domingo, 28 de agosto de 2016

Passam a vida a caçar OVNI


Este sábado há uma vigília no Cabo da Roca. Interesse pelo tema aumenta

Uns passam o dia à procura de pokémons. Outros uma vida inteira a olhar para o céu, à procura de objetos voadores não identificados (OVNI). Em Portugal, são cada vez mais os "caçadores de OVNI". Todos os meses, repetem-se vigílias nacionais. E já há quem leve a família inteira em busca de sinais de vida inteligente fora do Planeta.

É o caso de Ernesto Lamas, de Matosinhos. Tudo começou em 1976 quando, na Foz do Douro (Porto), reparou numa "luz branca" a rasgar o céu. "Vi logo que era um OVNI. Não havia nada assim tão rápido", conta. Começou a interessar-se por ovnilogia. Mas só há 15 anos fez a primeira vigília. Mais tarde, foi à serra da Gardunha, um dos locais do país onde ocorrem mais avistamentos, junto com as serras da Arrábida, Sintra, além da Costa da Caparica e Montejunto. "Foi um espetáculo", recorda. Nunca mais parou.

"Estive, há pouco, 13 dias em Vila Flor e vi uns 20 OVNI", revela, com entusiasmo, referindo que, nas muitas das vigílias que organiza, leva a mulher, as duas filhas e a neta de oito anos. Para captar provas, tem todo o tipo de equipamentos, desde máquinas fotográficas diurnas a noturnas e telescópios.

Aficionado pela ovnilogia, Ernesto é um dos cinco elementos do grupo do Porto do UFO Portugal, um blogue dirigido por Nuno Alves, que começou a interessar-se pelo fenómeno quando, em setembro de 1997, avistou algo no céu que não conseguiu explicar. "Nem havia ainda aquele tipo de tecnologia", refere. A 30 de julho, o UFO Portugal organizou uma vigília nacional. A próxima poderá ser em Vila Flor.

Esta sexta-feira é a vez da Associação de Pesquisa OVNI promover uma vigília nacional, a partir das 23 horas, no Cabo da Roca. Na anterior, a 23 de julho, na praia do Guincho, viram algo que não contavam. "Eram 23.09 horas e vimos uma luz, que fez algumas movimentações e terminou com um ziguezague que durou entre 15 e 20 segundos. Foi um espetáculo!", descreve o presidente da associação, Luís Aparício.

Todos os meses são dezenas de alertas que chegam às duas entidades, vindos de todo o país. E são inúmeras as fotografias e vídeos partilhados nas redes sociais. Mas poucos são merecedores de investigação. "Recebemos uma média de 20 alertas por mês. Mas destes apenas um ou dois se tornam inexplicáveis", diz Nuno Alves.

Muitos desses casos vão parar às mãos de Joaquim Fernandes, coordenador do Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência (CTEC) da Universidade Fernando Pessoa, que confirma o crescimento, em Portugal, do interesse por um tema que nasceu no país, a 20 de dezembro de 1914, quando Bartolomeu de Messines promoveu a primeira vigília. "Quando estreia um filme de ficção científica, há sempre picos de interesse", explica Joaquim Fernandes, convencido de que muitos dos avistamentos atuais se devem a balões de luzes lead lançados em festas.


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