domingo, 2 de março de 2014

Descoberto processo de metástases do cancro


Descoberta pode ajudar no fabrico de fármacos que diminuam o risco de metástases.

As metástases, o processo que permite que algumas células de cancro se separem do tumor original e criem raízes em tecidos diferentes, são a causa mais comum de mortes por cancro. Agora, uma nova pesquisa do Memorial Sloan Kettering parece ter descoberto os mecanismos biológicos que as células cancerígenas individuais usam para criar metástases no cérebro. O estudo descobriu que as células tumorais que chegam ao cérebro e encontram uma determinada proteína autodestroem-se.

As células cancerígenas estabelecem-se no cérebro e formam novos tumores ao ajustar-se aos vasos capilares, sintetizando proteínas que bloqueiam as suas defesas naturais, revela um estudo publicado pela revista 'Cell'.

O trabalho realizado pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center e liderado pelo cientista espanhol Joan Massagué, explica desta forma o funcionamento no cérebro da metástase, processo pelo qual algumas células cancerígenas escapam do tumor original e se instalam em outros tecidos e órgãos.

A metástase é a causa mais comum das mortes por cancro e os tumores cerebrais que nascem através deste processo são dez vezes mais comuns que os cancros primários.

Para chegar até ao cérebro, estas células devem separar-se do tumor que as originou, entrar na corrente sanguínea e atravessar uns vasos sanguíneos densos denominados "barreira de sangue do cérebro", pelo que a maioria morre antes de implantar-se no cérebro, que está mais protegido que outros órgãos.

"O que as mata e como ocasionalmente algumas sobrevivem - às vezes ocultando-se no cérebro durante anos - para finalmente originar novos tumores. O que as mantém vivas e onde se escondem", questionou Massagué, que também dirige o Sloan Kettering Institute de Nova Iorque.

Segundo explica o estudo, quando as células metastizadas chegam ao cérebro encontram outras células (astrocitos) que as forçam a autodestruírem-se. As únicas que conseguem sobreviver são as que produzem uma proteína que funciona como antídoto.

Ao estudar células cancerígenas em cérebros de ratos, os investigadores concluíram que as células sobreviventes crescem juntando-se aos vasos capilares "como um urso panda abraçado a um troco de árvore", explicou Massagué.

"O abraço é claramente especial", insistiu Massagué, que acrescenta que se uma célula tumoral se separar do vaso, os astrocitos matam-na, enquanto se ficar agarrada obtém nutrientes e proteção, e pode ainda começar a dividir-se e a formar um revestimento em torno do vaso capilar

Esta descoberta poderá converter estas células no fabrico de novos fármacos que diminuam o risco de metástases.