, Macabagdal foi considerado demasiado doente para fazer quimioterapia, radioterapia ou cirurgia. Quando os médicos lhe propuseram o novo tratamento, não hesitou e em julho de 2018 foi submetido ao procedimento. 

"A minha recuperação tem sido lenta, devido às minhas outras doenças, mas agora estou a começar a sentir-se mais energético e tenho conseguido voltar a cozinhar, o que adoro", diz.

Todos os nove doentes operados no Hospital de São Bartomoleu, em Londres, tinham sido identificados pelos médicos como "demasiado debilitados" para passarem por uma cirurgia convencional ou radioterapia. A nova técnica não implica qualquer incisão nem punção do pulmão afetado e é realizada em apenas 10 minutos.

Um ano depois, os nove estão vivos e os seus casos fazem os cirurgiões envolvidos na experiência acreditar que esta pode ser uma esperança para milhares de doentes oncológicos.

"É fantástico ver pacientes que estavam tão debilitados antes da cirurgia e agora estão tão bem", congratula-se Kelvin Lau, cirurgião cardiotorácico e consultor nesta experiência. "Não sentem qualquer dor depois do procedimento e, normalmente, estão suficientemente bem no dia seguinte para irem para casa", acrescenta.

A técnica elimina alguns dos principais riscos das cirurgias usadas atualmente nos casos de cancro do pulmão, como o colapso do órgão, hemorragias graves e dores intensas devido ao corte de tecidos no peito.

Neste caso, os doentes fazem uma TAC e são submetidos a anestesia geral. Os cirurgiões inserem, depois, um broncoscópio, pela boca, que conduzem, com recurso a uma espécie de GPS que lhes permite ver o "caminho", até aos pulmões. Uma vez no local certo, os médicos fazem passar um fio que pode aquecer até aos 100 graus centígrados, usando o mesmo tipo de energia dos microondas domésticos, para matar as células malignas.

A "ablação por microondas" já é usada para tratar o cancro do pulmão, mas até aqui, foi sempre necessário abrir o peito e puncionar o órgão.

Kelvin Lau salienta, no entanto, que nem todos os doentes poderão ser submetidos a esta técnica, como é o caso dos que tiverem os tumores localizados junto de grandes vasos sanguíneos, uma vez que o calor pode provocar hemorragias.


sábado, 18 de agosto de 2018

Descoberto gene “zombie” que protege os elefantes contra o cancro


Durante décadas, os cientistas tentaram descobrir por que motivo os elefantes têm taxas tão baixas de cancro. Novas pesquisas revelam agora que o segredo para não contrair a doença passa por ressuscitar um gene morto e dar-lhe a tarefa de matar células danificadas – uma espécie de “gene zombie”

A taxa de mortalidade por cancro no Homem é cerca de 17%. Já nos elefantes, a incidência é de 5%, uma taxa quase quatro vezes maior, mesmo tendo os elefantes 100 vezes mais células potencialmente cancerígenas do que o homem devido ao seu tamanho.

Os humano, tal como todas as espécies animais, têm uma cópia do gene supressor do tumor p53. No entanto, cientistas norte-americanos descobriram que os elefante possuem 20 cópias desse gene. Com isto, as células destes mamíferos são significativamente mais sensíveis ao ADN danificado e, por isso, reagem mais rapidamente ao problema.

Além disso, ao analisar o supressor p53 dos elefantes, os investigadores encontraram um gene apelidado de LIF6, que evoluiu ao longo do tempo, tornando-se um “valioso gene funcional” na supressão do cancro, explicam os cientistas no estudo publicado na terça-feira na Cell Reports.

Assim, O LIF6, também conhecido como inibidor de reação de leucemia, é capaz de destruir células com anomalias ou defeitos, prevenindo o desenvolvimento do cancro.

Na maioria das espécies de mamíferos o LIF6 não está ativo sendo, por isso, considerado como um pseudo gene ou gene morto. “Este gene morto voltou à vida“, afirmou Vicent Lynch, um dos autores do estudo, no qual o LIF6 foi apelidado como um gene “zombie”.

Os cientistas que conduziram a investigação, da Universidade de Chicago, nos EUA, acreditam que o gene foi ressuscitado há cerca de 25 a 30 milhões de anos.

Em resposta a qualquer dano no ADN, o p53 aciona o LIF6 para matar a célula afetada antes que esta se torne cancerosa. Segundo os autores, este mecanismo de supressão do cancro pode ter sido um “elemento-chave” para os elefantes, potenciando o seu crescimento até atingirem o seu tamanho atual.

Os elefantes não são a única espécie que desenvolveu alguns truques genéticos para despistar o cancro. Outros animais, como o rato-toupeira-nu (Heterocephalus glaber), também têm os seus segredos.

fonte: ZAP

domingo, 12 de agosto de 2018

Cientistas medem a velocidade da morte


Investigadores conseguiram perceber melhor como se propaga o processo de autodestruição celular nos seres vivos.

Uma "onda de morte" que viaja a 30 micrómetros por minuto, ou dois milímetros por hora. É esta a velocidade a que as células se autodestroem, para dar lugar a outras ou permitir o desenvolvimento do corpo, segundo medição realizada por dois biólogos de sistemas da Universidade de Stanford, na Califórnia.

O estudo de Xianrui Cheng e James Ferrell, publicado na Science, foi realizado em ovos de rã e é importante para compreender melhor a forma como as células dos seres vivos morrem. Este é um fenómeno comum, que normalmente se realiza em dois passos: o interior da célula destrói-se e depois todo o conjunto se desintegra.

O processo é essencial para a gestação - por exemplo, é através da chamada "morte celular programada" que os dedos das mãos e dos pés do feto se formam, destruindo-se a membrana que os liga. Mas também ocorre ao longo da vida, sendo essencial para a regeneração do corpo.

Por dia, em média, o corpo humano perde mais de 50 mil milhões de células, escreve o The Guardian. Mas por vezes o mecanismo falha e, no limite, pode dar origem a tumores - células que se multiplicam sem parar, sem "saber" quando se devem destruir.

Durante a vida, a morte celular pode surgir através de uma espécie de "relógio interno" das células, mas também quando se dá uma "onda" que espoleta o processo - cada célula "sente" o seu vizinho a autodestruir-se e reage de acordo.

Foi a velocidade desta "onda" que os cientistas conseguiram agora medir.

O conhecimento aprofundado do ciclo de vida celular é fundamental para a compreensão da vida e para a prevenção e tratamento de várias doenças, como o cancro.


domingo, 3 de junho de 2018

Análise de sangue deteta cancro anos antes de começarem os sintomas


Chamam-lhe o "Santo Graal" da investigação sobre as doenças oncológicas e percebe-se porquê: trata-se de um teste ao sangue capaz de detetar 10 tipos de cancro anos antes de a pessoa ficar efetivamente doente

A biópsia líquida deteta minúsculas frações de ADN libertadas pelas células cancerígenas para a corrente sanguínea, tornando-se assim eficaz a detetar a doença muito antes dos primeiros sintomas. O teste vai ser apresentado no maior encontro de oncologistas do mundo, que decorre este fim-de-semana em Chigaco, EUA.

No estudo, liderado pelo Instituto Taussig da Clínica de Cleveland, Ohio, esta análise mostrou-se capaz de detetar traços genéticos de vários tipos de cancro, incluindo o da mama, do pâncreas e do ovário.

Os investigadores acreditam que a descoberta pode modificar drastricamente a luta contra o doença.

"Este é, potencialmente, o 'Santo Graal' da investigação do cancro, encontrar cancros que são atualmente difíceis de curar no seu início, quando são mais fáceis de tratar", congratula-se Eric Klein, o investigador que liderou o estudo. "Esperamos que este teste salve muitas vidas."

A investigação analisou os casos de mais de 1600 pessoas, das quais 749 não estavam doentes na altura do estudo e 878 que tinham acabado de ser diagnosticadas.

Foi nos cancros do pâncreas, do ovário, do fígado e da vesícula que o teste se revelou mais eficaz, encontrando os sinais precoces da doença em, pelo menos, quatro em cada cinco doentes. A taxa de correção no caso dos linfomas e mielomas foi ligeiramente inferior, na casa dos 77% e 73% respetivamente. No caso do cancro do intestino, a análise permitiu diagnosticar precocemente dois em cada três pacientes. No cancro do pulmão a taxa de deteção foi de 59%, e nos da cabeça e pescoço de 56 por cento.

fonte: Visão

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Vírus Zika elimina tumores humanos em experiência com ratinhos


Tumor composto por células estaminais do meduloblastoma humano infectadas pelo Zika (a vermelho) HUG-CELL

Pela primeira vez, demostrou-se em experiências in vivo que o Zika pode ser usado como uma arma contra dois tipos agressivos de cancro do sistema nervoso central.

Num ensaio pré-clínico com ratinhos, uma equipa de cientistas brasileiros verificou que o vírus Zika consegue eliminar cancros cerebrais comuns em crianças com menos de cinco anos. O resultado foi publicado esta quinta-feira na revista Cancer Research, editada pela Associação Americana para a Investigação do Cancro.

Os investigadores, da Universidade de São Paulo, injectaram uma baixa concentração do vírus purificado em tumores cerebrais embrionários humanos que foram induzidos em ratinhos com baixa imunidade. Resultado: os tumores regrediram em 20 dos 29 animais “tratados” com o vírus. E, em sete dos roedores, os tumores desapareceram.

Nalguns casos, o vírus Zika foi igualmente eficaz contra as metástases, ao eliminar um segundo tumor (formado a partir de um primeiro) ou inibir o seu desenvolvimento.

No trabalho os cientistas usaram linhagens de células humanas derivadas de dois tipos de tumores embrionários do sistema nervoso central que atingem crianças com menos de cinco anos: o meduloblastoma e o tumor teratóide rabdóide atípico.


Células de meduloblastoma humano infectadas pelo Zika (a vermelho) HUG-CELL

É a primeira vez, segundo um comunicado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que se demonstra em experiências em ratinhos que o vírus Zika pode ser usado como uma arma para tratar cancros agressivos do sistema nervoso central.

A infecção pelo vírus Zika transmite-se aos humanos pela picada de um mosquito e tem sido associada a microcefalia (tamanho do cérebro e da cabeça mais pequeno) em fetos e recém-nascidos. Um surto de infecção pelo Zika atingiu em 2015 vários países da América Latina, sobretudo Brasil.

fonte: Publico

sábado, 28 de outubro de 2017

Novas "nanopartículas inteligentes" matam células cancerígenas



Estas pequenas partículas são autorreguláveis: mudam automaticamente de temperatura consoante estejam perante tumores ou tecidos normais

Cientistas da Universidade de Surrey, Reino Unido, desenvolveram "nanopartículas inteligentes", que aquecem o suficiente para matar células cancerígenas, mas que se autorregulam e arrefecem sem prejudicar outros tecidos.

As novas nanopartículas podem ser usadas em breve como parte da termoterapia no tratamento de pessoas com cancro, segundo um estudo publicado na revista científica Nanoscale.

A termoterapia tem sido usada para o tratamento do cancro mas é uma técnica complicada, não sendo fácil tratar as pessoas sem provocar danos noutras células. As células tumorais podem ser enfraquecidas ou mortas sem afetar os restantes tecidos se a temperatura for controlada com precisão entre os 42 e os 45 graus.

Cientistas do Instituto de Tecnologia Avançada da Universidadade de Surrey, em conjunto com outros cientistas da Universidade de Tecnologia de Dalian, na China, criaram as nanopartículas agora apresentadas e que quando implantadas numa sessão de termoterapia podem induzir temperaturas até 45 graus.

Alem de serem autorreguláveis, as nanopartículas também são de baixa toxicidade e não deverão causar danos permanentes no corpo humano.

Ravi Silva, responsável do Instituto de Tecnologia Avançada, disse que este método pode evitar os efeitos secundários graves de outros tratamentos.

"É um desenvolvimento muito emocionante", disse, referindo-se às possibilidades de tratamento com as nanopartículas.




terça-feira, 22 de agosto de 2017

Larvas de peixe-zebra testam terapias personalizadas em cancro


As células tumorais foram tingidas com um corante para se poder visualizar o tumor RITA FIOR

Dois investigadores portugueses criam novo modelo que pode vir a tornar-se num teste de rotina para verificar a eficácia da quimioterapia.

São resultados preliminares, "uma prova do conceito", como lhe chama Rita Fior, da Fundação Champalimaud. Mas o trabalho que a investigadora desenvolveu com Miguel Godinho Ferreira, também da Fundação Champalimaud e do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), e que acaba de ser publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), pode ser o caminho para um novo teste capaz de estimar em poucos dias a eficácia de um tratamento de quimioterapia em doentes com cancro - e ajustar a terapia a cada doente.

Rita Fior e Miguel Godinho Ferreira demonstraram a possibilidade de prever os efeitos de um tratamento de quimioterapia, testando as células tumorais do doente em larvas de peixe-zebra, um modelo animal muito utilizado em laboratório. Neste caso, a pequena dimensão da larva, com menos de um centímetro, torna estes testes muito rápidos.

Na sua prova de conceito, os dois investigadores portugueses e as suas equipas estudaram os casos de cinco doentes com cancro colorretal que foram tratados na Fundação Champalimaud e no Hospital Amadora-Sintra. O que a equipa fez foi implantar células tumorais dos doentes nas larvas de peixe-zebra, e depois testar nos tumores assim criados o tipo de quimioterapia que cada um dos doentes tinha recebido.

Os resultados não podiam ser mais promissores: em quatro dos cinco casos, os resultados nas larvas foram idênticos ao que aconteceu com os próprios doentes. Dois deles não responderam bem ao tratamento, e os tumores induzidos nas larvas também não. Em relação a outros dois, que responderam bem ao tratamento, as larvas seguiram exatamente o mesmo padrão. O teste funcionou.

Agora é necessário alargar o estudo e comprovar que funciona para todos os casos, ou pelo menos para a esmagadora maioria deles. "Nesta segunda fase, que já se iniciou, vamos testar centenas de doentes da Fundação Champalimaud e do Hospital Amadora-Sintra, com o qual estabelecemos um protocolo e que tem sido muito colaborativo", adianta Rita Fior.

Os dois cientistas esperam que o estudo esteja concluído dentro de dois a três anos e, se tudo correr como acreditam, o resultado poderá ser um novo teste para prever com grande rapidez a eficácia (ou não) de um determinado tratamento escolhido.

"Se tudo correr bem, vamos poder informar os oncologistas do resultado das várias terapias nos avatares [as larvas, que simulam o doente]; serão sempre eles a ter de escolher o tratamento, mas poderão fazê-lo com base em testes individuais", explica por seu turno Miguel Godinho Ferreira, citado num comunicado da Fundação Champalimaud.

A escolha das larvas do peixe-zebra para simular os tratamentos de quimioterapia é a chave certa e tem a grande vantagem da rapidez. "Conseguimos resultados sobre a eficácia de um determinado tratamento em três ou quatro dias", explica a cientista.

Os tratamentos de quimioterapia são atualmente aplicados seguindo diretrizes internacionais estabelecidas de acordo com as estatísticas das taxas de sucesso obtidas em ensaios clínicos. Se o teste desenvolvido pelos dois cientistas portugueses comprovar a sua eficácia, abrem-se novas possibilidade de personalização e de maior precisão nos tratamentos.

"Isso não pode ser feito por rotina em ratos, porque os tumores produzidos com células tumorais dos doentes levam meses a tornar-se visíveis e a poderem ser testados, porque o rato é um animal grande", nota Rita Fior. Na larva de peixe-zebra basta introduzir-lhe poucas células do tecido tumoral para produzir um tumor que pode ser testado.

A ideia de utilizar as larvas de peixe-zebra neste contexto surgiu aos dois cientistas separadamente - estavam na altura ambos no IGC, mas em grupos distintos - mas quando se aperceberam disso decidiram avançar com o estudo conjunto. Em boa hora. Os resultados mostram que estavam certos.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Não é possível erradicar o cancro, defende especialista


O cancro é uma doença que não é possível erradicar, embora seja tratável, defendeu esta terça-feira a diretora da Unidade da Mama do Centro Clínico Champalimaud, apontando como um dos desafios da investigação clínica a resistência de tumores aos tratamentos.

Fátima Cardoso falava à Lusa, no final da sessão "Ciência e cancro: desafios para a investigação", no encontro Ciência '17, que termina na quarta-feira, no Centro de Congressos de Lisboa.

"O cancro, como doença, não vamos conseguir eliminar", frisou, assinalando que se trata de "uma doença das células que se alteram".

Para a médica, é possível viver com alguns cancros, tratá-los e matá-los. Mas a cura da doença, no sentido generalizado do termo, considera que não é possível.

"São alterações nossas", no organismo, suscitadas, em grande parte, por "diversas agressões ao longo da vida", sublinhou, referindo que o cancro se tornou numa epidemia, não no sentido de doença infecciosa, porque não o é, mas devido ao "número de casos que não pára de aumentar".

Segundo estatísticas citadas pela oncologista, em média uma em cada duas pessoas adultas poderá vir a ter um cancro nos próximos 15 anos.

O estilo de vida, a alimentação, o abuso de álcool e tabaco são fatores que potenciam o aparecimento da doença.

Como desafios para a investigação clínica, Fátima Cardoso elencou a resistência de certas células cancerígenas aos tratamentos e a terapêutica direcionada para cada tipo de doente, para que os tratamentos sejam mais eficazes mas menos tóxicos.


sábado, 27 de maio de 2017

Investigadores do Porto descobrem como levar as células cancerígenas ao "suicídio"


Heather Von St. James sobreviveu a um cancro do pulmão e mostra o R-X com a metade que resistiu.

Investigadores do Porto descobriram uma forma de aumentar a resposta ao tratamento do cancro do pulmão através da inibição de uma proteína necessária para a divisão das células normais, o que leva à autodestruição das células cancerígenas.

"Quando as células de linhas celulares de cancro do pulmão são impedidas de produzir a proteína 'spindly', estas passam a responder de forma mais eficiente ao paclitaxel", um medicamento usado em quimioterapia, disse à Lusa o professor da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico Universitário (CESPU) Hassan Bousbaa, um dos responsáveis pelo projeto.

A função do paclitaxel é impedir o crescimento das células cancerígenas, uma vez que inibe a divisão celular, sendo aplicado em casos de cancro do pulmão, dos ovários e da mama, por exemplo.

Este estudo mostrou que a supressão da 'spindly' atrasa a saída mitótica (que se dá quando uma célula se divide mesmo na presença do fármaco que, em princípio, deveria inibir a sua divisão) e leva à autodestruição das células cancerígenas, quando tratadas com esse medicamento, explicou.

Sendo uma proteína necessária para a divisão das células normais, a sua supressão pode ter efeitos negativos, referiu o professor, acrescentando que o paclitaxel também tem, visto que interfere com a divisão celular normal. Espera-se", no entanto, que estes efeitos "sejam revertíveis no fim do tratamento".

Com este projeto os investigadores pretendem "dar uma nova vida aos medicamentos mais usados e com uma longa história de sucesso no combate ao cancro, mas aos quais algumas células do cancro conseguem adaptar-se e sobreviver", referiu Hassan Bousbaa.

O objetivo, continuou o professor, "é impedir esta adaptação, ajudando estes medicamentos convencionais a combater melhor as células do cancro".

De acordo com o responsável, esta a estratégia mostrou-se eficaz em células de cancro produzidas em laboratório, sendo o próximo passo o teste com animais, projeto que prevê iniciar em janeiro de 2018.

Este trabalho, cuja primeira autora é a investigadora da CESPU Patrícia Silva, foi cofinanciado pela Fundação para a Ciência e para a Tecnologia (FCT) e contou com a participação de Helena Vasconcelos, do IPATIMUP/i3S, do Porto, e de Álvaro Tavares, da Universidade do Algarve.

O estudo teve a duração de dois anos e foi publicado recentemente na revista científica Cancer Letters.

fonte: SIC Noticias

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Cientistas criaram ovários funcionais com impressora 3D


Cria-se uma nova esperança para as mulheres inférteis

Ovários artificiais férteis são a última inovação conseguida através de uma impressora 3D por cientistas nos Estados Unidos, uma técnica que um dia poderá ser usada para devolver a fertilidade a mulheres afetadas por cancro.

Os cientistas desenvolveram os ovários chamados bioprostéticos para ajudar a devolver a fertilidade e a produção de hormonas a mulheres que tiveram que fazer tratamentos para o cancro em adultas ou que sobreviveram a cancros infantis e têm mais riscos de ser inférteis ou ter problemas hormonais.

"O que acontece com algumas das nossas doentes de cancro é que os ovários não funcionam a um nível suficiente e precisam de terapias hormonais de substituição, afirmou a investigadora Monica Laronda, coautora do estudo publicado esta terça-feira na Nature Communications.

A inovação desta tecnologia de impressão a três dimensões, experimentada em ratos de laboratório inférteis, é o material usado, um hidrogel biológico gelatinoso feito a partir de colagénio, uma proteína presente nos tecidos humanos.

O material tem a consistência certa para ser moldado durante a cirurgia e é poroso o suficiente para interagir com os outros tecidos com que contacta.

Na maior parte dos casos, o hidrogel é fraco e "como é composto principalmente por água, muitas vezes colapsa", afirmou o professor de ciência dos materiais e engenharia Ramille Shah, da Universidade do Noroeste, do estado norte-americano do Illinois.

Monica Laronda frisou que o objetivo desta tecnologia é reproduzir "como funcionaria um ovário em cada fase da vida de uma mulher, desde a puberdade à idade adulta, chegando a uma menopausa natural".

A diretora do Instituto de Investigação de Saúde Feminina de Feinberg, Teresa Woodruff, afirmou que "usar bioengenharia, em vez de transplantes, para criar órgãos funcionais e devolver a saúde aos tecidos da pessoa" é o objetivo último da bioengenharia ao serviço da medicina regenerativa.

Para desenvolver os ovários artificiais, os cientistas partiram da premissa de que todos os órgãos têm um "esqueleto", uma estrutura básica, e usaram a dos ovários para construir através de impressão 3D o que chamaram de "andaimes", por ser uma estrutura que se assemelha aos andaimes usados para fazer obras em edifícios.

Ao ser implantado no corpo, o ovário artificial é capaz de alojar os óvulos na sua estrutura porosa e permite que amadureçam, ao mesmo tempo que vasos sanguíneos rodeiam o "andaime" permitindo a circulação de hormonas que desencadeiam a produção de leite após o parto.

"Esta investigação demonstra que estes ovários bioprostéticos conseguem funcionar a longo prazo", afirmou Teresa Woodruff.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Cancro poderá ser combatido com robots microscópicos


Os robots funcionarão como um ‘enxame’ e poderão ser controlados via magnetismo.

Um grupo de investigadores alemães pode ter criado um novo tratamento para cancro, utilizando robots de tamanho microscópico controlados via magnetismo, diz o Engadget.

Estes robots funcionarão como um enxame e cada um deles terá uma tarefa específica, utilizando ‘sementes’ radioativas para combater tumores a partir do interior do corpo. “O nosso método permite manipulações mais complexas dentro do corpo”, indica o responsável pelo estudo.

O tratamento ainda precisa de ser ‘afinado’ pelos investigadores mas já está a ser considerado como uma alternativa valiosa, sobretudo para evitar efeitos secundários que possam ser perigosos para o paciente.


sábado, 3 de dezembro de 2016

Químicos russos descobriram molécula que destrói o cancro invulnerável


Químicos da Rússia e investigadores da empresa norte-americana Immune Pharmaceuticals descobriram um composto de enxofre, hidrocarbonetos e nitrogênio que pode destruir células cancerosas invulneráveis aos efeitos de outros tipos de quimioterapia, diz um artigo publicado na revista European Journal of Medicinal Chemistry.

"A escolha da classe de compostos não é acidental. O facto é que muitos aminoizotiazois mostram uma largo espectro de actividade farmacológica e biológica. Portanto, nós supusemos que os compostos desta classe com os grupos químicos adequados poderão exibir actividade anti câncer", diz Aleksander Kiselev do Instituto Físico Técnico de Moscovo (MFTI, sigla em Russo) em Dolgoprudny, cujas palavras cita o serviço de imprensa do MFTI. 

A quimioterapia, com a qual os médicos destroem os tumores de câncer, funciona de duas maneiras — ou danificando o ADN das células cancerosas, as obrigando a se auto destruírem, ou inibindo seu crescimento e divisão. O segundo método hoje em dia é mais popular, porque ele não resulta em formas mais agressivas de células cancerosas devido ao desenvolvimento de novas mutações no seu genoma.

Os preparados deste tipo, os chamados antimitóticos, destroem a tubulina — uma das proteínas básicas de células, criticamente importante para a divisão. Estas substâncias tanto foram obtidas sinteticamente, como foram encontradas em plantas tropicais. Além disso, os cientistas do MFTI descobriram recentemente "matéria-prima" para estas substâncias na salsa comum e no funcho.

No seu novo trabalho, Kiselev e seus colegas descreverem um novo método para a síntese de tais moléculas, que permite obter de forma suficientemente rápida e barata preparados anticancerosos semelhantes. Usando esta técnica, os químicos da Rússia e seus colegas estrangeiros recolheram três dezenas de variantes destes preparados, cuja eficácia foi verificada por tentativas de destruição de culturas de células cancerosas e embriões de ouriços do mar.

Como mostraram os experimentos, a adição a uma molécula dessas de dois novos "anéis" de hidrocarbonetos, que contêm átomos de oxigénio e de enxofre, aumentou significativamente a sua actividade e a "ensinou" a parar o processo de divisão, mesmo em células cancerosas que não são afectadas pela quimioterapia usual. Outras dez substâncias também demonstraram um alto nível de actividade, e elas também podem ser usadas para combater o cancro.

No futuro, os cientistas planeiam estudar como esta substância está organizada e como ela se liga aos microtúbulos dentro de células que estão se dividindo e os destrói. Tal conhecimento vai ajudar a melhorar as propriedades desse remédio e vai permitir criar análogos diferentes deste em estrutura e características de "combate".

fonte: Sputnik News

domingo, 25 de setembro de 2016

Microsoft tem plano para acabar com cancro em 10 anos


A tecnológica de Redmond inaugurou durante o verão um laboratório completamente dedicado à pesquisa e desenvolvimento de métodos de reprogramação de células.

A Microsoft estabeleceu um prazo de 10 anos para conseguir “solucionar o problema do cancro”, um objetivo nobre para o qual a tecnológica de Redmond se faz munir da estratégia de reprogramar as células cancerígenas, anulando assim a doença.

Mas não é só de boas intenções e de um plano que a Microsoft se pretende fazer valer. É com este objetivo em mente que a Microsoft abriu durante o verão um novo laboratório dedicada a pesquisa e desenvolvimento de uma solução para o cancro. Por enquanto, a ideia é criar um computador a partir de ADN que seja capaz de monitorizar de perto a evolução das células.

Em conversa com o The Telegraph, o diretor da Microsoft Research, Chris Bishop, considerou que a pesquisa de uma cura para o cancro é “muito natural para a Microsoft devido à tremenda experiência em ciência informática e o que se passa agora com o cancro é um problema computacional”.

O responsável pelo grupo de pesquisa, Andrew Philips, também se pronunciou sobre esta iniciativa. “É [um projeto] a longo-prazo… Penso que será tecnicamente possível no espaço de cinco a 10 anos criar um sistema molecular inteligente que consiga detetar a doença”, declarou Philips.


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Diabos da Tasmânia evoluem para resistir a cancro que os ameaça de extinção


Um estudo debruçado sobre a genética dos Diabos da Tasmânia sugere que estão a transformar-se em pouco tempo para resistir ao cancro facial

Os diabos da Tasmânia podem estar a evoluir para resistir aos tumores faciais, doença mortal que os colocou em perigo de extinção, segundo um estudo publicado esta terça-feira na revista Nature Communications.

As conclusões do estudo sugerem que o mamífero marsupial carnívoro mais antigo do mundo está a transformar-se num curto lapso de tempo, entre quatro e seis gerações, para resistir a esse tipo de cancro.

Realizado pelo cientista Andrew Storfer e pela sua equipa de investigação da Universidade Estatal de Washington, o estudo debruçou-se sobre a genética dos diabos da Tasmânia (Sarcophilus Harrisii) de diversas zonas, tanto antes como depois do aparecimento da doença.

O tumor que afeta estes animais da ilha australiana da Tasmânia, que frequentemente é contraído através de ferimentos sofridos em lutas com outros exemplares da sua espécie, dado o seu elevado grau de agressividade, aparece na boca e aumenta de tamanho até causar deformações que os impedem de comer para sobreviver.

A população deste marsupial caiu em mais de 80% nas últimas duas décadas devido à doença e encontra-se na lista nacional da Austrália de animais em perigo de extinção e também na lista vermelha das Nações Unidas, por se considerar que num prazo de entre 25 e 35 anos poderá desaparecer.


domingo, 21 de agosto de 2016

Ancestrais do homem já tinham cancro há quase 2 milhões de anos, diz estudo


Um tumor achado no pé do fóssil de um hominídeo é o caso mais antigo de cancro potencialmente fatal na árvore genealógica humana

Um tumor foi encontrado no fóssil de um hominídeo que viveu quase 2 milhões de anos na África do Sul e é considerado o cancro mais antigo de que se tem notícia. A descoberta foi publicada no South African Journal of Science por uma equipe de antropólogos da Universidade de Witwatersrand, em Johannesburgo, na África do Sul.

Técnicas avançadas de raio-X permitiram a identificação do câncer no pé do fóssil de um hominídeo da espécie Paranthropus, encontrado na caverna de Swartkrans, na África do Sul. 

Antes dele, o tumor considerado mais antigo era o de um hominídeo africano da espécie Homo erectus, encontrado no fragmento da mandíbula de um fóssil que data de 1,5 milhão de anos. Há especialistas, no entanto, que afirmam que a estrutura encontrada no rosto no dele, na verdade é resultado de uma fratura e não de um tumor.

Um segundo estudo, também publicado no South African Journal of Science, identificou um tumor bastante antigo, mas benigno, na coluna vertebral de uma criança Australopithecus sediba. O esqueleto foi encontrado junto ao de outro adulto da mesma espécie em uma caverna subterrânea em Malapa, também na África do Sul.

Apesar de não ser uma ameaça à vida, o tumor benigno pode ter prejudicado a capacidade da criança de andar e correr, afirmam os pesquisadores no estudo. 

Segundo eles, esse tipo de crescimento anormal ósseo na coluna vertebral é raro nos dias de hoje, especialmente em crianças. "Esta é a primeira evidência da doença em um indivíduo jovem", diz Randolph-Quinney, antropólogo-biólogo, da Universidade do Centro de Lancashire, na Inglaterra, que liderou o estudo, em entrevista à "Science News".

Não é só a sociedade moderna

As duas descobertas contribuem para derrubar a premissa de alguns especialistas de que cancros são produtos exclusivos das sociedades modernas. Claro que o uso de pesticidas, a maior expectativa de vida e outras características do mundo industrializado aumentaram a incidência de cancros e tumores.

Mesmo usando técnicas sofisticadas de imagem, outros investigadores afirmam que os estudos oferecem uma "uma janela muito pequena" na detecção de cancros e tumores em fósseis, defende a paleontologista Janet Monge, da Universidade da Pensilvânia, Filadélfia (EUA), em entrevista ao portal "Science News".

Segundo ela, são as análises microscópicas de células de tecidos moles que confirmam o diagnóstico de câncer em pessoas atualmente, e essas células são ausentes em fósseis. Monge afirma que sem essas informações adicionais não é possível tirar qualquer conclusão sobre o que causou crescimento anormal do tecido ósseo do fóssil. 

fonte: UOL