quinta-feira, 4 de maio de 2017

Há uma nova espécie de dinossauro. E um português na descoberta


O Galeamopus pabsti, um novo saurópode de pescoço comprido, viveu há 150 milhões de anos na América do Norte. Octávio Mateus é um dos autores da descoberta, que fez juntamente com um colega suíço.

A ciência acaba de ganhar mais uma espécie de dinossauro. Chama-se Galeamopus pabsti, e foi descoberta por um grupo de paleontólogos que inclui o português Octávio Mateus, da Universidade Nova de Lisboa (UNL). Além de acrescentar mais uma peça ao vasto puzzle da "família" dos dinossauros, o novo dinossauro aumenta também a diversidade das espécies de répteis gigantes que há 150 milhões de anos dominavam a paisagem na Terra.

Para o investigador português, esta descoberta acaba por ser também uma espécie de marco, no ano em que completa 20 anos de trabalho em paleontologia: é a sua 33.ª espécie nova, entre os dinossauros, répteis, anfíbios ou mamíferos há muito extintos, que descobriu, ou em cuja descoberta participou.


O paleontólogo e investigador português Octávio Mateus

No caso deste Galeamopus pabsti, decorreram 11 anos desde que o achado foi feito nos Estados Unidos, pelo paleontólogo americano Ben Pabst, até à publicação, ontem, do estudo que descreve a nova espécie. Mas, como explica Octávio Mateus, todo esse tempo decorrido não diminuiu a emoção que sempre acompanha uma descoberta como esta.

"É sempre emocionante descobrir uma nova espécie", garante Octávio Mateus. "Não abrimos uma garrafa de champanhe, mas obviamente que celebramos, porque este é o culminar de um trabalho que leva sempre anos e que neste caso durou uma década", sublinha.

Foi em 1995 que Ben Pabst encontrou e escavou, no estado do Wyoming, nos Estados Unidos, os fósseis do dinossauro que agora se chama oficialmente Galeamopus pabsti. O estudo com a descrição da nova espécie foi publicado ontem online na revista PeerJ, e o nome da espécie, como sublinha Octávio Mateus, "é dedicado ao trabalho de escavação de Ben Pabst, e ao que ele desenvolveu em seguida, de preparação dos fósseis para poderem ser estudados".

Pescoçudos... e famosos

O Galeamopus pabsti, que há 150 milhões de anos, em pleno Jurássico Superior, viveu no território da América do Norte, era um dinossauro muito semelhante aos seus muito famosos primos Diplodocus e Brontossaurus, aqueles grandes pescoçudos que fazem as delícias das crianças nos filmes.

Esta nova espécie, no entanto, tem "pernas mais maciças e um pescoço particularmente alto e triangular perto da cabeça", explica a equipa, notando que esta é "a segunda espécie do género Galeamopus". Foi, de resto, esta mesma equipa, constituída por Octávio Mateus e o suíço Emanuel Tschopp - Tschopp concluiu em 2014 o doutoramento em paleontologia na Universidade Nova de Lisboa sob orientação de Octávio Mateus e os dois colaboram há muito -, que identificou este novo género, em 2015, classificando-o na altura como um género distinto do Diplodocus.

Não sendo então um Diplodocus, o Galeamopus pabsti não deixa mesmo assim de ser um diplodocídeo, um dos tais saurópodes de pescoço comprido que se tornaram personagens de sucesso no universo de Hollywood.

"Esta nova espécie é mais uma que vem somar-se à grande diversidade de dinossauros da família dos Diplodocus, o que acaba até por ser um pouco inesperado", diz Octávio Mateus, sublinhando que "a maior diversidade de diplodocídeos existe, justamente, na América do Norte". Esta é, assim, uma nova peça no puzzle, que contribui para um retrato mais completo da "família" dos dinossauros daquela região no Jurássico Superior.


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