quinta-feira, 2 de julho de 2015

Rosetta encontrou as "raízes" das cabeleiras dos cometas


Fotografia © ESA/ROSETTA/MPS FOR OSIRIS TEAM MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

Missão europeia detetou buracos de forma cilíndrica, com paredes quase verticais, e que podem chegar a ter duzentos metros de diâmetro e 180 de profundidade.

A nave Rosetta encontrou as "raízes" das cabeleiras dos cometas. Investigadores olharam para as imagens do 67P Churyumov-Gerasimenko captadas pela missão da Agência Espacial Europeia e encontraram uma "paisagem complexa" e os poços que são uma das fontes dos dos jatos de pó que compõem a cabeleira do cometa.

Uma equipa internacional de astrónomos explica, na última edição da revista Nature, que a sonda europeia Rosetta descobriu 18 poços ou buracos no hemisfério norte do cometa que emitem jatos de pó.


Os buracos têm uma forma cilíndrica, com paredes quase verticais, e podem chegar a ter duzentos metros de diâmetro e 180 de profundidade. Alguns estão claramente ativos como mostram as imagens dos poços iluminados pela luz solar.

"É a primeira vez que é estabelecida uma ligação entre a morfologia e a atividade de um cometa. Até agora, tínhamos apenas modelos", diz Jean-Baptiste Vincent, um dos autores do artigo, do Instituto Max Planck na Alemanha. Paul Weissman, da NASA, diz que encontrar estes buracos foi uma "total surpresa".


Vincent acredita que os poços são sinkholes que se formaram pelo colapso do material acumulado na superfície do planeta.

Os cometas são os objetos celestiais mais primitivos do sistema solar, os restos do seu processo de formação. Esse é dos focos do interesse dos cientistas que os estudam. Passam muito tempo longe do Sol, nas suas longas órbitas e quando se aproximam e começam a aquecer o gelo do núcleo é vaporizado - é nessa altura que aparece a cabeleira, composta por vapor e gases libertados pelo cometa.