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domingo, 23 de fevereiro de 2020

Descoberto no Brasil vírus misterioso inofensivo para humanos

O "Yaravírus" numa imagem obtida em laboratório

O "Yaravírus" numa imagem obtida em laboratório © Aix Marseille University and Microscopy Center/UFMG/

A descoberta foi feita na cidade brasileira de Belo Horizonte. Os cientistas só identificaram 10% dos genes do novo vírus, que "não representa riscos" para o ser humano.

Cientistas do Brasil e de França descobriram na cidade brasileira de Belo Horizonte um novo vírus com 90% da sua genética desconhecida, mas que não é prejudicial ao ser humano, explicaram esta quarta-feira fontes académicas.

Denominado "Yaravirus", em homenagem a 'Iara', uma sereia de água doce do folclore indígena brasileiro, que com o seu canto atraiu homens para o fundo dos rios, o misterioso vírus foi encontrado na lagoa da Pampulha, na região central de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais.

A descoberta foi publicada esta semana na revista científica francesa BioRxiv, pelos investigadores Bernard La Scola, da Universidade Aix-Marseille, de França, e Jonatas Abrahao, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Brasil.

Fontes do Laboratório de Vírus do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG indicaram à agência noticiosa Efe que este protozoário [micro-organismo unicelular ou formado por uma colónia de células iguais entre si] "não representa riscos" para o ser humano porque "não infeta nenhum tipo de vertebrado", como é o caso do homem.

Os cientistas identificaram apenas 10% dos seus genes, enquanto os 90% restantes ainda estão sob investigação porque o material genético não corresponde às informações dos bancos de ciência existentes.

O vírus é exclusivo das amebas

Além disso, segundo os investigadores, o vírus é exclusivo das amebas [animais unicelulares das águas salgadas, doces e de terra húmida] que estão em lagoas, rios, tanques e até em piscinas e em sistemas de aquedutos.

Segundo o estudo, o vírus pode ser o primeiro protozoário parasita "Acanthamoeba spp" (não identificada) isolado do grupo dos vírus nucleocitoplasmáticos de grande ADN [sigla de ácido desoxirribonucleico].

Com o recente corte do Governo federal brasileiro para investigações científicas, os responsáveis pela descoberta procuram agora apoio de outras instituições públicas e privadas, inclusive no exterior, para continuarem e identificar 90% dos genes desconhecidos do novo vírus, num contributo para a ciência.


quinta-feira, 6 de junho de 2019

Aranha azul elétrica, besouro aquático e mais 30 novas espécies descobertas na Amazónia

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O zoólogo Andrew Snyder fazia parte de uma expedição que passou o mês de março de 2014 investigando todas as formas de vida encontradas no Parque Nacional Keieteur, região amazônica de Guiana, país vizinho do Brasil. Sua especialidade é répteis e anfíbios, mas por um evento de sorte, foi o responsável pela descoberta de uma nova espécie de aranha.

Descoberta de nova espécie de aranha: como foi?

No blog da Global Wildlife Conservation, ONG que promoveu a pesquisa, Snyder relata que em uma noite decidiu realizar uma caminhada pela floresta, às margens do Rio Potaro, iluminado apenas por uma lanterna. Ao projetar o feixe de luz em direção a uma árvore, observou um brilho multicolorido, mas predominantemente azul, como reflexo de dentro de um buraco no tronco. Sua experiência já indicava que seria uma aranha.



Quando se aproximou, percebeu que estava meio certo: tratava-se, de fato, de uma aranha, embora o reflexo azulado não fosse resultante de seus olhos, mas, sim, de suas patas e pelos. “Eu imediatamente soube que era diferente de qualquer espécie que eu já havia encontrado antes”, pensou naquele momento. Estava certo: era uma tarântula azul jamais vista antes pelo homem.

Após fotografar o aracnídeo, Snyder o catalogou como uma tarântula da família Ischnocolinae. Devido a sua cor brilhante, recebeu o apelido de “aranha azul elétrica” dos pesquisadores. Ela tem a maior parte do corpo no tom negro, mas patas, pinças e abdômen azuis e seu tamanho é pouco maior que uma lata de refrigerante.

Mais de 30 espécies: besouros aquáticos e insetos carnívoros

O relatório final publicado pela Global Wildlife Conservation e parceria com a WWF lista pelo menos 30 novas espécies que possivelmente jamais tenham sido catalogadas pela ciência até então, todas elas típicas da Amazônia da Guiana.

De acordo com o documento, foram descobertas 6 espécies de peixes, 5 tipos de libélulas de comportamento carnívoro e 15 diferentes besouros aquáticos.

A região é uma das mais ricas em biodiversidade de todo o planeta e os pesquisadores acreditam que ainda há muitas formas de vida desconhecidas por lá. O sapo de Groete Creek, que carrega seus ovos nas costas, e a rã dourada de Kaieteur são dois exemplos.



Embora seu território seja pequeno, a Guiana é um país importante para o estudo de novas espécies animais e vegetais devido sua alta biodiversidade e baixa concentração populacional, sobretudo no parque nacional onde ocorreu a expedição - 50% das aves, 40% dos insetos, 43% dos anfíbios e 30% dos mamíferos do país vivem lá.

fonte: Vix

terça-feira, 12 de março de 2019

Há uma bactéria em Yellowstone que “come” poluição e gera energia


A lagoa de Morning Glory, no Parque Nacional de Yellowstone

Uma bactéria incomum, que “come” poluição e é capaz de produzir energia sustentável, foi capturada pela primeira vez durante uma expedição às águas termais do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos.

Uma equipa de cientistas liderada por Abdelrhman Mohamed, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos, descobriu que nas piscinas de água quente do Parque Nacional de Yellowstone, com temperaturas entre 43 e 93 graus Celsius, habita um organismo pouco conhecido.

Durante uma pesquisa de campo, realizada em agosto passado, os cientistas inseriram elétrodos na borda da água destes poços com o objetivo de os analisar 32 dias depois. O resultado do estudo foi publicado recentemente no Journal of Power Sources.

um mês depois, a equipa voltou às fontes termais para recolher os elétrodos submersos e foi surpreendida: encontraram bactérias amantes de calor que “respiram” eletricidadeatravés da superfície de carbono sólido dos elétrodos.

“Foi a primeira vez que este tipo de bactérias foi encontrado num ambiente extremo como uma fonte termal alcalina”, disse Mohamed. Mas estas bactérias não são somente interessantes do ponto de vista académico: podem também ajudar a resolver alguns dos maiores desafios que a humanidade enfrenta atualmente.

De acordo com os cientistas, esta incrível bactéria pode contribuir para resolver problemas como a poluição ambiental ou ajudar no desenvolvimento de energia sustentável. Estes organismos têm a capacidade de converter poluentes tóxicos em substâncias menos nocivas, gerando eletricidade durante o processo.

“Uma vez que estas bactérias passam os seus eletrões para metais ou outras superfícies sólidas, elas conseguem produzir um fluxo de eletricidade que pode ser usado para aplicações de baixa potência”, explicou o cientista Haluk Beyenal.

A maioria dos organismos vivos usa os eletrões numa cadeia complexa de reações químicas para alimentar os seus corpos. No fundo, todo o organismo precisa de uma fonte de eletrões e de um lugar para os “despejar”.

Enquanto que os seres humanos encontram eletrões nos açúcares dos alimentos que comem e e os transmitem para o oxigénio, vários tipos de bactérias descarregam os seus eletrões para metais ou minerais externos.

fonte: ZAP

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Há vida no lago mais profundo alguma vez explorado. Centenas de metros debaixo do gelo


Uma equipa de investigadores conseguiu pela primeira vez filmar e recolher amostras nas águas turvas do lago Mercer.

Chegar ao fundo do lago Mercer, o mais profundo alguma vez explorado na Antártida, "é como aterrar noutro planeta".

Pela primeira vez, depois de dez anos de preparação, uma expedição conseguiu perfurar 1.068 metros de gelo e chegar às águas do Mercer, um lago maior do que a cidade de Barcelona e com 15 metros de profundidade.

"Acreditamos que este lago e todos os organismos que o habitam tenham estado completamente isolados do exterior durante mais de cem mil anos", disse John Priscu, líder da expedição "Acesso Científico aos Lagos Subglaciais da Antártida (Salsa)", citado pelo El País .

Nos primeiros dias deste ano, investigadores retiraram do fundo do lago 60 litros de água. As primeiras análises mostram que em cada mililitro de água doce há cerca de dez mil micróbios, um número menor do que no oceano, mas considerável para um lugar onde não chega qualquer raio de luz.

Falta descobrir como conseguem sobreviver. É possível que em vez de fazerem fotossíntese para extrair energia os micróbios consigam comer os minerais das rochas no fundo do lago. O certo é que o metabolismo destes organismos não é idêntico ao dos encontrados no fundo dos oceanos.

Os cientistas vão analisar as amostras em mais detalhe para tentar descobrir se há mais micróbios ou até animais dentro do Mercer.

Debaixo do gelo antártico há mais de 300 lagos, um mundo mais desconhecido do que a superfície de Marte. São também o mais parecido que podemos encontrar no planeta Terra com os oceanos subglaciais de Marte ou Plutão, locais onde a existência de vida noutros locais do Sistema Solar é mais provável.

fonte: TSF

domingo, 29 de julho de 2018

Cientistas dizem ter ressuscitado vermes congelados com 42 mil anos


Um grupo de cientistas russos conseguiu ressuscitar um par de minhocas congeladas que têm agora entre 30 mil e 42 mil anos de idade. Os investigadores afirmam que isto irá ajudar a compreender a forma como várias espécies são capazes de sobreviver em ambientes extremos.

Está curioso? Venha descobrir mais.

Após tanto tempo ainda vivem… e comem…

Estas minhocas são, obviamente, muito velhas e vêm do período geológico Pleistoceno que começou à 2.6 milhões de anos atrás e terminou há apenas 12 mil anos. Assim, estas pequenas criaturas partilharam o planeta Terra com os primeiros seres humanos.

Uma das minhocas foi descoberta numa amostra de solo recolhida pelos cientistas a cerca de 30 metros de profundidade e o segundo organismo da espécie foi encontrado no meio de um composto de terra, que se mantém permanentemente congelado, a 3 metros da superfície.

Após recolhidos, os vermes foram conservados a uma temperatura de -20 graus Celsius. Posteriormente, após isoladas, as minhocas foram colocadas num ambiente a 20 graus Celsius e foi colocada comida à sua volta. Após algumas semanas de observação começaram a mostrar sinais de vida. Segundo foi reportado pela equipa de cientistas as minhocas começaram a mexer-se e a comer.

Deste modo, os cientistas conseguiram mostrar que organismos pluricelulares conseguem sobreviver grandes períodos de tempo num estado de crioconservação (congelamento) natural.

Proteger dos organismos contemporâneos…

Teoricamente, é possível que, estando protegidos de danos físicos durante o período em que estiveram congelados, os organismos sejam capazes de ultrapassar o descongelamento e viver durante longos períodos de tempo.

No entanto, neste momento, um dos grandes perigos é a potencial contaminação das minhocas com organismos contemporâneos. Os investigadores afirmam que estão a utilizar todos os procedimentos indicados e estão entusiasmados com esta oportunidade que lhes foi dada para perceber como é que os vermes evoluíram até aos nossos dias.

fonte: Pplware

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Um escaravelho chamado Leonardo DiCaprio


Já existe uma traça loura que se chama Donald Trump

Um escaravelho aquático que nunca viu cinema vai ter o nome do ator Leonardo DiCaprio, o mais recente inseto a ser batizado com o nome de uma figura pública, depois da traça batizada de Donald Trump e da mosca que recebeu o nome Arnold Schwarzenegger.

No caso, não é o aspeto do escaravelho que fez lembrar o ator de "Titanic", mas o facto de se encontrar numa zona da Malásia que beneficiou dos esforços da fundação que tem o nome de DiCaprio e que se tornou uma das principais organizações de defesa da vida selvagem.

O pequeno e negro 'Grouvellinus leonardocicaprioi' foi encontrado numa cascata na parte malaia da ilha de Bornéu por uma expedição de "cidadãos-cientistas" à remota bacia de Maliau.

A descoberta e a descrição da nova espécie são detalhados num artigo publicado hoje no boletim especializado ZooKeys.

O 'Grouvellinus leonardocicaprioi' junta-se a uma traça loura batizada com o nome do presidente norte-americano, Donald Trump e a uma mosca de patas longas que ficou com o nome do musculado ator de origem austríaca e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger.


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Descritas cinco novas espécies de pseudo-escorpiões em Portugal

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Pseudo-escorpião da nova espécie Occidenchthonius goncalvesi DR

Bióloga da Universidade de Aveiro já descobriu, ao longo da última década, 49 espécies.

A bióloga Ana Sofia Reboleira, da Universidade de Aveiro (UA), descobriu cinco novas espécies de pseudo-escorpiões em grutas do Algarve, Alentejo, Penela e Leiria. Os novos pseudo-escorpiões foram anunciados ao mundo na edição de Abril da revista Journal of Arachnology, em colaboração com o investigador Juan Zaragoza, da Universidade de Alicante, em Espanha.

Os pseudo-escorpiões pertencem à classe dos aracnídeos e são popularmente conhecidos como falsos-escorpiões porque, apesar de não terem o ferrão e um longo abdómen, são semelhantes aos escorpiões, explica um comunicado da UA. Ao contrário dos escorpiões, que têm o aguilhão no fim do corpo, com o qual inoculam o veneno, os pseudo-escorpiões são desprovidos dessa estrutura e inoculam o seu veneno nas presas com as pinças.

Estas descobertas aumentam para 49 as novas espécies descritas ao longo da última década pela espeleóloga e investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da UA, Ana Sofia Reboleira.

Uma das espécies, descoberta em grutas do maciço calcário do Algarve, foi baptizada Occidenchthonius goncalvesi em homenagem a Fernando Gonçalves, professor do Departamento de Biologia da UA.

“Esta nova espécie, que tem cerca de dois milímetros de comprimento, é um organismo troglóbio, que significa que está adaptado à vida nas grutas, é despigmentado e carece de estruturas oculares, uma vez que vive num ambiente onde a obscuridade é total”, descreve a bióloga, adiantando que se trata de um animal que só vive em grutas do maciço calcário do Algarve.

As restantes quatro espécies de pseudo-escorpiões que Ana Sofia Reboleira deu a conhecer à ciência pela primeira vez são: a Occidenchthonius alandroalensis, descoberta numa gruta no Alandroal, no Alentejo; a Occidenchthonius algharbicus, descoberta numa gruta do Cerro da Cabeça, no Algarve; a Occidenchthonius duecensis, encontrada no sistema espeleológico do Dueça, em Penela; e a Occidenchthonius vachoni, no maciço calcário de Sicó, em Leiria.

“As cinco novas espécies pertencem todas ao mesmo género, portanto são muito similares”, diz a investigadora, explicando que a diferença entre elas encontra-se “ao nível do padrão da distribuição das sedas, que são as estruturas sensitivas do organismo e das estruturas reprodutoras, bem como as proporções relativas das diferentes partes corporais e a presença de estruturas especializadas”.

fonte: Público

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Milpés mais profundo do planeta descoberto na Abecássia por bióloga portuguesa


A bióloga portuguesa Ana Sofia Reboleira descobriu na Abecássia o milpés mais profundo do planeta, uma nova espécie que aumenta para 44 as espécies descobertas pela cientista da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

Com o nome científico de Heterocaucaseuma deprofundum, segundo a bióloga, “uma referência ao facto de ser o milpés que ocorre a maior profundidade”, a nova espécie foi descoberta a mais de mil metros de profundidade, numa expedição ibero-russa do Cavex Team à gruta mais profunda do mundo, localizada na Abecássia, no Cáucaso Ocidental.

Trata-se de um milpés ou millípede, comummente conhecidos como “maria-café”, um animal cavernícola que “vive debaixo de terra e por isso carece de pigmento corporal, tem olhos muito reduzidos, antenas e patas muito longas e alimenta-se de detritos”, explicou hoje Ana Sofia Reboleira à agência Lusa.

A nova espécie, descrita agora na revista Zootaxa, pertence a uma ordem de milpés “que se chama Chordeumatida e é um dos maiores exemplares desta ordem”, revelando uma tendência para o gigantismo “muito pronunciada nos animais cavernícolas, tal como acontece com as faunas das ilhas”, acrescentou a bióloga.

Os exemplares da espécie foram recolhidos nas grutas Krubera-Voronja e Sarma, atualmente a segunda e terceira grutas mais profundas do mundo, pela bióloga, que é também espeleóloga, o que tem contribuído para que tenha descoberta várias novas espécies para a ciência em várias grutas do mundo.

“Ao contrário do que acontece no mar profundo, ou na exploração espacial, a tecnologia não permite que sejam veículos operados remotamente a realizar as colheitas, por isso, a única forma de descobrir estes animais é mesmo ir lá e proceder às recolhas nas profundezas destas cavidades”, sublinhou Sofia Reboleira.

Depois de recolhido, o milpés foi alvo de estudo taxonómico, com recurso à utilização de técnicas microscópicas avançadas, como a microscopia eletrónica de varrimento, que permite uma visão 3D da morfologia externa do organismo.

A descoberta do milpés encontrado “à maior profundidade de sempre”, e que “faz parte da comunidade de invertebrados mais profunda do planeta”, é, para a bióloga, “extraordinariamente interessante para perceber a extensão da distribuição vertical de invertebrados no subsolo”.

O milpés mais profundo de sempre está depositado no Museu de História Natural da Dinamarca, parte da Universidade de Copenhaga onde Ana Sofia Reboleira é professora.

A publicação na revista Zootaxa resulta de um trabalho em colaboração com os investigadores Dragan Antic, da Universidade de Belgrado, e Ilya Turbarov, da Academia Russa das Ciências.

Com esta, aumentam para 44 as novas espécies descobertas pela bióloga que é também responsável pela descoberta de cinco novos géneros para a ciência, muitas delas em território nacional, colocando inclusivamente Portugal na lista dos pontos quentes (“hotspot”) de biodiversidade subterrânea à escala mundial.

fonte: ZAP aeiou

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Cientistas descobrem lagarta capaz de decompor sacos de plástico


Cientistas europeus descobriram uma lagarta que come sacos de plástico, o que poderá significar uma maneira de combater a poluição com plástico, um dos materiais mais difíceis de decompor que se conhece.

Cientistas europeus descobriram uma lagarta que come sacos de plástico, o que poderá significar uma maneira de combater a poluição com plástico, um dos materiais mais difíceis de decompor que se conhece.

A chamada traça da cera, cujas larvas são criadas para usar como isco para a pesca, é um flagelo para as colmeias de abelhas na Europa, e foi por coincidência que uma cientista que também é apicultora descobriu como podem acelerar a degradação do polietileno.

Quando Frederica Bertocchini, do Instituto de Biomedicina e Biotecnologia de Cantábria, em Espanha, limpava as larvas que vivem como parasitas da cera de abelha de uma das suas colmeias, pô-las num saco de plástico e reparou que, pouco tempo depois, apareceram buracos no saco.

A cientista experimentou então juntar cerca de cem lagartas com um saco de plástico comum de um supermercado britânico e verificou que os primeiros buracos apareceram ao fim de 40 minutos.

Após 12 horas, tinham desaparecido 92 miligramas de plástico, um ritmo muito superior ao que os cientistas já experimentaram com bactérias que conseguem consumir apenas 0,13 miligramas por dia.

“Se uma única enzima for responsável por este processo químico, a sua reprodução em grande escala com métodos biotecnológicos deverá ser possível”, afirmou Paolo Bombelli, da Universidade britânica de Cambridge, e o principal autor do estudo divulgado hoje na publicação especializada Current Biology.

O polietileno é usado principalmente em embalagens e representa 40 por cento dos produtos plásticos usados na Europa, onde 38% do plástico acaba em aterros sanitários.

Cerca de um trilião de sacos de plástico é usado todos os anos, representando um fardo enorme para o ambiente, uma vez que o plástico é altamente resistente e mesmo quando começa a decompor-se continua fragmentado e espalhado pelos ecossistemas.

Como as larvas conseguem comer plástico ainda não está completamente estudado, mas os investigadores sugerem que a decomposição da cera das abelhas e dos plásticos pelas larvas envolve um processo químico semelhante.

Frederica Bertocchini salientou que a cera é “um polímero, uma espécie de ‘plástico natural’ com uma estrutura semelhante ao polietileno”.

fonte: Observador

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Um lagarto parecido com um dragão? Descobertas 163 novas espécies no Grande Mekong








Descobertas incluem peixes, répteis ou plantas.

Uma cobra que na cabeça tem as cores do arco-íris ou um lagarto parecido com um dragão estão entre as 163 novas espécies que um grupo de cientistas descobriu na região do Mekong, anunciou esta segunda-feira a organização World Wide Fund for Nature (WWF).

As descobertas, publicadas num relatório, incluem ainda uma osga com a pele levemente azulada no Laos, uma rã com tons de laranja encontrada no Camboja e Vietname e espécies raras de bananas descobertas no Norte da Tailândia que estão em perigo devido ao aumento da desflorestação na zona.

A zona do Grande Mekong, que alberga territórios da China, Birmânia, Laos, Tailândia, Camboja e Vietname, é o lar de algumas das espécies mais em perigo e raras do mundo. O desenvolvimento rápido na região, desde a construção de barragens a minas, e o tráfico ilegal de espécies selvagens estão a ameaçar estes ecossistemas. “Muitos coleccionadores estão dispostos a pagar milhares de dólares ou mais pelas espécies mais raras, únicas e em risco, comprando-as frequentemente em mercados ilegais de espécies selvagens na região”, alertou Jimmy Borah, do WWF, citado pelas agências Reuters e AFP.

Para Jimmy Borah, as recentes descobertas na região também trazem, ainda assim, esperança numa altura em que os níveis de extinção atingem níveis alarmantes: “A região do Grande Mekong continua a lembrar-nos que existem muitas áreas incríveis e por explorar, provocando novas descobertas todos os anos e é crucial que as protejamos antes que desapareçam.”

No total, foram encontrados nove anfíbios, 11 peixes, 14 répteis, 126 plantas e três mamíferos.

fonte: Público

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Investigadores descobrem microalga um milhão de vezes mais pequena que o metro


A microalga tem elevado potencial para a produção de biomassa e bio-óleos e pode ser utilizada ainda no tratamento de efluentes.

João Varela é coordenador do grupo de investigadores do CCMAR, o Centro de Ciências do Mar que descobriu e isolou esta microalga na Ria Formosa através de um processo que utiliza um laser. "O tamanho dela é à volta de 20 micras, é um milhão de vezes mais pequena que o metro, ou seja, não se consegue ver a olho nú", explica.

O investigador considera que ela tem potencialidades enormes para a indústria na produção de biodisel e também na produção de rações para animais.

Uma das empresas que já está a trabalhar com a Universidade do Algarve é a SECIL, na recentemente inaugurada unidade de produção de microalgas, em Pataias." Toda a gente quer trabalhar connosco por causa desta microalga tão excecional" que contém em si muitas gotas de bio-óleo, muito mais do que qualquer outro organismo do género.

Além desta utilidade, a microalga pode também ser usada no tratamento de efluentes das estações de tratamento.

fonte: TSF

domingo, 25 de setembro de 2016

As estranhas criaturas que habitam um vulcão submarino

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Uma expedição científica aventurou-se pelos montes e vulcões submarinos, nunca antes explorados, da costa do Havai. Lá encontraram espécies marinhas nunca antes observadas pela ciência.

Os cientistas do Conservation International (CI) decidiram rumar “por mares nunca dantes navegado” até às montanhas submarinas da costa do Havai, onde foram surpreendidos por novas e estranhas criaturas.

No fundo do mar existe vida. E existem montes e vulcões. Cerca de 10.000, espalhados pelos oceanos, ainda por explorar.

Este mês foram feitas três expedições, por cientistas da CI, a três montanhas submarinas ao longo da Costa do Havai: o monte Cook, o McCall e o Lō’ihi. Os montes Cook e o McCall fazem parte da região Geologist Seamounts, um anel formado por vulcões com cerca de 80 milhões de anos, segundo explicou a CI à revista Live Science.

Os montes submarinos são paisagens escarpadas, milhares de pés abaixo da superfície do mar, feitas de vulcões extintos e outros ainda ativos. Trata-se de ecossistemas complexos, com numerosas comunidades marinhas.

Os cientistas regressaram à superfície com imagens excecionais das criaturas estranhas que ali encontraram, muitas delas novas para a ciência, captadas através de submarinos — Pisces IV e Pisces V — equipados com múltiplas câmaras.

Nas profundezas do oceano, os investigadores descobriram que cada monte submarino tem o seu próprio ecossistema e encontraram diversasespécies de tubarões, enguias, raias, o polvo “dumbo octopus” e espécies raras de corais, incluindo uma variedade colorida à qual chamaram “purple haze” (“roxo neblina”).

Segundo os cientistas do CI, expedições como esta melhoram a compreensão do papel que as montanhas submarinas desempenham na ecologia do oceano, e podem ser úteis a futuras decisões políticas que afetem a conservação destes montes submarinos.





fonte: Observador

sábado, 4 de junho de 2016

As 10 novas espécies mais surpreendentes do ano


O Instituto Internacional para a Exploração de Espécies publica, como todos os anos, seu Top 10 de espécies mais surpreendentes entre as descobertas durante os últimos 12 meses. Os cientistas do centro, vinculado à Universidade Estadual de Nova York (EUA), escolheram estas dez entre as 18.000 espécies descritas no ano passado. Esta libélula do Gabão é uma das 60 novas espécies descobertas no ano passado pelo mesmo grupo de pesquisa na África. Seu nome em latim, ‘Umma gumma’, é uma homenagem ao quarto álbum de estúdio da banda britânica Pink Floyd, ‘Ummagumma’, que também é um termo usado por estudantes da Universidade de Cambridge para se referir ao sexo. 


Este peixe feio de apenas cinco centímetros foi descoberto no Golfo do México em uma expedição para verificar os danos provocados pela catástrofe da plataforma de petróleo Deepwater Horizon. O peixe ‘Lasiognathus dinema’ pertence à ordem dos Lophiiformes, à qual também pertence o tamboril. Destaca-se o apêndice sobre a cabeça, que funciona como isca para engolir suas presas. Ele possui, literalmente, uma vara de pescar. 


Esta é a recriação artística de Laia, uma símia de quatro a cinco quilos que subia nas árvores das densas florestas que cobriam o que hoje é a Catalunha há 11,6 milhões de anos. Seus restos fósseis foram encontrados em um lixão de Els Hostalets de Pierola (Barcelona) por pesquisadores do Instituto Catalão de Paleontologia Miquel Crusafont. O nome científico da nova espécie é ‘Pliobates catalonia’. 


A Ilha de Santa Cruz, no arquipélago de Galápagos (Equador), tem duas populações de tartarugas gigantes. Historicamente, pensava-se que pertenciam à mesma espécie, mas uma nova análise da pesquisadora Gisella Caccone, da Universidade de Yale (EUA), mostrou que os exemplares do lado leste da ilha pertencem a uma nova. A espécie foi batizada de ‘Chelonoidis donfaustoi’ em homenagem a Don Fausto, um guarda florestal que trabalhou na ilha durante 43 anos. Na foto, Don Fausto com uma das tartarugas gigantes. 


O Instituto Internacional para a Exploração de Espécies salienta que esta planta carnívora do Brasil pode ser a primeira espécie vegetal descoberta por fotos postadas na rede social Facebook. A espécie ‘Drosera magnifica’ é considerada ameaçada de extinção, pois se acredita que habite apenas o cume de uma única montanha no sudeste do Brasil, a 1.550 metros de altitude. Mede até 123 centímetros, a mais alta do gênero ‘Drosera’ na América, conhecido como “orvalhada”. 


Setembro de 2015 chegou com uma surpresa: a descoberta, na África, de uma grande cavidade com ossos de uma nova espécie humana. O ‘Homo naledi’, desenterrado na caverna Rising Star, a cerca de 50 quilômetros de Johanesburgo (África do Sul), poderia ser responsável por um dos primeiros rituais funerários conhecidos, de acordo com seus descobridores, liderados por Lee Berger, paleoantropólogo da Universidade de Witwatersrand. Por sua morfologia, a equipe de cientistas coloca o ‘Homo naledi’ na origem do gênero Homo, há cerca de dois milhões de anos. 


Esta criatura anfíbia é um arquiteto. Com apenas nove milímetros de comprimento, constrói abrigos de lama na única caverna do Brasil em que foi encontrado. A nova espécie, batizada de ‘Iuiuniscus iuiuensis’, pertence aos isópodes, uma ordem de crustáceos que vive na água e em terra. 


Este dragão do mar de 24 centímetros e uma marcante cor vermelha é, segundo afirma o Instituto Internacional para a Exploração de Espécies, um lembrete do desconhecimento que o ser humano tem acerca de seu próprio planeta. O peixe, batizado de ‘Phyllopteryx dewysea’, é parente dos cavalos marinhos e foi descoberto na costa ocidental da Austrália. “Se não tínhamos visto um dragão vermelho de quase um pé de comprimento em águas pouco profundas, quanto mais ainda não conhecemos?”, perguntam os cientistas. Na imagem, o esqueleto de um exemplar visto por meio de uma técnica especial. 


Este besouro peruano deve seu nome científico (‘Phytotelmatrichis osopaddington’) ao urso Paddington, um personagem da literatura infantil do Reino Unido. O urso de ficção vem do Peru, de acordo com a história, e aparece em uma estação de trem de Londres com um cartaz que diz: “Por favor, cuide deste urso”. Os cientistas batizaram assim o escaravelho para tentar alertar sobre a situação do urso-de-óculos, uma espécie ameaçada dos Andes. 


Esta espécie desconhecida de árvore florida foi descoberta a poucos metros da estrada principal do Parque Nacional das Montanhas de Cristal, no Gabão. Os cientistas acreditam que tinha passado despercebida pelo pequeno tamanho – apenas seis metros de comprimento e uma copa de 10 metros de diâmetro. 

fonte: El País

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Já conhece o macaco que espirra e o peixe que anda? Mais de 150 espécies descobertas nos Himalaias


O peixe capaz de "andar" em terra foi descoberto na Índia. Fotografia © Henning Strack Hansen/WWF


Macaco que espirra

Impatiens lohitensis, one of 133 new plants discovered.

Impatiens lohitensis

The new species were found in remote areas of the the Eastern Himalaya, which stretches from the northern most parts of India, across Nebal, Bhutan, Myanmar and Tibet (illustrated)

The Himalayan lance-headed pit viper (pictured) has striking red-brown bands. Its scales give it a vagule iridescent look, making it appear more like a piece of jewellery, say the scientists who found it

A small frog found hiding under leaf litter beside a mountain stream in north east India was found to have striking blue eyes. Despite its small size, it produces a distinctive and loud croak

A new species of bird, the spotted wren babbler, Elachura formosa (pictured), was discovered in thick undergrowth in the dense forests of the Eastern Himalayas. The males produce a characteristic high pitched song that is unlike any other bird in Asia

Quando chove, o novo macaco esconde a cabeça entre os joelhos para não espirrar. É apenas uma das dezenas de novas espécies descobertas em cinco anos nos Himalaias.

Mais de 150 novas espécies foram descobertas no Himalaias orientais apenas nos últimos cinco anos, revelou esta semana um relatório da fundação Word Wildlife Fund for Nature (WWF). O relatório descreve espécies como um macaco de nariz empinado que espirra quando chove, um peixe que anda ou um sapo de olhos azuis. Mas a fundação WWF alerta para o risco em que se encontram as espécies descritas.

Desde 2009 que um grupo de cientistas explora os Himalaias no Nepal, no Butão, no sul do Tibete, no norte da Índia e no norte de Myanmar. O novo relatório da WWF dá conta de 133 novas espécies de animais, 26 de peixes e 10 de anfíbios, assim como um novo réptil, um novo pássaro e um novo mamífero.

O mamífero é um macaco conhecido como "Snubby" entre os cientistas, um nome carinhoso que lhe foi dado pelos cientistas que o descobriram. Porque tem um nariz muito pequeno e empinado, Snubby, que vive nas florestas de Myanmar, tem alguns problemas com a chuva - quando chove, a água entra-lhe pelo nariz exposto com muita facilidade, o que o faz espirrar. No relatório é possível ler como estes macacos escondem a cabeça entre os joelhos quando chove.

Também foi descoberto um sapo de vibrantes olhos azuis no norte da Índia, e uma centopeia nepalesa denominada "unicórnio" por ser tão rara no ocidente asiático. Descobriu-se a primeira espécie de peixe endémica do Butão e uma víbora que "no primeiro instante parece mais joalharia cuidadosamente desenhada", lê-se no relatório. Uma das descobertas mais espantosas é a de um peixe que é capaz de "andar" - o peixe, de coloração em tons de azul, respira ar e é capaz de sobreviver fora de água durante vários dias. É mesmo capaz de se deslocar. através de movimentos do corpo, sobre terra húmida para chegar de uma massa de água até outra. Este peixe, o Channa andrao, vive na Índia.

O relatório da WWF alerta, porém, para o perigo em que se encontram os animais e plantas descobertos, devido a inúmeros perigos: desde as alterações climáticas à desflorestação, desde a poluição ao crescimento da população humana. Os riscos para estas espécies recém-descobertas fazem a fundação deixar um aviso: "Se não agirmos agora para proteger estes ecossistemas frágeis, há riquezas naturais incontáveis que poderíamos perder para sempre", disse Heather Sohl, porta-voz da fundação, ao jornal britânico The Guardian.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Cientistas vão despertar o "Frankenvírus" encontrado na Sibéria


Fotografia © PNAS

O vírus gigante tem 30 mil anos. Os cientistas querem certificar-se de que ele não consegue causar doenças. O degelo provocado pelas alterações climáticas pode despertar outros vírus antigos.

Um grupo de cientistas francês anunciou esta semana, num artigo publicado na revista PNAS da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que vai despertar um vírus gigante com mais de 30 mil anos que foi descoberto no gelo da Sibéria. Os cientistas alertaram para o perigo de que o degelo provocado pelas alterações climáticas possa fazer despertar outros vírus antigos que tenham a capacidade de afetar a vida atual no planeta.

Os investigadores que descobriram o Mollivirus sibericum anunciaram que vão certificar-se de que este não representa perigo antes de o despertarem. O vírus gigante, que já foi chamado Frankenvírus devido ao seu tamanho monstruoso, é muito maior do que os vírus normais.

O vírus foi descoberto no gelo da camada de permafrost de uma região deserta da Rússia. No entanto, os cientistas chamam a atenção para o perigo de que as alterações climáticas aqueçam essa região e derretam o gelo que se pensava ser permanente, acordando vírus antigos que possam lá estar há milhares de anos.

O cientista que liderou a investigação, Jean-Michel Claverie, disse temer ainda que o degelo destas zonas as exponha à exploração industrial, visto que são regiões muito cobiçadas pelos seus recursos naturais, protegidas apenas em parte pelo seu gelo permanente, que dura todo o ano.

"Se não tivermos cuidado e industrializarmos estas zonas sem segurança, corremos o risco de um dia despertarmos um vírus como a varíola, que tínhamos erradicado", disse Claverie à agência Agence France Presse.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Descoberto mais um vírus gigante no gelo da Sibéria




Fotografia © Chantal Abergel / Wikimedia Commons

O "Mollivirus sibercum" é o quarto elemento de famílias de vírus gigantes identificados desde 2003.

Uma equipa de cientistas franco-russos anunciou hoje ter encontrado um novo vírus gigante na Sibéria, batizado "Mollivirus sibericum", que tem cerca de 30 mil anos e foi descoberto em terreno de gelo permanente ('permafrost').

Esta descoberta mostra que os vírus gigantes "não são incomuns e são muito diversificados", disse à AFP Jean-Michel Claverie, um dos coordenadores do estudo publicado hoje na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências (PNAS).

Com a revelação do "Mollivirus sibercum", passa para quatro o número de famílias de vírus gigantes identificados desde 2003, incluindo dois já encontrados no 'permafrost', disse Jean-Michel Claverie, professor de medicina na Universidade de Aix-Marseille e diretor do Laboratório do Genoma e Informações Estruturais de Marselha.

Segundo o cientista, esta descoberta deve levantar questões sobre o risco potencial de alguns destes vírus gigantes acordarem um dia, caso se comecem a agitar porões muito profundos do Ártico em busca de minerais valiosos ou petróleo.

Os vírus gigantes, que têm um diâmetro maior do que 0,5 micron (0,5 milésimo de um milímetro) são facilmente visíveis com um microscópio ótico simples, ao contrário dos outros vírus, podendo ser facilmente confundidos com uma bactéria.

Os investigadores 'acordaram' o vírus num laboratório usando amebas (organismo unicelular) como as células hospedeiras com a intenção de verificar se são ou não patogénicos para o homem ou rato.

No ano passado, a equipa tinha conseguido reavivar um outro tipo de vírus gigante mantido na mesma amostra de 'permafrost', chamando-o de "Pithovirus".

O mundo científico, que sempre pensou que os vírus eram necessariamente muitos pequenos e compostos apenas por um punhado de genes, passou a denominar vírus gigantes após uma descoberta em 2003 de um vírus composto por mais de mil genes, com o nome "Mimivírus", da família de "Megavirus chilensis".

A análise do ADN contido na amostra 'permafrost' confirmou a presença de genoma intacto "Mollivirus" embora com uma concentração extremamente baixa.

O aquecimento global tem libertado o gelo nas zonas polares, fornecendo o acesso à Sibéria Oriental e do Norte por rotas marítimas, que antes não existiam.

"Se não tivermos cuidado, corre-se o risco de acordar um vírus como a varíola, considerada erradicada", observou o Jean-Michel Claverie.


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Botânico brasileiro descobre nova planta carnívora através de Facebook


A fotografia tirada por Carlos Rohrbacher foi publicada pelo botânico Paulo Gonella na sua página de Facebook Fotografia © Facebook


Planta carnívora

Paulo Gonella confirmou a existência de uma nova planta carnívora autóctone através de uma fotografia tirada por um amante da natureza e colocada no Facebook, informou hoje a Universidade de São Paulo.

Depois de quase três anos de investigação, desde a sua descoberta em 2012, Gonella publicou este mês os resultados no jornal Phytotaxa.

No artigo, o botânico alerta que a plana está em "perigo, segundo os critérios da Lista Vermelha da União Internacional de Plantas para a Conservação da Natureza".

A nova espécie, que recebeu o nome de Drosera Magnífica, é conhecida popularmente como "orvalinha" e pertence à família Droseraceae.

A Drosera Magnífica recebeu este nome por ser a maior dos espécimes da sua família no continente americano e a terceira no mundo.

A planta caracteriza-se pelas suas folhas estilizadas, com 24 centímetros, que parecem tentáculos e que estão impregnadas de uma substância pegajosa para apanhar os insetos.

A descoberta da planta ocorreu em 2012 quando o brasileiro Reginaldo Vasconcelos fotografou a planta durante um passeio nas montanhas próximas da cidade de Governador Valadares, no estado de Minas Gerais, Brasil.

Depois de colocar a fotografia no Facebook, a imagem chegou ao botânico brasileiro, que entrou em contato com Reginaldo Vasconcelos para lhe mostrar o local onde estava a planta para a estudar.


terça-feira, 16 de junho de 2015

Bactéria que respira urânio pode ajudar a limpar água contaminada


É a primeira vez que se descobre uma bactéria desta classe capaz de respirar urânio. Fotografia © Imagen de Arquivo | Umberto Salvagnin | Via Flickr

"Após as bactérias recém-descobertas interagirem com compostos de urânio na água, o urânio torna-se inerte", explicou o cientista que liderou o estudo.

Cientistas norte-americanos descobriram uma bactéria que é capaz de respirar urânio e torná-lo inerte, ou seja, fazer com que deixe de ser tóxico. Espera-se que a descoberta possa ajudar a desenvolver métodos de limpar água contaminada com urânio.

Uma equipa de cientistas da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos, detetou esta capacidade em bactérias encontradas numa antiga fábrica de enriquecimento de urânio, no estado do Colorado. O urânio ali enriquecido era usado para produzir armas nucleares.

"Após as bactérias recém-descobertas interagirem com compostos de urânio na água, o urânio torna-se inerte", explicou em comunicado o líder da equipa de cientistas, Lee Kerhof.

O artigo científico, publicado em abril na revista científica PLOS One, é o primeiro a mostrar que uma bactéria desta classe, betaproteobacteria, consegue respirar urânio. A bactéria interage com as partículas de urânio através de uma reação química que já era conhecida, aceitando o eletrão livre do urânio num processo conhecido como "redução". Mas há muito que ainda não se sabe acerca do comportamento do urânio reduzido que a bactéria produz.

O essencial, porém, é que as bactérias encontradas na água junto deste antigo local de enriquecimento de urânio fazem com que a substância deixe de estar dissolvida no lençol freático, e, portanto, não contamine a água que é trazida para a superfície, que passa a poder ser bebida.

Esta era um dos principais objetivos do estudo, que foi feito em colaboração com o Departamento de Energia norte-americano, para tentar perceber se os microorganismos podem ajudar a descontaminar as águas em locais como aquele onde as bactérias foram encontradas, no Colorado.

"A biologia é uma forma de resolver este problema de contaminação, especialmente em situações como esta", explicou o cientista Lee Kerkhof, que diz que, embora o problema não seja muito comum, pode afetar grandes quantidades de água.

Não se sabe exatamente como esta bactéria evoluiu para desenvolver a capacidade de tornar o urânio inerte, mas Kerkhof explicou que, como as bactérias têm a capacidade de trocar genes umas com as outras, podem desenvolver resistência por essa via. Esta bactéria "apanhou um elemento genético que agora lhe permite destoxificar o urânio, crescer, na verdade, através do urânio", de acordo com a explicação dada por Kerkhof no comunicado da Universidade de Rutgers.


sábado, 23 de maio de 2015

São seres estranhos ou raros e estão no top 10 das grandes descobertas

O bicho-pau foi descoberto no Vietname e é gigante

O bicho-pau foi descoberto no Vietname e é gigante

Lista destaca dez das cerca de 8 mil espécies descobertas para a ciência no ano passado. As suas peculiaridades colocaram-nas neste ranking que pretende celebrar a natureza e o seu estudo.

São seres estranhos, quase todos surpreendentes, ou raros, e estão na lista do top 10 das espécies 2015 - descobertas no ano passado. Há de tudo, ou quase tudo: um inseto gigante primo do bicho-pau, uma planta que poderia passar por um coral, uma aranha que se desloca como se estivesse a ser empurrada pelo vento ou ainda uma lesma do mar que se assemelha a uma visão etérea, e um dinossauro com penas há muito extinto.

Estão todos entre as dez espécies desta lista elaborada por um grupo de especialistas internacionais e que ontem foi divulgada pelo International Institute of Species Explorations do ESF, College of Environmental Science and Forestry, de Nova Iorque, para celebrar o dia de nascimento, a 23 de maio, de Carolus Linnaeus, que no século XVIII criou a moderna taxonomia - a classificação das espécies.

Apesar da delapidação que as atividades humanas estão a causar na biodiversidade, com a exploração industrial dos recursos e a queima dos combustíveis fósseis, que estão a alterar os habitats naturais e o clima e a deixar a natureza em maus lençóis, todos os anos os cientistas descobrem em média cerca de 18 mil espécies.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Nova espécie de esponja descoberta em mar português


Fotografia © Oceana

Um grupo de cientistas descobriu uma nova espécie de esponja cristal em algumas áreas do Mediterrâneo e Atlântico, como as montanhas submarinas de Gorringe, em águas portuguesas.

O trabalho, desenvolvido por investigadores de França, Canadá e Espanha, aponta para a existência da nova espécie de esponja nos desfiladeiros marinhos da Córsega, em montanhas do Mar de Alborán e no Atlântico, nas elevações submarinas chamadas de Banco Gorringe, localizadas a sudoeste de Portugal, a cerca de 200 quilómetros do Cabo de S. Vicente, em Sagres, no Algarve.

Segundo a Oceana, organização internacional de conservação dos oceanos, que também participou na investigação, "Sympagella delauzei é o nome dado a esta nova espécie de esponja cristal (Hexactinélida), que mede entre 8 e 14 centímetros, incluindo o pedúnculo, e se encontra em profundidades entre 350 e 500 metros".

Publicado na revista Journal of the Marine Biological Association do Reino Unido, o trabalho aponta também a possibilidade da existência da "nova esponja" em outras áreas, como o norte de África ou a Macaronésia, e revê a distribuição no Mediterrâneo de cerca de uma dezena de espécies, incluindo algumas com mais de um metro de altura.

Os cientistas acreditavam que o Mediterrâneo não apresentava as condições adequadas à presença de esponjas cristal, espécies que preferem o frio e, por isso, se encontram habitualmente em águas polares ou a grandes profundidades.

No Mediterrâneo, mesmo em zonas mais profundas, as temperaturas da água apenas baixam para os 13 graus centígrados, no entanto, "como demonstra esta descoberta, este mar guarda mesmo muitos segredos e surpresas", salienta a Oceana.

"Estas descobertas, junto com a revisão de espécies de esponjas cristal do Mediterrâneo, indicam-nos que há que ter em conta este mar no momento de proteger as agregações de esponjas", afirmou o diretor de Investigação da Oceana e coautor do estudo, Ricardo Aguilar, citado na informação.

Outros estudos demonstraram que as esponjas cristal são uma fonte muito importante de silício, um dos nutrientes básicos para os oceanos, acrescenta.

O trabalho foi liderado pela especialista Nicole Boury-Esnault e resultou da colaboração entre investigadores do Instituto Mediterrâneo de Biodiversidade e Ecologia Marinha e Costeira de Marselha (França), da Universidade de Victoria em Columbia Britânica (Canadá) e da Oceana.