segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Reino Unido vai averiguar se os cães são mesmo capazes de detetar cancro


Fotografia © Rui Oliveira/Arquivo Globalimagens

Ensaio clínico com aval do Serviço Nacional de Saúde britânico vai avançar, depois de um estudo preliminar ter demonstrado que os cães conseguiam detetar 93% dos casos de tumores na próstata.

A capacidade de os cães detetarem tumores vai ser posta à prova num ensaio clínico aprovado pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido: a organização Medical Detection Dogs teve aval positivo do Milton Keynes University Hospital, depois de um estudo preliminar ter demonstrado que cães treinadores para o efeito conseguiam detetar tumores na próstata através do cheiro da urina em 93% dos casos.

A expetativa é de que os animais consigam determinar até que ponto são ineficazes os testes atualmente em uso, e que indicam se deve ou não ser feita uma biópsia. Estes testes têm uma taxa alta de falsos positivos, pelo que muitas vezes os doentes têm de se sujeitar a um procedimento altamente invasivo sem necessidade, indica o jornal britânico The Guardian.

A Medical Detection Dogs foi fundada em 2008 por iniciativa de Claire Guest, que dirigiu o primeiro programa que avaliou a capacidade de os cães detetarem cancros. Guest testemunhou a habilidade dos animais quando a sua própria cadela, Daisy - por norma obediente - se recusou a entrar no carro e começou a tocar-lhe no peito. Viria a descobrir que tinha um tumor benigno à superfície da mama e outro maligno a desenvolver-se, que poderia ter-lhe custado a vida se não tivesse sido diagnosticado de forma precoce. O episódio convenceu a médica a envolver-se na causa: "O Reino Unido tem uma das piores taxas de diagnóstico precoce na Europa. O Serviço Nacional de Saúde precisa de ser arrojado e introduzir métodos inovadores para detetar o cancro nas fases iniciais", defendeu. "Os nossos cães têm taxas mais altas de eficácia do que os exames existentes. Sabemos que o seu olfacto é extraordinário. Conseguem detetar partes em triliões, o equivalente a uma gota de sangue na água de duas piscinas olímpicas", garante.

Caso os resultados se confirmem, já há clínicas interessadas em oferecer o método alternativo de colocar os cães a analisar amostras de doentes com suspeitas de cancro.