quarta-feira, 5 de março de 2014

Renzi apela ao sector privado para salvar Pompeia


Fotografia © REUTERS/Ciro De Luca

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, apelou hoje ao sector privado a "intervir" financeiramente ao lado do Estado para manter e restaurar a cidade arqueológica de Pompeia.

"Itália é o país da cultura, então eu digo aos líderes das empresas: o que estão à espera?", respondeu o primeiro-ministro à pergunta sobre qual era a sua posição sobre os recentes deslizamentos de terra em paredes de várias zonas de Pompeia.

Para Renzi, "o facto de o sector privado se recusar a intervir por motivos ideológicos porque a cultura é um encargo do Estado já não é uma opção". "Se o privado pode manter as paredes em pé, porque não dar-lhe essa oportunidade?", acrescentou o primeiro-ministro.

O sector da cultura - que tem pouco apoio em Itália em comparação com outros países europeus - é um dos mais atingidos pelas políticas de austeridade. O seu orçamento foi de novo cortado, para 1,4 mil milhões de euros em 2014, depois de ter tido 1,5 mil milhões no ano anterior.

Para algumas obras de grande vulto, o Estado italiano contou com ajuda de mecenas: em Roma, a fabricante de sapatos e malas de luxo Tod's financiou os trabalhos de restauro do Coliseu e a Fonte de Trevi foi alvo de um 'lifting' com verbas da 'maison' Fendi.

Após a descoberta de bocados de paredes que desabaram este fim de semana em Pompeia, classificada pela UNESCO como Património Mundial desde 1997, o ministro da Cultura, Dario Franceschini, convocou uma reunião para esta terça-feira na qual foram desbloqueados "dois milhões de euros" para "trabalhos de manutenção de rotina".

No mesmo dia, o jornal Corriere della Sera noticiou que, dos 105 milhões de euros de um plano de ajuda lançado em 2011 para assegurar a manutenção e restauro de Pompeia, apenas 588 mil foram gastos, o que representa "0,56% dos fundos".

A União Europeia, que até agora devia financiar o projeto "Grande Pompeia" em 42 milhões de euros, anunciou hoje, através do comissário das Políticas Regionais, Johannes Hahn, que esta participação passará a ser de 78 milhões de euros.

Nos últimos três anos, Pompeia, cidade sepultada sob as cinzas da erupção do Vesúvio no ano 79, sofreu grandes danos. Esta cidade arqueológica é o local mais bem preservado do tempo dos romanos.