domingo, 12 de fevereiro de 2017

Descoberta ponte de estrelas que liga as nuvens de Magalhães


ROBERT GENDLER-NASA

Descoberta foi feita com base no rastreio de estrelas feito pelo satélite Gaia, da agência espacial europeia.

Uma equipa internacional de astrónomos detetou que as Nuvens de Magalhães, as duas maiores galáxias "satélite" da Via Láctea, estão ligadas por uma "ponte" de estrelas, divulgou hoje a universidade britânica de Cambridge, que coordenou a investigação.

Os resultados da descoberta, publicados na revista científica Monthly Notices, da Royal Astronomical Society, baseiam-se no rastreio de estrelas que está a ser feito pelo satélite Gaia, da agência espacial europeia ESA.

As Nuvens de Magalhães são as maiores e mais brilhantes galáxias anãs em redor da Via Láctea, galáxia onde se situa a Terra. Os cientistas admitem que a "ponte" de estrelas poderá ajudar a clarificar a história da interação entre as Nuvens e a Via Láctea.

Uma "corrente" ou "ponte" de estrelas forma-se quando uma galáxia anã ou um aglomerado de estrelas começa a sentir a força de maré (efeito gravitacional) do corpo em torno do qual orbita.

A equipa de astrónomos crê que a "ponte" é formada, em grande parte, por estrelas que foram "removidas" da Pequena Nuvem de Magalhães, localizada a 200.000 anos-luz da Terra, pela Grande Nuvem de Magalhães, que está a 160 mil anos-luz.

No restante, é constituída por estrelas da Grande Nuvem de Magalhães que foram "puxadas" da galáxia por uma outra, a Via Láctea.

O estudo sugere que muitas das estrelas na "ponte", mas também o gás hidrogénio, foram "extraídas" da Pequena Nuvem de Magalhães há 200 milhões de anos, quando as duas galáxias anãs passaram relativamente próximo uma da outra.

O satélite Gaia "escrutina" repetidamente o céu, medindo as posições, e as suas variações ao longo do tempo, de estrelas, galáxias distantes, pequenos corpos do Sistema Solar e exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar).

Portugal faz parte do consórcio internacional de investigadores e engenheiros que tem a seu cargo o processamento de dados recolhidos pelo satélite e a publicação de diferentes catálogos.

Lançada em dezembro de 2013, a missão Gaia pretende criar o maior e mais preciso catálogo de posições, distâncias, movimentos, velocidades, temperaturas, luminosidades e idades de um por cento do total de estrelas da Via Láctea, segundo o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que têm investigadores no consórcio.