quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Mensagem da Greenpeace nas Linhas de Nazca provocou danos permanentes

Mensagem da Greenpeace nas Linhas de Nazca provocou danos permanentes

Fotografia © REUTERS/Greenpeace/Handouts


O Governo do Peru divulgou hoje imagens que mostram os danos causados pela entrada da Greenpeace nas Linhas de Nazca, local interdito mesmo a chefes de estado.

Na semana passada, durante a Cimeira do Clima que teve lugar em Lima, no Peru, ativistas da Greenpeace deixaram uma mensagem aos governos no local protegido das Linhas de Nazca, Património Mundial da UNESCO. Agora, o governo do país divulga imagens feitas com um drone que revelam os danos permanentes que a visita da Greenpeace causou ao local.

As Linhas de Nazca são desenhos feitos no deserto de Nazca, no Peru, entre 500 AC e 500 DC. Tratam-se de centenas de imagens, algumas com mais de 200 metros de largura, criadas através da remoção de pedras escuras da areia branca que se encontra por baixo, sendo que a secura e falta de vento do deserto de Nazca as conservou ao longo dos séculos.

As imagens são, porém, bastante frágeis, e a entrada nos locais onde estas se encontram é interdita, a não ser que se use um equipamento especial para os pés, visto que as pegadas podem danificar as imagens.

A Greenpeace ignorou as proibições e entrou no local, para deixar uma mensagem aos governos presentes na Cimeira do Clima: "Hora da Mudança: O Futuro é Renovável" podia ler-se nas letras amarelas que os ativistas deixaram junto à imagem que representa um beija-flor.

Nas imagens divulgadas hoje pelo Governo do Peru, feitas por um drone, é possível ver as marcas deixadas no local pelos ativistas, que pisaram o solo frágil. "Quando se pisa esse solo, quebra-se a patina e expõe-se a superfície que está por baixo", explica o ministro da Cultura peruano, Luis Jaime Castillo, ao canal americano PBS. "Quando tempo demora para a natureza voltar a criar uma patina? Centenas de anos? Milhares de anos? Não sabemos".

O Governo do Peru considerou a intrusão no local protegido como "uma afronta a tudo o que os peruanos consideram sagrado", conforme disse Luis Jaime Castillo ao Guardian. O Governo afirmou estar disposto a intentar um processo contra a Greenpeace pelas pegadas e marcas deixadas.

A Greenpeace já lamentou a ação no seu site, num comunicado em que a diretora executiva da organização, Annie Leonard, condena a decisão de entrar nas Linhas de Nazca. "É uma vergonha que toda a Greenpeace tem agora que carregar", assumiu Leonard.