quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O mistério da extinção do pássaro-elefante, o "dinossauro moderno"


James Hansfor ao lado das ossadas de um membro inferior do pássaro-elefante


As ossadas do pássaro-elefante, à direita, e uma reprodução do animal, considerado como o "dinossauro moderno"


Local das excavações


James Hansfor ao lado das ossadas de um membro inferior do pássaro-elefante

A descoberta de ossadas com marcas de cortes, feitos por humanos, conduziu a dois resultados surpreendentes: recuou a chegada do homem à ilha de Madagáscar em seis mil anos e fez luz sobre o desaparecimento do pássaro-elefante, que habitou aquela ilha ao largo de Moçambique até há cerca de mil anos.

Batizados de "dinossauros modernos", os pássaros-elefante podiam pesar cerca de meia tonelada. Com três metros de altura, eram uma visão comum na ilha de Madagáscar até há mil anos, altura em que terão sido extintos.

Há muitas teorias sobre quando e como terá desaparecido da face da terra o "Aepyornis and Mullerornis", mas um trabalho de James Hansford, Cientista da Sociedade Zoológica de Londres, Reino Unido, traz nova luz ao mistério.

A equipa de Hansford encontrou marcas de cortes, feitas por instrumentos de desenho humano, nas ossadas de um pássaro-elefante com 10 mil anos. Uma novidade que arrasta outra, uma vez que a chegada do homem àquela ilha estava balizada entre 2500 a 4000 mil anos.

"Isto realmente recua em seis mil anos, pelo menos, a chegada dos humanos a Madagáscar", disse James Hansford, citado pela BBC.

"Não sabemos a origem dessas pessoas nem saberemos até encontrarmos mais provas arqueológicas", aduziu Patricia Wright, da Universidade de Stony Brook, e co-autora do estudo.

Além de levantar questões sobre a humanidade, o trabalho, publicado no jornal "Science Advances", sugere "uma teoria radicalmente diferente sobre a extinção" do pássaro-elefante.

Ao contrário do que se pensava, em vez de aniquilar os animais num curto período de tempo, os humanos conviveram com o pássaro-elefante até há cerca de mil anos.

"Os humanos parece que terão coexistido com o pássaro-elefante e outros animais agora extintos durante mais de nove mil anos, aparentemente com um limitado impacto negativo na biodiversidade em grande parte desse tempo, o que oferece novas pistas sobre a conservação da vida animal", explica Hansford.

As marcas de corte comprovam a teoria de que os humanos caçavam estes animais para alimentação. O "Aepyornis and Mullerornis" punha ovos maiores que os de dinossauro, equivalentes ao volume de 150 ovos de galinha, e conviveu durante anos com outros animais extraordinários agora extintos, como, por exemplo, o lémure gigante.


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