quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Australianos criam solo transparente para ver as raízes das plantas


Solo transparente, que ajudará no estudo das raízes, demorou cerca de dois anos para ser desenvolvido

Investigadores da Austrália desenvolveram um solo transparente que possibilita o estudo das raízes das plantas ainda debaixo da terra. 

A equipa formada por profissionais do Instituto James Hutton e da Universidade de Abertay Dundee levou cerca de dois anos para produzir um material capaz de recriar a química do solo e permitir o crescimento natural de qualquer tipo de vegetação.

Eles criaram um composto químico a partir do Nafion – sintético desenvolvido pela Dupont no fim da década de 1960 e que é usado, atualmente, em células de geração de energia e combustível – para usá-lo como “ingrediente” principal do novo tipo de solo.

Segundo o biólogo Lionel Dupuy, que lidera o grupo, o material é um substrato com características muito semelhantes às da terra de verdade, como retenção de água, capacidade de reter nutrientes e de manter o crescimento e o fortalecimento da planta. O solo só fica translúcido, no entanto, quando é saturado por uma solução especial à base de água.

“Com esta nova técnica, os cientistas agora têm uma maneira de observar processos do solo ao vivo. Isso é emocionante, porque há tantas coisas para descobrir no solo e não sabemos ainda o que são”, diz o biologista.

De acordo com Dupuy, a nova técnica é um marco importante do estudo da rizosfera, local subterrâneo onde as raízes entram em contacto com o terra, pois o solo transparente vai permitir que a “agricultura possa depender menos dos fertilizantes”, além de ajudar nos desafios que existem nas áreas de segurança alimentar e mudanças climáticas.

“Há diferentes disciplinas científicas que poderiam se beneficiar desta pesquisa. Solos transparentes podem ser usados para estudar a proliferação e a transmissão de patógenos de solo (...) e para entender como as plantas ou micróbios acessam os nutrientes que são distribuídos no solo.”

O biólogo disse que, por enquanto, a técnica tem um custo muito elevado, o que dificulta que o solo transparente seja produzido numa escala maior para ser usado por qualquer pessoa, e não só investigadores.

fonte: UOL

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