quarta-feira, 18 de abril de 2018

Cientistas "hackearam" enzima e agora ela é melhor a comer plástico


Cientistas norte-americanos e britânicos melhoraram uma enzima que é capaz de digerir alguns tipos de plástico, o que pode revolucionar o processo de reciclagem

Os cientistas modificaram a enzima que come plástico. Uma descoberta acidental, mas que melhorou a performance desta enzima, antecipando que venha a ser usada à escala industrial para a reciclagem do plástico.

A alteração aconteceu quando uma equipa da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, e do Laboratório Nacional de Energias Renováveis (NREL, na sigla inglesa) do Departamento Nacional de Energia dos EUA estavam a tentar perceber como funciona a enzima, descoberta em 2016, numa lixeira no Japão.


"O acaso tem muitas vezes um papel fundamental na investigação científica e a nossa descoberta não foi exceção", admitiu o coordenador da investigação, John McGeehan, diretor do Instituto de Ciências Biológicas e Biomédicas de Portsmouth, ao site da própria universidade.

Os investigadores descobriram que era possível melhorar a enzima - conhecida como Ideonella sakaiensis - quando estavam a construir o seu modelo 3D de forma a perceber como a bactéria onde esta se encontra degrada o plástico como fonte de alimentação. A sua modificação torna-a mais eficiente, aumentando as hipóteses de que venha a ser uma verdadeira possibilidade para a reciclagem do plástico.


Visão microscópica da enzima no processo de deteorização do plástico

Esta enzima foi identificada como alimentando-se de PET, um plástico patenteado nos anos 1940. A sua curta vida no planeta faz com que a enzima não tenha tido ainda muito tempo para evoluir na natureza. Ao tentar determinar a sua estrutura, os cientistas conseguiram melhorar a sua performance, na degradação de plásticos PET e até dos PEF.

"Apesar da nossa descoberta ser modesta, esta descoberta inesperada sugere que há espaço para futuros aperfeiçoamentos destas enzimas, aproximando-nos de uma solução para a reciclagem dos plásticos", defendeu o professor John McGeehan. Agora esta descoberta pode ser aplicada para continuar a melhorar esta enzima.

O objetivo será melhorar esta enzima para que possa ser usada à escala industrial permitindo a reutilização do plástico que neste momento demorar centenas de anos a degradar-se no meio ambiente.

De acordo com os dados de organizações ambientais por ano são produzidos 300 milhões de toneladas de plástico em todo o mundo. Destes 300 milhões, estima-se que cerca de 8 milhões vão parar aos oceanos.