domingo, 23 de fevereiro de 2014

A mochila que ia impedir a invasão soviética...



... mas podia provocar a III Guerra Mundial. A partir dos anos 50, a América treinou secretamente soldados de elite com bombas nucleares carregadas às costas

Por Nuno Paixão Louro

Oplano era simples: saltar de pára-quedas sobre a Europa de Leste com uma bomba nuclear às costas, passar despercebido pelo terreno inimigo, chegar ao alvo e deixar o explosivo – que só rebentava ao fim de algumas horas, através de um rudimentar mecanismo de retardador, dando tempo aos militares americanos para fugir da zona de impacto. 

A ideia parece roubada do filme ‘Dr. Estranho Amor’, de 1964 – em que soldados americanos são lançados sobre a Rússia, de avião, agarrados a bombas atómicas, para iniciarem a III Guerra Mundial – mas, na realidade, aconteceu mesmo assim: durante três décadas, militares das forças especiais do exército, da marinha e da força aérea norte-americanas treinaram secretamente para levar a cabo missões que, a concretizarem-se, levariam, inevitavelmente, a uma guerra nuclear entre os EUA e a União Soviética.

Quando o capitão Tom Davis, veterano do Vietname e com grande experiência em missões ao longo da fronteira com o Camboja, foi aliciado para ser voluntário no programa, respondeu sem hesitar: “C’os diabos, porque não?!”, contou à revista ‘Foreign Policy’. Davis sempre gostou de desafios. Anos antes, em vez de terminar o curso de Direito e seguir a tradição familiar, ofereceu-se como voluntário para combater no Vietname na unidade de Operações Especiais, onde cumpriu duas comissões.

Quando regressou aos Estados Unidos, os engenheiros já tinham miniaturizado bombas nucleares que podiam ser transportadas à mão. As chefias militares não escondiam o entusiasmo pelo poder dessas armas e criaram um programa secreto para treinar militares capazes de as usar em missões dramáticas. Para outros, no entanto, essas seriam missões-suicidas.

fonte: Sábado