sábado, 17 de fevereiro de 2018

A "múmia que grita" terá sido envenenada ou enterrada viva


Era um dos grandes mistérios da arqueologia. Quando os cientistas descobriram o corpo mumificado, no Egito, foram surpreendidos pela estranha imagem da múmia, que parece estar a gritar, como se tivesse passado por algum tipo de tortura. O artefacto foi exibido ao público pela primeira vez na última semana.

Os visitantes do Museu Egípcio do Cairo foram surpreendidos, na última semana, depois de o Ministério das Antiguidades ter colocado a "múmia que grita" em exposição. Num comunicado tornado público, Elham Salah, responsável pela pasta dos museus naquele ministério, disse que se trata da primeira vez que a múmia é exibida ao público.

É um artefacto envolto em mistério, desde que foi encontrado, em 1881, no vale de Deir El Bahri, perto do Vale dos Reis. Ao contrário do que era habitual, este sarcófago não estava decorado como os outros e por não se conhecer a identidade da múmia, esta foi batizada de "Homem desconhecido E".

Quando a múmia foi desembrulhada, em 1886, os cientistas foram surpreendidos pelo rosto do homem que parece estar a gritar em silêncio, o que lhe valeu o apelido de a "múmia que grita".


Foram várias as teorias apontadas na tentativa de se descobrir quem era a pessoa que surge como se estivesse em agonia. A mais popular apontava para que fosse o Príncipe Pentewere, filho do Faraó Ramses III e de uma das mulheres, Tiy.

O príncipe tinha engendrado um secreto plano para matar o pai e subir ao trono e contou com a ajuda da mãe. O Faraó acabou mesmo por aparecer morto com um golpe na garganta e vários estudos referem a ligação de Pentewere à morte.

Contudo, esta teoria não é totalmente aceite por outros especialistas, que defendem que a múmia terá sido enterrada viva ou envenenada.

O corpo foi coberto de pele de carneiro, um gesto que indica que a pessoa em causa terá cometido um crime grave. "No Egito antigo, cobrir um corpo com pele de carneiro significa que era impura e que tinha feito algo de muito grave em vida", disse Zahi Hawass, do Conselho Superior de Antiguidades do Egito, ao "The Sun".

"Duas forças intervieram nesta múmia: uma para se livrar do homem e outra para o preservar", tinha explicado Bob Brier, arqueólogo da Universidade de Long Island, em Nova Iorque, numa anterior entrevista à "National Gerographic".

Mais recentemente, através da técnica de reconstrução facial 3D, os cientistas foram capazes de afastar outras teorias, que diziam que a múmia pertenceria a um príncipe de Hittite, que deveria ter casado com Ankhesenamun, a viúva de Tutankhamon. Os resultados demonstraram que os traços do rosto nada tinham a ver com os da população de Hittite.