quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Luxemburgo vai procurar ouro e outro minerais em asteroides


A exploração de minerais no Espaço vai ser uma realidade em breve, com Luxemburgo a procurar ouro, platina, água e outras matérias primas nos asteroides mais próximos da Terra

O Luxemburgo anunciou que vai iniciar a exploração de minerais em asteroides. O projeto vai focar-se na exploração de ouro, platina, água e outros minerais dos mais de 13 mil asteroides que se encontram perto da Terra, os chamados "objetos próximos da Terra" (NEO ou near-earth objects, em inglês).

"Estou convencido de que há grande potencial científico e económico na visão do Luxemburgo", afirmou o diretor da Agência Espacial Europeia, Jacques Dordain, ao Financial Times. "Nós sabemos como chegar aos asteroides, como perfurá-los e como trazer amostras para a Terra", concluiu.

A exploração mineira parece ser assim o próximo passo a dar na exploração espacial. Um passo que pode render biliões de dólares, mas também precisa de grande investimento. Os especialistas calculam que o valor de exploração de um metro cúbico num asteroide ascenda a um milhão de milhões de dólares. Basta pensar que só em 2001, com a missão NEAR Shoemaker, os humanos conseguiram pela primeira vez aterrar num asteroide - e a missão ficou em cerca de 200 milhões de euros.


De acordo com o jornal Luxemburgo Wort, o primeiro-ministro e ministro da Economia, Etienne Schneider, anunciaram que o país vai contar com a ajuda da empresa nacional SES, Sociedade Europeia dos Satélites, e de duas empresas norte-americanas: a Planetary Resources, criada por um dos fundadores da Google, Larry Page, e a Deep Space Industries, uma empresa que se dedica a organizar viagens para o espaço para turistas.

Segundo a Deep Space Industries, o interior de planetas como a Terra está repleto de minerais e os cientistas acreditam que os asteroides mais próximos são na verdade planetas que se despedaçaram em milhares de pedaços. Como tal, os astros devem conter as mesmas substâncias que os cientistas procuram, mas à superfície, tornando a sua exploração mais fácil.

No seu site, a empresa explica ainda que mesmo na Terra é mais fácil explorar recursos vindos dos asteroides, que resultaram dos impactos dos astros com o nosso planeta há muito anos atrás e acumularam matérias primas no solo, do que os recursos naturais do planeta.

Jacques Dordain reconheceu que o investimento terá de ser de grande, mas que o retorno será maior, pois "pode haver um mercado de biliões de dólares". A exploração de platina, por exemplo, um metal raro na Terra, poderá render um milhão de dólares por cada mil centímetros cúbicos.

Um dos problemas que a exploração do espaço pode causar é que, teoricamente, o espaço é de todos, mas esse assunto já foi discutido e as discussões apaziguadas. O presidente dos Estados Unidos promulgou uma lei em novembro que afirma que qualquer material espacial ou de asteroides recolhido por cidadãos americanos pertence aos próprios cidadãos que o recolheram. A lei tornou-se o exemplo que Luxemburgo vai seguir, e talvez os próximos países que queiram aliar ciência, economia e o espaço.