segunda-feira, 15 de junho de 2015

Philae acordou e entrou em contacto com a Terra


Uma imagem da Agência Espacial europeia mostra o robô na superfície do planeta Fotografia © ESA

Após uma aterragem acidentada no cometa Churyumov-Cerasimenko, o robô trabalhou 60 horas e entrou em hibernação. Este domingo disse "Olá Terra! Conseguem ouvir-me?"

O robô Philae, o primeiro a aterrar num cometa - a sonda Rosetta deixou-o em novembro do ano passado na superfície do cometa Churyumov-Cerasimenko - tinha adormecido após uma intensa recolha de dados. Sem luz solar para recarregar a bateria através dos seus painéis solares, o Philae conseguiu recolher e transmitir dados ao longo de dois dias e meio, antes de mergulhar num sono profundo. A hibernação deveria ter terminado em agosto de 2015, ou até antes, dependendo da posição do cometa e da sua aproximação ao sol.

Ao que tudo indica, terminou hoje. Sete meses depois, o Philae acordou e entrou em contacto com a Terra, manifestando a sua disponibilidade para seguir com a missão de análise ao solo do cometa. Uma tarefa inédita, já que é a primeira vez que uma sonda terrestre consegue captar este tipo de informação na superfície de um destes astros.

A primeira parte da missão foi um sucesso, apesar das três aterragens que o robô precisou de fazer, tendo ficado colocado numa área em que a luz solar escasseava. A própria recolha de amostras esteve em dúvida, mas nenhum dos receios dos cientistas foi justificado: apesar de ter adormecido no final de 60 horas de trabalho, o Philae conseguiu perfurar o solo e enviar para a Terra elementos que provam a presença de moléculas orgânicas, do tipo que está na base da vida no nosso Planeta Azul.

Segundo a BBC, com a aproximação do cometa ao sol, o robô tem agora a possibilidade de voltar a carregar baterias e regressar ao trabalho, continuando a analisar as rochas e o gelo que constituem o Churyumov-Cerasimenko

A sonda Rosetta levou cerca de dez anos a conseguir chegar ao cometa para deixar o Philae, que acabou por percorrer quase um quilómetro no ressalto devido ao local da aterragem, que não foi o inicialmente previsto. A sua localização exata no cometa, aliás, mantém-se um mistério, ainda que a Agência Espacial Europeia tenha avançado nos últimos dias que está mais próxima de identificar o sítio onde ficou o Philae com precisão, com a ajuda dos dados recolhidos pela sonda Rosetta.