sábado, 28 de abril de 2012

Onde estão as raízes do ateísmo? No pensamento analítico


Os 650 participantes no estudo tinham de, por exemplo, observar O pensador de Rodin 

Apesar da apregoada crise, milhões de pessoas continuam a acreditar em Deus. O que faz com que uns acreditem e outros não? Um estudo da Universidade de Columbia, nos EUA, publicado na revistaScience, conclui que o que explica o ateísmo é o pensamento analítico.

“O nosso objectivo foi explorar a questão fundamental de por que, em diferentes graus, acreditam as pessoas num Deus”, explica o autor Will Gervais, citado pelo diário espanhol El Mundo. 

“Uma combinação de factores complexos influencia em matéria de espiritualidade pessoal; e as nossas conclusões indicam que o sistema cognitivo relacionado com os pensamentos analíticos é um factor que pode influenciar a perda de fé.”, revela o investigador.

Na tentativa de estimular o pensamento analítico, os investigadores recorreram a tarefas. Pediram aos participantes para, por exemplo, observarem a imagem da escultura O pensador, de August Rodin, ou que preenchessem questionários impressos com tipos de letra difíceis de ler. E perceberam que as crenças religiosas diminuíam quando as pessoas estavam a cumprir tarefas mais analíticas.

A equipa de investigação baseou-se num modelo de psicologia cognitiva. Há um sistema intuitivo associado a circuitos mentais que produzem respostas rápidas e um sistema analítico, que leva mais tempo a encontrar respostas. “O nosso estudo está na senda de outras investigações que vincularam as crenças religiosas com o pensamento intuitivo “, salientou Ara Norenzayan, co-autor do estudo ao mesmo diário. 

Participaram no estudo mais de 650 pessoas dos EUA e do Canadá. Agora, para Gervais, falta saber, por exemplo, se a diminuição da crença religiosa é temporária ou de longa duração. E, já agora, como se aplicam estas teorias fora das sociedades capitalistas norte-americanas e europeias.

Por isso, os autores recomendam "cuidado na interpretação das implicações deste estudo" e defendem que são precisos mais para chegar a conclusões definitivas.

fonte: Público

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