Concentração de detritos no Noroeste do Atlântico não aumentou em 22 anos
A concentração de resíduos de plásticos em certas regiões oceânicas, devido às correntes que para aí arrastam os detritos, é um problema ambiental, e a mais famosa de todas essas ilhas de plástico é a do Pacífico, com a dimensão de duas penínsulas ibéricas. Mas a zona do Noroeste do Atlântico, ao largo das Bermudas, sobre a crista média atlântica, também não escapa ao ajuntamento do lixo. Uma expedição que há pouco andou por lá verificou, no entanto, que a quantidade de detritos não aumentou ali nos últimos 22 anos. Uma surpresa, que é relatada na edição de hoje da revista Science, e para a qual não há ainda uma explicação. Apenas algumas hipóteses.
Promovida pela universidade do Havai e duas instituição de investigação oceanográfica dos Estados Unidos, a expedição recolheu ao longo de 34 dias, até 14 de Julho passado, mais de 48 mil fragmentos de plástico em diferentes locais de amostragem.
Comparando estes dados com os dos últimos 22 anos, e fazendo simulações por computador, a equipa coordenada por Kara Lavender Law, da Sea Education Association (SEA), descobriu que a concentração de plásticos na superfície oceânica naquela região não aumentou nas duas últimas décadas, apesar de os resíduos de plástico terem aumentado globalmente no planeta no mesmo período.
Sem uma explicação concreta para este mistério, os autores avançam várias hipóteses. Uma delas é que os fragmentos de plástico se desfazem ao longo do tempo em pedaços ainda mais pequenos, tornando-se assim indetectáveis. Outra é que poderão estar a ser consumidos por diferentes organismos marinhos e outra ainda é que uma parte pode estar a afundar-se. Seja qual for a situação, os cientistas recomendam que cada um destes cenários seja estudado em detalhe, para determinar qual deles (ou todos eles) está a acontecer.
"A nossa descrição da extensão da poluição por plástico nesta zona é cientificamente robusta e pode ser usada para melhores gestão e política de pescas e para informação da opinião pública sobre o problema", adiantou Paul Joyce, director da SEA.
fonte: DN

Sem comentários:
Enviar um comentário