segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Bactéria descoberta está a corroer casco do 'Titanic'


'Halomonas titanicae' corrói metais e ameaça os destroços do mítico navio.

Depois do icebergue que o afundou na sua viagem inaugural, agora é uma nova espécie de bactéria que ameaça o Titanic. A quase quatro quilómetros da superfície, o casco do navio está a ser corroído pela Halomonas titanicae, pertencente ao género Halomonas, conjunto de espécies que sobrevivem em condições extremas e a que pertence o organismo capaz de viver de arsénico descoberto há duas semanas.

No caso da espécie que deve o seu nome ao barco mais mítico do mundo, foi encontrada nas estruturas esponjosas criadas no processo de corrosão sobre o casco. Um grupo de cientistas da Uni-versidade de Halifax (Canadá) que estuda a acção das bactérias no processo de corrosão de navios, e que recolheu as formações de ferrugem do Titanic, enviou as amostras para a Faculdade de Farmá-cia da Universidade de Sevilha, laboratório dirigido por António Ventosa, especialista mundial em Halomonas.

"Existiam efectivamente Halomonas nas amostras, mas quando nos pusemos a identificá-las, demos conta de que se tratava de uma espécie nova, que ainda não tinha sido encontrada até agora", explica Ventosa. "Pusemos o nome de titanicae em homenagem ao sítio muito curioso onde foram encontradas."

Parceiros na investigação - publicada no International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology -, os cientistas da Universidade de Halifax receiam que, tendo em conta estes dados, o Titanic se transforme em pouco tempo num monte de ferrugem. "Se tivermos mais 15 a 20 anos de casco visível é uma sorte. Eventualmente, ficaremos apenas com uma enorme mancha de ferrugem", prevê Henrietta Mann, da universidade canadiana.

O facto de a bactéria corroer metais constitui uma ameaça não só para o Titanic como para outras estruturas metálicas construídas pelo homem. Citados pela BBC, os autores do estudo alertam que esta é "uma potencial nova ameaça microbiana para o casco dos navios e das estruturas metálicas submarinas, como plataformas de petróleo". Mas também poder ter um efeito muito positivo na biodegradação de materiais afundados e na regeneração marinha.

O barco mais famoso da história está a 3800 metros de profundidade, ao largo da Costa Nova, em condições extremas de salinidade e de ausência de luz, onde a maioria dos seres vivos não conseguiria sobreviver. Tal como aconteceu com a bactéria que se alimenta de arsénico, os cientistas estudam estes organismos para criar modelos de vida que poderia ocorrer noutros planetas.

fonte: DN

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