terça-feira, 16 de maio de 2017

Já se sabe quem foram os pais do “Bebé Louie”, um embrião de dinossauro


Ilustração da nova espécie Beibeilong sinensis em adulta ZHAO C. HUANG

Descoberto em 1993 na China, foi logo levado para os Estados Unidos, onde ficou duas décadas, bem longe do seu ninho. Quando regressou a casa em 2013, foi estudado e percebeu-se que, afinal, é de uma nova espécie.

Não há nada como voltar a casa. E que o diga o embrião de dinossauro conhecido como “Bebé Louie”, que voltou às suas origens, na China, depois de 20 anos fora. Nestes anos, andou “perdido” pelos Estados Unidos e os cientistas não conseguiam estudá-lo porque não estava no seu ninho. Mas tudo acabou bem e agora descobriu finalmente a que espécie pertence. Aliás, foi mesmo classificado como sendo nova espécie de oviraptor, o Beibeilong sinensis.

No início dos anos 90, fez-se uma descoberta histórica na província de Henan, na China, graças a agricultores: encontraram-se milhares de ovos de dinossauro. Era uma altura em que a China até estava a tentar controlar a exportação de ovos de dinossauro, mas foi inevitável que muitos deles acabassem por sair do país. Entre esses ovos de dinossauro havia também embriões. Foi o caso do “Bebé Louie”, que ficou logo famoso nessa altura.

Pequeno e em posição fetal, o “Bebé Louie” foi mantido no bloco de rocha de siltito vermelho, aninhado juntamente com cerca de oito ovos, três dos quais se sobrepunham mesmo a ele. E é o único embrião de dinossauro conhecido que se encontra colado a ovos de dinossauros, segundo a equipa de cientistas que agora estudou este fóssil.

Foto Ilustração da posição do Bebé Louie no seu ninho ZHAO C. HUANG

Este dinossauro em formação e os ovos tinham viajado em 1993 para os Estados Unidos, adquirido pela empresa The Stone, que faz exposições com fósseis e ovos de dinossauro e vende fósseis a museus.

Três anos mais tarde, o “Bebé Louie” estava na capa da revista National Geographic, que o descrevia como o “tesouro” dos proprietários da empresa The Stone, Florence e Charlie Magovern. Foi também por causa deste artigo de 1996 que ficou conhecido como “Bebé Louie”. Porque o fotógrafo da National Geographic que o tornou famoso se chama Louie Psihoyos.

“Os ovos e o embrião ganharam fama mundial quando foram descritos num artigo da National Geographic em 1996, mas era impossível descrevê-los numa publicação científica – e nomear uma nova espécie – até à repatriação dos fósseis para a China”, explica num comunicado Philip Currie, da Universidade de Alberta (no Canadá), e um dos autores do estudo publicado na edição desta semana da revista Nature Communications.

Já em 2001, este embrião foi para o Museu da Criança em Indianápolis, também nos Estados Unidos, onde esteve exposto durante 12 anos. O museu sempre quis que o “Bebé Louie” voltasse à China, segundo o artigo científico. O acordo de devolução entre o museu e as autoridades chinesas estabelecia que o regresso deveria acontecer em 2013. E digamos que a devolução cumpriu a data: em Dezembro de 2013, o “Bebé Louie” voltava a casa e foi recebido pelo Museu de Geologia de Henan, na província onde foi descoberto.

A ausência de duas décadas levou ao esquecimento do lugar exacto onde o embrião tinha sido descoberto. Mas a procura pela casa original do “Bebé Louie” veio a ter sucesso: em 2015, um dos agricultores e cinco cientistas envolvidos na descoberta nos anos 90 voltaram a Henan e encontraram-se mais fragmentos de ovos idênticos aos do “Bebé Louie”, assim como de outros blocos de fósseis da mesma ninhada (que também deverão estar fora da China).
Como um dragão chinês

O embrião tem 38 centímetros de comprimento, enquanto os ovos do seu ninho têm 45 centímetros de comprimento e cinco quilos. São dos maiores ovos de dinossauro encontrados, segundo a equipa. Já o ninho onde se encontrava o “Bebé Louie” tinha entre dois a três metros de diâmetro e, provavelmente, continha pelo menos duas dúzias de ovos.

A posição e o tamanho indicaram que este dinossauro estava em desenvolvimento (que era um embrião), e que terá morrido porque, por algum motivo, não estava dentro do ovo. Uma análise aos seus ossos também mostrou que tinha asas e bico. Quanto ao seu progenitor, os cientistas pensam que teria de ficar a chocar os ovos e cuidar das crias.

E para descobrirem os seus pais, os cientistas olharam para a morfologia dos ossos do “Bebé Louie”. Concluíram então que pertencia à micro-ordem Oviraptorosauria, da qual fazem parte dinossauros terópodes (bípedes e carnívoros) do período Cretácico (entre há cerca de 140 milhões de anos e 65 milhões) e que viviam na Ásia e na América do Norte.


Foto Embrião na nova espécie Beibeilong sinensis DARLA ZELENITSKY/UNIVERSIDADE DE CALGARY

Sabe-se também que o “Bebé Louie” viveu há cerca de 90 milhões de anos e, nessa altura, podiam ser encontrados dinossauros da família Caenagnathidae (onde se incluem os dinossauros oviraptores) na China. Por isso, é um oviraptor (que significa ladrão de ovos) da família Caenagnathidae. O Bebé Louie encontrou assim o seu lugar na árvore genealógica. Agora o seu nome científico, Beibeilong sinensis, significa “bebé dragão chinês” (beibei é bebé, long é dragão e sinensis é chinês).

fonte: Público