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quinta-feira, 30 de maio de 2019

O planeta 'Proibido' foi encontrado no 'Deserto Neptuniano'


Um exoplaneta menor que Neptuno com sua própria atmosfera foi descoberto no deserto de Neptuniano, por uma colaboração internacional de astrónomos, com a Universidade de Warwick assumindo um papel de liderança.

Novas pesquisas, lideradas pelo Dr. Richard West, incluindo o Professor Peter Wheatley, o Dr. Daniel Bayliss e o Dr. James McCormac, do Grupo de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Warwick, identificaram um planeta proibido.

A NGTS está situada no Observatório Paranal do Observatório Europeu do Sul, no coração do Deserto do Atacama, no Chile. É uma colaboração entre as universidades britânicas Warwick, Leicester, Cambridge e Queen's University, em conjunto com o Observatoire de Genève, DLR Berlin e Universidad de Chile.

NGTS-4b, também chamado de "O Planeta Proibido" pelos pesquisadores, é um planeta menor que Neptuno, mas três vezes o tamanho da Terra.

Tem uma massa de 20 massas terrestres e um raio 20% menor que Neptuno, e tem 1000 graus Celsius. Ele orbita em torno da estrela em apenas 1,3 dias - o equivalente da órbita da Terra em torno do sol de um ano.

É o primeiro exoplaneta de seu tipo encontrado no deserto de Neptuno.

O deserto de Neptuno é a região próxima a estrelas onde não há planetas do tamanho de Neptuno. Esta área recebe forte irradiação da estrela, significando que os planetas não retêm sua atmosfera gasosa à medida que evaporam deixando apenas um núcleo rochoso. 

No entanto, a NGTS-4b ainda tem sua atmosfera de gás.

Ao procurar por novos planetas, os astrónomos procuram um mergulho à luz de uma estrela - isto é, o planeta orbitando e bloqueando a luz. Normalmente, apenas quedas de 1% ou mais são captadas por buscas no solo, mas os telescópios NGTS podem registar apenas 0,2%

Pesquisadores acreditam que o planeta pode ter entrado no deserto de Neptuniano recentemente, 1 milhão de anos, ou era muito grande e a atmosfera ainda está evaporando.

Dr. Richard West, do Departamento de Física da Universidade de Warwick, comenta:

"Este planeta deve ser resistente - está bem na zona em que esperávamos que os planetas do tamanho de Neptuno não pudessem sobreviver. É verdadeiramente notável que encontramos um planeta em trânsito através de uma estrela com menos de 0,2% - isso nunca foi feito antes por telescópios terrestres, e foi óptimo encontrar depois de trabalhar neste projecto durante um ano.

"Agora estamos vasculhando dados para ver se podemos ver mais planetas no deserto de Neptuno - talvez o deserto seja mais verde do que se pensava."

fonte: Phys

domingo, 31 de março de 2019

Hubble captou “em direto” o nascimento de uma tempestade gigante em Neptuno


Imagens de tempestades em Neptuno pelo Telescópio Espacial Hubble (esquerda) e pela sonda Voyager 2 (direita)

A Voyager 2 tirou fotografias de duas tempestades gigantes no hemisfério sul de Neptuno, em 1989. Cinco anos depois, as fotografias do Hubble revelaram que tanto a Grande Mancha Escura quanto a Mancha Escura 2, tinham desaparecido.

Em 1989, a sonda Voyager 2 da NASA passou por Neptuno, naquela que foi a primeira vez que uma nave visitou este mundo remoto. A sonda fotografias de duas tempestades gigantes no hemisfério sul de Neptuno. Os cientistas apelidaram as tempestades de “Grande Mancha Escura” e “Mancha Escura 2“.

Apenas cinco anos depois, em 1994, o Telescópio Espacial Hubble da NASA obteve imagens nítidas de Neptuno à distância da Terra de 4,3 mil milhões de quilómetros. Os cientistas estavam ansiosos por observar as tempestades novamente. Em vez disso, as fotografias do Hubble revelaram que tanto a Grande Mancha Escura, do tamanho da Terra, quanto a Mancha Escura 2, tinham desaparecido.

“Foi certamente uma surpresa”, recorda-se Amy Simon, cientista planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.

“Estávamos habituados a olhar para a Grande Mancha Vermelha de Júpiter, que presumivelmente está por lá há quase dois séculos.” Os cientistas planetários imediatamente começaram a construir simulações de computador para entender o misterioso desaparecimento da Grande Mancha Escura.

Agora parte do projeto OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy), Simon e os seus colegas estão a começar a responder a estas perguntas. Graças às imagens captadas pelo Hubble, a equipa não só testemunhou pela primeira vez a formação de uma tempestade, como desenvolveu restrições que determinam a frequência e duração dos sistemas de tempestades.
O nascimento de uma tempestade

Em 2015, a equipa OPAL começou uma missão anual para analisar imagens de Neptuno capturadas pelo Hubble e detetou uma pequena mancha escura no hemisfério sul. Todos os anos, desde então, Simon e colegas observaram o planeta e monitorizaram a tempestade enquanto se dissipava. Em 2018, surgiu uma nova mancha escura, pairando a 23 graus de latitude norte.

“Estávamos tão ocupados a rastrear esta tempestade pequena de 2015, que não estávamos necessariamente à espera de ver outra grande tão cedo,” comenta Simon acerca da tempestade, parecida em tamanho à Grande Mancha Escura. “Foi uma surpresa agradável.”

Além disso, o nascimento da tempestade foi capturado “em direto”. Ao analisarem imagens de Neptuno, pelo Hubble, obtidas de 2015 a 2017, a os cientistas descobriram várias pequenas nuvens brancas formadas na região onde a mancha escura mais recente apareceria mais tarde. Publicaram as suas descobertas na Geophysical Research Letters.

As nuvens de alta altitude são feitas de cristais de metano gelado, que lhes conferem a sua característica aparência branca e brilhante. Pensa-se que estas nuvens companheiras pairavam acima das tempestades, mas a sua presença, anos antes de uma nova tempestade ser avistada, sugere que as manchas escuras podem ter uma origem muito mais profunda na atmosfera do que se pensava anteriormente.

“Da mesma forma que um satélite terrestre observaria a meteorologia da Terra, observamos a meteorologia em Neptuno,” diz Glenn Orton, cientista planetário no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, também do projeto OPAL.

Assim como os furacões são seguidos na Terra, as imagens do Hubble revelaram o caminho sinuoso da mancha escura. Ao longo de um período de quase 20 horas, a tempestade moveu-se para oeste, deslocando-se um pouco mais devagar do que os ventos de alta velocidade de Neptuno.

Mas estas tempestades neptunianas são diferentes dos ciclones que vemos na Terraou em Júpiter, assim como os padrões de vento que as impulsionam. Parecidas aos trilhos que impedem que as bolas de bowling entrem nas calhas, bandas finas de correntes ventosas em Júpiter mantêm a Grande Mancha Vermelha num caminho definido.

Em Neptuno, as correntes de vento operam em bandas muito mais amplas em redor do planeta, permitindo que tempestades como a Grande Mancha Escura vagueiem lentamente pelas latitudes. As tempestades normalmente pairam entre os jatos de ventos equatoriais oeste e as correntes que sopram para leste nas latitudes mais altas antes que os fortes ventos as separem.

São necessárias ainda mais observações. “Queremos ser capazes de estudar como os ventos estão a mudar com o tempo,” diz Simon.

Tempo médio de vida?

Simon também faz parte de uma equipa de cientistas liderados pelo estudante Andrew Hsu, da Universidade da Califórnia em Berkeley, que identificou quanto tempo estas tempestades duram e com que frequência ocorrem.

Eles suspeitam que as novas tempestades surgem em Neptuno a cada quatro a seis anos. Cada tempestade pode durar até seis anos, embora a expetativa de vida de dois anos seja mais provável, de acordo com resultados publicados na The Astronomical Journal.

Foram descobertos um total de seis sistemas de tempestades desde que os cientistas se voltaram para Neptuno. A Voyager 2 identificou duas tempestades em 1989. Desde que o Hubble foi lançado em 1990, viu mais quatro destas tempestades.

Além de analisar os dados recolhidos pelo Hubble e pela Voyager 2, a equipa realizou simulações de computador que mapearam um total de 8000 manchas escuras girando pelo planeta gelado. Quando combinadas com 256 imagens de arquivo, estas simulações revelaram que o Hubble provavelmente teria detetado aproximadamente 70% das tempestades simuladas que ocorreram ao longo de um ano e cerca de 85% a 95% das tempestades com uma vida útil de dois anos.

Ainda pairam perguntas

As condições em Neptuno ainda são em grande parte um mistério. Os cientistas planetários esperam estudar em breve as mudanças na forma do vórtice e a velocidade do ventodas tempestades.

Simon diz que as descobertas em Neptuno terão implicações para aqueles que estudam exoplanetas, na nossa Galáxia, de tamanho idêntico aos gigantes de gelo. “Se estudarmos os exoplanetas e quisermos entender como funcionam, precisamos realmente de entender primeiro os nossos planetas,” acrescenta.

Todos concordam que estes achados recentes estimulam o desejo de seguir com mais detalhe o nosso mais distante gigante planetário. “Quanto mais sabemos, mais nos apercebemos do que não sabemos,” conclui Orton.

fonte: ZAP

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Lua liliputiana descoberta na órbita de Neptuno já tem nome: é a Hipocampo



É tão pequena que passou despercebida durante quase três décadas. Os astrónomos que a descobriram, em 2013, publicam agora o primeiro retrato da pequeníssima lua, que tem apenas 34 km de diâmetro.

Esteve lá sempre, chegou a ser fotografada pela sonda Voyager 2, em 1989, quando ela passou lá perto, a caminho dos confins do sistema solar, e está até em imagens de 2004, captadas pelo telescópio espacial Hubble, mas ninguém deu por ela. Até que a equipa do astrónomo Mark Showalter, do Instituto SETI, nos Estados Unidos, finalmente a viu, usando uma combinação de novas técnicas, em 2013. A descoberta tornou-se então oficial: Neptuno tem 14 luas, e não 13. Agora também já tem nome. Chama-se Hipocampo e a mesma equipa mostra o seu primeiro retrato científico

A Hipocampo, como os astrónomos lhe chamaram, numa alusão ao pequeno ser dos mares que é o cavalo-marinho, é a mais pequena das 14 luas de Neptuno e, sabe-se agora, tem apenas 34 km de diâmetro.

É isso que mostram as medições feitas pelo grupo de Mark Showalter, que hoje publica os novos dados sobre Hipocampo num artigo, na revista Nature.

Ali, os cientistas afirmam também que a liliputiana lua pode ser um pedaço da sua irmã maior Proteus, a lua de Neptuno que fica mais distante do planeta, mas cuja órbita é contígua à de Hipocampo.


"Os nossos dados sugerem que Hipocampo é provavelmente um antigo fragmento de Proteus, o que reforça a hipótese de que o sistema neptuniano foi moldado por inúmeros impactos", escrevem os autores, na Nature.

Para poder estudar Hipocampo, que se desloca a grande velocidade em torno do planeta - esse foi, de resto, um dos motivos por que ela passou despercebida durante quase três décadas -, os cientistas montaram um programa de observações sistemáticas, usando a câmara de alta resolução do telescópio Hubble.

Foi isso que permitiu verificar que Proteus tem uma cratera de grandes dimensões, resultado de um impacto de um cometa no passado distante. Observando essa cratera e a massa dali que terá sido ejetada, em consequência do impacto, os astrónomos calculam que Hipocampo, dada a sua dimensão, poder ser um dos pedaços de Proteus que o cometa lhe arrancou.

Os nossos dados sugerem que Hipocampo é provavelmente um antigo fragmento de Proteus, o que reforça a hipótese de que o sistema neptuniano foi moldado por inúmeros impactos

A distância a que sua órbita se encontra da própria órbita de Proteus, apenas 12 mil quilómetros, reforça essa mesma hipótese, afirmam os cientistas.

"A primeira coisa de que nos apercebemos foi que não estávamos à espera de encontrar uma lua tão pequena logo ao lado da maior lua de Neptuno", conta Mark Showalter, sublinhando que, quando se identificaram a imensa cratera em Proteus, não pensaram que "a história ia ter continuação. Afinal teve. É a Hipocampo e só graças às imagens de alta resolução do Hubble, os cientistas conseguiram juntar os pontos e ter um retrato mais completo do sistema neptuniano.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Novas fotos do Hubble mostram furacão misterioso na atmosfera de Neptuno


O observatório orbital Hubble recebeu novas fotos de Neptuno e Úrano em que se podem ver novas manchas misteriosas na atmosfera do segundo maior gigante gasoso e um furacão enorme no pólo norte do sétimo planeta.

O "traço marcante" de Júpiter é uma grande mancha vermelha — um furacão com um diâmetro de várias centenas de quilómetros e a velocidade de cerca de 430 km/h. Por muito tempo este era considerado um traço único do maior gigante gasoso do Sistema Solar.

No entanto, desde os anos 1980, os cientistas começaram a duvidar desse facto e, em 1994, as imagens do telescópio Hubble mostraram que furacões parecidos podem surgir também em Neptuno.



Há dois anos, o Hubble captou fotos mais detalhadas de Neptuno que confirmaram a existência na sua atmosfera de turbilhões de duração relativamente curta (alguns meses) em comparação com as estruturas seculares de Júpiter. Essa descoberta atraiu a atenção da comunidade científica para o oitavo planeta do Sistema Solar e levou à investigação do fenómeno.

As novas imagens do Hubble obtidas em setembro no âmbito do programa OPAL indicaram para o surgimento de mais uma grande mancha em Neptuno, localizada nas latitudes polares do hemisfério norte do planeta e cercada pelas características nuvens brancas, o que prova mudanças bruscas de temperaturas nos seus arredores e fluxos rápidos de ar.

Segundo os astrónomos da NASA, dentro dessa mancha poderia caber a Terra, já que o diâmetro do furacão se aproxima de 11 mil quilómetros. Os cientistas ainda não sabem como surgem tais estruturas e como se extinguem.

Mais um furacão foi detectado pelo Hubble no pólo norte de Úrano, com um tamanho ainda maior. Os cientistas supõem que ele se formou porque o sétimo planeta do Sistema Solar gira "de lado" e os seus pólos ora estão voltados directamente para o Sol, ora ficam completamente escondidos. Essa característica causa mudanças bruscas de temperaturas, bem como tempestades e nuvens.

fonte: Sputnik News

sábado, 29 de dezembro de 2018

Há um planeta-destruidor no Sistema Solar (e pode ser o misterioso Planeta X)


Uma equipa de cientistas da Universidade de Durham, na Inglaterra, provou que há alguns mil milhões de anos de anos um planeta desconhecido, duas vezes maior que a Terra, colidiu com Urano. Esta colisão espacial pode explicar por que motivo o eixo do sétimo planeta do Sistema Solar ficou “de lado”, ao contrário de todo os outros planetas. 

Neste sentido, este corpo celeste que colidiu com Urano pode ser o nono planeta que os astrónomos têm procurado, tal como relata a Phys.org.

A hipótese sobre a colisão de Urano com um grande planetesimal – um corpo rochoso ou de gelo que se terá formado nos primórdios do Sistema Solar – foi proposta há várias décadas, mas nem toda a comunidade científica aceitou esta teoria. Foi apresentada uma versão diferente, segundo a qual o eixo de rotação de Urano foi “desequilibrado” por um grande satélite que depois desapareceu.

Os resultados das simulações levadas a cabo pela equipa de cientistas mostraram que a colisão e a “remodelação” de Urano – que poderá ter envolvido algumas rochas ou todas que atingiram o planeta – aconteceram num pequeno espaço de tempo, em apenas algumas horas. Entretanto, os astrónomos consideram que uma colisão com vários corpos celestes menores menos provável.

De acordo com os cientistas, o planeta que atingiu em Urano pode ainda estar a pairar no Sistema Solar e estaria muito além da órbita de Plutão, longe demais para que o possamos observar. Esta hipótese explicaria alguma das órbitas do planeta, indo ainda de encontro com a teoria de que existe um planeta ausente, o Planeta X, a orbitar o Sol.

A catástrofe planetária ocorreu há cerca de 3 a 4 mil milhões de anos, possivelmente ainda antes dos satélites de Urano se terem formado. Nessa altura, o gigante de gelo era um protoplaneta com um disco de gás e poeira, do qual surgiram subsequentemente as suas luas. A inclinação do eixo de Urano afetou a inclinação das órbitas de rotação dos satélites e a orientação dos seus próprios eixos.

A colisão levou também à formação de uma camada externa que mantém o calor dentro do planeta (a temperatura da tropopausa do gigante gasoso é de 216 graus Celsius negativos).

Os gigantes de gelo são uma classe de planetas compostos de amónia, metano e sulfeto de hidrogénio na forma de líquidos supercríticos. No Sistema Solar, estes planetas gigantes são representados por Urano e Neptuno. Os compostos de hidrogénio e hélio correspondem a 20% da massa, o que os distingue dos gigantes gasosos como Júpiter e Saturno (nestes a proporção de hidrogénio e hélio representa 80%).

fonte: ZAP

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Um planeta “apanhado” a encolher desvenda mistério dos Neptunos quentes desaparecidos


Há anos que os astrónomos procuram uma explicação para a misteriosa ausência de planetas do tamanho de Neptuno noutros sistemas. Uma equipa de investigadores descobriu agora que um desses planetas está a perder a sua atmosfera a um ritmo frenético, podendo ser a chave deste mistério.

De acordo com um novo artigo, publicado nesta semana na revista Astronomy & Astrophysics, a recém-descoberta fortalece a teoria que defende que estes Neptunos quentes perderam muita da sua atmosfera, tornando-se em planetas menores e muito mais comuns – as chamadas superterras.

Considera-se um Neptuno quente um exoplaneta que está próximo da estrela à volta da qual orbita. Observações recentes revelaram existir mais Neptunos do que se imaginava. A superterra é também um planeta extrassolar, tendo uma massa superior à da Terra, mas menor do que a dos gigantes gasosos do Sistema Solar, como é o caso do Neptuno.

Há alguns anos, os astrónomos da UNIGE descobriram, através do Telescópio Espacial Hubble da NASA, que um Neptuno quente na borda do “deserto”, o GJ 436b, estava a perder hidrogénio da sua atmosfera. Esta perda não é, contudo suficiente para ameaçar a atmosfera do GJ 436b, mas sugere que os Neptunos, ao receberem mais energia da sua estrela, poderiam evoluir de forma mais dramática.

Este mesmo fenómeno acaba agora de ser confirmado pelos mesmos astrónomos, que são também membros do centro de investigação nacional de pesquisas PlanetS.

Também a partir do Hubble, os cientistas conseguiram agora observar um outro Neptuno quente na borda do “deserto”, o GJ 3470b, notando que este planeta está a perder o seu hidrogénio 100 vezes mais rápido do que o GJ 436b. Os dois planetas moram a cerca de 3,7 milhões de quilómetros de sua estrela, um décimo da distância entre Mercúrio e o Sol, mas a estrela que assola o Neptuno GJ 3470b é muito mais jovem e energética.

“Esta é a primeira vez que se observa que um planeta perde a sua atmosfera tão rapidamente ao ponto de poder afetar a sua evolução“, explicou o autor principal do estudo, Vicent Bourrier, investigador do Departamento de Astronomia da Faculdade de Ciências da UNIGE e membro do projeto europeu FOUR ACES.

A equipa de investigação estima ainda que o GJ 3470b tenha já perdido mais de um terço da totalidade da sua massa, indica a publicação. “GJ 3470b está a perder mais massa do que qualquer outro planeta que vimos até agora, daqui a alguns milhares de milhões de anos, pode ter desaparecido metade do planeta”, comentou David Sing, professor emérito da Universidade Johns Hopkins e autor do estudo.

“Até agora não tínhamos a certeza do papel desempenhado pela evaporação das atmosferas na formação do deserto”, disse Bourrier. A descoberta de vários Neptunos quentes à beira do deserto, que vão perdendo a sua atmosfera, sustenta a ideia de que a versão mais quente deste planetas é de curta duração.

Desta forma, os Neptunos quentes teriam encolhido para se tornar mini-Neptuno, ou então teriam completamente erodido completamente, de forma a deixar o seu núcleo sozinho.

“Esta ideia podia também explicar a abundância de super-terras quentes que têm descobertas”, acrescentou o coautor do estudo, David Ehrenreich, professor associado do Departamento de Astronomia da Faculdade de Ciências da UNIGE. Observar a evaporação de dois Neptunos quentes é encorajador, mas a equipa sabe que é necessário conduzir mais estudo para confirmar as suas previsões.

fonte: ZAP

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Surgem novas evidências sobre possível 9º planeta escondido atrás de Neptuno


O motivo para os cientistas ainda não terem conseguido encontrar o nono planeta, apesar das múltiplas evidências, possivelmente será porque ele está escondido atrás de Neptuno.

Um comunicado divulgado pela NASA, em outubro de 2017, diz que o nono planeta pode estar 20 vezes mais longe do Sol do que Neptuno, adicionando que "agora é mais difícil imaginar nosso Sistema Solar sem o 'Planeta Nove' do que com um".

É exactamente essa longa distância e a tecnologia actual que tornam o processo de visualização ainda mais complicado. No entanto, os cientistas acreditam na possibilidade de existir outro planeta e que ele pode ter "10 vezes a massa da Terra", assegura a Foxnews.

"Todas as vezes que tiramos uma foto, existe essa possibilidade de que o Nono Planeta fique na imagem", disse Surhud More, professor associado do Instituto Kavli de Física e Matemática do Universo da Universidade de Tóquio, em entrevista ao Advocator.

Já o artigo publicado no Slashgear relata que pode levar até mil anos até que o novo planeta seja encontrado.

Michael Brown, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, disse achar que o "Planeta Nove" será encontrado com o tempo, mas serão precisos telescópios significativamente mais potentes e com melhor tecnologia de localização de planetas do que os actuais.

"Poderia estar nas bordas geladas exteriores do nosso Sistema Solar, escondendo-se na escuridão", informou Brown.

Na mesma declaração de 2017, o astrofísico planetário Konstantin Batygin, que trabalhou com Brown, disse que há "cinco linhas diferentes de evidências observacionais" que apontam para a existência do planeta.

Os astrónomos chegaram a tal conclusão após terem analisado a trajectória de seis corpos celestes no cinturão de Kuiper, cujas órbitas são estranhamente inclinadas e alongadas em relação às órbitas de outros corpos celestes, e que o 9º planeta poderia ser responsável pela inclinação dos planetas no Sistema Solar.

"Nenhum outro modelo pode explicar a estranheza dessas órbitas de grande inclinação", acrescentou Batygin. "Acontece que o Planeta Nove fornece um caminho natural para a geração deles. Essas coisas foram movidas do plano do Sistema Solar com a ajuda do Planeta Nove e depois espalhadas por Neptuno."

"Se remover essa explicação e imaginar que o Planeta Nove não existe, então você criará mais problemas para resolver", concluiu Batygin.

Porém, a comunidade científica segue sem ter provas suficientes para comprovar 100% a existência deste planeta, de modo que a pesquisa sobre este corpo celeste ainda está activa.

fonte: Sputnik News

terça-feira, 31 de julho de 2018

Estranhos vulcões estão em erupção em todo o Sistema Solar


A sonda Juno, da NASA, detetou recentemente um possível novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter, a Io. Mas esta lua vulcanicamente ativa não está sozinha no Sistema Solar.

A lua Io é famosa pelos seus inúmeros vulcões e pelo facto de estes soltarem lava dezenas de quilómetros acima da superfície. Esta lua de Júpiter está constantemente a reformar a sua superfície através de erupções vulcânicas. O vulcanismo de Io resulta de fortes encontros gravitacionais entre Júpiter e duas das suas grandes luas, Europa e Ganimedes, que “sacodem” as entranhas de Io.

Rosaly Lopes, investigadora do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, na Califórnia, levou a cabo observações desta lua vulcanicamente ativa entre 1996 e 2001, durante a missão espacial Galileo.

“Em Io existem muitos fluxos de lava e muitos lagos. Os lagos de lava são bastante raros na Terra, temos meia dúzia deles. Achamos que ocorreram no passado, em Vénus e Marte. Mas na Io, na verdade, vemos lagos de lava ainda hoje”, disse a cientista. O Kilauea, no Havai, é um desses locais na Terra repletos de lagos de lava, por exemplo.

Agora, os cientistas pediram ajuda de Lopes para identificar o hotspot recém-encontrado de Io (um novo vulcão no pólo sul da lua mais vulgar de Júpiter), gesto que a cientista agradeceu dizendo que novas observações desta lua de Júpiter são bem vindas, dado que a sonda Galileo estava numa órbita equatorial e raramente conseguia observar os pólos.

Pelo contrário, a sonda Juno está numa órbita polar e tem uma visão favorecida dos pólos. Embora haja alguns indícios de que Io possa ter erupções maiores, mas menos frequentes, nos pólos, são precisas mais observações para os cientistas terem a certeza.

Ao contrário do que seria de esperar, Io não está sozinha. Vénus também parece ter fluxos de lava ativos na sua superfície, onde as temperaturas atingem os 425 graus Celsius. Lopes afirmou, contudo, que não está claro se Vénus tem vulcões ativos atualmente, embora várias observações da missão anterior da Europa Venus Expressa tenha sugerido que sim.

Vénus tem cúpulas de vulcões e vulcões com muitos picos, embora não se saiba se estão ativos ou inativos. Este tipo de vulcão é também muito comum na Terra. É um vulcão emforma de cúpula que é formado por erupções de lava viscosa, com apenas uma pequena percentagem de gás.

No entanto, Vénus tem também outros tipos de vulcões e características vulcânicas: cúpulas de panquecas (que se parecem com panquecas), aracnóides (caldeiras que se parecem com aranhas), fluxos de lava e planícies vulcânicas.

Vénus e Marte têm também vulcões de escudo, um tipo de vulcão composto quase inteiramente por fluxos de lava fluída. Este tipo de vulcões são muito vulgares na Terra, em particular no Havai.

Mas Marte leva a taça: além de possuir o vulcão mais alto do Sistema Solar – o Monte Olimpo – tem também vários vulcões monstruosos, e a explicação pode estar na gravidade, que, por ser mais leve, pode fazer com que os vulcões cresçam mais altos do que o que acontece na Terra.

Em Marte, os vulcões parecem estar dormentes, já que não há fluxos de lava recentes visíveis na superfície. Há, no entanto, evidências extensas de vulcanismo no passado: planícies de inundação de basaltos, bem como outros tipos de vulcões que “foram formados por vulcanismo explosivo”, disse Lopes.

Além de Io, Vénus e Marte, também a lua da Terra, Mercúrio e Ceres tiveram vulcanismo de lava no passado, afirmou a cientista, acrescentando que há mundos com possíveisvulcões gelados (criovulcanismo) nos quais o material em erupção é água ou água misturada com nitrogénio ou metano.

Há também evidências de plumas ativas na lua de Júpiter, Europa, e na lua de Saturno, Encelado. A lua de Saturno, Titan, também pode ter características criovulcânicas na superfície, assim como Tritão (a maior lua de Netuno), Plutão e Caronte (a maior lua de Plutão).

fonte: ZAP

sábado, 5 de agosto de 2017

Cientistas descobrem tempestade em Neptuno do tamanho da Terra


Planetólogos norte-americanos encontraram uma tempestade gigante na superfície de Neptuno dentro da qual poderia caber toda a Terra.

"A descoberta de um furacão tão forte e tão grande foi uma grande surpresa para nós. Geralmente, essas regiões do planeta são muito tranquilas e antes só vimos nuvens brilhantes em latitudes elevadas de Neptuno e por isso a descoberta do furacão gigante perto do equador do planeta se tornou muito interessante para nós", explica Ned Molter da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Outro planeta do Sistema Solar, Júpiter, é famoso pela sua chamada Grande Mancha Vermelha − um enorme anticiclone atmosférico que corresponde a uma tempestade de grandes dimensões. Até há pouco tempo, este tipo de tempestade era considerado como uma característica distintiva do maior planeta do Sistema Solar.

Entretanto, em 1994 o telescópio Hubble fotografou tempestades em Neptuno. Uma dessas tempestades recebeu o nome de Grande Mancha Escura, e recentemente os cientistas receberam provas que a mancha continua existindo.

Molter e o seu colega Imke de Pater descobriram por acaso mais uma tempestade enorme na superfície de Neptuno quando testavam os instrumentos do observatório W. M. Keck no Havaí no fim de julho deste ano.

Observando Neptuno, Molter notou na sua superfície manchas luminosas gigantes, o que significa que há tempestades enormes nas regiões tropicais e equatoriais do planeta. Nos dias seguintes, a tempestade se tornou mais forte e maior e as fronteiras dela se expandiram até 9 mil quilómetros, superando em 1,5 vezes o raio da Terra.

Os cientistas ainda desconhecem a natureza desta tempestade. Segundo os astrónomos de Berkeley, debaixo da mancha luminosa há um vórtice que transfere gás denso de dentro de Neptuno para a atmosfera rarefeita do planeta, onde ele se refrigera e transforma em nuvens de metano, enquanto o vórtice mantém as nuvens no seu lugar, não as deixando "escapar" com os ventos poderosos da atmosfera do Neptuno.

Entretanto, os cientistas não podem explicar a existência do vórtice. Segundo Pater, os fluxos de gás em vez de subirem devem baixar, o que devia excluir o surgimento das tempestades. Os cientistas esperam que no futuro eles consigam desvendar o mistério.

fonte: Sputnik News

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Objeto misterioso detetado para lá de Neptuno


Niku é um objeto misterioso detetado agora e que tem um comportamento anormal.

O objeto trans-neptuniano foi apelidado de Niku pelos investigadores e destaca-se por estar num plano quase perpendicular face aos restantes planetas e por ter uma órbita à volta do Sol contrária à que os outros planetas todos registam. Os cientistas supõem que Niku terá sido sujeito a uma outra força qualquer que o colocou nesta trajetória, noticia oEngadget.

Matthew Holman, astrofísico do Harvard-Smithsonian Center, revela que esta descoberta deixa perceber que «há muito mais no sistema solar exterior do que nós supunhamos». Sabe-se agora que o Niku, que mede menos de 200 km de diâmetro, faz parte de um conjunto de objetos semelhantes e que estão todos com a mesma órbita contrária ao habitual e no mesmo ângulo.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Morreu o cientista que descobriu anéis de Neptuno


O astrofísico francês Andre Brahic, um dos cientistas que descobriu os anéis de Neptuno, morreu em Paris aos 73 anos, anunciou hoje o seu editor, Odile Jacob.

Morreu este domingo André Brahic, especialista do sistema solar, lançou em 1984 um programa que levou à descoberta, com o astrónomo norte-americano William Hubbard, dos anéis em volta do planeta gasoso Neptuno.

"Ele tinha um carácter brilhante... extraordinariamente caloroso, profundo e autêntico, um grande professor, também um grande contador de histórias e um escritor", disse Jacob, próximo de Brahic.

O presidente francês, François Hollande enalteceu, num comunicado, André Brahic como sendo uma mente brilhante "que sabia como fazer simples os mistérios do céu".

Brahic nasceu em 1942 em Paris, quando a cidade estava ocupada pelos nazis. Filho de uma família modesta, o cientista e investigador iniciou-se na astrofísica após o final da II Grande Guerra Mundial. Evry Schatzman, tido como o pai da astrofísica em França foi seu professor.

Na década de 1980, Brahic tornou-se especialista na exploração do sistema solar com a ajuda da sonda Voyager, da NASA, e, mais tarde, com a sonda Cassini, que se mantém operacional.

Era também astrofísico da Comissão para a Energia Atómica e Energias Alternativas (CEA) e professor na Universidade de Paris.

O seu interesse por Saturno e pelos seus anéis levou à investigação sobre Neptuno.

O anel mais afastado de Neptuno divide-se em três arcos a que Brahic deu os nomes de Liberdade, Fraternidade e Igualdade.

Em 1990, o asteroide número 3488 foi batizado com o seu nome (Brahic).

O cientista francês escreveu vários livros de divulgação da astrofísica.

fonte: TSF

terça-feira, 16 de julho de 2013

Telescópio Hubble descobre nova lua de Neptuno


O telescópio espacial Hubble permitiu identificar uma nova lua, orbitando em volta de Neputuno, confirmou a Nasa.

Denominada S/2004 N 1, esta é a 14ª lua conhecida que orbita em volta do planeta gigante. Aparentemente, é também a mais pequena das luas do sistema de Neputuno, com apenas 20 quilómetros. Segundo a Nasa, é cerca de 100 milhões de veses mais pequena do que a mais pequena das estremas que conseguimos ver a olho nu.

Ao ver mais de 150 fotografias de Neptuno tiradas pelo Hubble entre 2004 e 2009 o astrónomo norte-americano Mark Showalter descobriu um ponto branco que se movimentava de forma regular e decidiu investigar, foi assim que conseguiu identificar esta nova lua, explicou à BBC.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Descoberta de Neptuno faz 166 anos, pouco mais de 1 ano neptuniano


Retratos do Hubble foram feitos na comemoração do primeiro ano neptuniano de sua descoberta Foto: Nasa/ESA/Hubble Heritage Team (STScI/AURA)/Divulgação

Casos de cientistas brilhantes que são ignorados por suas ideias inovadores são comuns na história. Um desses exemplos é o francês Urbain Joseph Le Verrier. 

Quando se descobriu que o planeta Urano não orbitava da maneira que era previsto pelos cálculos astronómicos, esse matemático propôs que ele sofria a interferência de outro planeta - ele inclusive deu a localização e massa desse corpo desconhecido. 

Os astrónomos franceses ignoraram sua hipótese, mas ele insistiu na ideia e mandou suas predições para Johann Gottfried Galle, no Observatório de Berlim. Galle encontrou Neptuno na primeira noite de observações, com menos de um grau de divergência do previsto por Le Verrier, em 23 de setembro de 1846.

O matemático francês não foi o único a prever a existência do planeta, o astrónomo inglês John Couch Adams também fez os cálculos - de maneira independente, pouco tempo antes -, mas nunca publicou sua hipótese. Dezessete dias depois de Neptuno, Galle descobriu Tritão, sua maior lua.

Curiosamente, Neptuno está tão longe do Sol (4,5 biliões de km) que ele demora cerca de 165 anos terrestres para dar a volta ao redor da estrela - ou seja, somente em 2011 que completamos um ano neptuniano de sua descoberta. De presente, ele ganhou uma série de retratos do Hubble.

Outra curiosidade, é que a órbita irregular do planeta-anão Plutão faz com que ele, de tempos em tempos, entre na órbita de Neptuno e fique mais perto do Sol que este (durante um período de 20 anos a cada 248 anos). Contudo, não há risco dos dois colidirem.

Ao contrário do que muitos pensam, os planetas gigantes gasosos tem um núcleo sólido. O de Neptuno é do tamanho aproximado da Terra. 

Existe muito metano na composição de sua atmosfera (o que o deixa azul) e até mesmo água. Contudo, o azul desse corpo é mais vívido que o de Urano - mas não se sabe qual componente na atmosfera deixa a cor mais viva.

Em 1989, a Voyager 2 registou uma grande mancha escura na atmosfera de Neptuno. Chamada de "Grande Ponto Escuro", a mancha é na verdade uma gigantesca tempestade (grande o suficiente para devorar a Terra) com ventos de 1,2 mil km/h. 

Décadas depois, o Hubble não conseguiu registar o Grande Ponto, mas viu outras duas grandes tempestades ao longo dos anos de seu funcionamento. A Voyager 2 ainda fotografou nuvens que faziam sombra no planeta - o que permitiu calcular as distâncias entre suas camadas.

Neptuno tem pelo menos (sempre pode se descobrir mais) seis anéis e 13 luas. Seu maior satélite, Tritão, orbita no sentido contrário dos demais, o que indica que ele foi capturado pela gravidade do planeta em um passado distante. 

A lua é extremamente fria (-235°C na superfície), mas tem gêiseres que expelem material congelado a até 8 km. Desde as primeiras medições pela Voyager 2, a atmosfera de Tritão está esquentando - mas não se sabe o motivo.

Mas o que aconteceu com Le Verrier? Galle queria dar o nome do francês ao planeta. A União Astronómica Internacional (IAU, na sigla em inglês), contudo, negou e acabou dando o nome do deus romano dos mares. 

Mas ele ganhou diversas honrarias pelo feito, como a medalha Copley, em 1846 - o mais tradicional prémio da Royal Society (a Real Sociedade Britânica), entregue desde 1731. 

Ele ainda assumiu o Observatório de Paris - mas suas medidas duras para restaurar a qualidade da instituição o levaram a ser odiado pelos astrónomos. 

O matemático foi afastado do cargo, mas deu a volta por cima e voltou três anos depois. Ele ainda é um das 72 pessoas que teve seu nome eternizado na torre Eiffel. Le Verrier morreu em 1877.

fonte: Terra

sábado, 16 de julho de 2011

Neptuno. Faz um ano de vida desde que o conhecemos


Neptuno

Como assim um ano?

Cada órbita do planeta em torno do Sol demora 164,79 anos terrestres (ou seja 60 148 dias). Hoje passa, portanto, um ano neptuniano desde que foi observado pela primeira vez, a 24 de Setembro de 1846. Os autores dos cálculos sobre a sua localização, a partir da órbita de Úrano, é que já não estão cá para ver. Sopre uma vela por Urbain Le Verrier, que fez as contas, e por Johann Galle, que o viu pela primeira vez. Há ainda outro cientista na história, John Couch Adams, que anunciou ter chegado aos mesmos resultados e também quis algum mérito pela descoberta.

Porque é que a descoberta de Neptuno foi diferente?

Foi a primeira vez que os cientistas sabiam para onde tinham de olhar para o céu para descobrir um planeta. As observações de Úrano – visto pela primeira vez em 1690 por John Flamsteed e classificado em 1780 – levaram os cientistas oitocentistas a deduzir que a órbita do sétimo planeta a contar do Sol teria de estar a ser perturbada por um vizinho desconhecido. Ontem, na BBC, o astrónomo Alan Chapman resumia assim o feito: “Foi um trabalho matemático tão incrível que faz com que procurar uma agulha num palheiro pareça uma tarefa de dez minutos para uma criança.”

O que é preciso saber?

É o terceiro maior em massa, somando 17 vezes a da Terra. Está a 4,4 mil milhões de quilómetros do planeta azul – o nosso, porque a atmosfera de Neptuno também é azulada à conta de grandes quantidades de metano. O diâmetro é apenas quatro vezes maior do que o da Terra e a superfície não é sólida. Por tudo isto lá se vai a hipótese de vida (pelo menos como a conhecemos.) Tem 13 luas, sendo a maior Tritão. Desde que Plutão perdeu o trono de nono planeta do sistema solar passou a ser o mais distante.

Quem tirou a melhor fotografia?

Os créditos são da Voyager 2. No Verão de 1989 a nave da NASA passou a 4950 quilómetros do planeta, por cima do pólo norte. Descobriu cinco luas e quatro anéis, assim como uma grande mancha escura, que já não era visível quando o telescópio espacial Hubble olhou pela primeira vez para lá em 1995. A Voyager 2 foi a única nave a visitar os dois gigantes gasosos e desde então restam as observações do telescópio espacial, que fotografa o espaço a uma órbita a 589 quilómetros de altitude. Em 2003 mostrou que a Primavera parecia estar a começar no hemisfério Sul. Certamente boa notícia: é que o Inverno durou 40 anos.

fonte: Jornal i

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Nasa divulga fotos inéditas da maior Lua de Neptuno


Para comemorar os 20 anos de actividades da missão Voyager, Nasa divulgou imagens inéditas das planícies vulcânicas de Triton

A Nasa, agência espacial americana, divulgou imagens inéditas da superfície de Triton, maior das 12 luas de Neptuno, para comemorar os 20 anos do lançamento das sondas espaciais Voyager. A missão descobriu que Triton é um dos corpos celestes mais gelados do Sistema Solar, com temperaturas em torno de -235°C, além de abrigar geiseres activos.

Os cientistas detectaram que a grande lua tem baixa densidade e uma superfície lisa com planícies vulcânicas, montes e crateras arredondadas formadas por fluxos de lava gelada. Triton foi o último objecto sólido visitado pela Voyager 2.

Agora, a nave dirige-se para as bordas do Sistema Solar, onde fará novas explorações. As sondas Voyager são os equipamentos feitos pelo homem que alcançaram a maior distância da Terra. A Voyager 1 está a 16,6 biliões de km enquanto a Voyager 2 encontra-se a 13,5 biliões de km - respectivamente cerca de 111 e 90 unidades astronómicas do Sol.

De acordo com a Nasa, ambos os telescópios devem atingir o espaço interestelar dentro de 5 a 8 anos, entre 2014 e 2017.

fonte: terra

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Telescópio Hubble localiza 14 novos objectos além da órbita de Neptuno

Estudo busca desvendar origens do sistema solar; objectos de brilho fraco medem até 10 km de diâmetro

Para além da órbita de Neptuno existem inúmeras rochas geladas conhecidas como objectos transnetunianos (TNOs). Um dos maiores, Plutão, é classificado como um planeta anão. A região também abriga cometas como o famoso Cometa Halley. A maioria dos TNOs é pequena e recebe pouca luz solar, tornando-os fracos e difíceis de detectar.


Maioria dos TNOs é pequena e recebe pouca luz solar

Agora, astrónomos acrescentaram 14 novos objectos ao catálogo, por meio de arquivos de dados do Telescópio Espacial Hubble Space, da Nasa. Esse método promete identificar centenas de outros TNOs. A pesquisa será publicada no Astrophysical Journal.

"Objectos transnetunianos interessam-nos porque são blocos que sobraram da formação do sistema solar", explicou o autor do estudo, Cesar Fuentes, da Northern Arizona University.

Como os TNOs orbitam lentamente o Sol, eles movem-se contra o manto de estrelas, aparecendo como raios de luz em fotografias. A equipa desenvolveu um software para analisar centenas de imagens do Hubble. Depois de candidatos promissores serem sinalizados, as imagens foram avaliadas visualmente para confirmar ou refutar cada descoberta.

A maioria TNOs está localizada perto da eclíptica - a linha no céu que marca o plano do sistema solar (desde que o sistema solar se formou a partir de um disco de material). Portanto, a equipe procurou dentro de 5 graus da eclíptica para aumentar suas chances de sucesso.

Dos 14 objectos encontrados, inclui-se um binário: dois TNOs orbitando como um sistema Plutão-Caronte em miniatura. Todos têm um brilho muito fraco - mais de 100 milhões de vezes menor que o de objectos visíveis a olho nu - e medem de 4km a 10 km de diâmetro.

Ao medir o movimento desses objectos no céu, os astrónomos calculam a órbita e a distância de cada um. Combinando distância e brilho, eles puderam estimar o tamanho dos TNOs.

Ao contrário dos planetas, que tendem a ter órbitas muito planas (conhecidas como inclinação baixa), alguns TNOs têm órbitas muito inclinadas. A equipa analisou a distribuição de tamanho de TNOs com órbitas de baixa inclinação versus alta para ter pistas sobre como os objectos evoluíram ao longo dos últimos 4,5 mil milhões de anos.

Geralmente, os menores objectos transnetunianos são os destroços de TNOs maiores. Ao longo de bilhões de anos, esses objectos chocaram, moendo uns aos outros. Os astrónomos descobriram que a distribuição de tamanho de TNOs com órbitas de baixa inclinação versus alta é a mesma à medida que os objectos ficam mais fracos e menores. Portanto, ambas as populações (de baixa e alta inclinação) têm histórias colisionais semelhantes.

Esse estudo inicial examinou apenas um terço de um grau quadrado do céu, o que significa que há muito mais área a ser pesquisada. Outras centenas de TNOs podem esconder-se nos arquivos do Hubble em latitudes eclípticas mais elevadas. Fuentes e os colegas pretendem continuar a pesquisa.

"Provamos nossa capacidade de detectar e caracterizar TNOs mesmo com os dados destinados a fins completamente diferentes", disse Fuentes.

O Telescópio Espacial Hubble é um projecto de cooperação internacional entre a NASA e a Agência Espacial Europeia. O Centro de Voo Espacial Goddard, da Nasa, administra o telescópio, enquanto o Instituto Científico de Telescópios Espaciais conduz as operações científicas.

fonte: Estadão

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Objecto gelado avistado para lá de Neptuno


Uma equipa de astrónomos anunciou ter avistado, pela primeira vez, um objecto gelado a orbitar para lá de Neptuno

A descoberta foi possível porque o objecto passou na frente de uma estrela durante dez segundos. A equipa liderada pelos EUA aproveitou esta ocasião para estudar o corpo planetário KBO 55636 da cintura de Kuiper, nos confins do sistema solar. 

O autor principal do estudo, James Elliot, professor de Astronomia Planetária do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, disse à BBC que o KBO 55636 foi formado, provavelmente, após uma colisão espacial ocorrida há milhões de anos. Para poder ver o objecto no momento em que passou em frente a uma estrela, a equipa reuniu 42 astrónomos de 18 observatórios na Austrália, África do Sul, México e EUA.