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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O planeta Vulcano de Star Trek existe


Está a 16 anos-luz da Terra e sua estrela principal pode ser vista a olho nu do nosso planeta.

Vulcano existe. Planeta Vulcano da série Star Trek cujos os habitantes usavam a lógica e a razão como a principal filosofia de vida é uma realidade e está localizado a apenas 16,5 anos-luz da Terra, de acordo com um novo estudo da NASA que descobriu o sistema estelar Eridani, de 40 estrelas, cujos arredores correspondem aos do imaginário planeta Vulcano de Star Trek, lar do conhecido Dr. Spock.

De acordo com os astrónomos, a zona habitável (a distância da estrela onde ele está, há água líquida) da estrela maior, 40 Eridani A seria parecido com as características de Vulcano, mundo deserto de Star Trek, antes de ser destruído por Nero por volta de 2260. 

Se estivesse longe demais do seu sol, o Vulcano congelaria como Plutão; Se estivesse perto demais, queimaria como Mercúrio. Vulcano orbita a borda interna, dando ao mundo sua característica qualidade de deserto.

Haveria um planeta como a Terra neste sistema planetário? "Ainda não temos como detectá-lo, mas a NASA está trabalhando em tecnologia para tornar isso possível", explica Karl Stapelfeldt, cientista-chefe do programa de exploração planetária da NASA.

A estrela mais massiva é, portanto, 40 Eridani A, uma estrela anã que representaria o sol do mítico Vulcano . As outras estrelas anãs orbitam-se a uma distância de 40 Eridani A: a primeira é uma anã vermelha (40 Eridani C) e a outra uma estrela anã branca (40 Eridani B).


terça-feira, 31 de julho de 2018

Estranhos vulcões estão em erupção em todo o Sistema Solar


A sonda Juno, da NASA, detetou recentemente um possível novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter, a Io. Mas esta lua vulcanicamente ativa não está sozinha no Sistema Solar.

A lua Io é famosa pelos seus inúmeros vulcões e pelo facto de estes soltarem lava dezenas de quilómetros acima da superfície. Esta lua de Júpiter está constantemente a reformar a sua superfície através de erupções vulcânicas. O vulcanismo de Io resulta de fortes encontros gravitacionais entre Júpiter e duas das suas grandes luas, Europa e Ganimedes, que “sacodem” as entranhas de Io.

Rosaly Lopes, investigadora do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, na Califórnia, levou a cabo observações desta lua vulcanicamente ativa entre 1996 e 2001, durante a missão espacial Galileo.

“Em Io existem muitos fluxos de lava e muitos lagos. Os lagos de lava são bastante raros na Terra, temos meia dúzia deles. Achamos que ocorreram no passado, em Vénus e Marte. Mas na Io, na verdade, vemos lagos de lava ainda hoje”, disse a cientista. O Kilauea, no Havai, é um desses locais na Terra repletos de lagos de lava, por exemplo.

Agora, os cientistas pediram ajuda de Lopes para identificar o hotspot recém-encontrado de Io (um novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter), gesto que a cientista agradeceu dizendo que novas observações desta lua de Júpiter são bem vindas, dado que a sonda Galileo estava numa órbita equatorial e raramente conseguia observar os pólos.

Pelo contrário, a sonda Juno está numa órbita polar e tem uma visão favorecida dos pólos. Embora haja alguns indícios de que Io possa ter erupções maiores, mas menos frequentes, nos pólos, são precisas mais observações para os cientistas terem a certeza.

Ao contrário do que seria de esperar, Io não está sozinha. Vénus também parece ter fluxos de lava ativos na sua superfície, onde as temperaturas atingem os 425 graus Celsius. Lopes afirmou, contudo, que não está claro se Vénus tem vulcões ativos atualmente, embora várias observações da missão anterior da Europa Venus Expressa tenha sugerido que sim.

Vénus tem cúpulas de vulcões e vulcões com muitos picos, embora não se saiba se estão ativos ou inativos. Este tipo de vulcão é também muito comum na Terra. É um vulcão emforma de cúpula que é formado por erupções de lava viscosa, com apenas uma pequena percentagem de gás.

No entanto, Vénus tem também outros tipos de vulcões e características vulcânicas: cúpulas de panquecas (que se parecem com panquecas), aracnóides (caldeiras que se parecem com aranhas), fluxos de lava e planícies vulcânicas.

Vénus e Marte têm também vulcões de escudo, um tipo de vulcão composto quase inteiramente por fluxos de lava fluída. Este tipo de vulcões são muito vulgares na Terra, em particular no Havai.

Mas Marte leva a taça: além de possuir o vulcão mais alto do Sistema Solar – o Monte Olimpo – tem também vários vulcões monstruosos, e a explicação pode estar na gravidade, que, por ser mais leve, pode fazer com que os vulcões cresçam mais altos do que o que acontece na Terra.

Em Marte, os vulcões parecem estar dormentes, já que não há fluxos de lava recentes visíveis na superfície. Há, no entanto, evidências extensas de vulcanismo no passado: planícies de inundação de basaltos, bem como outros tipos de vulcões que “foram formados por vulcanismo explosivo”, disse Lopes.

Além de Io, Vénus e Marte, também a lua da Terra, Mercúrio e Ceres tiveram vulcanismo de lava no passado, afirmou a cientista, acrescentando que há mundos com possíveisvulcões gelados (criovulcanismo) nos quais o material em erupção é água ou água misturada com nitrogénio ou metano.

Há também evidências de plumas ativas na lua de Júpiter, Europa, e na lua de Saturno, Encelado. A lua de Saturno, Titan, também pode ter características criovulcânicas na superfície, assim como Tritão (a maior lua de Netuno), Plutão e Caronte (a maior lua de Plutão).

fonte: ZAP

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ministro iraquiano afirma que sumérios viajaram para Plutão


Templo Ziggurat de Ur, no Iraque (Thaer Jebur/iStock/Getty Images)
 
Segundo Kazem Finjan, os sumérios construíram um aeroporto há 7.000 anos e foram os primeiros seres humanos a viajar para o espaço 
 
O ministro dos Transportes do Iraque, Kazem Finjan, afirmou na semana passada que os sumérios, membros de uma antiga civilização que viveu no sul do país há mais de 7.000 anos, viajaram para Plutão em espaçonaves.

Segundo Finjan, a antiga civilização construiu o primeiro aeroporto do mundo por volta do ano 5.000 a.C.. Durante uma coletiva de imprensa na província de Dhi Qar, no sul do país, o ministro também afirmou que os sumérios foram os primeiros seres humanos a viajar para o espaço. E mais: eles teriam descoberto Plutão.

Segundo o jornal The New Arab, Finjan utilizou os estudos de um professor russo especialista na história da civilização suméria para justificar suas afirmações. O estudioso Samuel Kramer investigou os mitos da criação da civilização e escreveu sobre sua compreensão do Sistema Solar.

Acredita-se que os sumérios se instalaram no sul da Mesopotâmia, agora sul do Iraque, entre 5500 4000 a.C., onde desenvolveram habilidades em agricultura, comércio e artesanato.

Muitas ruínas de antigas cidades sumérias foram encontradas na região de Dhi Qar, entre elas o templo Zigurate de Ur, que foi escavado na década de 1930 e desde então tem sido parcialmente restaurado. “O primeiro aeroporto que foi estabelecido no planeta Terra foi neste lugar”, afirmou Finjan sobre o templo.
 
fonte: Veja
 

domingo, 3 de junho de 2018

Há dunas em Plutão. Cientistas surpreendidos




Cientistas descobriram que Plutão tem dunas, que se formaram a partir de grãos de metano congelado libertados na sua atmosfera pouco densa.

Para chegar a esta descoberta, uma equipa internacional de geógrafos, físicos e cientistas planetários analisou em detalhe imagens da superfície do planeta-anão captadas em julho de 2015 pela sonda norte-americana New Horizons.

As imagens revelam que há uma série de dunas ao longo de uma área com menos de 75 quilómetros de diâmetro, entre o glaciar de azoto sólido chamado Sputnik e uma cadeia montanhosa, segundo um comunicado da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, uma das instituições que participaram na investigação.

Os cientistas sugerem que as dunas ter-se-ão formado nos últimos 500 mil anos e até mais recentemente devido à sua morfologia.


A descoberta surpreendeu os investigadores, uma vez que as dunas aparecerem num planeta com tão pouca atmosfera e onde a temperatura à superfície ronda os -230ºC.

Já se sabia que Plutão tem montanhas pontuadas por pedaços de metano gelado, com camadas de azoto sólido à superfície.

Agora, o novo estudo admite que a sublimação (que converte o azoto sólido diretamente em gás) resultou na libertação de grãos de metano (do tamanho de grãos de areia) que foram transportados pelos ventos moderados do planeta (com velocidades entre 30 e 40 quilómetros por hora) para a borda do glaciar Sputnik e da cordilheira montanhosa.


fonte: Diário de Noticias

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Nova teoria aponta que Plutão não é um planeta mas sim um cometa gigante


Investigadores do Southwest Research Institute partilharam a nova teoria desenvolvida a partir de dados da sonda New Horizons.

Enquanto ainda se discute se Plutão é ou não um planeta, um grupo de investigadores do Southwest Research Institute desenvolveu uma nova teoria a propor uma nova categoria para o astro, indicando que se trata de um cometa gigante.

“Desenvolvemos o que chamamos de modelo cosmoquímico ‘de cometa gigante” da formação de Plutão. Encontrámos uma consistente intrigante entre a quantidade estimada de nitrogénio dentro do glaciar e a quantidade é a esperada se Plutão foi formado por uma aglomeração de sensivelmente mil milhões de cometas”, pode ler-se no comunicado de um dos investigadores, Christopher Glein.

Os dados que foram usados na elaboração desta teoria resultam das aproximações feitas pela sonda New Horizons da NASA. Os mesmos dados serviram para os investigadores avançarem com outra teoria, apontando que a formação de Plutão resulta de gelo muito frio.


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Plutão tem lá dentro um oceano gelado


Dados da sonda New Horizons da NASA apontam para processos complexos na superfície e também no subsolo do pequeno planeta

Quando a nave New Horizons fez o seu sobrevoo histórico a Plutão, em 14 de julho do ano passado, mostrou um novo rosto daquele pequeno mundo nos confins do sistema solar. Mas a mais icónica das imagens que a sonda da NASA enviou para a Terra foi um retrato onde está bem marcado, na sua superfície, um coração gigante. Dois estudos publicados na revista Nature esta quinta-feira mostram que aquele é um coração... de gelo. Sob essa geografia romântica, Plutão tem, ao que tudo indica, um oceano líquido.

Esta, dizem os cientistas, é a melhor explicação para as observações feitas pela New Horizons. E isso sugere também que outros astros da classe de Plutão naquela zona do sistema solar poderão ter também oceanos interiores.

A ideia de um oceano sob a superfície de Plutão não é nova. Em março, quando foram publicados na Science os primeiros estudos sobre os dados enviados pela New Horizons, essa hipótese ficou no ar, bem como a da existência ali de fenómenos de criovulcanismo - há erupções, mas em vez de lava, brotam materiais gelados do subsolo.

Os estudos entretanto continuaram - os dados da sonda da NASA têm ainda muita informação para ser trabalhada ao longo os próximos anos - e agora a hipótese do oceano no interior de Plutão tornou-se concreta: ela é a melhor explicação para o que ali se observa à superfície e também no próprio comportamento de Plutão. E a localização do gigantesco coração naquela geografia do pequeno planeta é a chave que reforça a ideia de um mar gelado sob a superfície.

De acordo com os cientistas, um um dos lados do coração é uma imensa bacia côncava, a Planitia Sputnik, que foi gerada muito provavelmente pelo impacto de um outro astro. Mas nessa altura, aquele padrão geológico estava localizado mais para noroeste em relação à sua posição atual. A sua migração, explicam os investigadores, ficou a dever-se à quantidade imensa de gelo que ali se acumulou a certa altura. Foi esse processo que causou uma rotação no próprio planeta, gerando por sua vez tensões e ruturas na crosta do planeta-anão, com a emergência de mais materiais gelados, por causa da presença do tal oceano interior.

Segundo os cientistas, se a Planitia Sputnik ainda estiver a acumular gelos - que sobem à superfície, vindos do interior, há grandes probabilidades de Plutão voltar a sofrer uma rotação.

"Há duas formas de alterar a rotação de um planeta", diz James Keane, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, o investigador principal da equipa que assina um dos dois estudos publicados na Nature. "O primeiro, e aquele que nos é mais familiar, é a ocorrência de uma alteração no eixo de rotação, na qual o planeta se reorienta em relação ao resto do sistema solar", explica. "O segundo", adianta o astrofísico, "é através de uma deriva polar, em que o eixo de rotação se mantém fixo face ao sistema solar, e é o próprio planeta roda". Este segundo caso foi o de Plutão.

A outra equipa que publica na mesma revista um estudo sobre a questão, liderada pelo investigador Francis Nimmo, da Universidade da Califórnia Santa Cruz, apresenta resultados que indicam exatamente a mesma conclusão: a da existência de um oceano subterrâneo naquela zona do planeta. Só a sua massa e peso poderá explicar aquele processo de rotação observado, sublinha igualmente a segunda equipa.

Com esta confirmação, o retrato do mais distante pequeno planeta do sistema solar ganha uma nova definição. Resta saber que mais novidades ainda haverá à espera de serem reveladas nas observações da New Horizons.


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Ministro iraquiano afirma que sumérios viajaram para Plutão

Templo Ziggurat de Ur, no Iraque

Templo Ziggurat de Ur, no Iraque (Thaer Jebur/iStock/Getty Images)

Segundo Kazem Finjan, os sumérios construíram um aeroporto há 7.000 anos e foram os primeiros seres humanos a viajar para o espaço

O ministro dos Transportes do Iraque, Kazem Finjan, afirmou na semana passada que os sumérios, membros de uma antiga civilização que viveu no sul do país há mais de 7.000 anos, viajaram para Plutão em espaçonaves.

Segundo Finjan, a antiga civilização construiu o primeiro aeroporto do mundo por volta do ano 5.000 a.C.. Durante uma coletiva de imprensa na província de Dhi Qar, no sul do país, o ministro também afirmou que os sumérios foram os primeiros seres humanos a viajar para o espaço. E mais: eles teriam descoberto Plutão.

Segundo o jornal The New Arab, Finjan utilizou os estudos de um professor russo especialista na história da civilização suméria para justificar suas afirmações. O estudioso Samuel Kramer investigou os mitos da criação da civilização e escreveu sobre sua compreensão do Sistema Solar.

Acredita-se que os sumérios se instalaram no sul da Mesopotâmia, agora sul do Iraque, entre 5500 4000 a.C., onde desenvolveram habilidades em agricultura, comércio e artesanato.

Muitas ruínas de antigas cidades sumérias foram encontradas na região de Dhi Qar, entre elas o templo Zigurate de Ur, que foi escavado na década de 1930 e desde então tem sido parcialmente restaurado. “O primeiro aeroporto que foi estabelecido no planeta Terra foi neste lugar”, afirmou Finjan sobre o templo.

fonte: Veja

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Plutão esconde oceano com água líquida?


A hipótese da superfície do planeta-anão esconder água em estado líquido acaba de se tornar ainda mais provável graças a novos dados.

Ao longo dos últimos meses têm sido adiantados vários detalhes sobre a formação de Plutão, uma possibilidade conseguida através da sonda New Horizons, que tem enviado para a Terra novas informações. A mais recente dá ainda mais força à possibilidade do planeta-anão ter um oceano por baixo da sua superfície.

De acordo com um ‘paper’ publicado pelo Geophysical Research Letters há atividade tectónica por baixo da superfície gelada de Plutão, com água em estado líquido que existe debaixo da superfície e entre o núcleo do planeta.

A investigação resultante dos novos dados da New Horizons apontam ainda para indicações que Plutão possa não ser totalmente sólido, o que abre a possibilidade de planetas com a mesma formação encerrarem a mesma caraterística de ter um oceano subterrâneo. Porém, como aponta o Gizmodo, não há qualquer referência à possibilidade da existência de vida.


sábado, 26 de março de 2016

Plutão. Um estranho mundo que pode ter um oceano lá dentro


Primeiros estudos sobre os dados enviados pela sonda New Horizons foram publicados na Science. Há ali processos geológicos ativos e muita diversidade mineral

No dia 14 de julho do ano passado, a sonda New Horizons, da NASA, fez um sobrevoo histórico junto a Plutão - passou à "curtíssima" distância de 12.550 quilómetros da sua superfície - e recolheu uma bateria de dados que continua, ainda agora, a caminho da fronteira do sistema solar, a enviar para a Terra. Os primeiros estudos sobre as observações que a nave fez, publicados esta semana na revista Science, mostram que aquele é um mundo ainda mais bizarro do que os cientistas supunham, onde parece haver criovulcanismo (das erupções, em vez de lava, brotam compostos gelados) e, possivelmente, um oceano subterrâneo.

Um dos grandes contributos da New Horizons foi o de mostrar em grande detalhe uma paisagem que era inteiramente desconhecida e que, segundo um dos cinco estudos agora publicados, se revela movediça, porque desde há centenas de milhões de anos que ela se tem alterado, refeito, e modificado devido aos processos geológicos ali em curso. Como é que isso acontece? Os investigadores supõem que o planeta-anão nos confins do sistema solar tem um núcleo interno feito de minerais radioactivos que, pela sua natureza, transmitem calor aos materiais geológicos até à superfície, deformando-os e, possivelmente causando o seu degelo nalguns pontos ­ daí a possibilidade de um oceano sub-superficial.

Entre os inúmeros compostos gelados identificados na superfície de Plutão estão o metano, o azoto, o monóxido de carbono e, sim, também há ali água.

"A distribuição dos diferentes materiais à superfície é incrível. Nunca tínhamos visto nada assim no sistema solar", afirmou Anne Verbiscer, da Universidade de Virginia, uma das autoras desse estudo, citada na revista The Verge.

Atmosfera densa e poucas poeiras

Duas semanas depois da missão histórica, e com os primeiros dados na mão, os cientistas associados à New Horizons já conseguiam dizer que havia estruturas geológicas nítidas na superfície daquele pequeno mundo gelado.

Até então, o que poderia ali ser descoberto era uma incógnita. Depois do voo da New Horizons, a grande novidade foi a descoberta de estruturas geológicas, ponto. Uma delas erauma montanha gelada, com 3,5 quilómetros de altitude.

Agora o retrato é bem mais completo, com uma nova visão da grande diversidade química e uma riqueza inesperada de paisagens.

A atmosfera é outra surpresa. Os primeiros dados mostraram logo uma atmosfera que devia conter partículas porque, visto pelas lentes da New Horizons, Plutão surgiu envolto num halo azulado ­ um efeito de dispersão da luz que em geral é causado pela presença de partículas.

O estudo publicado agora na Science sobre a atmosfera plutónica vai bem mais longe e mostra, não sem alguma surpresa, que a atmosfera do pequeno planeta é mais fria e mais compacta do que se esperava, com camadas sobrepostas de "nevoeiros", que se tornam menos frios à medida que eles surgem a maiores distâncias em relação da superfície.

Mas estas não são as únicas novidades que chegam de Plutão, que, surpreendentemente também, quase não tem poeiras - restos de materiais planetários - em torno de si. Porquê? A resposta parece ser simples: o espaço é sobretudo esse vazio. "Os restos de poeiras que restaram do processo que deu origem a Plutão e às suas luas há muito que foram removidos pelos processos planetários", afirma Fran Bagenal, que liderou a experiência a bordo da New Horizons programada para fazer a meticulosa contagem das poeiras.

Nesta altura, que a New Horizons já vai mais além, os dados indicam maior número de poeiras na região que ela agora atravessa, o que "é, possivelmente um sinal de que já estamos na fronteira interna da cintura de Kuiper", sublinha Bagenal. O que aí vem é uma nova fase da aventura New Horizons.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Há céu azul e água gelada em Plutão


Sonda identificou ciclone em Júpiter. Veja a reportagem e a entrevista a Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa. Depois das descobertas de indícios de água em Marte, é agora a vez de Plutão. As imagens foram registadas pela sonda New Horizons, que divulgou recentemente as primeiras imagens coloridas das neblinas atmosféricas do planeta que, em tempos, era o último e mais longínquo do sistema solar. 

A missão começou em 2006 e durante a viagem, de cerca de uma década, a sonda recolheu imagens à passagem pelo planeta gigante de Júpiter. Identificou um ciclone do tamanho da Terra, conhecido como pequeno ponto vermelho, com ventos que atingem mais de 600 km/h. Registou ainda a erupção de um vulcão visível a mais de 300 km de altura, numa das quatro luas de Júpiter. 

Em julho foi concluída com sucesso a aproximação da sonda à órbita de Plutão, um "marco na história da Astrofísica", diz Rui Agostinho, diretor do Observatório de Lisboa. Sabe-se que as zonas com tonalidade vermelha são locais onde há água gelada, mas ainda assim "seria impossível viver à superfície de Plutão" porque a "temperatura média ronda os -200ºC, reforça. A descoberta surge depois de ser anunciada a existência de água em Marte.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

"Buracos de minhoca" no solo de Plutão


Novas imagens mostram uma parte da superfície de Plutão toda esburacada.

Já há quem lhes chame "buracos de minhoca" e estão a suscitar a curiosidade dos cientistas.

O que há para já são algumas teorias sobre a origem: poderá ser o resultado da combinação de gelo (que tipo de gelo?) com nitrogénio sólido.

Hal Weaver, uma das cientistas que trabalha no material enviado pela "New Horizons", aponta para a tese do gelo, acrescentando: "estamos a trabalhar para perceber o que é que aconteceu".

A "New Horizons" enviou também dados que permitem perceber a existência de água na superfície de duas das cinco luas de Plutão, Nix e Hydra.

fonte: TSF

sábado, 10 de outubro de 2015

Há céus azuis e água em Plutão


A água encontra-se no estado sólido e só é visível nalgumas regiões do planeta-anão.

As primeiras imagens da atmosfera de Plutão enviadas pela sonda New Horizons, enviada pela NASA até ao sistema solar exterior, mostram que os céus do planeta-anão são azuis. Informação enviada pela mesma sonda permitiu ainda saber que existe água em estado sólido em Plutão, divulgou a agência espacial norte-americana esta quinta-feira.

"Quem imaginaria que haveria um céu azul na Cintura de Kuiper?", disse Alan Stern, o principal cientista ligado à sonda New Horizons, citado num comunicado da NASA. A fotografia da atmosfera do planeta tirada pela sonda mostra como as partículas do nevoeiro refratam a luz azul.

As partículas em si serão, em princípio, cinzentas ou vermelhas, e de um tamanho um pouco maior do que as partículas mais presentes na atmosfera terrestre, moléculas de azoto. A atmosfera de Plutão será, assim, principalmente constituída por "partículas semelhantes à fuligem a que chamamos tolinas", explicou a cientista Carly Howett. As tolinas formar-se-ão na parte superior da atmosfera, a partir da interação da luz solar com moléculas de azoto e de metano.

A sonda New Horizons descobriu também a existência de água gelada na superfície do planeta-anão. A água gelada só é visível nalgumas regiões do planeta-anão - grande parte da superfície de Plutão não mostra gelo de água exposto. Noutras áreas, a água gelada "estará coberta por outros gelos mais voláteis", explicou o cientista Jason Cook. "Perceber por que é que a água aparece onde aparece, e não noutro lugar, é um desafio que estamos a começar a enfrentar".

A revelação da presença de água em Plutão já começou a ser falada desde a semana passada, quando Alan Stern disse, na apresentação de novas fotografias da lua de Plutão, Caronte: "Este mundo está vivo", e acrescentou, "Todas as semanas fico incrédulo. A NASA não me deixa dizer o que vos vamos contar na quinta-feira. É incrível". Esta quarta-feira, quando o anúncio do dia seguinte começou a ser antecipado, Alan Stern veio desmentir que qualquer coisa fosse passar-se.

Através da conta não-oficial do Twitter, New Horizons 2015, que é usada pelo principal cientista Alan Stern, o rumor foi desmentido. "Não faço ideia como [as minhas declarações] foram mal interpretadas, mas foram", afirmou. Mas afinal, quinta-feira, sem mais nenhuma notícia do que aí vinha, a NASA anunciou a descoberta do céu azul de Plutão e de gelo na superfície do planeta-anão.


sábado, 26 de setembro de 2015

Novas imagens de Plutão deixam NASA perplexa





Parte da superfície do planeta-anão faz lembrar as escamas da pele das cobras.

As novas imagens de alta resolução de Plutão estão a deixar a Agência Espacial Norte-Americana (NASA) perplexa: "São ao mesmo tempo deslumbrantes e desconcertantes, revelando uma enorme quantidade de características topográficas nunca vistas ", diz a equipa da missão New Horizons.

Uma das características surpreendentes é uma topografia que vista através da sonda New Horizons faz lembrar as escamas da pele das cobras.

"É uma paisagem única e desconcertante que se estende por centenas de quilómetros", disse William McKinnon, da equipa da Geologia, Geofísica e Imagem (GGI) da New Horizons. "Parece mais a casca de uma árvore ou as escamas de um dragão do que geologia. Vamos precisar de tempo para perceber isto, talvez se deva a uma combinação de forças tectónicas internas e sublimação do gelo impulsionada pela débil luz do Sol que Plutão recebe."

Mas esta imagem é apenas uma das muitas que a NASA recebeu nos últimos dias, à medida que vai recebendo e explorando a informação enviada pela sonda New Horizons, que em julho passado teve um "encontro imediato" com Plutão, oferecendo à humanidade a melhor visão daquele que já foi o nono planeta do sistema solar, antes de ser "despromovido" a planeta-anão.

Outra imagem de alta resolução mostra o que parecem ser montanhas a emergir ao lado do que se chamou de Sputnik Planum, uma vasta área plana e mais brilhante, que vista de mais perto também tem uma textura difícil de explicar. Talvez sejam dunas de partículas de gelo voláteis, dizem os especialistas da missão, com gelos especialmente suscetíveis a sublimação a formarem este terreno ondulado.

Além das imagens, a NASA está a receber também informação química e conseguiu perceber que o Sputnik Planum é abundante em metano, que é inexistente noutras regiões do planeta. Uma distribuição que também não é simples: há concentrações nas zonas planas e bordas de crateras, mas geralmente nenhum nos centros de crateras ou nas regiões mais escuras. Resta saber se isto acontece porque o metano condensa mais facilmente naquelas regiões ou se é a condensação do metano que torna aquelas regiões mais brilhantes.


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Físicos de Aveiro explicam rotação caótica de luas de Plutão


Fotografia © NASA

As quatro luas mais pequenas de Plutão têm diâmetros inferiores a 50 quilómetros e assemelham-se mais a asteroides do que planetas.

Físicos da Universidade de Aveiro encontraram uma explicação para a "rotação caótica" de quatro das luas de Plutão, descoberta há dois meses por cientistas norte-americanos. A influência da outra lua do planeta-anão, Caronte, que é quase tão grande como Plutão, deixa-as "indecisas", justifica o artigo publicado no último número da revista científica "Astronomy & Astrophysics Letters".

Em junho, uma investigação conduzida pelos cientistas Mark Showalter (Instituto SETI) e Doug Hamilton (Universidade de Maryland), dos Estados Unidos, revelou que a rotação das luas Nix, Hydra, Cérbero e Estige não é constante e varia de forma imprevisível ao longo do tempo, ao contrário do que acontece com as luas até agora descobertas de grande parte dos planetas.

Agora, uma equipa internacional liderada pelo Departamento de Física da Universidade de Aveiro debruçou-se sobre a "estranha rotação" das quatro luas de Plutão e encontrou o motivo aplicando as leis da física.

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As luas Nix e Hydra Fotografia © NASA/JHUAPL/SWRI

Segundo Alexandre Correia, coordenador da investigação, dois fatores distinguem essas pequenas quatro luas de todas as outras, nomeadamente de Caronte, a outra lua de Plutão que tem uma rotação regular. "Devido às quatro luas em causa serem corpos de pequenas dimensões com diâmetros inferiores a 50 quilómetros, elas assemelham-se mais a asteroides em forma de batata do que a corpos esféricos como a Lua da Terra e têm sempre por isso, um eixo mais alongado", explica.

Outro dos fatores que fazem Nix, Hydra, Cérbero e Estige um conjunto único no sistema solar, adianta o especialista em sistemas solares, planetas extrassolares e física planetária, "é que, ao contrário das quatro pequenas luas, a maior lua de Plutão, Caronte, é quase tão grande como Plutão, pelo que, tecnicamente, o sistema Plutão-Caronte deve ser classificado como um sistema binário [sistema com dois corpos de dimensão semelhante que orbitam em torno do centro de massa comum] e não de sistema Planeta-Lua".

"Se Caronte não existisse, as pequenas luas iriam evoluir por efeito de maré até ficarem síncronas com Plutão, como seria de esperar e, se só existisse Caronte, as pequenas luas iriam apontar o eixo maior na direção de Caronte até, igualmente, ficarem síncronas com esse corpo celeste", expõe.

O que se passa, segundo o investigador, é que como existe Plutão e Caronte, "as pequenas luas ficam 'indecisas' e umas vezes tendem a apontar o eixo maior para Plutão, outras vezes para Caronte, dependendo de quem passou mais próximo" e essa alternância tem como consequência uma rotação irregular das pequenas luas, pois elas nunca conseguem chegar a ficar síncronas nem com Plutão nem com Caronte".


NASA mostra foto inédita do pôr-do-Sol em Plutão


Fotografia © NASA/JHUAPL/SwRI

Imagem captada pela sonda New Horizons é um espetáculo visual e uma enorme fonte de conhecimento científico.

Uma nova fotografia captada pela sonda New Horizons, da NASA, e hoje divulgada mostra Plutão numa perspetiva inédita: uma fantástica vista do pôr-do-Sol que revela montanhas de picos gelados, projetando longas sombras, e uma fina atmosfera enevoada.

A foto foi tirada durante a passagem da sonda junto ao planeta-anão, a 14 de julho último. 



Ampliação de uma zona da panorâmica geral Fotografia © NASA/JHUAPL/SwRI

"Esta imagem faz-nos realmente sentir como se lá estivéssemos, em Plutão, mapeando o terreno nós mesmos", afirmou em comunicado Alan Sterns, investigador principal do projeto New Horizons e do Soutwest Research Institute de Boulder, no Estado de Colorado.

"Mas esta imagem é também uma bonança científica, já que revela novos detalhes sobre a atmosfera de Plutão, as suas montanhas, glaciares e planícies", concluiu.



sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Nasa divulga novas (e espetaculares) imagens de Plutão



Imagem mostra a planície gelada que recebeu o nome Sputnik Planum


A noroeste do Sputnik Planum o terreno é bem mais acidentado


As imagens da Nasa mostram a extraordinária diversidade de paisagens geológicas encontradas na superfície de Plutão

A Nasa continua a desvendar os segredos da superfície de Plutão graças às imagens captadas pela sonda New Horizons.

As últimas imagens de Plutão enviadas pela sonda New Horizons revelam "uma variedade de características" que está a espantar os cientistas pela sua complexidade, diz a Agência Espacial Norte-americana (Nasa).

A New Horizons passou por Plutão a 14 de julho, tendo no ponto mais próximo ficado a apenas 12 mil quilómetros da superfície, mas só no sábado começou a enviar para a Terra as dezenas de gygabytes de informação que recolheu. E o processo é lento e vai demorar um ano, uma vez que a velocidade da ligação, por assim dizer, não é a melhor.

"Plutão está a mostrar-nos uma diversidade de formas e complexidade de processos que rivalizam com tudo o que já vimos no sistema solar", disse Alan Stern, da missão New Horizons, citado no site da Nasa. "Se um artista tivesse pintado isto antes da aproximação [da New Horizons], eu provavelmente teria dito que era exagerado."

As novas imagens mostram 400 metros por píxel. Revelam possíveis dunas, fluxos de gelo de nitrogénio que aparentemente deslizam das regiões montanhosas para as planícies e até redes de vales que parecem ter sido escavados pelos movimentos dos materiais.

"Ver dunas em Plutão - se são dunas - seria completamente louco, porque a atmosfera de Plutão atualmente é tão fina", disse William B. McKinnon, da Washington University, St. Louis. "Ou Plutão teve uma atmosfera mais densa no passado, ou há algum processo que não conseguimos perceber."


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Vídeo. Veja a passagem da New Horizons por Plutão como se estivesse dentro da sonda


A NASA criou uma animação a partir das fotografias tiradas pela sonda que explora uma parte ainda desconhecida do sistema solar.

A NASA divulgou um vídeo que reconstrói a passagem da sonda New Horizons por Plutão no dia 14 de julho deste ano, com base em imagens reais captadas pelos sistemas da sonda.


Apesar de ter havido um esforço para tornar a reconstrução o mais fiel possível à realidade, foram feitas algumas alterações para se tornar mais clara. Assim, cada segundo no vídeo equivale a 30 horas reais durante a aproximação e, a partir do momento em que a sonda se começa a aproximar do planeta, a 30 min. As luas Styx, Nix, Kerberos e Hydra foram aumentadas para serem visíveis, e a atmosfera do planeta tem mais brilho.

Segundo Stuart Robbins, cientista do Instituto de Investigação de Boulder, no estado norte-americano do Colorado, e responsável pelo vídeo, o objetivo era reproduzir a experiência em 3D, mantendo todas as características reais, como as cores, a órbita dos satélites, entre outras, e dar a ilusão de que se está dentro da sonda.

A missão New Horizons possibilitou explorar uma parte do sistema solar até então desconhecida.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Plutão está coberto por uma névoa


O "New Horizons" captou imagens que mostram uma névoa de 130 quilómetros por cima da superfície de Plutão, uma de 80 quilómetros e outra de cerca de 50 quilómetros.

A agência espacial norte-americana NASA divulgou esta madrugada novas imagens de Plutão captadas pela sonda "New Horizons" que revelam que o planeta-anão está coberto por uma névoa.

A sonda, que passou perto do desconhecido Plutão na semana passada, numa missão que arrancou há quase uma década, continua a enviar informação para a equipa da NASA.

"As nossas expetativas foram mais que superadas. Com gelo solto, uma substância exótica na sua superfície, cordilheiras e uma ampla névoa, Plutão está a mostrar uma diversidade verdadeiramente emocionante de geologia planetária", disse em comunicado John Grunsfeld, um dos diretores adjuntos da NASA.

O "New Horizons" captou imagens que mostram uma névoa de 130 quilómetros por cima da superfície de Plutão, com duas capas bem diferenciadas, uma de 80 quilómetros e outra de cerca de 50 quilómetros.

"As névoas detetadas nesta imagem são um elemento chave da criação dos complexos compostos de hidrocarbonetos que dão à superfície de Plutão um tom avermelhado", acrescentou Michael Summers, um investigador da sonda "New Horizons" na universidade de George Mason, em Fairfaz (Virginia), citado no comunicado.

Alan Stern, o principal investigador da "New Horizons" em Boulder, Colorado, Estados Unidos, descreveu o ambiente de Plutão como "uma atmosfera extraterrestre" de uma "incrível beleza".

Até agora os cientistas estimavam que as temperaturas em Plutão fossem demasiado quentes para que se formassem neblinas a altitudes superiores a 30 quilómetros acima da superfície do planeta-anão.

"Precisamos de novas ideias para averiguar o que esta a ocorrer", disse Summers.

A missão do "New Horizons" também detetou nas imagens provadas de "gelos exóticos" na superfície de Plutão e assinalou uma atividade geológica recente.


sexta-feira, 17 de julho de 2015

A lua Caronte tem "uma montanha num fosso"


A lua CharonFotografia © NASA-JHUAPL-SwRI

A imagem captada pela sonda "New Horizons" foi revelada esta quinta-feira. É a característica "mais intrigante" da lua de Plutão.

Uma nova imagem de Caronte, a maior lua de Plutão, mostra uma depressão com um pico no meio, uma característica que a Agência Espacial Norte-americana (NASA) chamou de "montanha num fosso".

A imagem captada pela sonda New Horizons e revelada esta quinta-feira - hoje serão divulgadas mais imagens, promete a NASA - mostra uma área de 390 quilómetros, que inclui algumas crateras.

"A característica mais intrigante é uma grande montanha num fosso", disse Jeff Moore, do Ames Research Center da NASA, na Califórnia, que lidera a equipa de geólogos da missão New Horizons.

A imagem foi recolhida a 14 de julho, cerca de hora e meia antes do ponto máximo de aproximação a Plutão, a 79 mil quilómetros.



Plutão é um pequeno planeta ativo e tem picos gelados


Fotografia © NASA/JHU APL/SwRI

NASA divulgou ontem a primeira imagem da superfície de Plutão, onde há montanhas que se elevam a mais de três mil metros.

Eram 20.30 (hora de Lisboa), quando a NASA divulgou, ontem, a primeira imagem das muitas que a sonda New Horizons fez da superfície de Plutão, quando ali passou à distância de 12 550 quilómetros, na terça-feira. A preto e branco, a foto mostra pela primeira vez em 85 anos de observações - Plutão foi descoberto em 1930 - estruturas geológicas perfeitamente nítidas na sua superfície.


"São grandes novidades", congratulou-se o principal investigador da missão, Alan Stern, durante a conferência de imprensa em que esta primeira imagem foi divulgada, juntamente com a primeira leitura sobre os dados.

O que se vê naquela foto, que mostra em detalhe uma pequena zona de Plutão que faz parte da enorme mancha em forma de coração que a New Horizons já tinha identificado durante a aproximação (ver imagem ao lado), são montanhas geladas, que se elevam a 3,5 quilómetros de altitude.

A sua primeira análise, feita ontem também pela equipa, revela que Plutão é um planeta ativo, que aquela zona de rocha gelada é relativamente recente, terá algo como cem milhões de anos, e que o gelo é feito de água e não de hidrogénio ou de metano, como explicou, por seu turno, John Spencer, outro dos investigadores do projeto.

"Neste momento a sonda já está mais de 1,6 milhões de quilómetros para lá de Plutão", adiantou Alan Stern na ocasião, sublinhando que a sonda continua "de boa saúde" e a fazer observações.

"Hoje [ontem] recebemos dados de cinco dos [sete] instrumentos da sondas durante algumas horas", contou o cientista principal, notando que as novidades que eles já permitem verificar mostram que o conjunto de todos os dados "que estão agora armazenados na sonda tem muito para nos ensinar sobre Plutão".

Os cientistas da missão revelaram também que a mancha em forma de coração que a New Horizons deu a conhecer nos últimos dias da sua aproximação "ao pequeno planeta" - os cientistas da NASA, pelos vistos, preferem esta designação à oficial, que o classifica como planeta-anão - também já tem um nome definitivo. Eles decidiram chamar-lhe Tombaugh Regio, em homenagem ao jovem astrónomo norte-americano Clyde W. Tombaugh, que, após um ano de observações sistemáticas no Observatório Astronómico Lowell, no Arizona , descobriu Plutão, em 1930.

Depois da revelação destes primeiros dados, e depois de quase dois dias ininterruptos cheios de expectativa e de muito entusiasmo, a equipa da New Horizons espera ter mais novidades para apresentar amanhã, depois de ter mais dados enviados pela sonda. Como sublinhou Alan Stern, esta foi apenas "a primeira de muitas lições que Plutão tem para nos ensinar".

Rumo ao desconhecido

Após o encontro imediato com Plutão e com a sua maior lua, Caronte, que pela primeira vez foi também olhada de perto, a New Horizons seguiu o seu caminho e só sete horas depois deu sinal de vida. Uma espera que foi quase uma guerra de nervos, mas que acabou em bem, como se sabe.

O tão esperado sinal de rádio, enviado pela nave dos confins do sistema solar, chegou à hora certa, já de madrugada, quase às duas da manhã de ontem, em Lisboa. Quando Alice Bowman, a diretora de operações no centro de controlo de voo, instalado no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, disse as tão esperadas palavras "temos a telemetria, ela está de boa saúde", a expectativa deu lugar a uma vaga de aplausos.

Agora a New Horizons já se encontra muito para lá de Plutão, e está a embrenhar-se cada vez mais na Cintura de Kuiper, na fronteira do sistema solar, onde se albergam muitos mais "pequenos planetas", ou "pequenos corpos gelados", como lhes chamam os cientistas da New Horizons.

Os dados que receberam dela ontem, e que permitiram apresentar pela primeira vez uma imagem de Plutão radicalmente diferente daquelas que estávamos habituados a ver, são apenas o princípio de todo um novo capítulo que começou agora a escrever-se sobre o planeta-anão e as suas cinco luas. Os dados que a sonda tem armazenados depois deste encontro vão levar 16 meses a ser enviados para a Terra. E o que se segue é mais um mergulho no desconhecido.