quinta-feira, 23 de julho de 2015

Dizem que é uma ideia "louca". Boeing quer motor de jato a fusão nuclear e a laser


A patente do motor propulsionado por lasers e explosões nucleares foi entregue a 30 de junho.Fotografia © Patente do Boeing Laser Propulsion System, 30 de junho de 2015





A nova patente da Boeing descreve um motor inovador para aviões capaz de se alimentar a si próprio, cuja energia é obtida usando lasers, explosões nucleares controladas e armazenamento de calor.

O motor, que poderia ser usado em mísseis, naves espaciais e aviões, foi desenhado por Robert Budica, James Herzberg e Frank Chandler para a empresa de aeronáutica. A patente, descrita como "completamente louca" pelo site especializado Ars Technica, foi entregue a 30 de junho e foi agora concedida à Boeing.

O motor imaginado pelos dois engenheiros prevê que lasers de alta potência sejam disparados contra material radioativo, o que faz com que uma pequena explosão nuclear - uma reação de fusão - seja gerada. Os produtos que resultam dessa fusão são expulsos pela parte de trás do motor, impulsionando o veículo para a frente.

Além desse uso da fusão nuclear, o motor tem ainda uma outra funcionalidade. Os neutrões que resultam de uma reação de fusão deslocam-se muito rapidamente, e vão colidir com as paredes da câmara de impulsão do motor, que estará coberta de urânio 238. Esse material reage com os neutrões - numa reação de fissão - que gera muito calor, que por sua vez é usado para girar turbinas, gerar eletricidade, e alimentar os lasers, reiniciando o ciclo. O motor é, assim, capaz de se alimentar a si próprio.

O editor do site especializado em ciência Ars Technica explica que a patente tem vários problemas. Para começar, a colocação de material radiactivo no motor de um avião, o que, tendo em conta que esses aparelhos têm acidentes por vezes, seriam extremamente arriscado. O processo, explica Sebastian Anthony no seu artigo, requereria lasers do tamanho de edifícios, e a técnica de criar impulso através de reações de fusão ainda não está aperfeiçoada ao ponto de poder manter um avião no ar.