quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Universo paralelo com uma física diferente parece ter colidido com o nosso


Dados do telescópio Planck podem ter revelado colisão do nosso Universo com outro universo, com leis da física diferentes.

A conclusão é de uma análise feita por Ranga-Ram Chary, pesquisador do centro de dados americano telescópio Planck, na Califórnia, que pertence à Agência Espacial Europeia, ESA.

De acordo com as teorias cosmológicas modernas, que defendem que o universo em que vivemos é só uma bolha entre muitas outras, uma colisão entre universos é possível.

Este “multiverso” pode ser uma consequência da inflação cósmica, uma ideia amplamente aceite pela comunidade científica que diz que o universo primordial se expandiu exponencialmente após o Big Bang.

Uma vez iniciada, essa expansão exponencial não cessa, tornando inevitável uma imensidão de universos onde cada universo criado tem as suas próprias lei físicasque podem ser, ou não, diferentes daquelas que conhecemos.

Alguns destes universos podem ser totalmente diferentes, enquanto outros podem estar cheios de partículas e regras semelhantes ou até iguais às nossas.

Esta teoria explica porque é que as constantes físicas do nosso universo parecem estar tão sintonizadas para permitir a existência de galáxias, estrelas, planetas e até a própria vida.

Como saber se existem universos vizinhos?

Infelizmente, caso estes universos existam, neste momento, são quase impossíveis de detetar. Com o espaço entre estes universos e o nosso em expansão, a velocidade da luz – a mais elevado que nós conhecemos – é demasiado lenta para levar qualquer informação entre estas diferentes regiões.

No entanto, caso as duas bolhas – os dois universos – estejam próximas o suficiente para se tocarem, podem deixar marcas uma na outra.

Em 2007, Matthew Johnson e os seus colegas da Universidade de York, no Canadá, propuseram que essa colisão de bolhas – ou universos – poderia aparecer na radiação de fundo das micro-ondas como “sinais circulares” – algo como um anel brilhante e quente de fotões.

Passado quatro anos desta ideia inicial, em 2011 a mesma equipa propôs-se investigarestes sinais nos dados das sondas WMAP da NASA, antecessor da sonda Planck. Contudo, a investigação revelou-se um fiasco quando a equipa não encontrou os sinais que eram esperados.

A nova proposta

Agora, Ranga-Ram Chary acredita que pode ter visto uma assinatura diferente naquilo que pode ser uma colisão com um universo paralelo.

Em vez de analisar a própria radiação, Chary subtraiu-a a um modelo do céu. Em seguida, retirou também tudo o resto: estrelas, gás, poeiras e todo o tipo de objetos.

O resultado deveria ser um vazio – ruído. Mas, para seu espanto, numa certa faixa de frequência, certos pedaços do céu apareceram muito mais brilhantes do que o previsto.

Estas anomalias detetadas por Ranga-Ram Chary podem ter como causa uma “pancada” cósmica: uma colisão do nosso universo com outra parte de um outro universo.

Os pontos brilhantes detetados parecem ser de algumas centenas de milhares de anos após o Big Bang, quando eletrões e protões se juntaram para criar o hidrogénio.

Como essa luz é normalmente abafada pelo brilho de fundo das micro-ondas cósmicas, esse momento da história do universo – chamado de “recombinação” – era difícil de ser detetado. Porém, a análise da Chary revelou pontos 4.500 vezes mais brilhantes do que o previsto pela teoria.

Uma explicação já avançada, sugere que o responsável pela brilho anormal é o excesso de protões e eletrões deixados no ponto de contacto com o outro universo. As manchas detetadas por Chary exigem, assim, que o universo do outro lado da colisão tenha aproximadamente mil vezes mais partículas do que o nosso.

As dúvidas

Apesar da proposta apresentada, existem ainda algumas ressalvas quanto à teoria e, por isso, ainda é cedo para afirmar o que é que estas manchas realmente significam.

Em 2014, uma equipa de astrónomos utilizou o telescópio BICEP2 no Polo Sul verificando um sinal fraco com grandes implicações cosmológicas: espirais de luz polarizada pareceram fornecer evidências para a inflação, mas acabou por se concluir que o sinal vinha de grãos de poeira dentro da nossa galáxia.

David Spergel, da Universidade de Princeton nos Estados Unidos, considerou que essa poeira poderia estar, novamente, a “nublar” as conclusões.

“Eu suspeito que valeria a pena olhar para as possibilidades alternativas. As propriedades da poeira cósmica são mais complicadas do que imaginávamos, e acho que essa é a explicação mais plausível”, afirmou.

Joseph Silk, da Universidade Johns Hopkins, também nos Estados Unidos, é ainda mais pessimista e considera o artigo de Chray uma boa análise às anomalias nos dados do Planck e diz que as reivindicações de um universo alternativo são “completamente implausíveis”.

fonte: ZAP

Em Titã, a maior lua de Saturno, também há tempestades de areia


Visão artística de uma tempestade de areia em Titã © NASA/ESA/IPGP/Labex UnivEarthS/University Paris Diderot

Astrónomos fizeram a descoberta depois de analisarem registos de 2009 da sonda Cassini. Passam a ser três os mundos do sistema solar onde isso acontece. Os outros são Marte e, claro, a Terra.

Titã, a maior das luas de Saturno, é um mundo estranho, fascinante e com curiosos paralelismos com a Terra. Desde logo pela sua atmosfera. Titã, à semelhança da Terra, é a única lua do sistema solar que tem uma atmosfera, embora ela seja uma espécie de denso invólucro à base de nuvens de nitrogénio e metano. E este último, a par do etano, corre na sua superfície sob a forma líquida.

Mas agora os cientistas que estudam os registos da sonda Cassini, que entre 2004 e 2017 estudou demoradamente Saturno e as suas dezenas de luas, descobriram mais uma novidade em Titã: naquele mundo distante também há, de vez em quando, gigantescas tempestades de areia. Algo que só acontece em dois outros astros - luas e planetas incluídos - na órbita solar: Marte e, claro, a Terra.

A descoberta, publicada agora na revista científica Nature Geoscience, mostra que aquele é um mundo "muito activo", como sublinha o astrónomo Sebastien Rodriguez, da Universidade de Paris Diderot, e um dos cientistas que tem estudado os registos da sonda Cassini. "Já sabíamos da sua complexa geologia e do seu exótico ciclo [atmosférico] e agora conseguimos acrescentar mais uma analogia com a Terra e com Marte: o seu ciclo ativo de tempestades de areia", explica o investigador.

Conseguimos acrescentar mais uma analogia com a Terra e com Marte: o ciclo ativo de tempestades de areia em Titã

Tal como acontece na Terra, Titã também tem um clima variável, marcado por estações, devido à inclinação do seu eixo, e podem ali ocorrer por vezes gigantescas tempestades de metano. Isso acontece, como já antes tinham observado os astrónomos, quando, no momento do equinócio, quando o Sol passa sobre a linha do equador de Titã, se formam densas nuvens de metano na região. Seria isso que estavam a observar naqueles dados recolhidos pela sonda em 2009?

A resposta acabou por ser negativa. Não, não se tratava de mais uma tempestade tropical de metano - não era essa a assinatura química observada nos dados. Aquilo era mesmo uma novidade: uma tempestade de areia gigantesca, que acabou por se estender por cinco semanas.

Além do novo conhecimento sobre aquele estranho mundo nos confins do sistema solar, a descoberta mostra também que nos dados recolhidos pela Cassini ao longo de 13 anos poderão estar muitos outros segredos e novidades, que estão só à espera de que alguém os descubra.


Centenas de antigas moedas romanas de ouro foram descobertas em um teatro italiano

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Centenas de antigas moedas romanas de ouro foram descobertas no local de um antigo teatro em Como, no norte da Itália, informou o Ministério da Cultura Italiano.

As moedas datam do final do Império Romano, no século V, e foram encontradas em uma espécie de urna de pedra no porão do teatro Cressoni, não muito longe do local da antiga cidade de Novum Comum. 

Segundo a mídia italiana, as moedas podem valer milhões de euros.

“Nós ainda não sabemos em detalhes o significado histórico e cultural desta descoberta, mas esta área é um verdadeiro tesouro para a nossa arqueologia”, disse o ministro da Cultura, Alberto Bonisoli, no Facebook. 

O teatro, que foi inaugurado em 1870 e mais tarde se tornou um cinema antes de fechar em 1997, deveria ser demolido para permitir a construção de uma residência de luxo.

As autoridades agora planejam suspender o trabalho no local para permitir mais escavações, de acordo com a mídia local. [The Local].


Dinossauro “mumificado” de 100 milhões de anos descoberto

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Os cientistas comemoraram, nesse ano, a descoberta do que poderia ser o espécime de dinossauro blindado mais preservado já encontrado na história. Conhecido como nodosauro, o fóssil tem cerca de 110 milhões de anos.

Em 2011, um operador de equipamentos pesados com o nome de Shawn Funk, que trabalha para a empresa de energia Suncor em Alberta, estava perfurando areias de petróleo bruto quando, de repente, descobriu rochas com cores amarronzadas que pareciam com costelas. “Definitivamente, nada que já tivéssemos visto antes”, disse Funk em uma entrevista em 2011. O homem ainda não desconfiava que ele acabara de descobrir um dinossauro.

Quase 6 anos depois, finalmente podemos ver o exemplar no Museu Royal Tyrrell. Os cientistas dizem que uma quantidade significativa de “pele” e “armadura do fóssil de dinossauro que completa do focinho aos quadris” estavam intactas.

“Nós não temos apenas um esqueleto”, disse ao National Geographic, Caleb Brown, pesquisador do Museu Royal Tyrrell.” Nós temos um dinossauro como ele realmente teria sido.” O dinossauro está muito bem preservado: “pode ter sido varrido por um rio inundado e levado ao mar, onde acabou de afundar. Durante milhões de anos no fundo do oceano, os minerais tomaram o lugar da armadura e da pele do dinossauro, preservando-o da forma realista agora exibida.”

Os cientistas estão comemorando após a descoberta do que poderia ser o espécime de dinossauro blindado mais preservado já encontrado


Conhecido como nodosauro, com cerca de 110 milhões de idade


Foi descoberto em 2011 por um operador canadense de equipamentos pesados ao perfurar petróleo bruto


“Nós não temos apenas um esqueleto … Nós temos um dinossauro como ele realmente teria sido”


“Pode ter sido varrido por um rio inundado e levado ao mar, onde acabaria se afundando” para ser tão incrivelmente bem preservado


Esta é uma réplica de como os nodosaurios deveriam ter sido



Em resposta a hackers, NASA revela dados chocantes sobre ETs

Extraterrestre

Depois de os hackers do Anonymous afirmarem que a NASA estava prestes a anunciar descoberta de vida extraterrestre, a agência decidiu comentar o assunto.

Enquanto o mundo estava esperando o anúncio sobre a descoberta de uma forma de vida extraterrestre após declarações do Anonymous, a agência espacial negou esta informação.

"Ao contrário dos relatórios, a NASA não está se preparando para fazer qualquer anúncio a respeito de vida extraterrestre", disse Thomas Zurbuchen, vice-diretor do departamento científico da NASA.

No entanto, Zurbuchen disse que a agência esperava dar grandes passos muito em breve. "Estamos sozinhos no Universo? Nós ainda não sabemos, mas estamos preparando missões que podem ajudar a responder a esta questão fundamental", escreveu ele no Twitter.

Segundo o vídeo, recentemente publicado pelos hackers, o administrador da Direção de Missões Científicas, professor Thomas Zurbuchen, teria assegurado que os avanços recentes da NASA, tais como a descoberta de hidrogénio numa das luas de Saturno — Encélado — e os resultados esperançosos do telescópio espacial Hubble sobre os oceanos do satélite natural de Júpiter — Europa, aproximam como nunca a humanidade da descoberta de evidências de vida extraterrestre.

No entanto, as observações de Zurbuchen teriam sido interpretadas erroneamente pelos hackers e, além disso, em declaração ao Congresso, o astrofísico deixou a entender que a NASA "ainda não encontrou índices definitivos de vida extraterrestre".

fonte: Sputnik News

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

NASA revela o que está a movimentar silenciosamente o eixo da Terra


Especialistas da NASA apontaram recentemente três razões que explicam o motivo pelo qual o eixo de rotação da Terra oscila cerca de 10,5 centímetros por ano.

Desde 1899, o eixo de rotação da Terra oscilou cerca de 10,5 centímetros por ano. Agora, uma investigação recente afirma que há três razões, sendo que uma delas é o derretimento do gelo e o consequente aumento do nível da água do mar, particularmente na Gronelândia – colocando assim a culpa nas alterações climáticas.

Outro motivo é o facto de as massas da terra se expandirem para cima à medida que os glaciares recuam e aliviam a sua carga. Por último, mas não menos importante, a culpa é também da rotação lenta do manto, a camada intermediária do nosso planeta.

Em comparação com outros planetas do Sistema Solar, a Terra possui um eixo relativamente estável. Graças à interação gravitacional do nosso planeta com a Lua, nos últimos milhares de milhões de anos, a posição do eixo não sofreu mudanças drásticas, ao contrário de Marte e Urano, por exemplo.

Ainda assim, dados científicos mostram que o eixo terrestre está a deslocar-se pouco mais de 10 centímetros por ano. Uma parte da comunidade científica acredita que o fim da Era do Gelo não poderia ser o único responsável por esta alteração. Como resultado, os cientistas descobriram que a atividade subterrânea afeta mais significativamente a posição do eixo do que a Era do gelo alguma vez afetou.

3 razões

Os cientistas sabem, há já muito tempo, que a distribuição da massa ao redor da Terra determina a sua rotação. Além disso, a rotação da Terra não é uniforme, graças às pequenas oscilações nos movimentos das estrelas no céu noturno, explica o co-autor do estudo Erik Ivins.

Segundo Ivins, os cientistas sabiam que parte da oscilação da Terra era causada pelo ajuste isostático glacial, um processo que está a decorrer desde o final da última era glacial, há 16 mil anos.


Perda de gelo na Gronelândia (linha pontilhada azul), derretimento dos glaciares (linha amarela) e a convecção na camada do manto (linha vermelha).

Quando os glaciares recuam, aliviam a terra abaixo da sua massa. Gradualmente, a Terra responde a esse alívio expandindo-se para cima. Mas este estudo recente, publicado na Earth and Planetary Science Letters, os cientistas descobriram que o ajuste isostático glacial era responsável apenas por 3,5 centímetros de oscilação do eixo por ano – ou seja, cerca de um terço da oscilação (10,5) observada todos os anos ao longo do século XX.

Para tentar perceber as outras razões, a equipa construiu um modelo computacional e descobriram que processos ambientais, como mudanças no equilíbrio do gelo terrestre e das águas oceânicas, causam mais 4,3 centímetros de oscilação a cada ano. O derretimento da Gronelândia foi um contribuinte particularmente importante, adiantou Ivins à Live Science.

Por último, destacam os cientistas, o facto de o manto da Terra não ser estático e de se mover através de um processo de convecção configura assim a terceira e última razão: o material mais quente e mais perto do núcleo sobe, ao passo que o material mais frio afunda num ciclo de movimento vertical.

Ao incluir a convecção no modelo da oscilação da Terra, os investigadores descobriram a terceira e última razão das mudanças na rotação da Terra no século XX.

fonte: ZAP

Astrónomos descobrem potencial pátria do primeiro 'asteroide interestelar'


Cientistas calcularam a trajectória do movimento do Oumuamua, o primeiro "asteroide interestelar", e mencionaram alguns sistemas estelares de onde ele podia se ter dirigido em direcção ao Sol e à Terra há mais de um milhão de anos, comunicou a Astrophysical Journal.

O astrónomo belga Olivier Hainaut e seus colegas declaram que a candidata mais provável a ser a pátria do Oumuamua é a anã vermelha HIP 3757 da constelação Cetus a 77 anos-luz da Terra.

Em outubro do ano passado, o telescópio automatizado Pan-STARRS1 descobriu o primeiro corpo celeste "interestelar". Este objecto foi classificado convencionalmente de "cometa" e recebeu o nome temporário de C/2017 U1, dezenas de telescópios terrestres e orbitais começaram a vigiá-lo.

Antes de ele deixar o espaço próximo da Terra, os cientistas conseguiram obter um grande número de imagens e dados sobre as características físicas do "migrante", revelando que ele é mais parecido com um asteroide do que com um cometa. Ele foi renomeado em 1I/2017 U1, e mais tarde foi baptizado de Oumuamua, o que significa "um mensageiro de longe que chega primeiro" no idioma dos habitantes nativos das ilhas havaianas.

Cientistas contaram todas as estrelas que estavam à distância de 2 parsecs da linha que o cometa estava seguindo em direcção ao Sol e à Terra e calcularam as condições em que o objecto teria podido deixar esses sistemas estelares, comunicou a Astrophysical Journal.

Segundo o cientista belga Olivier Hainaut, apenas quatro das estrelas que a trajectória do Oumuamua atravessa poderiam gerar um objecto com tal tamanho e velocidade.

Além da anã vermelha HIP 3757, o papel de pátria do Oumuamua pode ser desempenhado por uma estrela semelhante ao Sol, chamada HD 292249, da constelação de Monoceros a 135 anos-luz de nós. De acordo com os astrónomos, o caminho de HIP 3757 e de HD 292249 até à Terra teria levado um e quatro milhões de anos respectivamente.

Na lista dos cientistas entraram mais duas estrelas — a 2MASS J0233 e a NLTT 36959, das constelações Cetus e Virgo, a 66 e 300 anos-luz da Terra. São parecidas ao Sol e a outras anãs amarelas e laranja pelas suas características.

Os astrónomos ainda não descobriram sinais de presença de outros corpos celestes pequenos nas estrelas enumeradas, por isso não se pode falar com toda a certeza qual delas foi a pátria do Oumuamua no passado remoto. Por outro lado, a diminuição da quantidade de candidatas a esse papel permite analisar que estrelas geram mais frequentemente tais viajantes interestelares e qual é a quantidade deles no Sistema Solar.

fonte: Sputnik News

O intestino pode ser o nosso sexto sentido


De certeza que já sentiu náuseas antes de uma apresentação importante ou de um encontro com alguém especial. Este é o poder intestino-cérebro, a conexão entre o intestino e o cérebro que os cientistas acabam de entender.

Distúrbios de apetite, obesidade, artrite e, até, depressão: esta variedade surpreendente de condições pode ter início no intestino. Os cientistas acreditam neste mote, apesar de ainda não ter ficado claro de que forma as mensagens neste “segundo cérebro” se propagam do estômago até ao cérebro humano.

Durante várias décadas, os cientistas acreditaram que os hormonas na corrente sanguínea eram o canal indireto entre o intestino e o cérebro humano. No entanto, uma investigação recente sugere que as linhas de comunicação por trás desta espécie de “intuição”, como lhe chamam, são mais diretas e mais rápidas do que a difusão de hormonas.

Em laboratório, através do vírus da raiva, com uma fluorescência verde, os cientistas traçaram o sinal enquanto o vírus viajava dos intestinos para o tronco cerebral das cobaias e ficaram muito surpreendidos quando se aperceberam de que o sinal atravessou uma única sinapse em menos de 100 milissegundos – mais rápido do que um piscar de olhos.

“Quando os cientistas falam sobre o apetite, a escala usada é de minutos ou horas. Esta descoberta pode ter importantes implicações na nossa compreensão sobre o apetite, até porque muitos dos inibidores têm como alvo hormonas de ação lenta, e não sinapses de ação rápida”, explica Diego Bohórquez, professor de medicina na Universidade de Duke.

O cérebro recebe informação dos nossos cinco sentidos por meio de sinais elétricos, que percorrem longas fibras nervosas que se encontram por baixo da nossa pele. Estes sinais movem-se muito rapidamente, sendo por este motivo, por exemplo, que o cheiro de bolachas acabadas de sair do forno emerge assim que abrimos a porta da cozinha.

O intestino é tão importante quanto um órgão sensorial, mas os cientistas pensavam que este órgão transmitia as suas mensagem através de um processo com várias etapas, isto é, indireto. E, na verdade, estavam parcialmente certos.

No entanto, Bohórquez suspeitava de que o cérebro tinha uma forma de perceber as pistas do intestino mais rápido do que o normal. O cientista reparou que as células sensoriais que revestem o intestino partilham muitas das características das células sensoriais da língua e do nariz.

Em 2015, publicou um estudo no Journal of Clinical Investigation no qual prova que as células intestinais têm terminações nervosas ou sinapses, sugerindo, assim, que poderiam ter uma espécie de circuito neural próprio. No estudo, o cientista tentou mapear este circuito, injetando o tal vírus da raiva de cor verde fluorescente no intestino de ratos de laboratório.

Assim, Bohórquez e a sua equipa observaram que o vírus marcou o nervo vago antes de aterrar no tronco cerebral, mostrando assim que havia, de facto, um circuito direto.

De seguida, Kaelberer recriou o circuito neural do cérebro intestinal, cultivando células intestinais sensitivas de cobaias no mesmo prato que neurónios vagos. O cientista viu, então, os neurónios a arrastarem-se ao longo da superfície do prato para se conectarem às células do intestino e, assim, começar a disparar sinais.

Quando a equipa acrescentou açúcar, a velocidade disparou. Kaelberer mediu a rapidez com que a informação do açúcar no intestino foi comunicada e ficou chocado ao descobrir que era da ordem dos milissegundos.

Esta descoberta sugere que um neurotransmissor como o glutamato – envolvido na transmissão de outros sentidos, como o cheiro e o paladar – pode atuar como um mensageiro. Caso os investigadores bloqueassem a libertação de glutamato nas células do intestino sensorial, as mensagens seriam certamente silenciadas.

Bohórquez sugere ainda que a estrutura e a função deste circuito são as mesmas em humanos. O artigo científico com as conclusões da investigação foi recentemente publicado na Science.

“Achamos que estas descobertas serão a base biológica de um novo sentido”, diz Bohórquez, acrescentando: “aquele que serve como ponto de partida para o cérebro saber quando é que o estômago está cheio de comida e de calorias. Isto dá legitimidade à ideia do instinto como um sexto sentido.”


fonte: ZAP