quarta-feira, 5 de julho de 2017

No templo mais antigo do mundo praticava-se o “culto do crânio”

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Naquele que é considerado o templo mais antigo do mundo foram descobertos três crânios do neolítico com marcas de rituais. No Göbekli Tepe, os ossos desenterrados por um grupo deinvestigadores apontam para práticas do “culto do crânio”.

O templo, localizado no sudeste da Turquia, conta já 10 mil anos de vida, data em que foi erguido. Para arqueólogos e investigadores é um local que desperta especial curiosidade. De acordo com a mais recente investigação sobre o assunto publicada na revista científica Science Advances, os fragmentos descobertos evidenciam uma modificação única post mortem – após a morte.

O grupo de investigadores do Instituto Arqueológico Alemão acredita que os crânios foram descarnados e posteriormente esculpidos com sílex, uma rocha sedimentar muito dura. A existência de múltiplas marcas em várias zonas onde o músculo e o osso se vinculavam prova que esta não é – ou pelo menos não foi – uma tarefa fácil.

Os vincos profundos e intencionais são alterações nunca antes vistas, de acordo com o que a antropóloga Julia Gresky, autora principal do estudo, disse à National Geographic.

O facto de as marcas nos crânios serem muito menos ornamentadas do que as representações de pessoas e animais que decoram os pilares de calcário do templo leva os investigadores a acreditar que a sua função seria colocar vários crânios numa corda.


Segundo os investigadores, os crânios eram suspensos ou exibidos para os inimigos no local, que era frequentado com o objetivo de homenagear os antepassados, pois acreditava-se que os poderes dos mortos passariam para os vivos.

Julia Grensky diz que o “culto dos crânios não é invulgar” naquela região da Turquia. Os restos mortais encontrados na zona indicam que aquele era um povo com o hábito de enterrar os mortos e, mais tarde, exumá-los de forma a poder retirar o crânio, acabando por expô-lo criativamente.

A reconstituição feita com os fragmentos encontrados mostra que o buraco foi feito para, estrategicamente, permitir a suspensão do crânio e ao mesmo tempo impedir a queda do maxilar.

O templo Göbekli Tepe remete para a era de transição dos humanos de caçadores-coletores para a agricultura. De acordo com os investigadores, há poucas evidências de que alguma população se tenha fixado num local, razão pela qual se acredita que a criação foi feita única e exclusivamente para cultos ancestrais.

fonte: ZAP aeiou