segunda-feira, 9 de março de 2015

Nova espécie de macaco é descoberta na selva amazónica brasileira


Um grupo de 'C. miltoni'. / Adriano Gambarini


Comparação entre o 'C. miltoni' e outras espécies. / Stephen D. Nash


Dois macacos da espécie 'Callicebus miltoni', recém descoberta. / Adriano Gambarini

Os 'Callicebus miltoni' são ameaçados por grandes obras e desmatamento, afirmam ONGs.

Um grupo de cientistas descobriu uma nova espécie de macaco numa região remota da floresta amazónica, no lado oriental do rio Roosevelt, no Centro-Oeste do Brasil.

Seus exemplares apresentam uma cor cinza característica, com rabo laranja muito brilhante e patas ocres, cores que os diferenciam de outras espécies de seu género, conhecida como titi ou zogue-zogue.

A espécie foi avistada pela primeira vez em dezembro de 2010 pelo pesquisador Julio César Dalponte, do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais, uma organização não governamental brasileira.

Como outros macacos, a nova espécie vive nas árvores, onde se alimenta de frutos e se estrutura em grupos familiares compostos por um casal fiel e suas crias. Os macacos costumam se sentar juntos em ramos, com suas longas caudas penduradas e entrelaçadas.

A descoberta acaba de ser publicada na revista científica brasileira Papéis Avulsos de Zoologia. A espécie, baptizada de Callicebus miltoni em homenagem ao histórico primatólogo brasileiro Milton Thiago de Mello, habita uma pequena região nas terras baixas da selva tropical.

Desde sua descoberta graças a uma expedição promovida pela organização ecológica WWF, foi estudada por cientistas do Programa de Liderança em Conservação, um consórcio das ONG Fauna & Flora International, BirdLife International e a Wildlife Conservation Society.

Como quase todas as novas espécies que são descobertas, os Callicebus miltoni já estão considerados em perigo. Estes animais não sabem nadar nem atravessar terrenos montanhosos, por isso estão confinados em seu território, rodeado de rios e colinas, segundo alertam hoje as ONGs num comunicado. Só 1/4 de seu habitat, 5.000 hectares divididos entre os estados brasileiros do Amazonas e Mato Grosso, está protegido pela legislação ambiental brasileira.

As ONGs denunciam que o desflorestamento na região é alto e que os incêndios também significam uma ameaça. Além disso, os cientistas denunciam o costume de alguns moradores locais de capturar crias de macacos como mascotes, que são vendidos em algumas ocasiões.

As organizações alertam, igualmente, que o Governo brasileiro planeja construir novas estradas e represas hidroeléctricas na região. “A selva está ameaçada como nunca e será necessário trabalhar duro – não só os conservacionistas, mas também o Governo e todos os setores da sociedade – parar assegurar que este ecossistema florestal possa continuar hospedando uma ampla biodiversidade e ajudando a regular o clima de nosso planeta”, declarou Felipe Ennes Silva, um dos cientistas que realizou o acompanhamento da espécie.

fonte: El País