sábado, 29 de março de 2014

Estrelinha de Santa Maria ameaçada de extinção


A ave mais pequena da Europa, a estrelinha de Santa Maria, nos Açores, corre o risco de extinção devido à degradação do seu habitat, encontrando-se na lista dos 13 vertebrados mais ameaçados do país.

"É o próprio Instituto Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade que plasma a estrelinha de Santa Maria [ou estrelinha de poupa] com o estatuto de perigo de extinção", referiu à agência Lusa o coordenador do Clube de Amigos Defensores do Património de Santa Maria, José Andrade Melo.

A estrelinha de Santa Maria, que se alimenta de insetos, vermes e aranhas, possui apenas oito a nove centímetros de comprimento e 12 a 14 de envergadura, é considerada importante no controlo biológico de algumas espécies e muito procurada no âmbito da atividade de 'birdwatching' (observação de aves).

José Andrade Melo explicou que a estrelinha de Santa Maria sofreu uma "regressão significativa" do seu efetivo nas duas últimas décadas, à semelhança do que aconteceu com o priolo, devido à perturbação do seu habitat natural e consequente redução dos alimentos.

A estrelinha de Santa Maria, que possui o nome científico de 'regulus regulus sanctae-mariae', vive em zonas dispersas na ilha, concentrando-se na zona do Pico Alto e no Barreiro da Faneca. Prefere os espaços com arbustos que contenham espécies da laurissilva (floresta húmida subtropical apenas existente na Macaronésia) para pernoitar e nidificar.

"O facto de a ave estar confinada a um espaço tão diminuto em termos territoriais, como é a ilha de Santa Maria, por si só já é merecedora do estatuto especial de conservação e da obrigação política e científica de criação de um plano de salvaguarda", defendeu José Andrade Melo.

Há dois anos, o Clube de Amigos Defensores do Património de Santa Maria e a representação local da associação ecologista Amigos dos Açores, com o apoio de várias entidades, propuseram ao Governo Regional que a estrelinha de Santa Maria fosse designada "a ave de 2012", visando alertar para a sua existência e perigo de extinção.

A proposta foi feita ao então secretário regional do Ambiente, a quem sublinharam a necessidade de realizar um plano de salvaguarda da estrelinha, através de uma equipa multidisciplinar.

Segundo José Andrade Melo, "houve aceitação" da proposta de conservação da espécie, mas "até hoje, para além da promessa, o que houve foi um pequeno estudo de inventariação do seu habitat preferencial".

"Em termos de quantitativo do efetivo populacional, nada existe feito, de uma forma muito clara, tendo-se plantado, entretanto, uma pequena mancha de árvores preferenciais da estrelinha, na zona do Pico Alto, com vegetação endémica, o que é manifestamente insuficiente", considerou.

José Andrade Melo defendeu, para além de um estudo que quantifique o efetivo populacional da ave e de uma elencagem das suas reais ameaças, um plano de ação, à semelhança do que foi desenvolvido para o priolo, ave endémica da ilha de São Miguel.