sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Barreira de plástico no Atlântico Norte triplicou desde os anos 70


Estudantes recolheram 64 mil resíduos

Depois das imagens de peixes deformados em garrafões na barreira de plástico do oceano Pacífico, há novas provas de que a poluição está a agravar-se. Um estudo da Associação para a Educação para o Mar (SEA na sigla em inglês) revela uma amostra recorde de 1069 pedaços de plástico num arrastão de 30 minutos no Atlântico Norte, o que aponta para uma concentração de 580 mil por quilómetro quadrado.

Trata-se de uma estimativa com base numa amostra recolhida em 1997, mas parece apontar para uma concentração mais de três vezes superior à maior medição da mancha de plástico no Atlântico, registada nos anos 70: 167 mil resíduos por quilómetro quadrado. O trabalho publicado esta semana na revista "Science" reúne a investigação de 7 mil estudantes inscritos na SEA nos últimos 22 anos. Em mais de 6100 arrastões, com capacidade para perceber a contaminação ao nível do plâncton, recolheram 64 mil pedaços de plástico, 83% na faixa entre os 22 graus e os 28 graus norte, onde se pensa que poderá existir já uma lixeira tão grande como a do Pacífico. "A taxa lenta de biodegradação faz com que estes plásticos se mantenham várias décadas no oceano", escrevem os autores do artigo. A asfixia da fauna marinha ou a ingestão de químicos são as principais preocupações, mas teme-se também o transporte de micróbios ou espécies colonizadoras no lixo, que possam competir com ecossistemas locais.

A SEA alerta ainda para a falta de informação sobre estas lixeiras em alto mar. "É uma preocupação ambiental importante, mas falta uma descrição quantitativa da dimensão do problema", sublinham os autores do artigo. Mesmo no caso da mancha do Pacífico, a mais estudada, sabe-se apenas que o tamanho poderá variar entre os 700 mil quilómetros quadrados e os 15 milhões.

fonte: Jornal i

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