quarta-feira, 11 de maio de 2016

A inteligência e as emoções dos golfinhos: "senciência não é sapiência"


No Zoomarine, em Albufeira, a reportagem da TSF foi conhecer como se comportam os golfinhos. São animais com inteligência? Com emoções? Os biólogos marinhos dizem que sim, mas não como os humanos.

A treinadora Vera Quintino leva na mão um balde com petiscos para os golfinhos. Já perto da piscina onde se encontram os animais faz gestos que obtêm resposta. "Nós fazemos um sinal e eles fazem a vocalização que estamos a pedir".A jornalista Maria Augusta Casaca foi ao zoomarine ver os golfinhos

Serão por isso os golfinhos seres inteligentes? E seres que exprimem emoções? Élio Vicente, biólogo marinho e diretor de Relações Externas do Zoomarine, responde afirmativamente, mas considera que "o facto de exprimirem emoções não quer dizer que elas sejam iguais ou paralelas às dos humanos", ressalva. "Não se pode confundir senciência [capacidade de sofrer ou sentir felicidade] com sapiência", acrescenta.

No entanto, quem passe muito tempo com os animais, como os tratadores, consegue detetar-lhes comportamentos parecidos aos dos humanos. "Na vida selvagem, quando uma cria morre, a mãe mantêm-na à tona de água durante horas ou dias para que ela possa respirar, e só a larga quando o cadáver se desfaz", diz o biólogo marinho. Mas essa perda de que o golfinho se apercebe, não é vivenciada como um ser humano o faria.

Durante muito tempo, considerou-se que estes mamíferos teriam uma inteligência semelhante à do homem. No entanto Élio Vicente frisa que as investigações dos últimos 40-50 anos mostram que "os golfinhos são essencialmente animais acústicos, enquanto nós somos visuais. Não pensam como nós, não têm a sapiência nem interpretam o mundo da mesma forma [que os seres humanos]."

fonte: TSF