sábado, 24 de setembro de 2011

Escavações confirmam povoado pré-histórico no morro do castelo de Leiria


Escavações realizadas este ano confirmam a existência de uma ocupação do morro do castelo de Leiria que remonta ao 3.º milénio antes de Cristo, disse a arqueóloga Vânia Carvalho.

Os achados detectaram presença humana no local desde a Idade do Cobre até à Época Contemporânea, com a descoberta de materiais e contextos do Calcolítico, Idade do Bronze e do Ferro, bem como dos períodos romanos, islâmicos e posteriores à reconquista cristã.

As descobertas resultam de intervenções promovidas pela autarquia de Leiria, no quadro do Plano Nacional de Trabalhos Arqueológicos -- Valorização e Requalificação do Castelo de Leiria, que decorrem desde 2009.

No topo do monte foram encontradas "pontas de seta em sílex, taças de cerâmica esférica, campaniforme", o que "confirma a ocupação de um povoado calcolítico no topo do monte", sublinhou à Lusa a arqueóloga da Câmara de Leiria.

"Estamos a falar de um povoado com uma localização incrível, entre os rios Lis e Lena, com controlo absoluto para o maciço calcário estremenho, da Serra d'Aire", com acesso a um rio que era navegável por pequenos barcos até provavelmente a zona da freguesia de Amor", explica Vânia Carvalho.

Ainda na zona mais alta do morro foram descobertos materiais que provam nova ocupação, desta feita da Idade do Ferro que indica a existência de comércio com os Fenícios.

"Trata-se de um povoado de ocupação longa e muito importante nesta zona", que terá beneficiado de uma localização alta, com controlo sobre a paisagem, capaz de gerir rotas de passagens de comunidades", salienta.

Por essa razão, a arqueóloga manifestou-se "mais contente com as novas perguntas que se levantam do que propriamente com os resultados", chamando a atenção para o facto de se estar "a construir um puzzle cada vez maior" a partir destas descobertas, "num morro apetecível e que foi ciclicamente reconstruído".

O morro e o seu castelo foram palco de lutas entre cristãos e muçulmanos. Duas vezes perdido e duas vezes reconquistado, o castelo mandado construir por D. Afonso Henriques no século XII foi reedificado por Sancho I e depois parcialmente destruído durante as invasões francesas.

A Liga dos Amigos do castelo e o arquitecto suíço Ernesto Korrodi foram responsáveis pela sua recuperação, que se iniciou em 1915.

O castelo recebeu as cortes de 1254, no reinado de D. Afonso III, e a vila muralhada teve como mais ilustres habitantes o rei D. Dinis e a Rainha Santa Isabel.

Do castelo há a destacar três espaços: a Torre de Menagem - que alberga um museu -, a Igreja Nossa Senhora da Pena e os Paços da Rainha.


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