sábado, 4 de junho de 2016

Nova espécie de roedor é descoberta em Minas Gerais


Calassomys apicalis, roedor descoberto em Minas Gerais

O tufo de pelos brancos na ponta da cauda foi a primeira pista para que um grupo de pesquisadores identificasse um roedor, nativo do cerrado de Minas Gerais, como um gênero de animal até então desconhecido. 

E a equipe ainda descobriu que ele é o membro mais primitivo de seu grupo, com a maior parte dos "primos" vivendo nos Andes ou na Patagônia. 

Nada mal para uma criatura como o Calassomys apicalis, ou rato-do-rabo-branco, que mede apenas 11 cm (sem contar a cauda, com 15 cm). 

"Quando examinei o esqueleto e particularmente os dentes dele, vi que não conhecia nada parecido entre espécies viventes, só entre fósseis mesmo", disse a zoóloga Gisele Lessa, da Universidade Federal de Viçosa (MG) e uma das responsáveis pela descrição do bicho no "Journal of Mammalogy". 

Quem notou o tufo branco foi Edeltrudes Câmara, da PUC de Minas Gerais, também responsável pelo estudo. E o primeiro autor da pesquisa é Ulyses Pardiñas, do Centro Nacional Patagônico, na Argentina. 

"Eu e Gisele nos conhecemos desde 1995. Ela fez a gentileza de me mostrar esse material estranho e pude trazer parte dele para a Patagônia. No momento, estou descrevendo outra nova espécie brasileira, o que mostra que esses estudos não têm fronteiras", afirma Pardiñas. 

Embora esteja muito longe dos Andes, o C. apicalis mantém o gosto da família pelas montanhas. É encontrado apenas em altitudes superiores a 1.000 metros, no Parque Nacional das Sempre-Vivas, a cerca de 300 km de Belo Horizonte. Seu habitat são os chamados campos rupestres, um ambiente rochoso, de vegetação rala, onde são comuns as espécies endêmicas. 

Segundo Gisele, tudo indica que o bicho vive numa área muito restrita, o que acende um sinal amarelo sobre a conservação da espécie. "Não há perigo no Sempre-Vivas, que está protegido, ainda bem. Mas, em outros lugares com campos rupestres, qualquer afloramento rochoso pode virar brita, e aí complica". 

Pela anatomia primitiva e por estar tão distante de seus parentes, o novo gênero poderá ajudar a entender a evolução dos roedores sul-americanos. 

A ideia básica é que, na Era do Gelo, ambientes frios e de vegetação rala eram mais comuns. Com o fim do período glacial, tais áreas sumiram, deixando espécies isoladas em partes elevadas das regiões tropicais. Resta saber se o grupo foi do Brasil para os Andes, ou vice-versa.


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