domingo, 26 de janeiro de 2014

Cientistas descobriram um local onde o som nunca mais morre (ou quase)


Antiga conduta do complexo subterrâneo de Inchindown, onde era armazenado combustível naval durante a Segunda Guerra Mundial CORTESIA UNIVERSIDADE DE SALFORD

Numa antiga rede subterrânea de reservatórios de combustível na Escócia, o eco do disparo de uma pistola perdurou durante quase dois minutos.

Um especialista britânico de acústica acaba de pulverizar o recorde de duração de um eco numa estrutura de fabrico humano, anunciou a Universidade de Salford (Reino Unido) em comunicado.

O anterior recorde, registado no Guinness de 1970, foram os 15 segundos que o som demora a dissipar-se quando as portas de bronze maciço do Mausoléu de Hamilton, um monumento situado na Escócia, são fechadas com força.

Mas agora, Trevor Cox, da Universidade de Salford, visitou uma rede subterrânea de reservatórios de combustível que data de finais do anos 1930: o complexo de Inchindown, perto de Invergordon, também na Escócia. E descobriu a extraordinária acústica das estruturas que o compõem: ali, o som do disparo de uma bala demora 112 segundos a calar-se.

Construído em secreto pelas autoridades britânicas durante a Segunda Guerra Mundial, Inchindown foi utilizado para proteger dos bombardeamentos nazis as reservas de combustível necessárias ao abastecimento dos navios militares. Hoje em dia devoluto, pode no entanto, desde 2009, ser visitado pelo público.

Para realizar a experiência, Cox teve de penetrar num dos tanques através de uma conduta com menos de meio metro de diâmetro, guiado por Allan Kilpatrick, arqueólogo da Comissão Real dos Monumentos Antigos e Históricos da Escócia.

O tanque em que os dois homens entraram tem uma capacidade de 25,5 milhões de litros, paredes com 45 centímetros de espessura, um comprimento equivalente ao de dois campos de futebol, nove metros de largura e 13,5 metros de altura.

Uma vez posicionados estrategicamente dentro do tanque, um deles (Kilpatrick) disparou as falsas balas (munições de alarme) enquanto o outro (Cox) registava com microfones a “resposta” do gigantesco espaço aos estrondos. Trata-se de uma técnica habitual, explica ainda o comunicado, para avaliar a acústica das salas de concerto.

A primeira reacção de Cox ao eco interminável foi de incredulidade. “Nunca tinha ouvido uma tal catadupa de ecos e reverberações”, disse o cientista citado pela BBC News.

Segundo noticiou pelo seu lado o The Independent, o Guinness já certificou os novos resultados. “A reverberação é central à música clássica”, diz ainda Cox, citado por este diário britânico. “Seria interessante escrever uma peça de música para estas instalações.”

fonte: Público