sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Físicos de Aveiro explicam rotação caótica de luas de Plutão


Fotografia © NASA

As quatro luas mais pequenas de Plutão têm diâmetros inferiores a 50 quilómetros e assemelham-se mais a asteroides do que planetas.

Físicos da Universidade de Aveiro encontraram uma explicação para a "rotação caótica" de quatro das luas de Plutão, descoberta há dois meses por cientistas norte-americanos. A influência da outra lua do planeta-anão, Caronte, que é quase tão grande como Plutão, deixa-as "indecisas", justifica o artigo publicado no último número da revista científica "Astronomy & Astrophysics Letters".

Em junho, uma investigação conduzida pelos cientistas Mark Showalter (Instituto SETI) e Doug Hamilton (Universidade de Maryland), dos Estados Unidos, revelou que a rotação das luas Nix, Hydra, Cérbero e Estige não é constante e varia de forma imprevisível ao longo do tempo, ao contrário do que acontece com as luas até agora descobertas de grande parte dos planetas.

Agora, uma equipa internacional liderada pelo Departamento de Física da Universidade de Aveiro debruçou-se sobre a "estranha rotação" das quatro luas de Plutão e encontrou o motivo aplicando as leis da física.

.

As luas Nix e Hydra Fotografia © NASA/JHUAPL/SWRI

Segundo Alexandre Correia, coordenador da investigação, dois fatores distinguem essas pequenas quatro luas de todas as outras, nomeadamente de Caronte, a outra lua de Plutão que tem uma rotação regular. "Devido às quatro luas em causa serem corpos de pequenas dimensões com diâmetros inferiores a 50 quilómetros, elas assemelham-se mais a asteroides em forma de batata do que a corpos esféricos como a Lua da Terra e têm sempre por isso, um eixo mais alongado", explica.

Outro dos fatores que fazem Nix, Hydra, Cérbero e Estige um conjunto único no sistema solar, adianta o especialista em sistemas solares, planetas extrassolares e física planetária, "é que, ao contrário das quatro pequenas luas, a maior lua de Plutão, Caronte, é quase tão grande como Plutão, pelo que, tecnicamente, o sistema Plutão-Caronte deve ser classificado como um sistema binário [sistema com dois corpos de dimensão semelhante que orbitam em torno do centro de massa comum] e não de sistema Planeta-Lua".

"Se Caronte não existisse, as pequenas luas iriam evoluir por efeito de maré até ficarem síncronas com Plutão, como seria de esperar e, se só existisse Caronte, as pequenas luas iriam apontar o eixo maior na direção de Caronte até, igualmente, ficarem síncronas com esse corpo celeste", expõe.

O que se passa, segundo o investigador, é que como existe Plutão e Caronte, "as pequenas luas ficam 'indecisas' e umas vezes tendem a apontar o eixo maior para Plutão, outras vezes para Caronte, dependendo de quem passou mais próximo" e essa alternância tem como consequência uma rotação irregular das pequenas luas, pois elas nunca conseguem chegar a ficar síncronas nem com Plutão nem com Caronte".