sábado, 26 de setembro de 2015

Novas imagens de Plutão deixam NASA perplexa





Parte da superfície do planeta-anão faz lembrar as escamas da pele das cobras.

As novas imagens de alta resolução de Plutão estão a deixar a Agência Espacial Norte-Americana (NASA) perplexa: "São ao mesmo tempo deslumbrantes e desconcertantes, revelando uma enorme quantidade de características topográficas nunca vistas ", diz a equipa da missão New Horizons.

Uma das características surpreendentes é uma topografia que vista através da sonda New Horizons faz lembrar as escamas da pele das cobras.

"É uma paisagem única e desconcertante que se estende por centenas de quilómetros", disse William McKinnon, da equipa da Geologia, Geofísica e Imagem (GGI) da New Horizons. "Parece mais a casca de uma árvore ou as escamas de um dragão do que geologia. Vamos precisar de tempo para perceber isto, talvez se deva a uma combinação de forças tectónicas internas e sublimação do gelo impulsionada pela débil luz do Sol que Plutão recebe."

Mas esta imagem é apenas uma das muitas que a NASA recebeu nos últimos dias, à medida que vai recebendo e explorando a informação enviada pela sonda New Horizons, que em julho passado teve um "encontro imediato" com Plutão, oferecendo à humanidade a melhor visão daquele que já foi o nono planeta do sistema solar, antes de ser "despromovido" a planeta-anão.

Outra imagem de alta resolução mostra o que parecem ser montanhas a emergir ao lado do que se chamou de Sputnik Planum, uma vasta área plana e mais brilhante, que vista de mais perto também tem uma textura difícil de explicar. Talvez sejam dunas de partículas de gelo voláteis, dizem os especialistas da missão, com gelos especialmente suscetíveis a sublimação a formarem este terreno ondulado.

Além das imagens, a NASA está a receber também informação química e conseguiu perceber que o Sputnik Planum é abundante em metano, que é inexistente noutras regiões do planeta. Uma distribuição que também não é simples: há concentrações nas zonas planas e bordas de crateras, mas geralmente nenhum nos centros de crateras ou nas regiões mais escuras. Resta saber se isto acontece porque o metano condensa mais facilmente naquelas regiões ou se é a condensação do metano que torna aquelas regiões mais brilhantes.