sábado, 15 de outubro de 2016

Índios já tinham cães domésticos mil anos antes da chegada de Cabral


Reconstrução do cachorro mais antigo do país

Tudo indica que fragmentos de osso de 1,5 mil anos encontrados no Rio Grande do Sul não são de um lobo, mas de um cachorro.

O homem e o cachorro foram mesmo feitos um para o outro. Pelo menos mil anos antes da chegada da frota de Pedro Álvares Cabral ao atual território brasileiro, indígenas de Pelotas (RS) que moravam às margens da lagoa dos Patos já conviviam com cães domésticos.

Vestígios do osso da mandíbula e dois molares de um peludo de porte médio foram encontrados em uma escavação liderada pelo pesquisador Rafael Guedes Milheira, arqueólogo da Universidade Federal de Pelotas. O artigo científico resultante foi publicado no periódico International Journal of Osteoarchaeology.

Uma observação detalhada da superfície e do esmalte dos dentes permitiu diferenciá-los das presas de parentes menos amigáveis dos cães, como o lobo-guará e um canídeo chamado "graxaim-do-campo", espécie de primo latino-americano da raposa que também frequenta a região. Uma análise química preliminar também dá dicas sobre a dieta do cãozinho vintage: é provável que ele fosse alimentado com restos de peixe pescado na própria lagoa.

Esses são os primeiros indícios de cães domésticos pré-colombianos encontrados em território brasileiro. Na América do Sul, até agora, catioros nativos só haviam sido encontrados na região dos Andes e na Patagônia.

Segundo a Folha de S. Paulo, meio metro abaixo dos ossos caninos foram encontrados três fragmentos de um crânio humano. A descoberta reforça uma associação já verificada entre cães e rituais funerários nas populações que habitaram o território americano antes da chegada dos europeus. Muito mais do que um simples auxílio na caça, já era notável na época a relação afetiva entre o ser humano e o animal.

fonte: Galileu

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