segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Robô é ensinado a fugir da sua maior ameaça: as crianças


O Robovie-II não tem outra forma de se defender que não seja fugir. Mas muitas vezes não consegue

VÍDEO. Cientistas tiveram de programar o Robovie-II para se proteger das crianças. De murros e pontapés a atirar-lhe objetos, os humanos mais pequenos tudo são capazes de fazer ao indefeso robô.

Parte de uma experiência de interação social entre máquinas "inteligentes" e seres humanos, um centro comercial de Osaka, no Japão, tem a circular robôs modelo Robovie-II, programado para ajudar quem por ele passa com informação útil. A experiência tem corrido bem, mas agora os cientistas viram-se obrigados a tomar medidas contra uma ameaça aparentemente inesperada: as crianças.

Os investigadores descobriram que os mais pequenos, especialmente quando andam em grupo, tendem a abusar da máquina indefesa. Alguns apenas impedem o robô de passar - ele está programado para pedir educamente licença - mas muitos rapidamente o agridem, tapando-lhe os "olhos" ou dando-lhe murros e pontapés. Há mesmo alguns que atiram objetos contra ele.

Os casos ficam registados pelas câmaras de videovigilância do 'shopping'.


Equipas de especialistas da ATR Intelligent Robotics and Communication Laboratories e das universidades de Osaka, Ryukoku e Tokai criaram um programa informático capaz de prever, em tempo real, o risco a que o robô está sujeito, fazendo-o reagir - ou seja, tentar fugir.

O modelo tem em conta fatores como o facto de uma criança sozinha ser menos perigosa do que um grupo, mas que o seu comportamento se modifica consoante se juntam mais crianças.

Quando ameaçado, o Robovie-II tenta afastar-se e procura a companhia de um "adulto" - alguém com mais de um 1,3 metros de altura.

O facto de as crianças terem tendência para agredir robôs foi também estudado a nível psicológico. Os autores de Why Do Children Abuse Robots?, citado pelo site Mashable e ligado ao projeto do Robovie-II, escrevem mesmo: "Descobrimos que a maioria [das crianças] não veem o robô como apenas uma máquina, mas como uma entidade quase humana". E, depois, batem-lhe.