terça-feira, 9 de junho de 2015

Avião com asas capazes de se "regenerarem" pode estar disponível entre cinco a dez anos


Fotografia © REUTERS/Omar Sanadiki

"Estamos a falar de pequenas fissuras, e não de rasgos de um metro", explicou o professor de Química Duncan Wass.

Um avião com asas capazes de se "regenerarem" e repararem danos sofridos durante um voopoderá estar disponível entre cinco a dez anos, segundo investigadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, noticia hoje a BBC.

A equipa de investigação da universidade inspirou-se na forma como o corpo humano cicatriza após um corte, estanca o sangue e criando uma crosta. Para tal, desenvolveram minúsculas microesferas de um "agente de cura" à base de carbono líquido, que são espalhadas na asa do avião. Em caso de necessidade, as esferas libertam o líquido que se espalha e solidifica.

A solidificação ocorre devido ao contacto com uma substância catalisadora, presente no material destas asas inovadoras e em que a temperatura constitui um fator adicional.

"Estamos a falar de pequenas fissuras, e não de rasgos de um metro", disse o professor de Química, Duncan Wass, referindo que as microfissuras podem levar a falhas catastróficas, acrescentando que esta tecnologia poderá ainda ser aplicada a outros produtos feitos com materiais de compósitos de carbono, como quadros de bicicletas e turbinas eólicas.

Os materiais compósitos são cada vez mais utilizados pelas companhias aéreas modernas, aviões militares e turbinas eólicas, por serem bastante rígidos e fortes, mas muito leves", disse, classificando esta inovação como "perfeita" para a indústria aeroespacial.

O problema coloca-se quando estes equipamentos se danificam, por serem difíceis de proteger e de reparar, disse.

"A nossa tecnologia permitirá ainda estender o calendário de manutenção ou talvez até usar menos material sem comprometer a segurança (...) As asas curadas" dos aviões tornar-se-iam tão resistentes como as originais, frisou o investigador, que está a trabalhar com engenheiros aeroespaciais neste projeto.

Duncan Wass explicou ainda que ao longo dos testes os materiais foram literalmente danificados para permitir que se autorregenerassem, para serem novamente quebrados, tendo sido possível obter, nalguns casos, a total recuperação dos materiais testados.