domingo, 15 de fevereiro de 2015

Em busca da baleia desaparecida

Em busca da baleia desaparecida

A ‘baleia solitária’ nunca foi vista e não há sequer certeza de que tenha existido


O produtor e realizador norte-americano Josh Zeman quer fazer um documentário sobre um baleia única no mundo. O cetáceo, conhecido como ‘baleia solitária’ ou ‘baleia 52’, nunca foi visto e não há sequer certeza de que tenha existido, mas a sua história já inspirou álbuns de música, quadros, esculturas ou contos. O som que emite está numa frequência diferente de qualquer outra baleia, o que significa que dificilmente poderia ter resposta de outras.
A história desta baleia até agora, que roça o lendário, é tão ou mais surpreendente do que o projecto do documentário.

Josh Zeman, o realizador, conseguiu desde logo o apoio de um peso-pesado de Hollywood, Adrian Grenier, actor conhecido pela série Entourage, que vai produzir o documentário. O projecto foi divulgado no Kickstarter, de forma a angariar 300 mil dólares para o equipamento e custos com pessoal. Em apenas alguns dias já juntaram acima de 55 mil dólares de mais de 350 financiadores.

A ideia é levar um barco com uma equipa de cientistas para alto-mar no Oceano Pacífico, a 400 milhas da costa da Califórnia, e procurar o som da baleia solitária. Captado o ruído, o passo seguinte é tentar encontrá-la, filmá-la e colocar-lhe um dispositivo de localização.

A história desta baleia até agora, que roça o lendário, é tão ou mais surpreendente do que o projecto do documentário. Tudo começou em 1989, quando um navio americano captou um som estranho na frequência 52 hertz, graças a microfones militares secretos, instalados pelo exército em vários pontos do Pacífico para captar a aproximação de submarinos russos durante a Guerra Fria. Ninguém conseguia explicar a origem do som.

Surge então William Watkins, um oceanógrafo especialista em bioacústica, principalmente sons de baleias. O investigador identificou o som como sendo de uma baleia única no mundo, possivelmente um híbrido entre uma baleia azul e uma baleia comum. Watkins explicou que o seu chamamento, naquela frequência, até poderia ser ouvido por outras baleias, mas não compreendido, fazendo dela ‘a baleia mais solitária do mundo’.

William Watkins dedicou o resto da vida a procurar a baleia 52, com a ajuda dos mesmos microfones militares, criando mapas com os resultados obtidos. Mas até 2004, data da sua morte, nunca encontrou o animal, que também não terá sido ouvido novamente, regressando à solidão total nos últimos dez anos.

fonte: Sol