sábado, 5 de agosto de 2017

Uma viagem de quatro horas para mostrar o que os romanos deixaram

Sergio Azenha

Com o ponto de partida em Conímbriga, a Liga dos Amigos do museu apresenta circuito para divulgar património da região.

Está a nascer um circuito para ligar o que resta do Império Romano entre Coimbra e Leiria. O Circuito da Romanização, apresentado neste sábado e promovido pela Liga dos Amigos de Conímbriga (LAC), percorre quatro pontos espalhados pelos concelhos de Condeixa-a-Nova, Penela e Ansião para mostrar o potencial da região e atrair novos visitantes.

Ao PÚBLICO, o presidente da liga, António Queirós, explica que o circuito que leva cerca de quatro horas a completar tem em Conímbriga, município de Condeixa, a primeira etapa. Daquele que é um dos maiores conjuntos arqueológicos no país, vai-se até Alcabideque, no mesmo concelho, onde ainda se pode encontrar uma torre e uma barragem a partir da qual “os romanos faziam a captação de água que abastecia a cidade de Conímbriga”.

Segue-se a vila romana do Rabaçal, já no município de Penela. António Queirós refere que, no oppidum de Conímbriga (que corresponde à actual figura de concelho), há vestígios de cerca de três dezenas de vilas romanas, sendo que a do Rabaçal, actualmente musealizada e com um centro de interpretação, é uma delas.

O trajecto que se faz a bordo de um mini-autocarro termina em Santiago da Guarda, já em Ansião, distrito de Leiria. O dirigente da LAC fala aqui de “um complexo monumental”, em que há uma vila romana “perfeitamente preservada” com o seu conjunto de mosaicos. O que de fora parece apenas uma torre medieval e uma residência senhorial esconde uma antiga villa romana. Uma parte do solar dos Condes do Castelo, descreve António Queirós, tem o chão em vidro, o que permite observar os vestígios dos séculos IV e V.

O responsável explica que o público-alvo do circuito não é o turista comum, apesar de este também ser bem-vindo. O trajecto quer atrair agentes turísticos, bem como agentes educativos (desde profissionais da hotelaria a professores) que possam depois trazer um maior número de pessoas aos monumentos da região. No fundo, fazer com que estes “agentes” fiquem também a conhecer outras possibilidades de percurso complementares e que espalhem a mensagem sobre a oferta patrimonial e natural.

O Circuito da Romanização pode ser percorrido no primeiro e no terceiro fim de semana de cada mês, com quatro saídas por dia, duas de manhã e duas de tarde. Cada bilhete tem um custo de 10€ e dá acesso aos quatro monumentos. Valor que, refere António Queirós, é simbólico, pois paga apenas a despesa que a liga tem com a organização.

O responsável explica também que, para já, o projecto conta com quatro parceiros: o Museu Monográfico de Conímbriga (que passará a ter o estatuto de nacional, mas só depois de 2018) e as três autarquias onde estão localizados os quatro monumentos.

A fase seguinte passa por estender o percurso a Coimbra e a Tomar, cidades em que também ainda há vestígios romanos e que, tal como os restantes pontos do Circuito da Romanização, faziam parte da via do império, que ligava Olisipo a Bracara Augusta.

Conímbriga vale 7,8 milhões

Um estudo sobre o impacto económico de Conímbriga a cargo da LAC mostra que os 100 mil visitantes que se deslocaram ao complexo museológico em 2016 deixaram 7,8 milhões de euros em Portugal. O trabalho baseia-se numa amostra de 1000 visitantes. António Queirós afirma que “o impacto de Conímbriga não se mede pelo valor das entradas, nem pelo restaurante, nem pela sua loja”. É mais vasto que isso. Os 7,8 milhões fazem as contas a tua a cadeia de valor. Incluindo viagens, comércio, hotelaria e restauração. O responsável sustenta ainda que o montante investido pelo Estado português (que ronda os 400 mil euros, cita) é amplamente compensado.

Ainda assim, os resultados já foram melhores. A crise de 2008 atingiu toda a economia e também as visitas a Conímbriga, mas, em anos anteriores, já se registaram “valores superiores a 10 milhões de euros”. As visitas também já chegaram a ultrapassar as barreiras das 200 mil mas, entre outros factores, a queda da taxa de natalidade contribuir para diminuir esse número.

fonte: Público