sexta-feira, 15 de setembro de 2017

À procura de novos mundos

Em Malargüe, na Argentina, está situada uma das muitas antenas que recebem os dados enviados pelas sondas no espaço

Em Malargüe, na Argentina, está situada uma das muitas antenas que recebem os dados enviados pelas sondas no espaço ESA/S. MARTI

Não nos contentámos com o planeta Terra e quisemos conhecer outros mundos. Para isso, delineamos longínquas viagens e temos descoberto planetas para lá da fronteira do nosso sistema solar.

Ao longo dos tempos, a nossa curiosidade cósmica foi aumentando e ultrapassando as fronteiras do nosso planeta. Que temperatura tem o planeta vizinho? Como é composta a sua superfície e atmosfera? Então, com toda a pompa e circunstância, construímos engenhos que viajam pelo espaço e nos têm tentado dar respostas. Há 20 anos, a missão Cassini propôs-se saber mais sobre o sistema de Saturno e termina esta sexta-feira a sua tarefa. Muitas missões começaram antes e outras tantas lhe sucederão.

Viajando no tempo, entre as muitas aventuras no espaço que nos marcaram estão as sondas Voyager 1 e 2, da agência espacial norte-americana (NASA). A Voyager 1 foi lançada a 5 de Setembro de 1977, e ao longo do seu caminho pelo sistema solar, passou por Júpiter e percebeu que a lua Io tinha vulcões activos. Também foi ela que tirou as primeiras imagens mais detalhadas de Júpiter, Saturno e as suas luas. Da Voyager 2, lançada a 20 de Agosto de 1977, chegaram-nos imagens de Neptuno. Comemora-se agora os 40 anos do seu lançamento. 

As duas irmãs Voyager levaram algo especial com elas. “Afixada a cada uma há um disco de fonógrafo em cobre e com banho de ouro, com carga e agulhas e instruções para utilização”, descreve-nos o cientista Carl Sagan no livro Cosmos. Nesse disco vão sons da natureza, música, diferentes línguas e sons que representam a diversidade da vida na Terra. As duas “irmãs” estão agora nos limites do sistema solar. 

Já a sonda Galileu esteve na órbita de Júpiter entre 1995 e 2003. Foi através desta sonda da NASA que se descobriu que é provável haver debaixo da crosta gelada e cheia de fissuras da lua Europa um imenso oceano salgado, o que sugeriu que ali existisse vida.

Falando de Júpiter e ainda no espaço, está a sonda Juno (da NASA). Foi lançada em 2011 e está desde 2016 a orbitar o maior planeta do sistema solar. No nosso vizinho Marte, está ainda em órbita a Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana, desde 2003. Tem estudado a composição e a superfície do planeta vermelho.

E já se fazem planos futuros para novas missões. A ESA vai lançar em 2022 a sonda Juice, que irá viajar até três luas geladas de Júpiter. A sua chegada ao sistema de Júpiter está prevista para 2029. Na lua Europa, a sonda irá medir a espessura do gelo e identificar possíveis locais para uma descida à lua. Também a missão ExoMars, uma missão da ESA e da Rússia, depois de ter enviado em 2016 uma órbita para Marte e um módulo de aterragem (que se despenhou), terá uma segunda parte em 2020 com o envio de um robô.

Estes caminhos também vão dar ao Sol. E em 2018 vai ser lançada a Solar Orbiter (da ESA), para explorar o Sol, e a Parker Solar Probe (da NASA), para estudar mais especificamente a atmosfera da nossa estrela.


Foto A sonda Voyager 1 NASA

“Há um grande investimento no estudo do nosso sistema solar”, diz ao PÚBLICO o astrofísico Pedro Machado, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço da Universidade de Lisboa. “Isto está ligado aos mundos que andamos a detectar à volta de outras estrelas.”

Pedro Machado fala-nos dos exoplanetas. O primeiro exoplaneta foi descoberto em 1995, por Michel Mayor e Didier Queloz, do Observatório de Genebra (Suíça), e estava a 50 anos-luz de distância. Hoje, já se descobriram mais de 3500, desde gasosos como Júpiter e Saturno, até rochosos tal como Mercúrio, Vénus e a Terra.

O astrofísico Nuno Santos, também do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço da Universidade do Porto, procura exoplanetas e estuda as suas atmosferas. Neste momento, como já é possível detectar a existência de atmosferas em exoplanetas, pode-se estudar a sua composição química. “No entanto, o detalhe com que as medições são feitas não se compara à que conseguimos no estudo dos planetas do nosso sistema solar”, nota. “Por isso, grande parte dos modelos físicos usados provêm do estudo dos nossos vizinhos. Estes servem de base à compreensão do que se observa nos exoplanetas.”

No seu estudo de exoplanetas, o astrofísico tem utilizado dados das missões Kepler (da NASA) e Corot (da ESA). Avisa ainda, por exemplo, que no final de 2018 será lançada a missão CHEOPS(da ESA), que tem o objectivo de estudar os planetas extra-solares, e que, em 2026, está programado o lançamento da missão PLATO (da ESA). A equipa de Nuno Santos vai utilizar também dados destas duas missões.

E assim, com a descoberta de novos mundos, vamos saciando a nossa curiosidade cósmica. 

fonte: Público

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