sábado, 31 de janeiro de 2015

Barba de Tutankhamon já fez vítimas


A máscara funerária de Tutankhamon é a peça mais famosa do Museu Egípcio do Cairo 
MIGUEL MADEIRA

Conservadora do Museu Egípcio do Cairo foi transferida para o museu dos coches reais.

A situação, afinal, parece não ser tão grave quanto o que foi divulgado na semana passada. Mesmo assim, o caso da descolagem da barba da famosa máscara mortuária do faraó Tutankhamon, no Museu Egípcio do Cairo, já fez a primeira vítima: segundo o The Guardian, a conservadora-chefe do museu, Alham Abdelrahman, foi despromovida do cargo e colocada no museu dos coches reais na capital do país.

Ouvido pelo jornal inglês, o director do museu, Mahmoud el-Halwagy, disse desconhecer as razões da mudança, e que esta não tinha decorrido de uma decisão sua. Mas é inevitável estabelecer uma relação de causa e efeito entre a transferência da conservadora do mediático Museu Egípcio do Cairo e o episódio, divulgado na semana passada, da colagem apressada da barba da máscara do faraó depois de ela se ter quebrado, ou desprendido, quando funcionários do museu tratavam de arranjar a luz da vitrina que resguarda a peça milenar. A barba postiça é no Antigo Egipto um atributo reservado ao faraó e aos deuses antropomórficos.

A gravidade do acidente foi desvalorizada no passado sábado no decorrer de uma conferência de imprensa no Cairo. Nela esteve presente o próprio ministro responsável pelo sector das antiguidades do país, Mahmoud Damaty, que criticou a cobertura feita pelos media internacionais do episódio classificando-a como “demasiado exagerada”. A seu lado, um especialista alemão em restauro e conservação de peças arqueológicas, Christian Eckmann, assegurou que os estragos na máscara de Tutankhamon seriam sanados com relativa facilidade, mesmo se se trata de “uma operação delicada”.

“A máscara não corre perigo e as medidas que foram tomadas são reversíveis”, disse Eckmann, citado pela AFP. E acrescentou que a mesma barba do faraó já tinha sido colada no decorrer de um restauro anterior, ocorrido em 1941. Desta vez, o problema maior estará na remoção do material em resina, designado epóxi, uma espécie de supercola que foi usada um pouco apressadamente por um funcionário não identificado, mas alegadamente a mando de alguém “vindo de cima”, como na altura foi revelado à imprensa por um conservador do museu que também não quis identificar-se.

Os responsáveis pelo museu menorizaram os factos durante vários dias, e Alham Abdelrahman defendeu-se explicando que a barba do faraó não tinha sofrido nenhum dano. “Se ela se tivesse quebrado, isso teria sido um grande problema, e nós teríamos aberto um inquérito sobre o assunto”. A verdade é que a conservadora já não mora no Museu do Cairo, encontrando-se agora no museu dos coches reais.

fonte: Público