quarta-feira, 7 de junho de 2017

Estudiosos se dedicam mesmo que por hobby


A ufologia é uma paixão para esses pesquisadores, muitos não conseguem viver da renda vinda do estudo de óvnis. Edson Boaventura é bancário, Josef Prado é analista de segurança da informação, Cris D’Paschoal é comerciante, e a única exceção foi o caso de Sérgio Campos que é psicanalista e atende pessoas que dizem ter tido algum tipo de contacto com extraterrestres. Apesar disso, muitos conseguem um certo sucesso na Ufologia, mesmo com um hobby. Prado e Boaventura conseguiram arrecadar um valor 3 vezes maior do que pediam para fazer uma pesquisa(R$ 1.000), o canal de Cris possui mais de 3 milhões de visualizações, por exemplo.

Sérgio Campo é formado em Psicanálise desde 2005 e sempre teve um grande interesse pela Ufologia, influenciado pelas conversas de família e curiosidade. Inicialmente ele era um ufólogo científico, mas em 2010 percebeu que muita gente que alegava ter contacto com ET’s o procurava, pois achavam que seriam mais aceitos por um profissional ufólogo, fugindo do preconceito de outros psiquiatras e psicólogos.

Sem abandonar inteiramente o método científico, Campos começou a estudar esses relatos. “Pode ter maluco? Pode, mas como psicanalista eu trato todos igualmente. Alguns realmente são esquizofrénicos, eles acham que tiveram contacto, mas é só coisa da cabeça. Como não tenho preconceito com relação a isso, os pacientes costumam aceitar bem meu veredito e procuram tratamento”, explica. Essa junção entre o esoterismo e a ciência resultou em um novo termo, a ufologia holística.

Os ufólogos bancam todos os custos das pesquisas que realizam, não tendo nenhum tipo de subsídio de empresas ou órgãos públicos. Geralmente pagam os valores das análises de objetos e obtenção de arquivos. Como foi o caso do ovni que explodiu em Ubatuba, Litoral Norte de São Paulo, nos anos 1.950, que custou cerca de R$ 1.000.


Os ufólogos Edson Boaventura e Josef Prado receberam, anonimamente, três fragmentos que seriam do suposto óvni. O caso havia saído em jornais e em revista na época, teriam de fazer testes laboratoriais para constatar que se tratava do mesmo fragmento noticiado no século passado. O objeto tinha uma alta concentração de magnésio, precisavam descobrir se os fragmentos obtidos tinham a predominância deste material também, uma vez constatado que sim, mais teste surgiram e com valores bem salgados para a dupla dos ufólogos. “Esses testes são caros, uma análise estrutural chega a custar até R$ 6.000 mil, por exemplo”, explica Boaventura.

Vislumbrando a possibilidade arrecadar recursos para o estudo, os ufólogos lançaram a campanha pelo site de financiamento coletivo, Catarse. A dupla contou com o apoio do canal Assombrados para a divulgação. “Arrecadamos um valor 3 vezes acima da meta estabelecida, assim pudemos avançar nos testes sem medo”, comemora Prado.

Já Cris D’Paschoal começou a se interessar por óvnis em 1.988, quando viu um óvni em Santo André e sofreu um lapso de memória por causa disso. Em seu canal no YouTube, “Kroon TV”, possui 17 mil inscritos. Além da internet, o Canal 3 da Net cedeu espaço na programação em abril e desde então ela apresenta o programa “Enigmas”, na TV Grande ABC, na quarta-feira, às 14hs. “Nosso público é bem fiel, temos 3 milhões de acessos, o povo gosta bastante desse assunto, não só científica, mas também teorias da conspiração”, explica Cris. Ela também ressalta que em seus programas são aceitas pessoas de todos os ramos da Ufologia.

Legitimidade

Dentre os documentos disponibilizados pela dupla de ufólogos, Edson Boaventura e Josef Prado, está um papel timbrado da FAB que autorizava um civil a entrar em zonas de investigação sobre óvnis. O documento, assinado pelo então Tenente Coronel Gilberto Zani de Melo, era direcionado a todas as autoridades municipais, estaduais e federais. E dizia: “Informo às autoridades acima citadas que o Edgar de Campos Rosa é elemento credenciado junto ao Cioani (Centro de investigação de objetos aéreos não identificados), para a realização de trabalhos de pesquisa de objetos aéreos não identificados”.


O documento é uma cópia, mas para a surpresa do grupo ela foi autenticada em cartório. O que legitima mais ainda o papel, uma vez que o cartório que realizou a cópia aceitou o documento como legal e oficial. Tornando assim uma das provas indiscutíveis sobre o envolvimento da FAB na investigação de fenômenos ufológicos.

Os militares observavam de perto os ufólogos, principalmente na época do ET de Varginha. O pesquisador Edson Boaventura relata que encontrou informações de um grampo telefônico feito nele quando procurava material no arquivo nacional. “A FAB tinha feito um grampo na minha linha naquela época (1.996), inclusive o telefone que consta no documento é o mesmo da minha casa no Guarujá até hoje”, conta Boaventura.


Após conseguir parceria com o arquivo nacional, o grupo conseguiu disponibilizar ao público os áudios de um ocorrido muito incomum. Em 1.986, caças da Força Aérea Brasileira perseguiram óvins por São José dos Campos, e outras cidades do território brasileiro, episódio que ficou conhecido como a “Noite oficial dos óvnis”. “Através do arquivo nacional conseguimos os áudios, mas eles queriam cobrar pelas cópias. Depois de muitas negociações conseguimos gratuitamente”, explica Boaventura.

No áudio da “Noite oficial dos óvnis'''''''''''''''''''''''''''''''' foram contados, ao todo, 21 objetos não identificados. Durante as perseguições muitos oficiais deram confirmação visual dos objetos, que foram avistados por pilotos, controladores de voo e o Coronel Ozires Silva, ex-presidente da Petrobras e co-fundador da Embraer.

Nos anos 1.950 um disco voador foi visto na praia das Toninhas, em Ubatuba, caindo no mar, o objeto tentou recuperar altitude, sobrecarregando e explodindo. Vários fragmentos foram encontrados na praia e algumas pessoas pegaram esses pedaços, inclusive o Exército que fez alguns testes com os fragmentos na época. Boa parte se perdeu, pois alguns dos testes consumiram toda a amostra disponível.


“O caso do fragmentos de Ubatuba tinha saído na revista Cruzeiro em 1957, um filho de um militar nos enviou o que seriam pedaços desse óvni que explodiu. Fizemos uma análise qualitativa para ver se batia com o mesmo resultado de 1957 e realmente podem ser os mesmos fragmentos”, relata Edson Boaventura.

Agora a equipe segue tentando arrecadar dinheiro para fazer mais testes sérios e confiáveis. “Não é brincadeira, temos laudos da USP (Universidade de São Paulo), isso dá muita credibilidade a nossas pesquisas”, complementa.