quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Afinal a culpa da peste negra não foi das ratazanas


Um exemplar de gerbilo Fotografia © Jean-Jacques Boujot | Flickr

Uma investigação de cientistas noruegueses e suíços sugere que a peste tenha vindo da Ásia Central, transportada por outros roedores: os gerbilos gigantes.

Um estudo da autoria de cientistas noruegueses e suíços sugere que as ratazanas, normalmente consideradas responsáveis pela disseminação da peste negra pela Europa no século XIV, estarão inocentes de provocar a epidemia. Os cientistas da Universidade de Oslo e de um instituto de investigação suíço mostraram num estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, que os responsáveis poderão ser outros roedores: os gerbilos.

"Se nós estivermos certos, teremos que reescrever essa parte da História", diz à BBC Nils Christian Stenseth, da Universidade de Oslo, um dos cientistas responsáveis pelo estudo.

Durante muito tempo, pensou-se que as ratazanas transportavam a peste negra, ou peste bubónica, que era transmitida para as pessoas através de pulgas. A epidemia começou em 1347, e ao longo de 400 anos foram acontecendo novos surtos da doença periodicamente, estimando-se que tenha morto 60 milhões de pessoas.

No entanto, os cientistas analisaram as condições climatéricas durante os anos relevantes e concluíram que estas não eram favoráveis à proliferação de ratazanas, mas sim à de gerbilos gigantes, uma espécie asiática de roedor que também pode transportar peste.

Através da análise dos anéis de árvores europeias e asiáticas, comparado com os anos de surtos de peste negra, os cientistas concluíram que o tempo não estaria favorável ao crescimento da população de ratazanas, que precisam de verões quentes e não muito secos para se reproduzirem em grandes números.

"Nós mostramos que quando havia boas condições para gerbilos e pulgas na Ásia central, alguns anos depois a bactéria surge em cidades portuárias da Europa e depois espalha-se pelo continente", conta Stenseth, que acrescenta que a teoria faz sentido porque se trata de uma altura em que havia muito comércio entre o Oriente o Ocidente.

Agora, a equipa de investigadores planeia analisar o ADN de bactérias da peste negra que vão retirar de esqueletos da época encontrados na Europa para tentar corroborar a ideia de que a peste viria da Ásia Central em diferentes vagas.